Em Buzzcocks:

Que punk… Um dos pais da música independente, Pete Shelley, do Buzzcocks, nos deixa aos 63 anos

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Sujeito que simplesmente ajudou a moldar o punk rock inglês e a música independente que aprendemos a amar, Pete Shelley nos deixou na noite desta quinta-feira, possivelmente vítima de um ataque cardíaco fulminante.

O líder do Buzzcocks, um jovem de 63 anos, vivia na Estônia e até dia desses estava em um palco. O último show dele com sua banda foi no fim de agosto, em Belfast.
Shelley foi responsável direto por botar o Buzzcocks na tríade do punk inglês, lá nos anos 70, junto com Sex Pistols e The Clash.

Esperto, botou sua banda para tocar pela primeira vez na vida como atração de abertura dos Pistols, em sua terra natal Manchester, em 1976. “Eu e Howard Devoto já havíamos formado a banda, mas nunca tocado ao vivo. Fomos ao show dos Pistols em Londres e percebemos que eles já tinham um grande público que os seguia. Então resolvemos agendar um show dos Pistols em Manchester, para aproveitar esse público que eles arrastavam para fazer nossa estreia no palco”, contou em entrevista à Folha de S. Paulo, em 2001, em uma de suas vindas ao Brasil. “Podemos falar que o show dos Pistols e Buzzcocks juntos foi a primeira grande noite punk de Manchester”, completou.

No ano seguinte, o grupo sem saber acabou fazendo história ao lançar o EP que é considerado o pontapé inicial da música independente. “Spiral Scratch” foi todo bancado pela banda, a partir de 500 libras emprestadas pelo pai de Shelley. A produção foi assinada por Martin Hannett, que mais tarde se tornaria o produtor do Joy Division.

O Buzzcocks surgiu como um furacão junto com a leva do punk na segunda metade da década de 70. Durou apenas cinco anos e lançou três discos cheios naquela época, o suficiente para oferecer ao mundo verdadeiros hinos como “Ever Fallen in Love” e “Everybody’s Happy Nowadays”.

A banda voltou a se reunir apenas em 1989 e desde então vinha tocando junta. O último disco deles é “The Way”, lançado há quatro anos.

Grupo queridinho do eterno DJ/radialista John Peel, o Buzzcocks além de fazer sua estreia em rolê com os Pistols e de apadrinhar a cena independente, foi a última banda a excursionar com o Nirvana, em 1994, e ainda influencia gente atual como a molecada do Slaves. E assim continuará sendo.

Pete Shelley já está fazendo falta.

*** Registro do último show em Belfast, em 25 de agosto deste ano.

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Coachella, dia 2 – A dance music unindo as pessoas. O Flying Lotus e o melhor show do dia. O novo rap. O palco hipnótico do Radiohead

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Em seu segundo dia, o Coachella teve cara de Coachella. Saíram os ventos e chuva da sexta, voltou o sol escaldante do deserto da Califórnia.

Com programação bem “plural”, o primeiro sábado do festival teve de tudo: rock, pop, rap, novo rap, eletrônica, nova eletrônica, punk. De Azealia Banks a Buzzcocks, de Flying Lotus a The Shins. Mas boa parte do público estava lá para ver o que pega nesta nova turnê do Radiohead.

Uma das vozes da nova geração, a louquinha Azealia Banks fez um dos primeiros shows bem comentados do dia, na tenda eletrônica. Em set de quase meia hora, a pessoa mais cool do planeta em 2011 para a NME, fez show intenso, com letras fortes com suporte de samples eletrônicos. Teve “Bambi”, um de seus novos hits. Assim como também teve “Firestarter”, clássico do Prodigy. Quem viu, adorou.

Outra atração que bombou foi o Flying Lotus, um dos nomes fortes do Sónar SP (mês que vem, no Anhembi). Para o NY Times, foi o melhor show do dia. Aliás, o NYT declarou que a dance music está “unindo” o Coachella, pois é do gênero os shows mais concorridos e animados. O DJ de Los Angeles agitou uma destas tendas eletrônicas do Coachella e parece ter batido fácil o pop David Guetta, que também se apresentava a poucos metros dali.

Bandas veteranas como o Buzzcocks e o Squeeze não perderam o fôlego e seguraram bem seus shows. Nos palcos principais, a noite foi chegando ao som de Noel Gallagher, também visita certa para os brasileiros na primeira semana de maio. O irmão do Liam dividiu seu set com clássicos do Oasis e sons de seu primeiro álbum solo, High Flying Birds, mas com setlist encurtado pela metade do show convencional.

Na sequência, bons shows do The Shins, que trabalha seu novo álbum “Port of Morrow” e do Bon Iver, que teve em “Perth” seu momento principal. Um dos ótimos grupos da última década inglesa, o Kasabian fez show pesado, concorrido e animado. Concorrida também foi a apresentação do problemático A$AP Rocky, um dos expoentes dessa nova ala do rap e hip-hop, atração do Popload Gig. (Reparou que todo mundo está vindo para o Brasil?)

Principal atração do dia, como já destacamos no post anterior, o Radiohead apareceu para fechar a programação com um show de imagens, luzes e boa música. Incrível como o Radiohead, com duas décadas de carreira, consegue ser cada vez mais hipnótico e transcendental. O novo palco possui uma cortina de luzes ao fundo e mais ou menos 12 telas de led que ficam se movimentando a todo momento, com imagens dos integrantes da banda. Coisa linda, ainda mais quando tudo isso se intercala a canções que resistem ao tempo, como os mega hits “Karma Police” e “Pyramid Song”. Show da vida esse Radiohead.

Confira alguns vídeos dos principais shows do segundo dia do Coachella.