Em california:

Festival que resgatou o centrão de Los Angeles, FYF Fest vai ter My Bloody Valentine, The xx e até a Janet Jackson

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Nunca me canso de dizer que o FYF é o festival que todos queremos ser quando crescermos. Agito que ressuscitou o centrão de Los Angeles, antes out, hoje point, o FYF continua com sua tradição recente de ser um dos eventos indies mais legais do planeta e chega à sua edição número 15.

Nascido nanico em um parque tosco nas redondezas coreanas de Downtown LA, perto da divisa com a vizinhança mexicana roots, o FYF antes de crescer, mudar de parque e ser comprado pela galera do Coachella se chamava Fuck Yeah Festival. Agora, não para de crescer.

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Antes realizado no fim de agosto, desde o ano passado rola no fim de julho. Na edição deste ano, que volta a ter dois dias (em vez dos três de 2017), estão na programação os headliners Florence and the Machine, Janet Jackson e o seminal My Bloody Valentine, com seu primeiro show na América em cinco anos. Outras grandes atrações são Future, Charlotte Gainsbourg, The xx, St. Vincent, Breeders, Stephen Malkmus & The Jicks.

Para quem quer dar um rolê pela Califórnia na época, os ingressos serão colocados à venda dia 6 de abril.

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Ainda a Grimes em San Francisco. O que está acontecendo, Claire?

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* Desculpe-me usar o mesmo título que eu usei ontem para o show da banda Chvrches, com os endereçamentos modificados, claro, mas fiquei com a mesmíssima sensação ao ver a performance “muito louca e colorida” da canadense querida Grimes no Fox Theater, em Oakland, no mesmíssimo palco. Seria problema do lugar? Tentei pensar um pouco sobre isso, no texto que saiu publicado na Folha de hoje, no caderno Ilustrada, dentro da série de shows californianos. Seu último disco, “Art Angels”, é tão bom, Claire. O que pega?

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A heroína indie eletrônica canadense Grimes tinha algumas opções para levar ao palco as músicas de seu elogiado álbum “Art Angels”, o quarto de sua jovem carreira, o segundo a realmente tirá-la de Vancouver para o mundo e um dos últimos belos discos a serem editados em 2015, quase para fechar o ano de tantos bons lançamentos.

Ou ela montava uma banda “orgânica” para dar vida a suas eletronices cool de estúdio, na linha de LCD Soundsystem e Hot Chip, por exemplo, ou seguia “pequena” e se mantinha atrás de uma mesa de sintetizador “tocando” seu som e botando sua voz de fada a serviço do chamado “dream pop” viajante.

Mas ela foi forçada a escolher um terceiro caminho, como pode ser visto anteontem à noite no teatrão de Oakland, o Fox Theater, em outra visita ao local nesta semana para a nossa série de shows californianos da nova música.

A multitalentosa Claire Elise Boucher, a persona que se confunde com o projeto Grimes, cresceu muito de uns dois anos para cá, vende bem, toca bastante em rádio, foi adotada pela moda e, por tanto, acabou empurrada a palcos grandes, a esta altura da carreira. Seja grande como o do Fox Theater ou os do Coachella, onde é uma das atrações top do festival amanhã.

E, para preencher esse palco grande para o tamanho de seu sucesso além-indie, Grimes optou por chamar um time de dançarinas e caprichar em cenário e nas luzes hipnóticas.
O início do show é sintomático. As luzes se apagam, a platéia grita (2800 pessoas esgotaram ingressos para o show de ontem, há meses) e entra uma garota morena que não é a loirinha Grimes, sob um som etéreo, fazendo uns movimentos que oscilam entre dança do ventre ou algo mais performático nível Cirque du Soleil. Daí logo entra a canadense e suas outras amigas “bem escolhidas”: uma negra e uma oriental. A composição racial está harmônica.

Os sintetizadores estão lá também, em duas mesas lindas ao fundo, mas Grimes na maioria das vezes apenas comparece a elas nos começos das músicas, para dispará-las apertando um botão e em seguida correndo para e correr para frente do palco com o microfone, para dançar e cantar.

De garota esquisita de cabelo descolorido que grita dos dois primeiros discos (os dois bem undergrounds, ambos de 2010) até a apresentação de ontem em Oakland, é inegável que Grimes cresceu e apareceu, por causa de seus dois álbuns mais recentes.
O problema é que, também, pelo menos a respeito de performances ao vivo, a garota anda fazendo escolhas erradas.

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* As fotos, deste post e da home da Popload, novamente, são de Ian Young, desta vez publicadas no “Bay Brigded“, site que cobre música independente na San Francisco Bay Area.

** A Popload viaja pela Califórnia em shows a convite do VisitCalifornia.

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San Francisco: a igreja do John Coltrane vai fechar domingo. Mais: Grimes errada, o passeio beat e os milhares de maconheiros unidos no monte hippie

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* Em primeiro lugar, meu profundo pesar pela morte do gênio Prince. :/

* Muitas coisas acontecem em San Francisco além da batelada de shows desta temporada coachelliana e de as pessoas andarem vestidas no dia a dia como cosplay de mangás e outras coisas em Japantown, a região onde estou hospedado na cidade.

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* Perto do hotel, na rua Fillmore, por exemplo, tem a igreja do John Coltrane, o saxofonista mito do jazz que morreu aos 40 anos, nos anos 60. Tem, não. Praticamente tinha. A igreja não vai mais existir nesse endereço depois da última missa, domingo que vem. E me disseram lá que ainda não sabem para onde vão depois que saírem do endereço de 10 anos de culto ao lendário músico. Mas vão para algum lugar, falaram. A igreja de John Coltrane existe desde que ele foi “canonizado” pela igreja ortodoxa africana, logo depois de sua morte. Coltrane virou Saint John William Coltrane. E todos os domingos desde então rezam missa e tocam música dele. Parece que alguém da família Coltrane estará no domingo na igreja de Fillmore, para a última missa no local.

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* Ontem, entre 12 e 15 mil pessoas foram ao enorme e belo Golden Gate Park, se reunir em torno do Hippie Hill, para fumar maconha às 4:20 da tarde do dia 4/20, o 20 de abril como os americanos pontuam com o mês na frente, bem na hora que representa o famoso “código da cannabis”. A Popload esteve lá, para COBRIR o evento, veja bem!!! É praticamente um feriado nos arredores do Golden Gate Park. A maconha, embora liberada para “uso medicinal” no estado, não necessariamente pode ser consumida em público. Mas a polícia faz a tradicional vista grossa para o evento, que está no calendário hippie da cidade e só tem crescido. Inclusive ajudam controlando o trânsito da região, de chegada e de saída do parque. Vem gente de todas as localidades para a baforada, que tradicionalmente acontece exatamente às 4:20 pm com saudação aos gritos, assobios e tragadas. Mas é uma verdadeira “tarde da fumaça”, porque o trânsito aos arredores sofrem alteração das 15h às 21h. Como não dá para a polícia prender 15 mil pessoas, se ninguém fizer idiotice de qualquer gênero, se organizar direitinho, todo mundo fica de bowie.

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O Hippie Hill, dentro do parque Golden Gate, é um lugar histórico pela sua importância nos movimentos da contracultura dos anos 60, que partiram dali do pico. No monte, no chamado “Summer of Love”, os jovens se reuniram para ficar pelados, tomar ácido e viajar ao som de Janis Joplin e Grateful Dead, para lutar pela liberdade e contra a guerra. Inclusive lá tem a árvore Janis Joplin. Não me atrevi a chegar nela por causa da galera de olhão vermelho. Dia “errado” para ver a árvore. No Hippie Hill, também, e “naqueles tempos”, o ex-beatle George Harrison fez um show “muito doido” no local.

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* BEAT ME – Não basta ir à livraria City Lights, na Columbus, resvalando em Chinatown. Tem que atravessar a rua e ir à livraria Beat Museum comprar uma foto do Allen Ginsberg e ver o carro que o diretor brasileiro Walter Salles deu à loja, depois que filmou “On the Road”, sob supervisão do local Francis Ford Coppola, adaptação do marcante livro do Jack Kerouac, outro herói da beat generation.


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* GRIMES EM SAN FRAN – Ontem teve show da canadense Grimes no Fox Theater, em Oakland, algumas estações depois de tomar o Bart na praça Civic Center. Ela está em plena turnê de seu discão “Art Angels”, lançado em novembro, trabalho cheio de músicas boas, singles de rádios bombators e tudo mais. Mas o show… Falo mais outra hora.


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* As fotos, deste post e da home da Popload, são de Ian Young e foram originalmente publicadas no site fera The Line of Best Fit.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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É preciso falar mais sobre o Fat White Family em San Francisco, banda gorda, branca e do lar

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* Ainda em comoção com o show dos punks ingleses do Fat White Family no Social Hall, terça à noite, reproduzo abaixo as mal traçadas linhas deste que voz fala publicadas pela Folha de S.Paulo hoje, à respeito da apresentação do sexteto britânico, dentro deste nosso rolê californiano. Queria ir a shows do FWF todos os dias, haha.

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* “Por que você ainda está vestido?”, veio o grito de alguém da platéia no meio do show da banda inglesa Fat White Family, terça-feira à noite em San Francisco. Estamos em mais um concerto de nossa temporada de música ao vivo pela Califórnia, que ainda passará pelo Coachella com suas 160 bandas no final de semana e desembocará num Iggy Pop acompanhado por superbanda em Los Angeles semana que vem, mas já temos um candidato para uma das melhores apresentações da lista desta série para a Ilustrada. Talvez não um dos “melhores” exatamente, mas possivelmente um dos mais contundentes.

O berro se referindo à questionável manutenção da roupa em cena foi desferido em direção ao vocalista do Fat White Family, o figuraça Lias Saoudi, que, sim, àquela altura do show, lá pela sexta música, ainda estava vestido. Só de calça, sem camisa, depois de vários autobanhos de cerveja na cabeça e algumas incursões para cantar no meio do público durante uma roda de pulos e chutes à maneira punk. O que equivale a dizer que Saoudi, para uma performance “normal” do grupo de Londres, estava praticamente de terno e gravata e com um sobretudo sobre… tudo.

Shows do Fat White Family, por mais que a banda tenha formação recente e tenha acabado de lançar seu segundo álbum, “Songs for Our Mothers” (janeiro), não é novidade nos EUA nem na Califórnia. E quem já frequentou um deles sabe que pode encontrar um pandemônio sonoro no palco e comportamental na platéia, com roupas arrancadas em cima e embaixo, danças pogo em cima e embaixo, chuva de bebidas etc.

A algazarra promovida pelo Fat White Family não é tal qual os três acordes do punk de outrora, porque o sexteto desempenha muito bem o papel de banda de qualidade, impressionante pela idade de seus integrantes, da bateria excelente ao teclado “anos 60” envolvente.

No meio da bagunça visual do grupo é possível ouvir um coquetel de influências bizarras e às vezes não sociáveis que vai de Sex Pistols a Velvet Underground, Pogues a Black Lips, The Fall a Slaves. Punk e pós-punk. O velho e o novo.

Aliás, sobre o Fall, o Fat White Family assume explicitamente sua referência, batizando uma música de seu primeiro disco, o sugestivo “Champagne Holocaust” (2013), de “I Am Mark E. Smith”, se apropriando da personalidade do veterano vocalista da banda de Manchester, anciã do punk.

Aliás ainda, ter um grupo tão jovem e pulsante como o Fat White Family na cena britânica atual é um dos melhores presentes que os ingleses dão ao punk, no aniversário de 40 anos do movimento que mudou a música, as artes, o cinema, a moda. No caso desta última modalidade, e agora com o Fat White Family, a não-moda, quando seus seis componentes decidem tirar a roupa em show.

A última música tocada pelo grupo no show do Social Hall, espécie de salão de baile com um palco no fundo e capacidade para 600 pessoas, com 1/6 disso pagando ingresso para o baile punk do Fat White Family, foi o pequeno hit “Bomb Disneyland”, apropriadamente punk para ser tocada nos EUA paranóicos com terrorismo e em conexão direta com o “Dismaland”, a sátira em forma de parque de diversões desenvolvida pelo artista de rua inglês Banksy.
Que banda interessante, essa Fat White Family!

* As fotos, deste post e da home da Popload, são de Fábio Massari.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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Ainda a Chvrches em San Francisco. O que está acontecendo, Lauren?

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* Então… Anteontem teve o show do trio inglês Chvrches em Oakland, falamos algo e mostramos já por aqui. O que aconteceu no Fox Theatre, lá do outro lado da ponte, e que teve como atração de abertura a bela banda Wolf Alice, new grunge de Londres liderado pela nossa Ellie. Agora, com mais “substância” (cóf), reproduzo o texto publicado hoje pela Folha de S.Paulo, mais um dessa série “Conexão Califórnia”, que se nada der errado só termina semana que vem em Los Angeles.

Eu, como um cara que gosto de Chvrches e tive a oportunidade de vê-los outras vezes, fiquei meio, assim, digamos, passado com a “nova Lauren” e sua performance atlética. Ok, nem tão nova assim. Mas eu tinha que ter visto com meus próprios olhos. Explico, via “Ilustrada”.

De quebra, vão mais dois vídeos da segunda-feira à noite em Oakland. Um do Chvrches, outro do Wolf Alice.

Duas beldades da nova cena musica inglesa tomaram conta anteontem do palco do suntuoso Fox Theater, em Oakland, “do outro lado da ponte” para quem vai de San Francisco, um teatrão dos anos 20 no qual cabem 2800 pessoas. A noite, a segunda de nossa aventura sonora pela California, estava com ingressos esgotados.

A atração principal foi o trio escocês Chvrches, pequeno fenômeno de um certo indie eletrônico liderado pela linda Lauren Mayberry, que cresce em ação graças a sua potente voz e também por seus sapatos altos e tablados estrategicamente instalados no palco para lhe dar mais destaque. Lauren é tão bela quanto baixinha.

O Chvrches, realidade musical do Reino Unido, vive grande fase de aceitação nos EUA, muito por conta de seu segundo álbum, “Every Open Eye”, do final do ano passado. Dois shows com entradas “sold-out” há semanas no Fox Theater e o nome no alto da escalação do Coachella Festival (a banda se apresenta lá no sábado que vem) denunciam isso.

Mas esse “alcance maior” do Chvrches pode estar custando uma certa perda de identidade que a banda tinha em nome de um avanço nas vendagens de discos e ingressos. Para quem tocava até há pouco tempo em palcos alternativos, horários desfavoráveis, mas ainda assim atraía tanto indies quanto eletrônicos (várias músicas do Chvrches têm virado remixes na mão de DJs) graças a “timidez charmosa” de Lauren, quase estática atrás de um sintetizador, agora a escocesinha compete em dança aeróbica com a Kate Perry, se bobear. Corre de um lado para o outro, se joga no chão, sobe e desce do tablado. Ao fundo, uma parede de luzes jogando incessantemente azul e vermelho direto na cara da plateia.

A voz de Lauren segue honesta, o Chvrches têm várias músicas boas, mas a “performance esportiva” da vocalista às vezes atropela tudo nesse caminho que a banda está tomando, claramente uma mudança estratégica de direção que a afasta do inspirado álbum de estreia, “The Bones of What You Believe” (2013). E amplia o contato com uma cena dance regular quase comercial que tem seus shows tão “movimentados” quanto esquecíveis. Não sei quem estava mais deslocado no Fox Theater ontem? O repórter ou a Lauren Mayberry.

Ninguém prestou muita atenção, mas a banda de abertura do show do Chvrches foi o quarteto indie rock inglês Wolf Alice, liderado pela guitarrista e vocalista Ellie Rowsel, que tem tipo de top model e intercala voz doce e gritos desesperados sem mudar tanto a fisionomia.

Tocando as músicas de seu disco dèbut “My Love Is Cool”, do ano passado, o Wolf Alice produziu barulhinho bom de guitarras altas para uma plateia que aguardava mesmo a eletronice do Chvrches. Não ligaram muito para o grupo de Ellie, mas também não se incomodaram com a performance do trio, o que numa noite perdida sair com o empate foi um bom resultado.

* A foto deste post é de Zack Ruskin, do jornal gratuito San Francisco Weekly.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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