Em catfish and the bottlemen:

London calling. As houses de Londres. O Soft Cell. O All Points East retornando “diferente” e com mais três dias de shows (Nick Cave esgotadão é no domingo)

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* Popload em Londres. Alguém me defende dessa “Everyone Acts Crazy Nowadays”, do Unknown Mortal Orchestra, please? Tava no Tesco ontem comprando musly e a música estava tocando. Anteontem fui procurar um tapete e na loja tasca ouvir o novo hit do UMO rolando. Acho a música gostosinha, óbvio. Mas juro que eu não entendo por que essa banda, essa música, este momento. Mas, vou dizer, nem ia comprar o tapete. No fim acabei levando. Seria por causa de “Everyone Acts Crazy Nowadays”? Sou desses?

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“Equipe Popload” conferindo a instalação “Babel”, do artista brasileiro Cildo Meireles, na Tate Modern, em Londres. Muitos dos rádios estão ligados em estações inglesas variadas, em volume mínimo audível, provocando a “cacofonia do ‘low'”, muita informação e nenhuma ao mesmo tempo. Diz muito dos tempos atuais, mesmo sendo uma obra de 2001

HOUSE – O conceito de “clube” para sócios, as houses, explodiu em Londres nos últimos anos e não chega a ser novidaaaaaade. São Paulo teve uma tentativa isolada, uns anos atrás e mais ligada à arte, a TOFIQ, ali na Groenlândia, no Jardim Europa, que não durou muito. Agora tem essa nova Tokyo, no Centro, mais ligada à música.
House, pelo menos as inglesas, são aqueles prédios de quatro, cinco andares em que só entram sócios de carteirinha. Que podem trazer “convidados”. Depende de quão sócio frequente e “importante”de algum jeito você é, mais convidados “comuns” você pode levar. Em alguns casos, em algum evento que você está promovendo na “house”, tipo um aniversário, pode até passar uma lista para mais amigos entrarem.
Uma house, como a de Shoreditch ou de Portobello, tem um ou dois restaurantes delícia cheio de mesas e sofás, drinks responsa, comida bem aprazível, luz pouca, sonzinho bom em altura boa saindo das caixas. Em outros ambientes tem pista de dança, sala para leitura, sala para trabalhar, um bar só para drinks e cerveja, uma ou duas pistas de dança para festinhas abertas ou fechadas, alguma arte ou alegoria artística espalhada por corredores, uma mesa enorme em alguma sala para quem quer contratar um chef para cozinhar (daí pode usar a cozinha) para uns 10 amigos.
Algumas das principais cidades do mundo têm sua house e elas podem ter ligação uma com as outras. Você pode ser um australiano de Sydney com carteirinha de membro de lá e, em viagem, entrar na de Nova York ou Tóquio, que têm alguma afiliação, parentesco urbano com a house australiana.
Uma das coisas que eu acho mais legais é que geralmente é uma porta no meio de um quarteirão qualquer, sem evento no Facebook, sem estar no guia de nada, sem letreiros em neon na frente. É geralmente uma porta qualquer ao lado de um kebab e de uma loja qualquer de telefonia em que você toca a campainha e alguem vem te resgatar para quatro ou cinco andares de diversão (na maioria dos casos), seja ela gastronômica, social, musical ou até para ter um sossego e trabalhar.
Enfim.
Tudo isso para dizer que hoje em dia as houses tão aparentemente mais bombando que os clubes em Londres. Claro, uma impressão turística de quem vem de fora e deu umas saídas à noite nos últimos dias. O tal “olhar estrangeiro”.
Fui a três tipos de house em uma semana aqui, não por opção, apenas “naturalmente levado”, sempre como convidado. Uma diferente da outra, uma mais chic que a outra, uma mais para “mais velhos”, outra “para galera”.
Soube que o Alex Arctic Turner frequenta a de Shoreditch (na real, até já vi ele lá uma vez, uns dois anos atrás), inclusive para fazer seu aniversário, dar uma palhinha acústica para sua turma etc. Os DJs dos mais atuantes da eletrônica vira e mexe estão sendo contratados para uma festinha em alguma sala de house reservada.
Dá uma impressão de exclusivismo e de segregação. E talvez seja um pouco. Mas, se for enxergada apenas como uma “opção”, é uma modalidade que pode salvar a noite. Principalmente numa cidade de noite esquisita como São Paulo.

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* SOFT CELL – Um dos mais fundamentais e divertidos e dramáticos duos dos anos 80 na música pop, na mistura do electropop fino, indie-drama, causa gay em sintetizador, sofrências pontuais e tudo mais, está de volta para um show único e final para sempre forever no dia 30 de setembro. A apresentação do gênio Marc Almold e do synth-amigo David Ball, está com os ingressos em sua parte final de vendas, uma loucurinha pop das boas porque o concerto é na gigantesca The O2, arena onde cabem 20 mil pessoas. David Bowie amava os caras.
A dupla lançou uns quatro álbuns nos anos 80, comecinho, mas o fundamental é o primeiro, o “Non-Stop Erotic Cabaret”, que tem um monte de hino, dos quais se destaca a imortal “Tainted Love”.
Para coincidir com a apresentação última das últimas acabou porra o Soft Cell vai lançar, também em setembro, uma caixa de dez discos, com originais, demos, ao vivo, raridades e coisas e tal.
Em abriu, no Record Store Day, lançou um compacto com um novo remix para a maravilhosa “Say Hello Wave Goodbye”. Para esse show de final de setembro será que eu…

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* CATFISH HOJE, THE NATIONAL AMANHÃ, NICK CAVE NO DOMINGO – É igual, mas é diferente. E lá vamos nós de novo gastar horas no Victoria Park, no East London.
O novo megafestival inglês All Points East, que na semana passada em sua primeira edição teve de LCD Soundsystem a The XX e Bjork com umas 90 bandas no meio, também chamado de “Coachella London” porque é feito por americanos, volta para mais três dias de shows de todos os tipos, credos, tamanhos.
E nome diferente, para confundir não confundindo: APE Presents.
Repare na pegada: o All Points East apresenta hoje, sexta, a nova geração inglesa, estrelando Catfish and the Bottlemen, Blossoms, Frank Carter & The Rattlesnakes, The Hunna, Neighbourhood e outra penca. Amanhã, sábado, dia indie de respeito com The National, War on Drugs, Future Islands, Cat Power, Broken Social Scene, Warpaint e outros.
O domingo é clássico maravilha. Nick Cave & The Bad Seeds + Patti Smith & Her Band, Courtney Barnett, St Vincent, Baxter Dury, Black Lips, o imortal Psychedelic Furs e por aí vai.
O dia do Nick Cave, dos seis shows do All Points East, é o único esgotado de todos.
A Popload vai cobrir o APE Presents e trazer aqui e nas redes som e visão do festival.

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Pacotão Lollapalooza – O que a gente aprendeu com o festival que só acabou na terça à tarde

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O público (mais) jovem e a ~experiência~

* Como já comentamos em outros anos, seja sobre o Lolla ou não, no Brasil ou não, o foco dos festivais hoje é outro, todo mundo sabe e, se você não sabia, mas frequentou um grande festival nos últimos dois anos, já percebeu. É fato, não uma opinião ou suspeita: festival é a tal da experiência. Por isso é que o Popload Festival é o melh… Ok, foco.

Voltando ao Lollapalooza, que dominou nosso final de semana e durou até ontem à noite: ir a um festival faz tempo que deixou de ser (só) o ato de você sair de casa para ver as bandas que você e sua turminha curtem.

Além da disposição e boa vontade para estar diante de muitas atrações novas (novas tanto na idade dos integrantes como nos anos de existência como banda), e abrir a mente para o mundo da EDM e de seus DJs que arrastam mais público que headliners veteranos, você tem que estar preparado para tudo que envolve um festival no Brasil e no mundo: diversidade de gêneros musicais e de público.

Num festival gigante como o nosso Lolla, dá de tudo: a turma do oba-oba, a turma dos “influencers”, a turma da paquera, a turma dos VIP, a turma da Tegan & Sara e da Mø e a turma do Metallica e do Rancid. E você, que talvez só queira ver um The XXzinho. Infelizmente, este festival não é para você exatamente, mas sim para todas as alternativas anteriores. E é a gente que tem que se adaptar à experiência, e não o contrário.

Agora, vale ressaltar que, no Brasil, o público tem um outro grande obstáculo: o tradicional e já coisa-nossa, o famoso PERRENGUE. Mais abaixo, na nossa listinha de coisas que funcionaram, não funcionaram e aquelas que a gente nem curte, mas entende. :-)

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** VALEU, LOLLA!!

Apesar do line-up digamos “fraco”, se comparado às edições anteriores, o público teen recebeu pelo o que pagou. Bandas divertidas, DJs ainda bombados, bandas indie-pop com refrões grudentos e uma tenda eletrônica que finalmente se assumiu palco e que ficou lotado com gritaria em todos os shows. Tudo isso durante a tarde, com sol, clima muito bom e perfeito para essa faixa etária específica. Essa sim o novo alvo de festas dentro de festivais. Você, eu e talvez toda a geração indie-Strokes-2001 estamos no segundo plano. Nem incluo aqui o público específico do Metallica porque eles teriam ido, sem reclamar, até à Festa do Peão de Barretos, fosse a turma do Lars o headliner.

Aos adultos da categoria indie-madura (hehe), restou escolher entre o “requentado” (Two Door Cinema Club, Cage The Elephant etc.) e o nostálgico (Duran Duran e Metallica e até Strokes, vai). Mas, e aqui os públicos A & B se encontram, tudo vale a pena se você tem um The Weeknd ou um The XX no meio do caminho. Vale fila, perrengue, chuvinha e maratona entre palcos.

Sobre o show do XX, que a gente vai falar mais abaixo, agradecemos ao festival ter trazido uma banda tão moderna e tão atual, tão indie e tão eletrônica, tudo ao mesmo tempo, e com um claro sinal de desenvolvimento sonoro latente.

Também vale elogiar o “Machistas Não Passarão” da Titi Muller x DJ Borgore, a pontualidade dos shows, como sempre, as opções gastronômicas (até que bem) variadas, a quantidade de banheiros espalhados.

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** DEU RUIM

* Ainda não muito comum no Brasil, o sistema cashless já é bem utilizado lá fora e vai substituir todas as formas de pagamento em eventos de grande e médio porte logo mais, então é bom que: 1. as empresas aprendam a lidar com imprevistos 2. o público leia as regras e siga as instruções de uso ANTES do festival.

Unindo esses dois fatores acima às mais de 100 mil pessoas que passaram pelo Autódromo no sábado (público recorde do Lolla), é claro que perfeito não ia ser. Apesar de amplamente divulgado, massacrado em redes sociais tanto pelo bom serviço da oficial quanto pela reverberação na galera, de as regras de uso terem sido enviadas aos detentores de pulseiras-ingressos, estarem nos bares e em todos os lugares de divulgação, muita gente se perdeu. Ou ficou perdida. Houve quem não tenha validado, quem não tenha carregado, quem não soube o que fazer, quem botou a pulseira UM MÉS antes do evento etc. Também teve pulseira que não funcionou, que não computou carregamento, que precisou ser carregada duas vezes e tals. Teve horas que virou sistema drinkless e eatless no sábado.

Mas, tirando a culpa do sistema ou não, o que parece mesmo que aconteceu é que a organização não soube prever a rotatividade dos bares. Filas quilométricas em todos os caixas e pontos de chopp possíveis, com espera de 40 a 50 min em cada. Este ponto tem que ser revisto no ano que vem, principalmente se alguma banda do tamanho do Metallica estiver escalada. No domingo, tudo funcionou beleza, pelo que notamos.

** SHOWS QUE QUEREMOS FALAR SOBRE

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– CATFISH & THE BOTTLEMEN – No começo da tarde de domingo, em uma espécie de matinê do Lolla, os meninos galeses do Catfish and the Bottlemen fizeram sua animada estreia por aqui. Banda que lançou seu disco de estreia em 2014 (“The Balcony”), de cara já conseguiu fazer um certo barulho, emplacando vários singles desse debut nas rádios de sua terra natal. Se no primeiro disco a banda tinha um visual mais despreocupado e um pouco mais, digamos, rock’n’roll, a provável “estratégia de carreira” que algum esperto projetou para eles transformou o vocalista Van McCann numa espécie de “galã teen”. E, pelo visto, ao menos para uma parte do público funcionou.
Mas o que importa aqui (e deveria importar mais também por aí) é a música. Ainda que inofensivo, bem “radio friendly” e talvez por precisar de mais tempo para encontrar um som próprio e uma personalidade mais forte, a banda é, sim, boa. E continua carregando o selo de “promissora”.
Dividindo o setlist exatamente com cinco canções de cada álbum, sendo o segundo, “The Ride”, de 2016, o show foi mais um daqueles que começam com uma já boa base de fãs, mas que com boas músicas e uma ótima vibe acabaram atraindo aos poucos mais e mais pessoas.
Curioso destaque para o roadie mirim, que devia ter uns 12 anos e foi constantemente aplaudido desde que pisou no palco, enrolado na bandeira do Brasil, para colar o setlist aos pés da banda, minutos antes do show.
Longe de ser inesquecível, mas uma boa banda para continuar de olho.

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– SILVERSUN PICKUPS – Talvez uma das bandas indies mais subestimadas da cena americana, finalmente a californiana Silversun Pickups se apresentou por aqui. Formado em 2000, com quatro álbuns na bagagem e muita história para contar desde o pós-grunge e o novo rock, o grupo do vocalista e guitarrista Brian Aubert mostrou no Lolla um indie rock inspiradíssimo e alternando riffs com bastante pegada, solos caprichados e o baixo carregado e bem presente durante toda a apresentação. No palco, funcionou bem a divisão de atenções de Brian, o extrovertido que domina e não para um segundo, e da baixista Nikki Monninger, contida e tímida, mas também quase todo tempo sorridente e empolgada a seu modo. Desde a impactante abertura com “Nightlight”, a banda manteve o nível, fechando bem com “Lazy Eye” (do primeiro álbum “Carnavas” de 2006 e uma de suas músicas mais conhecidas). Mas, com tantos discos lançados, e a demora em aparecer por aqui, o show até tentou resumir toda a carreira da banda, mas foi curto demais e deixou aquela amarga sensação de que faltaram talvez umas 80 músicas que mereceriam estar no setlist. Pela cativante e forte apresentação, além da importante ótima recepção do público, com certeza mais uma das bandas que mereciam ter sua própria Lolla Party.

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– THE 1975 – Tocou no fim de tarde do sábado. Fizeram um som pop até sofisticado, lembrando Michael Jackson em alguns momentos, da mesma maneira que The Weeknd lembra Michael Jackson. É uma pena que o 1975 não tem nem os hooks do Michael Jackson nem a subversividade do Weeknd. O setlist da banda também foi anticlimático, não conseguindo manter um equilíbrio entre as músicas animadas e as melódicas, acabando com qualquer empolgação assim que a criavam. Boa parte do público se ausentou bem antes do fim do show – uma pena para o bacana e loooonge palco Ônix, que já tinha recebido o chatinho Glass Animals mais cedo. Mas a forma como o 1975 utilizou o telão com cores fortes (especialmente roxo/rosa), vale dizer, foi legal.

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– RANCID – O veterano grupo punk de segunda geração pareceu trazer uma das maiores plateias dedicadas do Lolla no sábado. Pelo que vimos, a quantidade de camisetas do Rancid no festival só perdia para as do Metallica. Esse pessoal se fez presente e berrou as letras das 20 músicas do setlist – bastante para um show de apenas uma hora de duração. Infelizmente, 20 músicas punk são 20 músicas quase iguais, ou pelo menos num estilo bem homogêneo. O som abafado do palco Skol naquele momento (que estava similarmente ruim no Cage the Elephant) não ajudou muito. Para quem gosta de Rancid (ou amava em sua adolescência), ver a banda pela primeira vez no Brasil foi um sonho realizado. Para quem estava apenas esperando o Metallica, pode ter sido um teste de paciência.

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– THE STROKES – Obrigado, Lolla, pelo melhor show dos Strokes no Brasil dos seis que eles fizeram, talvez empatado com aquele “tal” do Cais do Porto (RJ) de 2005. Eles nunca tiveram à altura, ao vivo, das músicas antológicas que fizeram nos três primeiros álbuns. E no palco a banda tem uma interação tão cativante quanto a de um grupo formado por cones, como nos referimos no futebol ao goleiro que não se mexe ou o atacante que não faz nada lá na frente. A gente soube nos bastidores do Lolla que a relação dos caras continua bem tensa, o que não ajuda a virar um show “coeso”. E o Julian Casablancas continua com tipo de amigo-bêbado fazendo piada sem graça na tentativa de interagir com o público e com os “amigos” da banda, mas sem retorno ou jeito para isso. Mas acontece que as canções deles, tirando um ou outro momento ruim de “música nova” ou pouco tocada, estavam sensacionalmente altas, em volume absurdo e estridente. Parecia uma grande garagem. E, milagre, a voz do Julian estava muito boa. E 2000 e pouquinho voltou à cabeça. Funhouse, Milo e Vegas foram revividos um pouco. Strokes não é mais o que a gente ouve hoje e muito menos o que a gente quer para a música DE hoje, mas, como diversão, valeu muito!

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– METALLICA – Esse foi um headliner mais headliner que qualquer atração do Lollapalooza 2016 (e talvez 2015). Enquanto no ano passado trouxeram Eminem em um ponto morto de sua carreira, Metallica, ainda que velho, está no meio da turnê de um disco novo e tendo um dos seus melhores momentos desta década. Como era de se esperar, executaram os clássicos necessários e uma seleção de músicas novas, todas com perfeição. Os resultados, na maioria, foram muito bons. Abrindo com as novas (e boas) “Hardwired” e “Atlas Rise”, logo emendaram duas favoritas do público: “For Whom the Bell Tolls” e “The Memory Remains”. Mesmo sendo uma escolha um tanto esquisita para um festival que nasceu “indie rock” (ainda dá para dizer isso?) e está virando pop-eletrônico, nessas primeiras quatro músicas já ficou óbvio que a atmosfera estava perfeita, e o público totalmente envolvido. Lá pela quinta música nova no setlist, parecia que o show daria uma esfriada, mas uma sequência impecável com “One”, “Master of Puppets” e “Fade to Black” foi mais do que o necessário para fazer daquela uma das melhores performances a já passar pelo Lollapalooza. Vale ressaltar que os visuais que passavam no telão variavam do monótono (efeitos de câmera sem-graça em “Halo on Fire”, “Harvester of Sorrow”) ao sensacional (vídeos de objetos sendo quebrados em perfeita sincronia com “Battery”).
No fim das contas, fica claro o propósito do Metallica ali: mostrar que são uma banda praticamente sem igual no momento, desfilando clássicos de discos que ajudaram (e ainda ajudam) a definir todo um gênero.

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– DURAN DURAN – A participação da cantora Céu foi bacana e muito significativa para esta CENA fazer parte de uma banda boa e grandiosa (e, inexorável, “passada”) como o grande Duran Duran, mas não combinou. Soou estranho. Mas Ok. De resto, o caminhão de hits que Simon LeBon e turma têm foi desempenhado com fidelidade, voz boa e roupas coloridas idem pelo vocalista. Teve um certo cansaço de banda e público no final, mas foi um show saudoso bom, digno de fim de tarde, fim de banda, fim de geração. O Duran Duran hoje, diferente dos velhuscos Stones, por exemplo, sofre de natural perda de energia, embora carregue o punhado de músicas maravilhosas que fez para onde for e isso conta muito. Mas, se você não cobrá-los e se cobrar de ver a banda com o gás, por exemplo, que você sente influenciando bandas em filmes como o sucesso recente “Sing Street”, vai ter achado o show do Lolla bem decente.

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– THE WEEKND – De bad boy do R&B à unanimidade pop de vários tentáculos, mas ainda uma vida inteligente nesse meio, o cantor canadense fez um belo show no Lollapalooza. Sua apresentação começou a toda velocidade, num ritmo que se não cansasse um pouco do meio para o fim (talvez proposital, por causa de sua escolha de repertório, talvez para não se entregar tanto ao pop. RESISTÊNCIA!!) poderia ter sido eleito “O Show” desta edição do festival de Interlagos. No palco o cara é um bicho, seja tocando seu quase trap desconhecidos a sucessos estrondosos como “Can’t Feel My Face”. O povo fã pode preferir a segunda fase à primeira de sua carreira. Mas o Weeknd parece não fazer distinção e cantar com mesmo entusiasmo e “feeling” tanto uma quanto a outra. Não, não vou compará-lo a Michael Jackson. Deixa o cara.

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– THE XX – Já se passaram quatro anos desde que o trio inglês esteve no Brasil pela primeira vez, como headliner da primeira edição do Popload Festival (cóf.). E é impressionante ver de perto a dimensão que a carreira da banda (e, principalmente, a de Jamie XX) tomou. Como atração principal do melhor palco Ônix, esta talvez tenha sido a sequência mais extrema de lineup em um festival: o público saiu de um transe hipnótico de luz e silêncio e se jogou ao lado em um mar de berros e solos de James Hetfield, do Metallica. Se em 2013 o The XX era uma banda razoavelmente pequena, com zero hits mas com singles incríveis, três integrantes extremamente tímidos e dois discos surpreendentes só que ainda bem low profile, em 2017 o trio volta ao país em sua melhor fase. Depende do ponto de vista, claro, mas o mainstream fez muito bem ao grupo (há quem acuse o The XX de estar passando por uma “coldplayzação”, seja lá o que isso signifique). De lá para cá, eles tiveram música na trilha de uma minissérie na Globo, parcerias com Rihanna e Alicia Keys, arranjaram uma fã chamada Beyoncé e, recentemente, fizeram uma residência em Londres com uma semana inteira de shows lotados. Tudo isso com um o disco absurdo e uma carreira solo bem-sucedida do menino Jamie XX, o cérebro eletrônico da banda. Talvez todo esse repertório mais pop, ou, mais “eclético”, tenha influenciado diretamente o terceiro disco “I See You”, bem mais dançante e colorido, bem mais Jamie que Romy & Oliver. Estes dois, uma atração à parte. Desengonçados e ainda claramente tímidos, tentam a todo custo se soltarem no palco, fazendo uma dança esquisita, robótica e desconexa, mas que acaba tudo bem no final (OK, dá um pouquinho de vergonha, mas a gente se solidariza e bate palma pelo esforço!). As músicas do novo álbum impressionaram: funcionam perfeitamente ao vivo. Servem para dançar e animar o setlist sem tirar o clima intimista ou atrapalhar as músicas mais lentas de discos anteriores. O show começou com “Say Something Loving”, que há apenas dois meses de seu lançamento, foi cantada em coro por milhares de pessoas (e até pelo público oba-oba da área VIP haha), emocionando a banda, assim como o single “On Hold”, que abriu o bis. The XX parece ser a maior banda pequena do mundo hoje. Saiba mais para baixo o que o Jamie XX achou do show, em entrevista exclusiva à Popload nesta terça à tarde.

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** LOLLA DA SEGUNDA-FEIRA

* No pós-Lollapalooza não teve descanso. A segundona reservou uma dobradinha de (ainda) novos nomes no Cine Joia, na Liberdade, com shows da banda inglesa Glass Animals e da cantora dinamarquesa MØ, dois ex-indie-dance e atuais pop, enquanto no mesmo horário rolava a apresentação do britpop manchesterizado do grupo The 1975 no Audio Club, na Barra Funda. Ambas as casas com bom público.
Temos ibagens:

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Em cima e embaixo, show da dinamarquesa MØ (já conhecida no Brasil como Møzão ou Møzin) no Cine Joia. O XX foi ver a moça, foram ao camarim, achava-se que a Romy podia dar uma canja, mas nada rolou

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Acima, o grupo Glass Animals em ação no Cine Joia, com o mapping dando um certo colorido psicodélico ao indie-pop dos meninos da terra do Radiohead

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De Manchester para a Barra Funda, o grupo The 1975 em ação no Audio Club. Abaixo, o setlist mostrado no Instagram de um fã empolgado

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** ENTREVISTA EXCLUSIVA – JAMIE XX

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Artista gringo adora elogiar a plateia “quente” do Brasil, quase sempre retórica para ganhar o público, conquistar simpatia, fazer aquela média. Mas esse não pareceu o caso do rapaz Jamie XX em entrevista exclusiva à Popload nesta tarde, num restaurante no Jardim Paulista, num “off” da banda. Até porque o show já aconteceu, não tem mais nada a ser ganho.
Estamos num restaurante “emprestado” ao The XX na região do Jardim Paulista, colado ao hotel Unique. O Lollapalooza, do qual o trio inglês foi um dos grandes destaques no final de semana, ainda teve desdobramentos por aqui em plena terça-feira, veja você.
“É sério. Eu esperava um show bom aqui no Brasil, de novo, mas a energia que veio do público para nós, no palco, foi muito grande. A gente lotou sete datas em Londres há poucos dias [Brixton Academy] e nenhuma delas teve esse clima. Nem no Japão nossos shows têm essa energia. Vocês são mesmo diferentes. Acredite!”, disse o geniozinho sonoro da banda inglesa, o cérebro eletrônico do grupo indie, que também é exímio DJ e produtor, além de ter construído uma importante carreira solo depois do lindo “In Colour”, álbum lançado no ano passado. Ah, e o único do trio que carrega o “XX” no nome.

“Foi a mesma reação do público no nosso show aqui em São Paulo em 2013, nossa primeira apresentação no Brasil. Mas com muito menos gente. Então não nos surpreendeu desta vez”, afirmou o músico, se referindo na vinda do XX ao primeiro Popload Festival, então com apenas os dois primeiros discos para tocar.

“Se eu me lembro daquele show de 2013? Claro que sim. O palco era grande, mas era estreito. Tive que montar minha aparelhagem de um modo diferente. E éramos uma banda bem diferente do que somos hoje, inclusive sonoramente. Lembro ainda de ter comido muito bem daquela vez em São Paulo. Mas não me recordo onde foi.”

Embora essa “guinada ao dance” fez o XX virar uma outra banda, com o discaço “I See You”, o terceiro álbum, lançado neste ano, Jamie XX não se diz responsável sozinho pela mudança no estilo do grupo. “Foi um consenso. Tivemos muito tempo entre o segundo e o terceiro álbum para saber onde íamos. E ele foi saindo dessa maneira, mais híbrido em estilos. E, sim, meu disco solo ajudou a apontar alguns caminhos nesse sentido”, avisou.

O “cara da eletrônica” da banda indie XX diz que gosta de ouvir e até tocar música independente, sem querer apontar novos nomes da cena inglesa. “Eu sempre carrego algumas músicas indies para misturar em meus sets, se for preciso e se na hora da apresentação couber. No começo, por causa do estilo do XX, quando me agendavam para discotecar, achavam que eu ia tocar apenas indie. Claro, isso já mudou totalmente”, falou Jamie, que já viajou sozinho para atuar como DJ em lugares como Moscou, Jerusalem e Hong Kong, em robustos convites.

Se ele se entusiasmado com a cena eletrônica atual? “Não está muito divulgado por aí, ainda, mas tem uma incrível cena de jazz misturado à elementos de eletrônico acontecendo agora no underground de Londres. Os DJs, produtores e até bandas desse ritmo são na maioria bem novos. Muita coisa boa deve sair daí em breve.”

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POPLOAD NO LOLLAPALOOZA: Lúcio Ribeiro, Ana Carolina Monteiro, Fernando Scoczynski Filho, Alexandre Gliv Zampieri.

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Efeito Brexit: vídeos do Glastonbury são regulados para quem não é inglês. Mas…

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…Temos sessions especiais.

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Começou a palhaçada. O festival de Glastonbury, um dos mais youtubáveis dos grandes festivais do planeta, que sempre inunda nossas timelines de links ótimos, fechou o cerco para quem não é britânico ou está no Reino Unido. Damn it, Brexit.

Mas, por enquanto, a BBC libera em sua série “Introducing” algumas saborosas sessions feitas em “área seca”, dentro do Glastonbury, ou mesmo no palco Introducing, aberto ao público mesmo.

Abaixo, performances especiais da incrível Christina & The Queens, do Catfish & The Bottlemen, do Travis, do 1975, do lindo Formation, do Bastille, do White Denin e da performááática Chrstina, novamente.

** A foto deste post é do Bastille, tirada por Emma Swann, para o site “DIY”. A da home é do “Independent”.

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Em Minnesota, Catfish and the Bottlemen mostra o que o novo rock tem

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A tendência é ouvirmos muito sobre Catfish and the Bottlemen até o fim do ano. A banda galesa, uma das boas revelações do novo-novo-rock, lança em maio seu segundo disco, o da “afirmação”.

“The Ride” chega ao mercado dia 27 do referido mês e dele já conhecemos algumas canções, tipo a ótima “Soundcheck”. O álbum foi produzido pelo norte-americano Dave Sardy, responsável pelos dois últimos discos da carreira do Oasis.

Em rolê pela América do Norte, o grupo galês fez uma parada na rádio The Current, de Minnesota, Por lá, eles mostraram em versão acústica a novíssima “7”. Tocaram ainda “Fallout” e “Business”, do primeiro disco “The Balcony”.

“7” pode ser vista em vídeo especialíssimo publicado pela rádio. A session inteira, com entrevista, pode ser ouvida aqui.

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Popload entrevista: Halsey

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* Ainda na ressaca do Lollapalooza Brasil e já esquentando para o colossal Coachella Festival, já já aí, em abril, batemos um papo com a jovem cantora Halsey. Estrela ascendente de um certo electropop, amiga dos indies ingleses, amiga dos bagunçeiros Diplo e Skrillex, parça do Justin Bieber, ex-emo, e que, a despeito de estar alto como chamariz no pôster do Coachella, em São Paulo foi a mais infeliz vítima da escalação do Lolla. Halsey tocou no mesmo horário que o Tame Impala chapava o palco principal com psicodelia hipnotizante.

Esta entrevista, feita pela poploader Isadora Almeida, tenta dar a atenção que a promissora cantora americana realmente merece. E o vídeo de seu show todo, no fim do post, resgata sua deliciosa apresentação, para os muitos que não a viram em ação em Interlagos, cafundó paulistano tomando a Sé como referência.

Halsey saiu de New Jersey há dois anos para conhecer o mundo, levando sua música junto. Ela tem 21 hoje.

Nesse pouco tempo, abriu turnê de nomes como The Kooks e, repare à ascensão ao pop, The Weeknd. Já tocou em tudo quanto é festival e neste ano continua seu plano de dominação mundial, incluindo um Madison Square Garden SOLD OUT em agosto. Vamos repetir: Madison Square Garden, em Nova York, com ingressos esgotados desde antes de 2015 sequer ter acabado.

MC Halsinha (nome fictício que ela colocou no twitter durante a semana que passou por São Paulo) se divertiu muito por aqui e deu altos rolê com os amigos gringos Skrillex e Diplo, outras atrações do Lolla BR. Diplo inclusive a levou ela para conhecer um pessoal tipo o Gorky, MC Bin Laden, Jaloo e os gênios do grafite Os Gemêos. Encantada em terras brasilis, afirmou, na entrevista a seguir, o quanto ficou inspirada no país, a ponto de dizer que passou uma madrugada em um estúdio gravando com o Diplo,. A conversa completa com Halsey, inclusive contado que até ela iria escolher ver o Tame Impala tocando, está aqui:

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Popload – Quando ouvi pela primeira vez “Badlands”, eu entendi que era um álbum temático, de atmosfera única e densa, meio deprê, uma trip à “Terra do Bad”, como se fosse um mundo seu, paralelo. Não que os álbuns sejam iguais, mas me lembrou do primeiro álbum do Panic at the Disco, “A Fever You Can Sweat Out”, que abraçou um tema da primeira à última faixa, no caso a atmosfera circense.

Halsey – Nossa, esse é meu álbum favorito. Estou arrepiada em você comparar meu álbum ao do Panic at the Disco. Isso é muito importante para mim. Bom, “Badlands” é um lugar que apareceu na minha cabeça. Eu sou de New Jersey, e nada acontece lá. E de repente, por causa do disco, eu estava em Los Angeles, onde tudo é bem diferente. Então começou uma rotina muito distinta do que eu estava acostumada com minha vida tranquila. Todo dia em um lugar diferente, aviões, milhões de coisas e eu estava me sentindo cansada, sem achar graça nas coisas. Era confuso. Por que se sentir assim se eu estava fazendo a única coisa que amo? Então Badlands seria esse lugar onde as pessoas estão presas lá, mas se sentem orgulhosas em estarem lá. É quase você se sentir bem em estar se sentindo mal, porque exige menos esforço você se acomodar com as coisas ao invés de tentar mudar tudo. Então é mais ou menos isto: estar presa em Badlands. E ele virou um álbum que meus fãs e as pessoas parecem gostar muito, o que é muito louco, já que ele nasceu meio que como um resultado angustiante. Badlands é um lugar imaginário.

Popload – Você acredita que seu próximo álbum também vai ter um tema só?
Halsey –
Eu sempre escrevo baseada em um tema, mas não tipo “Toma aqui estão 15 músicas que seguem um mesmo pensamento”. Eu amo cinema, então como nos filmes eu acho legal que um álbum conte uma história de começo, meio e fim, mesmo que cada faixa conte um enredo específico. Mas gosto que o álbum tema um tema maior. Em “Badlands”, por exemplo, existem duas principais narrativas: a história que eu estou dizendo e a história dos sons que a gente ouve nele, algo meio pós-apocalíptica, meio alienígena. Mesmo que os temas que eu canto nas músicas são universais, tipo coração partido, a descoberta das pessoas. Mas, para o próximo álbum, acho que não vou fazê-lo temátco. Hoje é diferente, minha cabeça está em vários lugares. Antes eu era uma garota de 17 anos de New Jersey e agora sou uma garota de 21 anos que está no Brasil, entende?

Popload – Como foi o show do Lollapalooza para você? E você estava tocando no mesmo horário do Tame Impala…
Halsey –
Eu chorei! Eu vi que a “# “do meu show foi a mais comentada no Twitter. Isso é insano! Sim, eu achei que ninguém ia ver meu show. Se eu tivesse que escolher, até eu ia ver o Tame Impala (risos).

Popload – O empoderamento das mulheres é um assunto que está em alta e cada vez se mostra mais necessário. Como artista e já influenciadora, como você acha que pode ajudar esta nova geração?
Halsey –
É engraçado para mim, porque eu cresci dentro de um tipo de sociedade, como uma criança americana sendo ensinada nos moldes da sociedade americana. Comecei minha carreira nos Estados Unidos, falava como uma artista americana, falava sobre os problemas do meu país, e, consequentemente, diretamente para as crianças de lá. E então vi que crianças do mundo inteiro ouviam minha música. E eu entendi logo que existem países onde as garotas não sentem a necessidade de serem feministas, não sofrem com certas realidades. E para mim é tipo “Como assim?”. Daí eu já quero entender o porquê. E passei a perceber que, sim, as culturas são tão diferentes… Como eu posso ser um exemplo e ser respeitosa com todo mundo? Eu não tenho vergonha do meu corpo, me visto sempre como quero, falo abertamente sobre minha sexualidade. E aí penso: “Como posso fazer música para que todos se identifiquem e se sintam confortáveis?”. Acho que para mim o mais importante é dizer: “Quem quer que você seja, viva a sua verdade”.

Popload – Em sua passagem por São Paulo, no rooftop do clube Panam, do hotel Maksoud Plaza, aconteceu a gravação do programa de rádio do Skrillex, no qual você foi uma das convidadas. Faz tempo que você conhece o Diplo e o Skrillex?
Halsey –
Eu os conheci quando gravei “The Feeling” com o Justin Bieber. O Skrillex era de uma banda emo que eu amava quando eu era garotinha,. O Diplo é tipo o cara, na minha opinião, mais bem-sucedido da música eletrônica. O Justin Bieber é o Justin Bieber. Então esses caras me ligaram e falaram que me queriam em uma faixa e eu surtei. Pensei: “Como vocês me conhecem?” Ai me dei muito bem com eles, viramos amigos. O Diplo é tipo o meu melhor novo amigo no mundo da música. Ele me respeita muito e é muito respeitoso com as mulheres e celebra o nosso sucesso. Ele não quer saber da minha insegurança quando eu me sinto um lixo. Quer que eu me solte e faça o que eu acho que tá certo. E aqui no Brasil a gente se sentiu muito inspirados, chegamos a gravar coisas num estúdio, fizemos algumas coisas. Vamos ver o que rola.

Popload – E a música brasileira? Você ouviu algo de que gostou?
Halsey –
O pouco que eu ouvi eu amei, achei tudo muito inspirador, totalmente dançante e com certeza pretendo conhecer mais.

Popload – Além de ter esses amigos super famosos do mundo mainstream, você também é amiga da cena britânica, de caras de bandas novas como The 1975 e Catfish and the Bottlemen. Como aconteceu essa conexão?
Halsey –
É engraçado, porque todos nós surgimos numa fase em que a música alternativa está sendo redefinida. Eu, 1975, Catfish, Lana Del Rey, The Neighbourhood, todos nós estamos fazendo música com uma sensibilidade pop, tipo a gente quer tocar em rádios e para bastante gente. Hoje em dia música alternativa não é para 30 caras ouvirem num quarto mais. Se você quer saber sobre música alternativa e o sucesso dela, fale com os jovens de 17 anos. Eles sabem o que é “alternativo”, são inteligentes, estão na internet sabendo sobre tudo. Mas, com essa nossa nova onda de bandas alternativas, nós queremos fazer uma música que seja para todos, não para guetos. É para uma galera que quer ouvir bandas que tenham algo a dizer. O que me deixa muito feliz sobre isso é que todos nós somos muito parceiros. Nos ajudamos muito. Não existe competição.

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