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Top 10 Gringo – De emocionar: mulheres e guitarras nos três primeiros lugares. É o melhor Top 10 do ano sim ou certeza?

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* Semana “violenta” na música internacional. Até faltou espaço no ranking para tantas canções novas e “novas” que selecionamos. Tivemos que deixar coisas boas de fora. Uma semana de músicas fortes, mas tanto que resolvemos premiar uma garota que conseguiu fazer uma poesia leve e incluiu até uma risada no título da música – um jeito de mostrar outros caminhos e possibilidades. Sem invalidar, lógico, o trabalho de ninguém, nenhuma tendência de época. Apenas chamando a atenção para outras vertentes. Tanto que quase o resto do Top 10 segue por esses pontos mais sensíveis e delicados, cada um com seu tema, abordagem, motivações. E repare nas primeiras posições: só a mulherada. Aliás, quase todas as 10 posições são delas. E, no fim, dá nossa parte, optamos até em fazer uma graça irônica com o mala/querido do Noel “ex-Oasis” Gallagher, um dos músicos mais importantes dos anos 90 para cá. Mas birreeeeento.

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1 – Faye Webster – “I Know I’m Funny haha”
Estamos de cara com a habilidade desta jovem guitarrista de Atlanta de apenas 23 em conseguir construir imagens tão poéticas, despretensiosas e bonitas. Cenas de amor em locais tão improváveis. É um dom de observar e se permitir ser tão leve. Em contraste com uma linha indie que prefere tocar em temas delicados de maneiras mais cruas, várias delas por aqui e com sua importância, fica a sugestão de Faye de anotar um riso que seja no título da música. Perfeita.

2 – Olivia Rodrigo – “Brutal”
Quem esperaria de uma atual estrela da Disney um dos hinos de revolta adolescente de 2021? Com seu pop de arrastar multidões, é uma surpresa que Olivia comece seu álbum de estreia com guitarras e aos berros: “And I’m so sick of seventeen/ Where’s my fucking teenage dream?/ If someone tells me one more time/ Enjoy your youth, I’m gonna cry”. Frustração sem meias palavras em uma música sem redenção. Soou autentico. Fora que é o melhor começo de guitarra de uma música desde “What’s the Frequency, Keneth”, do REM. Ok… Efeito de linguagem. Mas sabemos que você vai entender. Perfeita 2.

3 – The Linda Lindas – “Racist, Sexist Boys”
É um barato acompanhar a ascensão da banda californiana The Linda Lindas, uma banda punk formada por garotas na faixa dos 14 anos. Elas arrebentam no filme “Moxie!” e voltaram a bombar com este petardo punk direcionado a um garoto que fez comentários racistas à baterista da banda, hoje com 10 anos. Agora elas estão sendo elogiadas por nomes como Tom Morello, Thurston Moore, além de já serem parças de longa data da Kathleen Hanna. Estouro. Lançando música ao vivo com recadinho. Vestindo camisetas do Bikini Kill. E está tudo certo. Perfeitas 3.

4 – Lil Nas X – “Sun Goes Down”
Nosso chapa Lil Nas X continua arrepiando ao saber abordar como poucos suas dores em relação ao racismo e homofobia em sua novas canções. Por aqui ele conta como foi enfrentar isso ainda criança, completamente deslocado do mundo sem entender por que criticavam tanto ele. Seriam seus lábios grandes ou as pessoas estavam lendo seus “pensamentos gays”? Quem achou que seu primeiro hit “Old Town Road” era uma tiração passageira, se liga que Lil Nas X desponta para ficar entre os grandes. Rapidinho.

5 – Chai – “Nobody Knows We Are Fun”
O mundo global não para de nos maravilhar, tipo esta Chai, banda de garotas de Nagoya, Japão, quatro cantoras e dançarinas e que tocam também. Assinadas com o lendário selo Sub Pop, colaboradoras do Gorillaz e fãs do nosso CSS. Pensa em tudo isso. Soltaram o disco novo agora, o terceiro álbum, “Wink”. Entre as muitas delícias deste electroindie bubblegum delas a gente sacou “Nobody Knows We Are Fun”, mas podiam ser várias outras.

6 – Lucy Dacus – “VBS”
Lucy Dacus segue apresentando aos poucos seu próximo disco e mantém a habilidade de juntar muitos assuntos em um som só. Aqui comenta tanto sobre a presença da religião imposta na sua infância/adolescência e faz um comentário sobre seu primeiro namoro, um metaleiro que ela encontra justamente em um desses acampamentos religiosos.

7 – Tigercub – “Funeral”
Estamos sentido que o “grunge inglês”, conceito que porcamente, confessamos, costumamos aprisionar o Tigercub, vai virar. Sem disco novo desde 2016, este segundo álbum que vem em breve promete. Um dos guitarristas do Pearl Jam até mandou um tweet oferecendo seu selo à banda. Meio de brincadeira, meio dando um toque de aprovação.

8 – Lana Del Rey – “Wildflower Wildfire”
Revoltada com a repercussão do seu recém-lançado álbum e com um novo disco na manga, Lana talvez há tempos não tenha soado tão sincera em uma canção sobre suas relações familiares e com a imprensa. Bem interessante e bonita esta música, Laninha. Somos fãs, não tem muito o que fazer aqui.

9 – Sharon Van Etten e Angel Olsen – “Like I Used To”
Daquela série de parcerias que sempre sonhamos e que não pareciam possíveis. Do nada, Sharon e Angel estão reunidas em um belo single que veio sem muito aviso prévio e sem pistas de que a dupla possa fazer mais juntas, no futuro. Lógico que todo mundo já está cobrando álbum, turnê e tudo mais. Digamos que ornou bonito este duo.

10 – Liam Gallagher – “Wonderwall”
Noel, você anda chatão, hein? Falar mal de “Wonderwall” a esta hora? De birra, a gente que deu seu single aqui semana passada vai de Liam nesta, que você também não cansa de esnobar, e a belíssima releitura acústica que ele fez para a “inacabada” Wonderwall em uma sessão para o Spotify. Sabemos ser birrentos também.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora americana Faye Webster.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – Strokes acústico sábado: por essa você não esperava. A girl band japonesa mais indie do mundo. O drama dançante da Guma, de Recife. E o Festival Não Existe, em SP

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– CENA – O trio pernambucano Guma deu forma, cores e movimento ao seu último single, “Jugular”, e lança hoje o vídeo, filmado nas ruas de Recife e dirigido pelo cineasta Felipe André Silva ( “Cinema Contemporâneo”, 2019, entre outros). A música é um drama só, cuja sonoridade leva a um rasgo de jovem guarda inconsolável. Esse amor impossível na dança vem, no vídeo, na forma de dança, estrelado pelos coreógrafos Dante Olivier e Victor Lopes. “Jugular” é indicador que vem aí o novo disco do Guma, formado por Katarina Nápoles (voz), Carlos Filizola (guitarra) e Caio Wallerstein (bateria). O próximo álbum será o segundo do trio, que lançou, em 2018, o disco de estreia “Cais”.

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– A banda de garotas japonesa Chai, quatro cantoras e dançarinas e que tocam também, formada pelas irmãs Mana e Kana, tem algo a dizer ao público indie. No próximo dia 21 de maio elas soltam o terceiro álbum, “Wink”. Pelo selo Sub Pop, que um dia lançou o Nirvana. No ano passado, as meninas de Nagoya colaboraram com a excelente banda-cartoon inglesa Gorillaz, na faixa “MLS”, do disco “Song Machine, Season One: Strange Timez”. Elas listam que, entre suas influências, além do próprio Gorillaz, está a banda brasileira CSS. E, nesta semana, saiu uma session dela para a querida rádio indie KEXP, de Seattle, com cinco músicas, uma delas uma cover para “Karma Chameleon”,ex-hit mundial do Culture Club. Essas japs não são o máximo?

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– Ótimo nome de evento pela ocasião em que estamos afundados, acontece nos dias 27 e 28 de maio o Festival Não Existe, de música eletrônica, armado pelo conhecido coletivo de festas Gop Tun na Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo. O Não Existe, obviamente todo online, terá como atrações a DJ e produtora Badsista, o músico Marcio Lomiranda, pioneiro dos sintetizadores no país e raríssimo de ver ao vivo, e a DJ e empresária Eli Iwasa, entre várias outras. O evento será transmitido pelo canal Gop Tun no Youtube. Além das apresentações, vai ter bate-papo, com destaque para os grafiteiros Osgemeos e o grande rapper DJ Hum promovendo o tema “Que tempo bom, que não volta nunca mais” sobre os primórdios do hip hop brasileiro e o quanto os movimentos democráticos sobre o fim da ditadura militar influenciaram a arte da época. A programação toda do Festival Não Existe, incluindo os horários das apresentações e conversas, está aqui.

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– Eita. A banda nova-iorquina The Strokes, você sabe bem quem, que mudou o rock há 20 anos empunhando guitarras sujinhas, anunciou seu primeiro show acústico da vida. Vai acontecer neste sábado e tem uma causa social e racial por trás da desplugada. O show vai servir para arrecadar fundos para a candidata progressista e superativista Maya Wiley à prefeitura de NYC nas eleições deste ano. Julian Casablancas é fã de longa data da luta que Wiley trava por justiça social. Quando soube que ela se candidataria às eleições, botou sua enorme banda à disposição. O evento de sábado tem ingressos à venda na página da candidata, com vários preços, para incentivar a arrecadação maior possível. Começa por U$ 25 dólares. Vai ser transmitido por zoom e começa às 20h, no horário brasileiro. E aí? Encaramos? A causa é muito nobre, mas Strokes sem guitarra alta é tipo eles sem casaco de couro, de regata.

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