Em cavalera conspiracy:

CENA – “Contra tudo o que está aí”, nata do metal brasileiro cria o Revolta, a banda-ação, com João Gordo e Iggor Cavalera no elenco. Ouça a “leve” “Hecatombe Genocida”

1 - cenatopo19

* O recado vai ser só este mesmo. Luminares do metal brasileiro criaram a superbanda Revolta para registrar o que acham do momento político brasileiro, internacional e inclusive sobre o que percebem de confuso na nova geração da música mesada. E a conclusão, em forma de canção, e uma canção apenas, é esta: “Hecatombe Genocida”.

“Hecatombe Genocida” é o nosso “We Are the World” do mundo invertido que estamos vivendo e com os instrumentos falando alto. “Cem mil mortos entupindo o poço da escuridão/ A justiça vai caindo/ Facistas na contramão/ O terror em forma de governo/ Misturado com ódio e veneno/ Extermina toda a razão/ Patriotas de pele mais clara/ Mundo podre da corrupção”, diz a letra.

O Revolta tem em suas fileiras os vocais de João Gordo (Ratos de Porão, foto na home) e Prika Amaral (Nervosa), nas guitarras Guilherme Miranda (Entombed AD e Krow) e Moyses Kolesne (Krisiun), o baixo é de Castor (Torture Squad) e a bateria fica sob a responsabilidade de Iggor Cavalera (Cavalera Conspiracy e Mixhell).

WhatsApp Image 2020-09-29 at 12.48.06

Arte do Revolta criada por Iggor Cavalera com inspiração na banda norueguesa Turbonegro

“O Revolta é uma ideia do Guilherme do Emtombed AD, que mora em Londres e me ligou dizendo que queria juntar uma galera do Brasil para mostrar o quanto a gente não está satisfeito com o que está acontecendo no país, principalmente desse lado da política e de quem está governando agora. Então ele reuniu um time pegando uma galera que de repente não tocaria junta, mas que se uniria por uma causa superimportante. Essa é a ideia do Revolta”, disse Iggor Cavalera à Popload.

“Não é uma banda, na verdade. É simplesmente um ato que a gente sentiu que era hora de fazer. É um prazer tocar com esses caras. Mas o mais legal disso tudo é poder ajudar a abrir a cabeça da molecada do metal, que às vezes fica ainda um pouco retraída, por trás desse lance de direita. É mostrar que desde os anos 80 a gente já vem levantando essa bandeira contra essa politicagem bandida que existe no Brasil há milênios. Nós continuamos achando que está tudo a mesma merda. Então essa é a ideia.”

>>

Iggor e Max Cavalera como "dupla White Stripes". Produzida por James Murphy

>>

* Exclusivo mundial. Hehe.

A revista cool mensal que sai encartada na Folha de S.Paulo de domingo, a “Serafina”, publicou ontem texto meu sobre a nova fase da vida do ex-mito do metal internacional Iggor Cavalera, considerado um dos maiores bateristas da história graças a sua marcante atuação até 2006 no Sepultura. Iggor acaba de se mudar com mulher e um dos filhos para Londres, para uma espécie de “início de carreira” aos 42 anos. Na Inglaterra, ele pretende bombar sua fase eletrônica, a banda Mixhell, que lançou o primeiro álbum recentemente, o surpreendente “Spaces”.

Mas Iggor disse que o Mixhell não será o único projeto seu a ser trabalhado na vida longe do Brasil. E muito menos o metal será definitivamente sepultado (hum…) de sua vida. O baterista, longe do Sepultura desde 2006, vai se dedicar também ao projeto que tem com o irmão, Max, o Cavalera Conspiracy. Mas aqui a coisa promete ser mais bombástica ainda.

Iggor afirmou que pretende gravar um novo EP até o final do ano em Nova York sob a tutela do midas da música pop atual, o hoje produtor e sempre gênio James Murphy, dono da DFA Records, ex-LCD Soundsystem e responsável pelo disco novo do Arcade Fire, entre outros inúmeros serviços prestados ao rock-eletrônico-pop-disco-punk.

O Cavalera vai falar melhor, no texto abaixo. Mas basicamente James Murphy o procurou dizendo que quer transformar o Cavalera Conspiracy numa dupla só com Iggor e Max. Demitindo os outros integrantes. Fazendo uma espécie de guitarra-bateria whitestripiana sem botar muitos efeitos de estúdio. Max & Iggor nus e crus. “Murphy disse que nos promete o álbum mais pesado de nossa carreira”, revelou o Cavalera do Mixhell.

Não sei você, mas eu considero essa notícia explosiva para o metal e para o rock em geral. Max e Iggor numa espécie de pré-Sepultura num mundo pós-Sepultura, com o nome do James Murphy envolvido. Caceta.

Confira, abaixo, uma edição sem cortes do que saiu ontem na “Serafina”, da “Folha”. As fotos de Iggor esvaziando o apartamento de São Paulo para ir de mala, cuia e bateria são de Candice Japiassu.

“Folha de São Paulo”, revista “Serafina”
De mudança (de novo)
Iggor Cavalera, o baterista que virou DJ, vai embora do Brasil para trabalhar em duas bandas “de família”: o eletrônico Mixhell, com a mulher, e uma velha-nova banda de metal com o irmão, Max.
Por Lúcio Ribeiro. Foto Candice Japiassu

Coloque-se no lugar de Iggor Cavalera. Ali por 2006, 2007, depois de passar mais de 20 anos tocando na banda brasileira mais famosa internacionalmente de todos os tempos e ser considerado um dos bateristas mais poderosos da história do rock, ele queria descansar.

Ficar longe do showbiz, deixar de viajar tanto, curtir o novo casamento, acompanhar o começo de vida do filho mais novo recém-nascido, reatar a relação destruída por brigas com o irmão, ter mais tempo para ir a jogos do Palmeiras.

Voltar a ser uma pessoa comum que quase nunca foi, desde que ele e o irmão Max fundaram num apartamento de Belo Horizonte, no comecinho dos anos 80, a banda ícone mundial do thrash metal, death metal ou simplesmente heavy metal Sepultura, 20 milhões de discos vendidos. Iggor na época era Igor e tinha 13 anos. Max, 14.

Aí, nesse período pacato, já fora da banda, convidam para atacar de DJ o cara que durante anos atacou baterias como um lutador de MMA.

Seria uma aventura em uma noite de rock inofensiva em um clube de eletrônica em São Paulo. Ele aceitou. Porém, desavisado, levou só discos de hip hop mexicano. Foi xingado. Mas gostou do poder de “controlar uma pista”.

Dessa noite de 2006 até agora, é possível traçar em duas frentes a seguinte trajetória da vida de Iggor Cavalera, 42, depois da tentativa de sossegar um pouco com música:

1. Dupla de DJ, junto com a mulher, Laima Leyton, 36, batizada de projeto eletrônico Mixhell. Formação da banda rocktrônica de mesmo nome, Mixhell, cujo primeiro album, XX, acaba de ser lançado. Mudança com o trio (ele, a mulher e o baixista e produtor Max Blum) mais o filho caçula para Londres. Em seguida, shows no Glastonbury, Bestival, Rússia, Barcelona e turnê européia e americana.

2. Reconciliação com o irmão e formação de nova banda juntos, a Cavalera Conspiracy. Um plano ousado: transformar a nova banda em uma dupla tipo White Stripes, ele na bateria, Max na guitarra e vocal. Tudo produzido por James Murphy, ex-LCD Soundsystem, dono do importante selo nova-iorquino DFA e produtor do disco novo do Arcade Fire, entre outras centenas de coisas.

Iggor Cavalera sentou com Serafina em um café de São Paulo quatro dias antes de se mudar de vez para Londres, cinco dias antes de viajar para o norte da Inglaterra para participar de um festival gigante com o Mixhell, alguns meses antes de reescrever a história do metal com o novo Cavalera Conspiracy. E conta como sua vida pode ficar duas vezes mais agitada do que era quando optou, sete anos atrás, por “dar uma descansada de tudo”.

“É uma história parecida com o que eu passei com o Sepultura em 1988, 1989. A gente adorava viver aqui no Brasil, viajar para fora para tocar, voltar. Ir e voltar. Mas chegou uma hora em que esse “ir e voltar” ficou inviável. Porque a gente começava a ficar mais lá do que aqui, pagando uma estrutura de vida no Brasil e com todos os negócios, de agência até shows e gravações, tudo fora. Então fomos embora”, explicou Iggor os motivos de estar sendo “empurrado” novamente para a vida de rock star. Ou electronic star.

“Com o Mixhell está acontecendo a mesma coisa. Estamos vendo que há uma procura gigantesca lá fora pelo que a gente está fazendo, e no Brasil as coisas estão meio devagar. Pensamos ser melhor consolidar o Mixhell como banda lá fora para depois voltar ao Brasil. Como fizemos com o Sepultura”, disse.

“No mercado inglês e americano, tem muitos compromissos bons que acontecem quando você lança um disco, mas fica difícil de aceitar se você está tão longe de lá. Fomos convidados para tocar na loja de discos Rough Trade, de Londres, que é excelente para promover o álbum, gera um network incrível. Mas não dá para sair do Brasil só para isso, se essa ação não estiver atrelada a uma turnê nossa por lá.”

A passagem é de ida, sem volta determinada. Que pode ser “sem volta ponto”. Num primeiro momento, Iggor e Layton vão levar o caçula Antônio, único filho dos dois. Mas conversaram com os “agregados” (três só dele, um só dela), que estão em escolas aqui, e todos querem ir para a Inglaterra depois, se juntar aos pais. “Pode ser que viveremos lá por um bom tempo”, fala.

Mas é o projeto paralelo Cavalera Conspiracy, mais que o titular Mixhell, que pode levar mesmo a vida de Iggor Cavalera a ficar bem longe daquele descanso sonhado do começo do texto. Uma banda só ele e Max, na real uma dupla, com a chancela de James Murphy, pode ser tudo o que o metal esteja precisando hoje.

Iggor vai contando a história aos poucos, até chegar lá. Fala, Iggor.

“O CC sempre foi um projeto estranho. A banda tem suas regras: a gente nunca ensaia nem para show nem para disco. Meu irmão lá de Phoenix, nos EUA, manda umas bases por correio (ele não usa computador, email…), eu acrescento uns beats e devolvo. De vez em quando nos encontramos e fazemos um período de show, na América do Sul, Austrália, Japão… Foi assim com os dois discos lançados.”

“A ideia agora é gravar um EP em breve. Eu fui procurado pelo James Murphy para isso, mas ele quer só eu e meu irmão no estúdio. E no palco. Mais ninguém. É para a gente se livrar dos outros caras. Tocar apenas eu e meu irmão, só quando a gente estava aprendendo a tocar, no quarto da nossa casa, eu com uns pedaços de bateria, meu irmão com uma guitarra.”

“O Max está numa pilha incrível. Há algum tempo ele precisou entrar em um rehab, por causa de remédios. Agora, “clean”, ele compensa a ansiedade trabalhando. Chega a fazer até 28 shows por mês com o Soulfly, a banda dele. E está louco para gravarmos com o Cavalera.”

“Essa nova fase do Cavalera Conspiracy vai ser a volta minha e do meu irmão para o quarto de casa, 30 anos depois.”

>>

Max Cavalera no Cine Joia: "Vamos destruir essa po**a"

>>

* A casa de shows Cine Joia experimentou uma programação “de cinema” neste final de semana, com o perdão do trocadilho. Numa noite, a do sábado, a estrela paraense Gaby Amarantos fazendo uma versão tecnobrega de Kraftwerk. No outro dia, Max e Iggor Cavalera, ex-Sepultura, receberam o baterista Brann Dailor, do Mastodon, para uma cover de Black Flag.

O show do Cavalera Conspiracy foi acidental. Primeiro estava marcado para o Espaço das Américas, porque ia ter Slayer e o próprio Mastodon no pacote metal. Não rolou. Depois foi fixado no sábado no Via Mercês, ex-Broadway, apenas com o CC. Não rolou também. Tretas logísticas de várias ordens nos dois lugares prévios empurraram o show para o Cine Joia, em nova data, o domingo. Tudo para não deixar na mão os numerosos fãs de Max, Iggor, Cavalera Conspiracy, Sepultura, muitos com ingressos comprados e acompanhando a dança dos lugares.

Com uma operação de emergência, a apresentação dos Cavalera foi erguida na unha. E foi linda. O Cine Joia nunca teve tantas e tão grandes rodas de pogo (imagem acima), todas ao comando de Max Cavalera, que, “mal agradecido” com o lugar que acolheu, ainda gritava: “Vamos destruir essa porra”.
Tadinho do Cine Joia, hahaha

O show foi, surpresa, pesadíssimo, mas extremamente “organizado” dentro da trasheira que sai do quarteto brasileiro-americano. Músicas do Cavalera Conspiracy era misturadas às pauleiras do Sepultura e tudo soava uma sinfonia metal. Vinha de qual banda viesse, as canções, saídas da voz podre de Max, no espancamento da batidas de Iggor e no acompanhamento vocal selvagem da galera, eram de certo modo incrivelmente pop.
Por isso, eram todas incondicionamente cantadas aos urros pela plateia. E pelos filhos de Iggor e Max, que batiam cabelo forte tanto no palco, em participação especial, quanto na plateia. A família Cavalera, depois de um tempo confuso anos atrás, está mesmo bastante unida.

Confira o setlist do show do Cavalera Conspiracy e veja os vídeos de “Sanctuary” e “Inflikted”

Fotos instagram: pogo, de @niperboaventura, e setlist, de @kbralx.

>>

Metal, babe. Show do Cavalera Conspiracy acaba no Cine Joia, neste domingo

>>

* Os históricos irmãos Cavalera, que juntos botaram o Brasil no mapa mundial coestrelando a velha formação do almighty Sepultura, foram confirmados para show amanhã em novo endereço, depois de uma semana conturbada. O Cavalera Conspiracy, banda que foi formada pelo vocalista Max em Phoenix, EUA, e que tem o irmão Iggor na bateria, a princípio ia se apresentar com Slayer e Mastodon num grande evento metal no Espaço das Américas. Com a não-vinda anunciada das atrações gringas, o show da semigringa Cavalera Conspiracy foi levado ao Via Marquês, onde aconteceria neste sábado. Um desentendimento logístico, por fim, levou o concerto metal dos irmãos Cavalera para o Cine Joia neste domingo, 18. No vídeo acima, Max e Iggor prometem um loooooongo show, para comemorar o fim da turnê.

Os ingressos antes vendidos para as duas casas de show anteriores seguem valendo no Joia. Novos ingressos podem ser adquiridos aqui. O show está previsto para as 22h. Não haverá banda de abertura.

Na sexta-feira, o Cavalera Conspiracy se apresentou no Rio de Janeiro. Quase demoliram o Circo Voador, segundo relatos. Primeiro fora do palco, quando a banda atrasou muito para entrar em cena e o furioso público já intrinsecamente furioso fez chover objetos no palco, elegendo os roadies como vítimas. Depois, Max entrou com a guitarra e dizendo “A hora chegou”, a demolição foi sonora. Muitas músicas do Sepultura foram tocadas na apresentação, como “Arise”/”Dead Embrionic Cells”” juntas, “Territory”, “Refuse/Resist” e “Roots Bloody Roots”, do bis.

>>

>>