Em cardi b:

Top 10 Gringo – Jungle emplaca o topo e não é difícil entender por quê. Killers novo cola na segundona. A “nova” Courtney Barnett completa o pódio, para o nosso gosto…

>>

* Mais uma semana de grandes lançamentos lá fora. E desta vez diversos climas comtemplados. Tem a alegria do Jungle, o épico do Killers e o minimalismo de Courtney Barnett. Mas também tem climas parecidos, no caso do shade da Lizzo, shade da Billie. Ou nas loucuras sonoras de Indigo De Souza, Magdalena Bay e Monaleo. Nessa diversidade a gente segue com a melhor playlist de novidades gringas que se tem notícia. Pelo menos nesta semana :)

jungletopquadrada

1 – Jungle – “Romeo (feat. Bas)”
“Este é um álbum sobre liberdade”, declarou Josh Lloyd-Watson, metade do Jungle ao lado de Tom McFarland. E essa alegria e ar de recuperação está por toda “Romeo”, um dos melhores sons de “Loving in Stereo”, novo álbum da dupla inglesa, lançado na sexta passada. Daquelas músicas que se a letra não estiver falando sobre algo positivo, a gente finge que é, já que ela chama nosso corpo para dançar livremente.

2 – The Killers – “West Hills”
A missão do Killers de se tornar uma megabanda pique U2 teve seus bons e maus momentos. Este novo álbum, “Pressure Machine”, provavelmente entrará para o hall dos acertos. Um disco sobre o interior doz Estados Unidos, afetuoso com o local, mas sem abdicar de uma mínima exposição crítica. Musicalmente tem toque de R.E.M., Bruce Springsteen, U2 na fase apaixonados pela América do Norte. “West Hills” é um caprichado roteiro de filme de alguém que se dá mal e vai preso por porte de muitas drogas. Seu refrão é épico e grandioso. Os mesmos versos são cantados de maneiras diferentes de acordo com o clima da história. Coisa caprichada. Dá para arriscar o grandioso sem ser pretensioso e chato.

3 – Courtney Barnett – “Before You Gotta Go”
Que prazer é escutar a Courtney Barnett explorando outras pegadas para sua música. Menos Kurt Cobain, mais Velvet Underground – um toque que ela já experimentou na bela “Depreston”, mas sofistica aqui em uma engenhosa guitarra que parece simples e repetitiva, mas é tudo o que a canção pede.

4 – Lizzo – “Rumors” (feat. Cardi B)
É um estouro o novo single da Lizzo em parceria com a Cardi B. Não dava para esperar menos, na real. A letra é uma daquelas clássicas respostas aos haters que rolam após um estreia bem-sucedida, sabe? Kurt Cobain, para citar ele de novo, abre “In Utero” com uma dessas. E a música tem uma bateria roqueira escondida que lembra “Smells Like Teen Spirit”, repara.

5 – Billie Eilish – “Oxytocin”
A gente segue elogiando semanalmente o “Happier than Ever” da Billie por aqui. Se o disco fala um tanto sobre a separação dela do ex abusivo, “Oxytocin” faz mais sentido como a música onde a cantora conta a história a partir do ponto de vista dele – daí as menções a sexo serem tão agressivas. É uma interpretação apenas e a letra pode ser lida de outras formas. Em fóruns há longos debates sobre isso. O que você acha?

6 – Magdalena Bay – “Secrets (Your Fire)”
Potente este duo norte-americano formado por Mica Tenenbaum e Matthew Lewin. A dupla faz um pop torto na linha da Charlie XCX, mas não tão exagerado – esse tal hyperpop que força nas texturas e nas referências a si mesmo. Tente escutar este som sem ficar pensando que já escutou antes algo dali.

7 – Monaleo – “Suck It Up”
Rapper texana da melhor qualidade, Monaleo tem um flow original e que sabe passear de maneira amalucada por uma batida completamente alucinada que vai se alterando sem medo por toda a música. É daqueles sons que a gente não sabe onde vai dar. Mas quer ir junto.

8 – Indigo De Souza – “Real Pain”
E, por falar em música piradinha, esta é um outro exemplo. A faixa escolhida dessa bela banda da Carolina do Norte vai se desintegrando lentamente a partir da metade em ruídos e gritos. E volta a ser uma canção convencional após alguns minutos. É uma maluquice deliciosa. Experimente.

9 – Helado Negro – “Gemini and Leo”
Parece que a música do americano-equatoriano Helado Negro é feita para ser acompanhada por drink de verão na mão, num horário cedo de festival, tipo no final de tarde. Pegada latina, funkeada, guitarrinhas espertas. Why not?

10 – Gorillaz – “De Ja Vu”
Essa é só uma das três músicas inéditas que o Gorillaz mostrou recentemente em shows pela Inglaterra. Pequenas amostras de um álbum que Damon Albarn prometeu para logo mais. Sendo que logo mais ele também solta o solo dele, vai entender. Gente produtiva é assim. Não está oficial nos streamings ainda. Tem que ir no Youtube.

*****

*****

* A imagem que ilustra este post é da dupla inglesa Jungle.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>

Lizzo chama a Cardi B para o começo de uma nova era no pop. Ouça _e veja_ a ótima “Rumors”

>>

lizzo

* All the rumors are true, yeah
Fake ass, fake boobs, yeah

Se tem outra dupla mais explosiva para se juntar hoje em dia no pop para uma “musiquinha aí”, desconhecemos. Então, como todos os rumores são verdadeiros, toma agora “Rumors”, canção em parceria da explosiva (hummm) Lizzo com a explosiva (viu?) Cardi B, primeira colab das duas que numa só respirada o mundo da música já sai dançando.

Mas não é uma coisa meio Algel Olsen e Sharon Van Etten, de autoria dividida. O single é da Lizzo e marca a esperada volta da cantora desde o ábum-bomba (aí…) “Cuz I Love You”, de 2019. A Cardi B só cola na participação. Mas é que uma participação da Cardi B nunca é um mero “feat.”, né?

Mas, vá lá, “Rumors (feat. Cardi B)”, da Lizzo, é apontado pela própria como um começo de uma nova era.

Essa nova era da rapper flautista Lizzo passa, então, a ser sentida agora com esse single e mais um monte de aparições dela a partir de agora, como no enorme e sold-out Bonnaroo Festival, em Nashville, que acontece no dia 4 de setembro e traz, além de Lizzo, nomes como Foo Fighters, Tame Impala, Tyler the Creator e Megan Thee Stallion como principais destaques. Lizzo será a primeira mulher a ser headliner no Bonnaroo.

Voltando a “Rumors”, a cadência da música, a letra e a conversa das duas são espetaculares. Essa parte aqui, perto do fim, é genial.

They hated on me since school, yeah
I never thought I was cool, yeah
Now me and Cardi, we cool, yeah
I love hoes on poles, yeah (Woo)
I am body goals, yeah
This shit from my soul, yeah
Black people made rock and roll, yeah

Olha e ouça o começo da nova era, então.

***

* As fotos de Lizzo e Cardi B, usadas neste post, são de Jora Frantzis.

>>

O prêmio mais legal de todos: BET Awards e as performances de Megan Thee Stallion, Tyler, The Creator, Cardi B grávida, Migos e muito mais

>>

* A importante premiação americana do BET Awards, sobre a excelência negra no entretenimento e no esporte, foi entregue neste domingo com muito barulho, como não poderia deixar de ser.

Tipo com o Tyler, The Creator descendo de um Rolls Royce para tocar seu single bombator “Lumberjack”, a explosiva Megan Thee Stallion fazendo performance à altura de sua “Thot Shit” cheio de dançarinos, Cardi B anunciando sua gravidez barrigudaça durante sua participação no show incendiário do Migos, H.E.R., Lil Baby, Lil Durk e DaBaby se apresentando juntos num “all-star medley” de só sucessos, a H.E.R. fazendo solo de guitarra… E, claro, a superprodução do Lil Nas X para tocar sua ótima “Montero (Call Me By Your Name)”, sempre numa pegada diferente. E desta vez sem rasgar a calça. E com uma já famosa coreografia dos braços.

No que importa o resultado da premiação, quem ganhou como disco do ano foi o famoso EP “Heaux Tales”, da rapper Jazmine Sullivan, da Philadelphia, lançado em dezembro do ano passado.

A poderosa Megan Thee Stallion (foto aqui e na home), de Houston, ganhou três dos sete prêmios aos quais estava indicada. São eles da escolha do público (para “Savage (Remix), featuring Beyoncé”), Vídeo do Ano (para sua participação em “WAP”, da Cardi B) e, o principal deles, Melhor Artista Mulher do Hip Hop.

Bom, vamos à bagunça legal do BET Awards.

>>

Popnotas: Cardi B ataca o funk de SP, agora. King Gizzard e essa história estranha de shows presenciais. Green Day legal no bônus. E eles… os Greta Van Fleet

>>

– A conexão da Cardi B com o Brasil, após usar um trecho de um remix funk de um som seu no Grammy, ganha mais um capítulo. Esperamos que não ganhe também mais uma polêmica “boba”. A rapper novaiorquina (foto na home da Popload) postou em seu Twitter uma imagem onde escutava a música “Surtada” da cantora e dançarina de funk paulista Tati Zaqui com Dadá Boladão e OIK acompanhado da seguinte mensagem: “Quero fazer esta música em espanhol. Eu amo esta música”. Será que vai rolar mesmo? Tem brasileiro que pode ficar nervoso.

Captura de Tela 2021-03-22 às 4.46.44 PM

– Os punks jovem-guarda-da-velha-guarda californiana Green Day celebram os 25 anos de “Insomniac”, seu quarto álbum, o primeiro após a explosão mundial de “Dookie” (1994), com um relançamento que já está pelas plataformas de streaming. O bônus são algumas músicas inéditas de um show em Praga gravado durante a turnê do álbum em 1996, numa época em que uma apresentação do Green Day era mais divertida.

– A banda americana ledzeppeliniana Greta Van Fleet é sempre um ponto polêmico. Mas quem curte eles já pode ficar na expectativa pelo seu novo álbum, que saí no dia 16 de abril. Quem não curte também, para falar mal hehe. “The Battle at Garden’s Gate” é o teste do segundo disco para o grupo. E pela quarta música que eles adiantaram, a balada “Broken Bells”, esse disco deve manter o debate sobre eles – esses caras estão renovando o rock ou repetindo a mesma coisa de sempre? A gente vem com a nossa opinião uma outra hora, mas não brigue por aí por causa dos Van Fleet.

– Já comentamos por aqui que na Austrália tem existido aquele negócio que chamamos de shows presenciais. Banda tocando, público vendo, todos no mesmo lugar. Tame Impala fez um desses e os malucos do King Gizzard and the Lizard Wizard também conseguiram e registraram uma apresentação que rolou em fevereiro. Dá uma inveja e tanto, mas é bom saber que existe um mundo possível quando a pandemia é combatida sem vacilos.

>>

Top 10 Gringo – O peso da doce Lucy Dacus vai ao topo. Mas não é esse peso que você está pensando. É mais pesado! E tem Horrors, a zoeira da Cardi B, Marielle na Imelda May e muito mais. Que semana!

>>

* Tivemos uma semana interessante na música gringa, de poucos e bons lançamentos, ainda que nada grandão. Mas que também deu oportunidade de fazermos o que curtimos bem: recuperar sons legais não necessariamente muito novos ou até bem velhos e que de alguma forma formaram a trilha sonora dos últimos sete dias. Nos dois primeiros lugares, temos duas das músicas mais pesadas do ano, cada uma com seu tipo de peso. E uma série de bandas “antigas” que ainda estão por aí ressurgiram com novidades. Fora o “polêmico” caso da Cardi B no Grammy, que impactou nosso ranking. A playlist mais importante para entender o que aconteceu lá fora na semana está no ar.

lucyquadrada

1 – Lucy Dacus – “Thumbs”
Talvez uma das narrativas mais pesadas do ano. Sem pensar na letra, “Thumbs” já tem uma história interessante. Era tocada em shows e proibida pela própria Lucy de ser registrada pelos fãs, que pedia para não botar a música na internet. Que era para aguardar por seu lançamento oficial, mas que no momento Lucy não se sentia preparada para lançá-la. Na letra, a narradora seria capaz de matar o pai da amiga, se ela permitisse. A razão? Não é contada, mas algo nada bom aconteceu nessa relação pai e filha. Agora entendemos a solidariedade e expectativa dos fãs para a música, que então agora saiu.
2 – The Horrors – “Lout”
O Horrors não dava as caras na música desde 2017, quando lançaram o álbum “V”, ainda que sem a repercussão dos bons tempos da banda na década retrasada já. Mas aí temos que Faris e os Horrors estão de volta com uma música nova de… metal industrial. Tipo horror mesmo, mas o gênero, não que ela seja ruim. Muito pelo contrário. É perfeita naquilo que se compromete.
3 – Cardi B – “WAP” (feat. Megan Thee Stallion)
Música mais falada do último Grammy, Cardi B apresentou “WAP” com um trecho do remix em ritmo de do brasileiro Pedro Sampaio. Acabou sendo a deixa para uma daquelas polêmicas xaropes de Twitter: “Mas o funk brasileiro não produz boa música?”. De novo isso? Se a Cardi B soube celebrar, ainda mais com a Megah Thee Stallion, a gente celebra junto.
4 – Imelda May – “Made to Love”
Este som da cantora irlandesa vizinha do Bono e amiga do Noel é um upbeat com participação do Ronnie Wood, dos Stones, sobre “lutar por amor”. E a horas tantas da letra, junto a nomes como Martin Luther King, John Lennon e Buddha, cita a brasileira Marielle Franco, vereadora do Rio que foi assassinada há três anos, junto com seu motorista, Anderson Gomes, em um atentado político. Aproveitando, a gente repete uma pergunta que está por aí nestes três anos: Quem mandou matar Marielle?
5 – Dry Cleaning – “Strong Feelings”
Novíssima banda inglesa de pós-punk tipo 1979, 1980 com sinais de influência de Siouxsie & The Banshees, perto de lançar seu primeiro álbum. Essa guitarra Magazine/Gang of Four é de matar. O vocal falado da bonitona Florence Shaw também.
6 – Lake Street Dive – “Hypotheticals”
Quer escutar um som bem alto astral? Aposta neste. A introdução climática engana até a chegada de um bom suingue. De gringo, mas está valendo. A Lake Street Dive é uma banda de Boston com longa estrada, mas até agora nem um disco deles parece ter tido o sucesso com a crítica que o mais recente, “Obviously”, recém-lançado. Vale dar uma atenção.
7 – Grouplove – “Deadline”
Os californianos do Grouplove frequentam há anos a Popload. Sempre queridos, desde o seu primeiro álbum. Se a banda não virou tão popular quanto a gente esperava, não importa. Ele seguem firmes e “Deadline” é um musicão que agitaria muita pista indie que está fora do ar nessa pandemia. Baixo na cara, um pique e tanto. Nosso amor grupal pelo Grouplove.
8 – Everything Everything – “Supernormal”
A banda Everything Everything, de Manchester, entrou nessa nova linha de artistas que lançam um single inédito pouco tempo depois de soltar um álbum lotado de possíveis singles. A novidade é “Supernormal”, música escrita durante a produção do álbum “Re-Animator”, de 2020. Vale assistir o vídeo da música, dirigido e animado pelo vocalista Jonathan Higgs, que aprendeu um monte de funções para dar conta de criar sozinho uma das obras audiovisuais mais bizarras do ano.
9 – Teenage Fanclub – “The Sun Won’t Shine on Me”
A música de sempre, da adorada banda de sempre. Desde o comecinho dos 90, como é bom ouvir Teenage Fanclub. Já contamos como conhecemos esse quinteto inglês lá em 1990? Pergunta que a gente fala. Este é um doce novo single o próximo álbum, “Endless Arcade”, que sai agora em abril. Só bota para tocar.
10 – Bernardo – “Almost a Mother”
Bernardo é Sonia Bernardo, algo como uma portuguesa que nasceu em Londres e foi e voltou de suas duas pátrias até se achar na música. Dentro da enorme cena londrina de soul alternativo com pegadas jazzísticas, Bernardo fez essa “Almost a Mother” para armar um bullying musical em garotos estúpidos sendo estúpidos com uma menina, pelo que eu entendi da letra. A música em si é ótima e tem na produção o Dave Maclean, do Django Django. Olho em Bernardo.

****

****

* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista Lucy Dacus.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

>>