Em CENA:

CENA – Conheça a banda Bala Desejo, do Rio, a “próxima coisa” da cena brasileira

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* O bafafá em cima da banda nova carioca Bala Desejo está tão grande, mas tão grande, que a gente pediu para a espertíssima poploader Lina Andreosi investigar, já que na noite desta segunda o coletivo de amigos resolveu estrear suas músicas ao vivo em São Paulo, em apresentação que se repete HOJE, terça na pequena Bona Casa de Música, em Pinheiros.

Abaixo, o “dossiê Bala Desejo”.

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por Lina Andreosi
Alguns dizem que nos próximos anos viveremos um período de renascença das artes em dimensões nunca antes vistas. E o coletivo Bala Desejo parece ter chegado para mostrar que realmente estamos caminhando em direção a isso.

Bala Desejo é Julia Mestre, Dora Morelenbaum, Zé Ibarra e Lucas Nunes.

Individualmente cada um dos membros do coletivo já tem carterinha na cena musical da MPB. Julia, que em 2019 lançou o álbum “Geminis”, também possui créditos de composições em um punhado de canções que vão da banda Gilsons ao hit “Love Love”, que foi cantado por Ivete Sangalo no Carnaval. Enquanto isso, Dora lançou recentemente o single “Japão”, que repercutiu positivamente em sequência ao single “Dó a Dó”, co-escrito com Tom Veloso e arranjado por seu pai, o violoncelista e maestro Jaques Morelenbaum.

Já Zé Ibarra e Lucas Nunes são colaboradores de longa data, formando dois quintos da banda Dônica. Ambos confirmaram em entrevista e no show que o alusivo segundo álbum da banda já está finalizado e aguarda data propícia para lançamento. Enquanto a Dônica hiberna, Lucas co-produziu o disco “Meu Coco”, lançado por Caetano Veloso neste ano.

Formado durante um período de isolamento coletivo, o quarteto de amigos de infância se uniu para explorar suas sonoridades e produziu o que eles definem como “um som que traz uma alegria lúdica – e, por que não, lisérgica”. E assim, na “comunidade hippie” que ficou conhecida nas lives de Teresa Cristina, nasceu o álbum “Sim, Sim, Sim”, cujo lado A será lançado em janeiro via Coala Records, o selo do festival paulistano de mesmo nome.

Na noite de ontem, no Bona, em Pinheiros, aconteceu a estréia do Bala Desejo nos palcos e eles entregaram tudo e mais um pouco. A apresentação foi dividida em lado A e lado B do álbum, e com um início digno de Carnaval os quatro cantores-compositores animaram a audiência mista entre os que conhecem o conjunto de outras “vidas” e os que se aventuraram na novidade.

Com harmonias vocais impecáveis e tchu-tchurus, as canções ao vivo trouxeram uma versão moderna e fresca da clássica MPB tropicalista, com letras animadas e onomatopeias absurdas, tudo embalado por arranjos exemplares. Ao longo da apresentação, temos também algumas composições mais particulares de cada membro, o que demonstrou como trabalham tão bem juntos quanto exaltando suas individualidades.

A noite passada deixou a sensação de ter visto algo incrível nascer bem diante dos olhos. E de que ouviremos muito Bala Desejo neste próximo verão.


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Bora para Interlagos. Lollapalooza BR pega bom frame da multifacetada e pulsante CENA brasileira

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* Discutir escalação de festival é daquelas batalhas infinitas que todos amam. Sempre vão ter reclamações e sempre vai faltar alguém. Com isso em mente, dá para elogiar bem as opções do Lollapalooza de 2022 em relação à escolha dos artistas brasileiros para o line-up, dado o ótimo e variado momento da nossa CENA. Eles conseguiram pegar um frame que consegue respeitar bem nossa amplitude de artistas de diferentes gêneros e tamanhos.

É bom ver Pabllo Vittar, Emicida, Matuê e Gloria Groove (foto abaixo) em lugares de destaque no cartaz. São dos nossos nomes mais quentes atualmente, em questão de público e artisticamente, todos com produções novas e marcantes. Poderiam até ser nomes maiores, na real. São todos artistas que têm muito para mostrar desde que a pandemia colocou a gente em casa.

Djonga aparece logo abaixo talvez por questão de espaço. Porque, pode apostar, seu show vai ter cara de show de headliner, com o público mais vibrante do festival. Quem lembra a reação das pessoas ao só notar que ele assistia ao show do BK na edição de 2019? Imagina a reação da plateia quando ele desfilar sua série de hits acumulados nos ultimos anos.

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Também é bom ver que finalmente veremos Rashid no Lolla. Ele que ficou sem conseguir se apresentar em 2019 na tarde que trovejou no quase todo evacuado Autódromo de Interlagos, perdeu a edição de 2020 como todos nós, mas agora tem a terceira chance de fazer essa apresentação. Vai ser emocionante.

Nas guitarras, a promessa é de ótimos momentos com Fresno, Terno Rei e Menores Atos.

Silva, Clarice Falcão, Jup do Bairro e MC Tha também deixam a gente ansioso por seus bons shows, cada um na sua e cada um com seu tamanho.

WC No Beat com Kevin O Chris e uma turma que conta Haikaiss, PK, Felp 22, MC Th e Hyperaranhas honra a promessa de trazer um pouco de funk ao Lollapalooza. Uma ausência que Kevin já tinha deixado claro que não fazia sentido quando virou a atração principal do festival, em uma breve participação no show do Post Malone.

Faltou gente? Sempre vai faltar muita gente, lembrando que isso nunca é desculpa para reparações e melhoras, lógico. A gente já até levanta um cartaz pedindo um Lolla 100% nacional. E ainda assim faltaria gente. Consequência de se ter a música em melhor fase no mundo.

** O Lollapalooza Brasil acontece nos dias 25, 26 e 27 de março no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Boa parte dos artistas nacionais escalados frequentam o TOP 50 da CENA, publicado às quartas aqui na Popload.

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CENA – Sebastianismos quer tomar o rock de volta dos reacionários: “O rock dos tiozão tem que acabar”. Veja entrevista

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* Quem não cogitou deixar de escutar determinada banda de rock por conta de ideias tortas lançadas por alguns roqueiros não esteve em 2021. E, indo além da opinião política, vamos combinar que muito do rock brasileiro produzido nos últimos anos é essencialmente careta em termos de som, de ideia e por aí vai. Mas tem um cara querendo retomar o rock para sua raiz de potencializar mudanças.

Ele é Sebastián Piracés-Ugarte, baterista e um dos vocalistas da Francisco, El Hombre, que não lançou solo um disco na pandemia, mas dois – “Sebastianismos” (2020) e “Tóxico” (2021), suas primeiras aventuras sozinhas sob o nome de Sebastianismos.

Se na primeira experiência o clima musical era mais doido e diversificado, “Tóxico” é roqueiro – tem participação de integrantes da Fresno, CPM 22, Nx Zero. E aí que vem a conversa sobre uma retomada do estilo.

Em entrevista na Popload TV, Sebastián conta sobre ter ficado com ranço do rock, sua primeira paixão musical, por questão do machismo e do racismo que permeiam o estilo. Ainda que tenha muito de punk e de rock na Francisco, El Hombre, ele abdicou de escrever dentro do gênero na banda e aquilo estava incomodando. “Tinha deixado minha essência de lado”, ponderou. Mas em carreira solo ele sacou que não precisava deixar de fazer a música que amava por conta daqueles problemas. Tinha que resolver esses tais problemas escrevendo dentro do estilo.

“Se a cena está errada, cabe a nós mudar a cena”, ele diz, citando uma lição que Rodrigo Lima, vocalista do Dead Fish, lhe deu. “Antes de querer mudar o mundo, precisava arrumar a minha sala, se a cena está tóxica cabe a nós dar o exemplo. E, sendo sincero, o rock dos tiozão tem que acabar”, decretou.

Polêmico? Nem é, vai. Nosso papo ainda teve mais coisas. Sebastián destrincha a produção de “Tóxico”, as participações especiais e resgata um pouco a história da música “Bolso Nada”, escrita pela/para a Francisco e talvez uma das primeiras canções a bater no atual presidente da República quando ele ainda nem era presidente. Pois é.

Assista a íntegra da conversa:

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POPLOAD ENTREVISTA: Tem live com a JADE BARALDO nesta sexta-feira, 17h

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* Jade Baraldo já tem uma estrada, apesar de seus poucos 22 anos. A cantora catarinense lançou um álbum de maneira independente em 2019, “Mais Que os Olhos Podem Ver”, se arriscou no programa “The Voice”, da Globo, participou de um disco da Fresno – entre outras muitas coisas. Dá para contar o início de sua trajetória desde a primeira música, escrita aos 16 anos. Agora ela entra em uma nova fase, “mais adulta”. Assinou com uma gravadora grande, a Warner, e lançou, tem uma semana, seu primeiro single mainstream, digamos, que é “Não Ama Nada”. Cujo vídeo já ultrapassa os 500 mil views.

Convidamos ela para o nosso Popload Entrevista para trocar uma ideia sobre tudo isso. A conversa rola ao vivo nesta sexta-feira, HOJE, a partir das 17h, JÁJÁ, na Popload TV, o nosso canal de YouTube. Como sempre, todo mundo está convidado para participar ativamente do papo. O canal está aberto.

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CENA – Isabel Lenza canta sua reinvenção em “Véspera”. Segundo álbum é lançado hoje

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* E já está por aí o novo álbum da cantora paulistana Isabel Lenza. Todo feito em Belo Horizonte ao lado do produtor Leonardo Marques, de longo currículo de serviços prestados à música independente mineira/brasileira (Transmissor, ex-Diesel, colaborador da banda Maglore), “Véspera” é “o que antecede com a força do que é. Como uma tarde ensolarada que nutri antes do espetáculo da noite de lua cheia”, nas palavras da própria Bel.

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Composto todo por ela, a não ser uma parceria sua com o guitarrista Régis Damasceno (Cidadão Instigado) em “Colados”, este seu segundo álbum é formado por canções que a cantora escreveu quase sempre guiada por sua voz e por seu violão de nylon.

Esse processo bem particular se estendeu na parceria com Marques. É a dupla que toca tudo ao longo das nove faixas do disco. “Léo, além de produzir, gravou, tocou, mixou e masterizou o disco”, conta. E isso porque a junção deles, inicialmente, era para um single, apenas. Mas acabou rendendo um álbum todo. E um disco, de certa maneira, conceitual.

“Com elas [as canções], broto com vitalidade neste novo momento solar, mirando mais no agora e no que está por vir, realizando que eu sou meu lugar de acolhimento e também de potência.”

O álbum começa com “Imenso Verão”, que vem com um papo sobre se reconstruir após um relacionamento que deve ter terminado mal – “O seu pior ainda paira aqui/ O pior do pior”, canta Isabel Lenza. A narrativa dessa personagem parece seguir em “Eu Sou Meu Lugar”, onde ela busca equilíbrio e paz em si mesmo. “Brisa fresca pela estrada/ Semblante tranquilo pra recomeçar”, canta, com direito a um belo banjo no arranjo.

Essa estrada de recuperação e reconhecimento chega ao auge em “Tudo o Que Você Não Vê”, uma música sobre a percepção da presença de uma força feminina que rege o universo. Recuperada, a personagem parece avançar pela alegria. Encontra otimismo em “O Melhor Só Pode Estar por Vir” e determinação em “Pra Hoje”, que fala de se cuidar para ser feliz

E essa alegria parece ajudar a cantora a encontrar uma nova paixão ou um caso daqueles que chegam a gerar ansiedade em “Colados”. Amor que volta a ser tema em “Livres Buscando Amor”, sobre um relacionamento tranquilo e saudável e quente e livre, saca? Bem distante daquele truncado relacionamento do começo do álbum. A jornada de liberdade parece completa. Da solidão para o encontro consigo mesma e agora para relacionamento mais feliz com outros.

No fim do álbum, após um longa jornada por si mesma, a realidade do mundo externo aparece em “Janeiro, 2020”. Ainda que pré-pandemia, Isabel Lenza nota um verão frio que não está muito correto – e hoje sabemos que não estaria mesmo, não é? A crise climática, pandemia, uma loucura toda enquanto ainda tentamos nos entender. Duas missões que correm juntas e estão cantada e muito bem em “Véspera”. Que acerto, Isabel.

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* As fotos de Isabel Lenza usadas neste post são de Gabriela Batista.

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