Em brixton academy:

Foals tocando no prêmio da NME, realizado em Londres porém bancado por Austin, Texas e que elegeu o Coldplay como “banda de gênios”. O que está acontecendo?

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* No fim de semana aconteceu mais uma cerimônia de premiação do semanário britânico “New Music Express”, o NME Awards. Na verdade, o nome inteiro do prêmio, desde 2014, é NME Awards with Austin, Texas. Mas é realizado em Londres, Inglaterra. Entendeu? O patrocínio do evento da revista inglesa é da cidade de Austin, um dos lugares mais intensos para música nova e mais ou menos nova e clássica antigona de todo o planeta.

O Awards da NME existe desde 1953, pensa, enquanto a revista quase não existe mais, tadinha. Mentira, existe sim, só está saindo de sua plataforma tradicional para viver “os dias de hoje”. NME lives.

Daí que interessa menos os resultados da premiação (Coldplay é o grupo “gênio” do ano, Maccabees a banda britânica do ano e o incrivelzinho Rat Boy como “best new artist”) e mais as apresentações ao vivo da festa que aconteceu no mitológico Brixton Academy, onde uma vez passei um aniversário vendo o Wedding Present e em outra assisti os Pixies, comecinho dos 90, e uma epifania aconteceu na minha vida, entre outros shows memoráveis.

Mas daí que neste final de semana o Foals tocou no NME Awards with Austin, Texas. Em Londres. O Foals, aquela banda inglesa que tem um Cine Joia lotado esperando por eles aqui no Brasil. O nome da música diz muito sobre muita coisa: “What Went Down”, maravilhosa, perguntando o que está acontecendo com a toda a fúria da música independente.

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Disclosure ao vivo ontem em Londres, "steering dance music", como dizem lá

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* O duo Disclosure, que salvou a música eletrônica em 2013 blablablá com um garage-house inacreditável, que lançou um dos melhores discos do ano blablablá e ofuscou nas paradas o Daft Punk e o David Bowie blablablá e que é dupla de irmãos de 22 e 19 anos blablablá, tocou ontem no lendário Brixton Academy, em Londres, na primeira das duas noites completamente esgotadas e com ingressos disputados com sangue na internet pelos locais. Os shows ambos têm abertura do lindo Totally Enormous Distinct Dinosaurs e estão cheio dos convidados que estão no disco.

O alvoroço em torno do electrobaile do Disclosure hoje acontece mesmo sabendo que já estão anunciadas três grandes apresentações dos brothers Lawrence em março, em lugares tipo Manchester Apollo e o suntuoso (e gigante) Alexandra Palace, em Londres.

Mas enfim, ontem, a apresentação do Disclosure no Brixton Academy ganhou quatro estrelas em quatro do crítico do “Evening Standard”, o mais famoso dos jornais de rua/metrô que abastece os londrinos de notícia durante várias edições por dia.

Em inglês, ele disse muito sobre o que é a “experiência Disclosure”, a timidez dos irmãos e o que eles representam para a dance music: “While the young brothers may lack the air-punching charisma of the current generation of superstar DJs, they have made a valuable contribution in steering dance music away from brash synth overload towards a classy, minimal sound. The Disclosure brothers give a fresh kind of high for dance music”.

Peguei uns videozinhos de galera aqui, povo cantando junto, a Sasha Keable aparecendo para cantar a linda “Voices” e a Eliza Doolittle, aquelas coisas. Não vou nem falar do Sam Smith e da Jessie Ware.

Vão aparecer vídeos melhores logo mais. Mas por enquanto vamos com esses.

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O fim do mundo "extravaganza" do Prodigy

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Se o Radiohead em algum momento pensou em encarar o fim do mundo com muita calmaria no interior de São Paulo, o mesmo não se pode dizer da galera peso pesado do Prodigy. A banda inglesa de electro-punk resolveu fazer uma espécie de “esquenta” para a chegada do apocalipse e realizou três shows esgotadaços na tradicional e charmosa Brixton Academy, em Londres, entre os dias 18 e 20 de dezembro.

A série de shows, intitulada “End of the World Extravaganza” pode ser lançada neste ano em DVD, já que os três shows foram filmados com “câmeras especiais”. O Prodigy é um dos responsáveis diretos pela popularização da cena eletrônica do final dos anos 90 e tem mais de 20 anos de estrada. Liderado pelo produtor e compositor Liam Howllet, mas com a cara de seu vocalista “palhaço punk” Keith Flinth, o grupo está trabalhando em um novo disco que deve ser lançado no segundo semestre.

Como o mundo não acabou, a banda já tem alguns shows marcados para este ano. Em março, eles embarcam para uma turnê pela Austrália e Malásia. No meio do ano, estrelam alguns dos principais festivais do verão europeu, como o Rock Am Ring alemão e o Main Square francês, onde prometem testar as novas músicas.

Os shows do Prodigy, sempre punks, chegam a dar medo. Lembro que na lendária apresentação deles no gigante Skol Beats aqui, o chão tremeu e eu demorei alguns dias para me recuperar. Parecia que eu havia sido atropelado por uma carreta. Deve ter sido o mesmo “sentimento” de quem foi aos shows na Brixton Academy, como podemos ver no making of das apresentações liberado pela banda. Quase que o mundo acaba antes da hora em Londres.


Serge Pizzorno, guitarrista do Kasabian, cheio de energia para o fim do mundo, dois meses após dar o bolo nos latinos

Tame Impala ao vivo em Londres: "Outro nível"

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* A banda australiana psicodélica Tame Impala, com vários shows significativos e esgotados pela frente (e um muito especial para trás) chegou a Londres para divulgar seu incrível segundo disco, “Lonerism”. O grupo do menino-prodígio Kevin Parker, que toca hoje em Manchester, voltou à Inglaterra com marcante show no Brixton Academy. Eles não tocavam na capital inglesa desde 2010, assim que lançaram a estreia “Innerspeaker”. “Acho que hoje vocês vão ver uma banda em outro nível que aquele”, falou Parker já começando a apresentação com a absurda “Elephant”.

Do disco, o importante jornal britânico “The Guardian” disse o seguinte: “A bubbling, intoxicating opus that blends classic psych-rock with the lush pop, glam stomps and experimental sounds of the 70s and club highs of the 90s”.

Do show de terça, o diário fala assim: “Sneering through vengeful lyrics and emboldened by the hypnotic, churning groove that builds to almost unbearable proportions around him, Kevin Parker seems to grow to the messianic proportions the music-press hype would have us believe he inhabits. When Parker breaks the trance, jumping in to sing before striking the appropriate chord, it brings Tame Impala back to earth, but it’s still a resounding victory for the Aussies”.

Coisa séria. Olha que viagem:

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