Em ceu:

Top 50 da CENA – Coruja BC1 e Thiago França apontam ao futuro incerto. Eliminadorzinho resgata o passado certeiro. E assim vamos

1 - cenatopo19

* Que futuro você quer? É curioso que no nosso pódio os dois primeiros lugares discutam cada um a seu modo o mesmo assunto. O rapper Coruja comenta a tragédia de um futuro imaginado por hipócritas, coisa que virou realidade no Brasil. Thiago França, também de seu jeito, sem palavras, imagina um futuro já sonhado retornando. Interessante a conexão. E o futuro pode e está nas mãos de artistas novos, como Eliminadorzinho, Tainá e Pluma, que completam o time de novidades da semana.

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1 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista” (Estreia)
Uma das coisas mais interessantes do novo álbum do Coruja BC1 é que ele investiu em formatos diferentes para suas canções. Em muitas músicas, fica o destaque para estrofes mais curtas, com pique de refrão, e um forte investimento em refrões, pré-refrões, que deixam o álbum na mente de cara. Tudo isso sem enfraquecer a ideia, lógico. Não é porque tem menos texto que tem menos texto, sacou? E isso rola na potente “Brasil Futurista”. “O seu Brasil futurista/ Vive na idade média/ Fazendo média com comédia.”

2 – Thiago França – “O Futuro um Dia Volta” (Estreia)
E, por falar em futuro, em seu disco solo de experimentações na pandemia, gravado em casa, Thiago França coleta ideias e nessa bela instrumental anuncia que o futuro perdido por conta desse outro “Brasil Futurista” um dia volta. A gente acredita nessa ideia, Thiago.

3 – Eliminadorzinho – “Verde” (Estreia)
Trio de rock alternativo paulista com fortes influências de Sonic Youth, que o proprio nome da banda já entrega, mais Dinosaur Jr e um monte de outras referências, o grupo chega firme em seu primeiro álbum, “Rock Jr.”, após muitos EPs. O clima lo-fi do começo ainda está lá, mas o corpo da experiência sonora é mais carregado e chega a flertar até com um rock mais radiofônico. Se as rádios brasileiras que ainda tocam rock não vacilarem, é umas. Energia bruta.

4 – Tainá – “Brilho” (Estreia)
A gente tem um tempo que elogia a boa e criativa cena alternativa carioca, que lembra muito a cena alternativa paulistana dos anos 80. Tainá faz parte dessa turma e entrega um belo álbum em “Brilho”. Dançante na medida que é reflexivo. E a voz de Tainá revela um lugar onde a gente quer ficar por um tempo.

5 – Pluma – “Revisitar” (Estreia)
A esperta banda paulista Pluma soltou um bom EP com alguns singles que já circulavam por aí, fora umas inéditas. Entre elas, “Revisitar”, que conta com participação do superguitarrista Pedro Martins, que já colou em álbuns de muitos artistas gringos conhecidos, entre eles o superbaixista Thundercat. Esse diálogo entre erudito e pop que existe no trabalho dos dois artistas casou bem aqui.

6 – Céu – “Bim Bom” (1)
Em seu disco de interprete, “Um Gosto de Sol”, Céu apresenta sua visão para uma ampla gama de composições que marcaram sua vida. Canções que você conheceu através de Fiona Apple, Rita Lee, Revelação, Nina Simone. Se destaca a aventura por uma das raras composições de João Gilberto, a balançada (e até pouco lembrada, já que ganhou poucos covers) “Bim Bom”.

7 – FBC – “Se Tá Solteira” (2)
Voltamos a dar destaque para a sacada genial da dupla FBC e VHOOR em usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô para criar uma nova gama de hits. Ao recuperar que funk e rap têm um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos, FBC talvez tenha não só feito um belo trabalho de resgate cultural como também acertado potenciais grandes hits – “Se Tá Solteira” tem cara de que vai explodir no TikTok, se é que já não explodiu.

8 – Fresno – “Casa Assombrada” (4)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

9 – Duda Brack – “Oura Lata” (5)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

10 – Wry – “Where I Stand” (6)
Se tem uma banda que não falha na entrega, essa é o Wry. Na retomada dos sorocabanos, que já tinha rendido um álbum ano passado, eles voltam em 2021 com toda a força em um álbum de inéditas de configuração um pouco não usual. Ainda que tenha sido gravadas agorinha, todas as canções são composições que ficaram pelo caminho na trajetória da banda – aquelas que ficavam no quase a cada álbum e EP.

11 – Manu Gavassi – “Gracinha (part. Tim Bernardes e Amaro Freitas)” (7)
12 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (8)
13 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (9)
14 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (10)
15 – Gab Ferreira – “Karma” (11)
16 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (12)
17 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (13)
18 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (14)
19 – brvnks – “as coisas mudam” (16)
20 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (17)
21 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (18)
22 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (19)
23 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (20)
24 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel” (21)
25 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (22)
26 – Alice Caymmi – “Serpente” (23)
27 – Juçara Marçal – “Ladra” (24)
28 – Criolo – “Cleane” (25)
29 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
30 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
31 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
32 – Liniker – “Mel” (29)
33 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
34 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
35 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
36 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
37 – GIO – “Sangue Negro” (35)
38 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
39 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
40 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
41 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
42 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
43 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
44 – Jadsa – “Mergulho” (42)
45 – FEBEM – “Crime” (43)
46 – Boogarins – “Supernova” (44)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper cantor Coruja BC1.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Céu chega ao céu. FBC emplaca outra. Papo reto de Coruja BC1 vai ao pódio

1 - cenatopo19

* A cada semana a gente tenta surpreender. Uma coisa que fica fácil tendo a CENA brasileira como material de trabalho. Então, é assim: um Top 50 que tem em primeiro lugar uma composição de um dos maiores: João Gilberto. Sim, João chega ao topo do nosso ranking indie pela voz de Céu, que teve a manha de selecionar uma rara composição do baiano para ser relida em seu primeiro álbum exclusivamente de interprete. Na lista, ainda cabe pós-punk indie, pop de uma ex-BBB e um trampo que resgata a sonoridade do funk consciente das antigas. Olha a versatilidade da música brasileira atual!

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1 – Céu – “Bim Bom” (Estreia)
Em seu disco de interprete, “Um Gosto de Sol”, Céu apresenta sua visão para uma ampla gama de composições que marcaram sua vida. Canções que você conheceu através de Fiona Apple, Rita Lee, Revelação, Nina Simone. Se destaca a aventura por uma das raras composições de João Gilberto, a balançada (e até pouco lembrada, já que ganhou poucos covers) “Bim Bom”.

2 – FBC – “Se Tá Solteira” (Estreia)
Voltamos a dar um superdestaque para a sacada genial da dupla FBC e VHOOR em usar a estética visual e sonora do funk consciente de nomes como MC Dodô para criar uma nova gama de hits. Ao recuperar que funk e rap têm um parentesco que às vezes fica de lado em muitos papos, FBC talvez tenha não só feito um belo trabalho de resgate cultural como também acertado potenciais grandes hits – “Se Tá Solteira” tem cara de que vai explodir no Tik Tok, se é que já não explodiu.

3 – Coruja BC1 – “Aconteceu (part. Larissa Luz)” (Estreia)
“E a quem diz fechar com gueto nos publi do Instagram/ E nos bastidores negocia com membros da Ku Klux Klan.” Esse é só um dos muitos bons versos de “Aconteceu”. No bom “Brasil Futurista”, novo álbum do rapper Coruja, aqui é a hora em que ele, bem acompanhado por Larissa Luz, mira na turma que se engaja na luta antirracista das maneiras mais tortas possíveis atrasando a luta. “No mundo virtual todo mundo é desconstruído”, ele avisa. Um papo necessário em tempos onde muitas ações parecem mais questão de relações-públicas do que mudanças efetivas de problemas sérios.

4 – Fresno – “Casa Assombrada” (1)
“Vou Ter Que Me Virar” parece ser a segunda parte de uma trilogia que a Fresno começou em 2019 com “sua alegria foi cancelada”. Palavra do próprio Lucas, vocalista da banda. Se a primeira parte parecia adivinha o que vinha pela frente no Brasil arrasado por um governo terrível, a segunda parte se balança entre momentos de esperança e outros nem tanto assim, como é o dia comum de um brasileiro. Na nova coleção de boas músicas, o primeiro destaque é esse olhar para dentro que Lucas lança a partir de suas experiências na terapia. É quase uma música que revê muitas outras músicas da Fresno (“Desculpa por eu sempre ser assim/Uh, terceirizando a minha dor/Confundindo carência com amor”). Não é todo artista que tem a manha de se criticar tão abertamente na própria obra.

5 – Duda Brack – “Oura Lata” (2)
De Porto Alegre, Duda arrebenta em seu segundo álbum. Entre tantos bons momentos, vale a redescoberta que ela lança aqui ao sacar uma bela música de Alzira E e Itamar Assumpção em arranjo meio “Rubber Soul”. Coisa linda.

6 – Wry – “Where I Stand” (Estreia)
Se tem uma banda que não falha na entrega, essa é o Wry. Na retomada dos sorocabanos, que já tinha rendido um álbum ano passado, eles voltam em 2021 com toda a força em um álbum de inéditas de configuração um pouco não usual. Ainda que tenha sido gravadas agorinha, todas as canções são composições que ficaram pelo caminho na trajetória da banda – aquelas que ficavam no quase a cada álbum e EP.

7 – Manu Gavassi – “Gracinha (part. Tim Bernardes e Amaro Freitas)” (Estreia)
Em seu novo álbum, Manu Gavassi reúne Amaro Freitas, um dos maiores pianistas brasileiros e dono de um dos discos do ano, e Tim Bernardes, dO Terno, para uma música sua. Resultado: pop em alto nível. Se você costuma torcer o nariz ao se aventurar por álbuns mais pops, considere dar uma escutada aqui e reavaliar as coisas.

8 – Luiza Brina, Sara Não Tem Nome e Julia Branco – “Exausta” (Estreia)
E-mails que não ganham resposta, insônia após um dia de trabalho exaustivo, FOMO e outras questões modernas. A sociedade do cansaço ganhou um hino nessa parceira das três compositoras. Nas palavras da Sara, “um pop cansado com pé no pagodão baiano”.

9 – Vuto – “22 a Queima Roupa” (3)
Vuto é um rapper de Salvador que a gente acabou de descobrir e já está de cara. Habilidoso na escrita, na batida e no flow. Tudo é bem original e marcante. Fiquem espertos com o som dele.

10 – Primitivo – “Pretos de Classe como Marighella (part. THC das Ruas e Camarada Janderson)” (4)
Repara, as menções a Marighella no rap nacional explodem a partir do momento em que Mano Brown resolve dar sua versão da história do baiano. Da citações posteriores a do Brown é difícil encontra outra que honre tanto seu legado quanto a menção dessa turma, que realmente propõe uma revolução brasileira na letra. Música só no Youtube, por enquanto.

11 – Gab Ferreira – “Karma” (5)
12 – Serapicos – “Caminhei, Caminhei, Caminhei” (6)
13 – Alessandra Leão – “Borda da Pele” (9)
14 – Taxidermia – “Taxidermia Punk” (10)
15 – Jennifer Souza – “Amanhecer” (11)
16 – brvnks – “as coisas mudam” (12)
17 – João Donato e Jards Macalé – “Côco Táxi” (13)
18 – Rabo de Galo, DJ Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija” (15)
19 – Stefanie e Gigante no Mic – “Coroa de Flores” (16)
20 – Vandal – “BALAH IH FOGOH” (17)
21 – Johnny Hooker – “Amante de Alguel” (18)
22 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (19)
23 – Alice Caymmi – “Serpente” (21)
24 – Juçara Marçal – “Ladra” (22)
25 – Criolo – “Cleane” (23)
26 – Caetano Veloso – “Não Vou Deixar” (26)
27 – Marina Sena – “Pelejei” (27)
28 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (28)
29 – Liniker – “Mel” (29)
30 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (30)
31 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (31)
32 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (32)
33 – Majur – Ogunté (33)
34 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (34)
35 – GIO – “Sangue Negro” (35)
36 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (36)
37 – Rodrigo Amarante – “Maré” (37)
38 – Amaro Freitas – “Sankofa” (38)
39 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (39)
40 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (40)
41 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (41)
42 – Jadsa – “Mergulho” (42)
43 – FEBEM – “Crime” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Céu.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Don L encabeça o ranking perfeito. Céu chega mais diferente, mas sendo ela. Alice Caymmi inexplica o terceiro lugar

1 - cenatopo19

* A gente gastou tanta tinta com o primeiro lugar que sobrou pouco para a introdução, mas talvez vale sempre repetir um mantra nosso: que fase da música brasileira! Neste 2021 que ainda nem acabou a gente já tem dezenas de concorrentes a disco e música do ano. Dá para ver que logo teremos mais problemas para resolver. Mas problemas bons. Don L ensaia lançar seu melhor trabalho em breve, Coruja vem forte, Céu arrebenta em sua experiência de intérprete e Alice Caymmi chega bem mais uma vez. É louco, mas nossa música é um lance que faz a gente até ter orgulho do Brasil em uma hora tão complicada dessas para ser brasileiro. Eu disse que era louco.

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1 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (Estreia)
Tem um verso antigo do Don L que avisa: “Faz da vida um filme próprio, não um filme antigo”. Fazer o próprio filme é uma tarefa árdua. Se você tentar terá sorte se só te chamarem de maluco. Simbólico que “Você não queria um filme diferente?” seja a frase que abre sua nova música, esta aqui. No filme próprio que constrói, Don começa a dar conta de que perceber o que há de errado no mundo é bem diferente de mudar o que há de errado no mundo. Nessa distância entre reflexão e ação cabe um milhão de coisas. E nesse caminho Don já topou com as contradições (“Eu sou comunista e curto carros”), com o cansaço (“Uma luta contra o mundo/ Pra fazer parte do mundo que cê luta contra”), o tema da vez é a procura pelo que se quer de fato. Ou uma redefinição de metas e objetivos. Ricos? Imagina a gente livre, ele pondera. Temos aqui uma música que toca na questão da terra como luta primordial ao lembrar o mito guarani da busca por uma terra sem males (“Yvy Marã”). A senha é a palavra “busca”. E mais: mal não é algo abstrato, mas engloba criações dos homens brancos que massacraram a população indígena. A invenção da propriedade privada é um desses males, para ficar em um só problema. Sonhar por um filme diferente é parte essencial de conseguir armar esse filme diferente. E é uma questão que escapa ainda para muita gente, que tem deixado de sonhar, como se no máximo desse para dar uma melhorada em um roteiro ruim. Cadê nossa criatividade? E se tá ruim, massa, todo mundo entendeu, mas que filme diferente é esse? Don deu sua sugestão.

2 – Céu – “Chega Mais” (Estreia)
Em seu primeiro disco de intérprete, Céu resolveu lançar como primeiro single justamente a superautoral Rita Lee. E, na complicada missão de dar um cara sua a algo tão pessoal, Céu se sai muito bem. A chegada dela tem cara dela mesmo, muito bem acompanhada por um violão caprichado do sepultúrico Andreas Kisser. Arrisco dizer que é a Céu autoral de sempre por aqui, afinal interpretação é composição e quem discorda dessa ideia vai ter que apresentar bons argumentos.

3 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
A voz da Alice Caymmi é daquelas inexplicáveis. Das que dispensam acompanhamento tamanha força e presença. Entre momentos mais experimentais, tradicionais e pop na carreira, com o álbum “Imaculada” parece ser a vez em que Alice decide não escolher só um dos caminhos e questionar um pouco o sentido deles. É diferente de tentar fazer um tanto de tudo. É muito mais sobre entender que esses limites são mais dos outros e um papo quase sem sentido de mercado. O sentido de Alice é de liberdade e busca, já falamos disso hoje?

4 – Juçara Marçal – “Ladra” (1)
O disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

5 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

6 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (Estreia)
Uau! Por aqui temos mais uma deixa do que vem no próximo álbum do rapper Coruja Bc1. E é interessante vê-lo levando sua voz para uma outra região, até mais aproximado do canto. Ele que gosta de músicas com muita linhas e ideias, sintetiza seu recado aqui, em um som que conta com a participação do sambista Salgadinho. “O assunto é financeiro, ou nossa obsessão exagerada pelo din.”

7 – Sant – “Prantos” (Estreia)
E, por falar em sonhos, sintomático que Sant em um momento de “Prantos”, faixa de “Rap dos Novos Bandidos”, comente: “Tentando contato com meus sonhos/ Tantas perdas e ganhos/ Se botar na balança, dá quanto?”. Se isso não fizer a gente recuperar a importância do sonho, esquece.

8 – Francisco, El Hombre – “Solo Muere El Que Se Olvida” (Estreia)
E segue a apresentação aos poucos do novo álbum do Francisco, El Hombre, dessa vez em espanhol e muito dançante em uma celebração. Seguem afiados. Vem discão por aí.

9 – Marina Sena – “Pelejei” (2)
“Pelejei” não é novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

10 – Felipe S – “Violento Monumento” (4)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

11 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (5)
12 – Taxidermia – “Lava” (7)
13 – The Baggios – “Barra Pesada” (8)
14 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (9)
15 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (10)
16 – Pedro Sá – “Maior” (11)
17 – Tagore – “Maya” (12)
18 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (15)
19 – Marissol Mwaba – “Marte” (16)
20 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (17)
21 – Liniker – “Mel” (18)
22 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
23 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (20)
24 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (21)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (22)
26 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (25)
27 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (26)
28 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (27)
29 – Majur – Ogunté (28)
30 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
31 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Don L.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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CENA – Céu chega mais em seus ídolos para fazer um novo álbum. Começando pela Rita Lee

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* Até aqui a paulistana Céu lançou cinco álbuns. Todos autorais em essência. Em sua discografia, são raros os momentos em que ela se dedicou a outros autores – Bob Marley, Aldir Blanc e João Bosco, Jorge Ben Jor, Nelson Cavaquinho e Oswaldo Martins, Lucas Santanna, Caetano Veloso e Dinho do Boogarins são alguns nomes de sua pequena lista, dado o número de álbuns. Jorge dü Peixe é um dos poucos sortudos com quem ela gravou duas vezes, se nossas contas estiverem certas. Até parece muita gente vendo assim, mas as interpretações de Céu sempre são uma ou duas faixas de cada álbum – todo o resto é dela. De vez em quando sozinha, de vez em quando com parceiros.

Um disco apenas interpretando outras pessoas era um desejo antigo da compositora e cantora, uma lembrança do seu começo de carreira que nunca tinha sido comtemplado em disco. Na pandemia, trancada em casa, ela voltou a antigas músicas que amava – como muito de nós, né? Já relatamos por aqui o quanto na pandemia parece mais fácil ficar juntinho de canções queridas de sempre do que de novidades. Desse encontro vem o álbum “Um Gosto de Sol”, com produção de Pupillo e repertório pensando em conjunto por Céu, Pupillo, Edgard Poças e Marcus Preto. Sai em novembro.

É simbólico que o primeiro single seja justamente “Chega Mais”, de Rita Lee – compositora que basicamente gravou seu próprio material durante toda a carreira, um valor e tanto em um país machista que tenta reduzir as conquistas de nossas artistas, sejam elas autoras de sua obras ou intérpretes, como Elis Regina, Maria Bethânia e Cássia Eller, que facilmente poderiam ser registradas como co-autoras de cada canção que gravaram.

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“Chega Mais” é da safra 79 de Rita, está em seu primeiro álbum que leva apenas seu nome e que dá o direcionamento de liberdade no seu som, abraçando sem medo um lado mais pop. A versão de Céu deu uma malemolência toda dela a canção. Chega mais.

O single “Chega Mais” tem a seguinte galera: Pupillo (bateria, percussão e produção musical), Hervé Salters (teclados), Lucas Martins (baixo), Céu (backing vocals) e Andreas Kisser (violão de 7 cordas). O guitarrista do Sepultura é o violonista oficial em todo o álbum.

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* As fotos enevoadas de Céu, a da home da Popload e a da capa do single neste post, são de Érico Toscano.

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TOP 50 da CENA – Bonifrate gesta um novo mundo e o topo do nosso ranking. Mallu Magalhães quer entrar nessa. Edgar se mantém no pódio

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* Não que a gente ache que a culpa é nossa, mas tem semanas que parece que as músicas que são lançadas concordam absolutamente com tudo o que pensamos. Tanto de coisas mais gerais quanto de música, mesmo. Temas que gostamos são abordados, estruturas que apreciamos e desejos que estão na nossa mente. Será parte do nosso diálogo? Será que refinamos nosso radar? Não temos uma resposta ainda, mas algo acontece na música brasileira.

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1 – Bonifrate – “Casiopeia” (Estreia)
Quem lê nossos textos por aqui já deve ter sentido que temos uma obsessão por imaginação. Encontrar músicos que estão pensando e produzindo um novo mundo. E não é que o carioca Bonifrate resolveu escrever uma música inteira que se baseia nesse assunto? Isso se aproveitando de uma ideia certeira que ex-Supercordas encontrou em uma entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano, “em que ele fala de um mundo em gestação dentro do mundo presente, e de como é um parto difícil, mas que há de acontecer”. Não bastasse a boa ideia, temos aqui um mergulho saudável em guitarras em profusão e um velho teclado Cassio que dá nome à música.

2 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (Estreia)
Ainda estamos absorvendo o novo álbum da Mallu, que saiu bem no dia em que preparamos este top 50. Mas parece bom o clima de bossa nova em estudo que percorre o disco, ainda que nunca soe datado. Como na divertida e leve “Pé de Elefante”, que ainda brinca com sons invertidos. E a gente tem certeza que já escutou a introdução desta música em algum lugar…

3 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (1)
A excelente “A Procissão dos Clones” é interessante pelo ritmo que Edgar opta em jogar os versos, sem grandes variações melódicas, como um mantra só que sem a repetição de palavras – seria um antimantra? Por aqui Edgar despeja seu pedido para que resolvemos tomar alguma atitude frente à destruição de tudo que nos cerca. Vamos escolher uma cela maior ou destruir essa prisão?
“Um desastre ecológico
É a última opção
Pro ser humano perceber quão metódico
Virou a obsessão de expandir a sua jaula
Ao invés de fugir do zoológico
Não troque a sua cela
Por outra cela mais bonita”

4 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (2)
Seguimos apaixonados pelo disco da Tuyo e resolvemos destacar outra música. Semana passada foi “O Jeito É Ir Embora”. Nesta semana é a experimental “Toda Vez Que Eu Chego em Casa”, uma colaboração com o ótimo Jonathan Ferr que constrói uma longa e deliciosa track que passeia por simples dois versos. Sentimentos de aconchego e de um certo desnorteamento se encontram por aqui. Sabe aquele papo de “me perdi tentando me encontrar”?

5 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (3)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

6 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (Estreia)
Prévia do próximo álbum do Marcelo Perdido, este som é mais um da lista que celebra o Dia dos Namorados, mas acrescenta uma perspectiva LGBTQI+. A ideia que moveu Marcelo na composição foi reparar que em diversos filmes românticos que existem na nossa memória parece que vemos sempre o mesmo casal. Ele quis mudar um pouco esse repertório de amores no nosso imaginário. Uma ideia excelente.

7 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (Estreia)
E o senhor Gustavo segue em uma incansável sequência de excelentes singles de sua faceta solo, mais introspectiva e sempre em inglês. Por aqui, investiga um pós-pandemia onde as pessoas tentam buscar um pouco mais de liberdade, um bem que perdemos na pandemia e que agora sabemos o quanto importante é – mas não uma liberdade abstrata, sim a liberdade de ter um contanto melhor com nossos amigos, por exemplo. Sacou?

8 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (Estreia)
Marina Sena já tem um hit, que é “Me Toca”, e tenta mais um sucesso. Será? “Voltei pra Mim” tem como trunfo ser uma música que trata com leveza a questão dos términos. Uma raridade no mundo musical, convenhamos.

9 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (Estreia)
Muito bom um som do Rincon pensando no Dia dos Namorados. Aqui ao lado do grande produtor de rap Devastoprod, ele pensa no amor de uma maneira muito particular. Nem melosa, nem irreal.

10/11 – CSS e Céu – “Hits Me Like a Rock” // “Rotação”
Duas celebrações aqui, nesta posição diferente do nosso ranking. A primeira é a notícia da retomada do CSS com disco novo e tudo, que desperta uns gatilhos. Resolvemos resgatar um som da banda. A segunda é a releitura que a Céu fez de suas músicas em pegada acústica. Também resolvemos resgatar uma desse resgate. Podemos assim?

12 – Supervão – “Amiga Online” (4)
13 – Djonga – “Easy Money” (5)
14 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (6)
15 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (7
16 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (8)
17 – Jonathan Ferr – “Amor” (9)
18 – Jadsa – “Mergulho” (10)
19 – Mulungu – “A Boiar” (11)
20 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (12)
21 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (13)
22 – GIO – “Nebulosa” (14)
23 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (15)
24 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (18)
25 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (19)
26 – Zé Manoel – “Como?” (20)
27 – Os Amantes – “Linda” (21)
28 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (22)
29 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (23)
30 – Rodrigo Amarante – “Maré” (24)
31 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (26)
32 – Salma e Mac – “Amiga” (30)
33 – Yung Buda – “Digimon” (31)
34 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (32)
35 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (33)
36 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (34)
37 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (35)
38 – FEBEM – “Crime” (36)
39 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (37)
40 – Boogarins – “Supernova” (38)
41 – Moons – “Love Hurts” (39)
42 – BaianaSystem – “Brasiliana” (40)
43 – Jair Naves – “Vai” (42)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (43)
45 – Yannick Hara – “Raça Humana” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (45)
47 – FBC – “Gameleira” (46)
48 – Mbé – “Aos Meus” (47)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (49)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do músico Bonifrate.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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