Em bruno bruni:

Top 50 da CENA – O sangue negro de GIO tem poder. Parte 2 da Tuyo mantém trio no topo. E a Linn da Quebrada segue no pódio

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* Pensando aqui se esta semana tem algum marco temático. Parece que não. A gente já estava de olho no GIO, a gente já ama a Tuyo, o alcance sonoro do Valciãn, a Mary chegou na gente via Mahmundi, outro amor nosso. Bruno Bruni e Terno Rei também são outras obsessões da casa. Sem falar nos outros sons que seguem mais uma semana no nosso top 50. Acho que encontramos um tema: nossa playlist semanalmente atualizada é o nosso amor por essa CENA maravilhosa que é a brasileira. Você ainda não se apaixonou, não?

giotopquadrada

1 – GIO – “Sangue Negro” (Estreia)
O novo álbum do baiano GIO, anteriormente conhecido como Giovani Cidreira, é uma ida a sua ancestralidade com a chave do afrofuturismo. A faixa “Sangue Negro”, escrita com o primo Filipe Castro, abre a obra – no YouTube um curta deles mostra as origens da família de GIO e suas histórias. Ao resumir um pouco da ideia do disco, Gio escreveu: “É sobre não esquecer que somos pessoas iluminadas, detentoras de um poder ancestral, de um potencial que o sistema racista, que nos mata todos os dias e nos entrega sobras, descarta e nos faz esquecer, retirando o direito de existir na memória, na musicalidade e nas experiências culturais deste país.” Este álbum vai longe, em vários sentidos.

2 – Tuyo – “Turvo” (Estreia)
Velha conhecida dos fãs, “Turvo” é uma canção que finalmente o trio curitibano resolveu colocar em disco. E a vez dela chegou em “Chegamos Sozinhos em Casa, Vol. 2”. Porém, “Turvo” aparece totalmente descontruída da versão conhecida pelos fãs. Acelerada, mais eletrônica e mais suingada, é de longe das canções mais viciantes do álbum. Esta é para tocar um milhão de vezes por aí.

3 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (1)
Que álbum é esse, Linn Da Quebrada? Ela conseguiu repetir o difícil feito de bater de frente com uma grande estreia e seu segundo disco é uma nova superobra em uma simbiose linda com a parceria/DJ/produtora Badsista. Ao propor uma nova sonoridade, Linn lança o questionamento e provoca “algoritmos, gêneros e rótulos” e também a plateia ao apresentar um lado seu que ainda não observamos.

4 – Mary Olivetti – “Black Coco” (Estreia)
Filha do mestre Lincoln Olivetti, a DJ e produtora Mary resolveu reler uma joia do pai, no caso este hit dos anos 70. Na versão atualizada, os vocais são da maravilhosa Mahmundi, que só chegam aos 2 minutos da música. Deu para entender um pouquinho da brisa que são esses seis minutos de som?

5 – Rodrigo Amarante – “Maré” (2)
Um outro segundo disco solo que honrou o compromisso é esse do Amarante, o recém-lançado “Drama”, tão bom quanto a estreia solo. Belas canções e proposta acertada de cantar outros mundos e amores possíveis – sem medo do drama. Falar de amor é sempre revolucionário.

6 – Valciãn Calixto – “Desmitificando Pombagira” (Estreia)
O piauiense registra aqui sua mistura única de funk, axé, swingueira, capoeira, salsa, candomblé e xote, temperada pela sua capacidade enorme para fazer letras simples e bacanas, diretas. E parte para cima de uma tema urgente no Brasil: desmitificar elementos do candomblé e da umbanda. Não por acaso, seu novo EP que saí em breve vai levar o nome de “Macumbeiro 2.0”. Menino bom.

7 – Tagore – “Capricorniana” (3)
Rapaz, que hit imediato o pernambucano Tagore conseguiu criar aqui. Uma conversa direta com o melhor que a música psicodélica na tradição brasileira já produziu – e pop até umas horas, já que a turma curte papo de signo ou “astrologia de buteco”, segundo o próprio vocalista/compositor/guitarrista Tagore Suassuna – até os haters. Afinal haters gonna hate.

8 – Zopelar – “Jump” (4)
Bem interessante esse espertíssimo trabalho do conhecido DJ e produtor de eletrônica da agitada noite e madrugada paulistana, o Pedro Zopelar, de olhar para o passado da música brasileira a partir das pistas – um dos locais onde a música que o toca respira e vive. E conta história. “Um tributo aos DJs dos Bailes das antigas que foram responsáveis por disseminar a mensagem do Funk e Soul em SP”, ele diz. E, ouvindo, nos sentimos indo a esse passado bonito.

9 – Bruno Bruni – “A Onda” (Estreia)
Indie de alma jazz ou o contrário, Bruno Bruni começa a dar as pistas de seu novo álbum. Se “Broovin”, sua estreia, era o trabalho de um homem só, “Broovin II” traz muitos músicos em cada som. A festiva “A Onda” é só o primeiro indicio do que essa mudança de temperatura traz para a obra do músico.

10 – Terno Rei – “Medo” (Estreia)
Chapamos na estética anos 80/rádio retrô desse som. Ainda que esteja em “Violeta”, álbum do Terno Rei lançado em 2019, a banda lançou só agora um vídeo para ela e fez a gente relembrar o quanto ali está um puta disco. Dali a gente vai por “Yoko”, “São Paulo”, “Dia Lindo”. É esperar a pandemia acabar para ver um show dos caras.

11 – Bonifrate – “Cara de Pano” (5)
12 – Nelson D – “Nossa Flecha (L_cio Remix) (6)
13 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (7)
14 – Criolo – “Fellini” (8)
15 – Bruxas Exorcistas – “Vade Retro Satanás” (9)
16 – Fusage – “Fearless Soul” (10)
17 – Marisa Monte – “Medo do Perigo” (11)
18 – Yannick Hara e Dy Fuchs – “Stalkers e Haters” (12)
19 – Lucas Ranke – “Alucina” (13)
20 – ATR – “Intro’ (14)
21 – Amaro Freitas – “Sankofa” (16)
22 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (17)
23 – Nill – “Singular” (23)
24 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (24)
25 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (25)
26 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
27 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (27)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
29 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (29)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
32 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (32)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
35 – Mulungu – “A Boiar” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
39 – Zé Manoel – “Como?” (39)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, GIO, ex-Giovani Cidreira.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

CENA – Bruno Bruni lança o single “A Onda”, descontinuando a continuação

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* Em 2018, o multiinstrumentista paulistano Bruno Bruni, de alma indie pendendo ao jazz (ou o contrário), lançou seu primeiro disco solo, “Broovin”, tocando praticamente tudo. Bruno, que na verdade se chama André, podia ser visto ainda na banda-balbúrdia Mel Azul, emprestando seu talento variado para outra gente como a Leto, o Pessoas Estranhas etc.

Bruni divulgacao

Agora, neste novo mundo de 2021, Bruni, cujo currículo também consta acadêmico da música popular, engenheiro de som e produtor, caminha para seu segundo disco, “Broovin II”, cuja continuação sugerida pelo título pode não realçar que o músico vai sim ser fiel às suas “métricas” sonoras, mas dividindo mais os trabalhos e explorar novos territórios. Como este seu primeiro single, que chega nesta sexta ao streaming, mas pode ser ouvido hoje via Popload.

Ouça “A Onda”, incursão mais ao pop do jazzy Bruni, que ainda traz como condutora vocal da música a cantora Barbarelli, com Laura Lavieri nos backing, botando o trabalho de Bruno Bruni fortemente no caminho feminino.

“As novas composições mantém alguma semelhança com as do primeiro. Pode-se dizer que seguem uma mesma identidade de combinações de groove com harmonia. Mas agora ganham calor humano: dezenove pessoas participam tocando e cantando juntas”, afirmou Bruni.

No caso desta “A Onda”, o primeiro single do segundo disco, Bruni ainda dividiu funções nas instrumentos todos. A canção tem, por exemplo, Thomaz Souza nos saxofones, Vicente e Felipe Pizzutiello respectivamente na bateria e no baixo e Pedro Luce na percussão.

“A música ilustra um certo estado de espírito do disco… Um êxtase e uma euforia em cada nota. Essa euforia faz parte da minha maneira de sentir e criar música. Não é uma onda muito tranquila, ela é eufórica mesmo. Por isso acho que essa faixa prepara bem o ouvido para a onda do disco”, ilustrou o músico.

Sobre a letra “festiva”, ele destaca o seguinte: “A festa que acontece dentro do peito é como eu me sinto fazendo música todo dia. Inevitavelmente, sem hora certa, sem saber de tudo, sem medo, sem permissão. Na busca pelo som”

O lançamento é assinado pela Freak, estúdio de gravação e ainda selo curatório de artistas do naipe de Garotas Suecas, 2de1, Mel Azul, Viratempo e outra galera boa.

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CENA – Onipresente da cena paulistana, o virtuose indie-jazz Bruno Bruni prepara sua volta solo, mas cercado de muita gente. Veja vídeo ao vivo para entender

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* Não é difícil trombar o multiinstrumentista Bruno Bruni pelos palcos de São Paulo. Ex-integrante do Mel Azul, construiu a persona solo (o nome dele real é André Bruni) no ano passado para lançar seu primeiro disco, “Broovin”, álbum rico e plural em que gravou praticamente todos os instrumentos, mas que não o impede de ao mesmo tempo embarcar em novos projetos, novas bandas, para emprestar seu talento nos teclados. Bruni pode ser visto por aí deixando mais jazzy (ou não exatamente) novas formações legais, como Pessoas Estranhas e Leto.

Mas ele tem um plano. Só dele. No final deste mês, Bruno Bruni, artista do selo Freak, dá sequência a sua marca própria e lança novo single, que vai direcionar “suas métricas ímpares e harmonias bem trabalhadas” para uma nova direção, um novo álbum.

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Esse novo single, de nome ainda não divulgado, aponta para a sequência “solo pero no mucho” do tecladista, que desta vez vai levar para o estúdio outros muitos músicos que têm o acompanhado ao vivo, para tudo ficar assim, mais orgânico, plural, priorizando os instrumentos acústicos, como bateria, contrabaixo, teclados, guitarra e sopros.

Para antecipar a “nova brisa” de Bruno Bruni e seu novo single, a Popload mostra aqui uma performance recente do músico no Centro Cultural São Paulo, com banda completa, para a linda faixa “Linda”, de seu álbum de estreia, do ano passado. Mas tudo apontando para o futuro.

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** As fotos de Andre Bruni usadas para este post são de autoria de André Spillborghs.

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