Em charlie xcx:

Top 10 Gringo – Taylor Hawkins em primeiro, em silêncio. Porque sim. Soul Glo traz o barulho para o segundo. As deep tan agarram o terceiro

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* Nosso Top 10 da semana é dedicado ao grande Taylor Hawkins. Por isso separamos uma canção especial do Foo Fighters para iluminar as novidades destes últimos dias na música gringa, como uma bênção. Se ligue na playlist, que reflete linda este período carregada de lançamentos muito especiais. Recupere o fôlego do Lollapalooza e vem com a gente. O nosso número 10 é uma música que ainda não existe necessariamente, mas já é maravilhosa. Entende?

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1 – Foo Fighters – “Aurora”
Nosso primeiro lugar da semana é um tritubo ao baterista Taylor Hawkins. Uma forma de dar um abraço enorme na família Foo Fighters – que vai da própria banda até seus fãs, passando por empresários, familiares, produtores e amigos (se você notar, no encarte de “There Is Nothing Left to Lose”, até o Queen é creditado como parte do Foo Fighters). Escolhemos “Aurora” inicialmente só por ser um dos sons mais bonitos da banda, não só a favorita do Taylor como também a primeira música em que ele se sentiu confortável em gravar pelo FF – Taylor conta que apenas metade de “There Is Nothing Left to Lose”, o disco em que entrou para o Foo Fighters, tem bateria dele por conta de não saber, à época, como trabalhar em estúdio. De acordo com ele, a experiência era tão diferente de tocar ao vivo que Grohl assumiu metade do disco. O que mostra muito da camaradagem que deve ter firmado a relação de irmão que ele construiu com Dave – William Goldsmith, baterista anterior, se sentiu traído, e com alguma razão, quando Grohl resolveu refazer seu trabalho na surdina na feitura do segundo álbum do FF. Desse mal feito, Grohl encontrou Taylor, que soube lidar com muita tranquilidade com a pressão de ser o baterista do melhor baterista do mundo e, sem dúvida, ser ainda uma peça fundamental na migração do FF de uma pequena banda tocada por um ex-Nirvana para um das maiores bandas contemporâneas do rock.

2 – Soul Glo – “Jump!! (Or Get Jumped!!!)((by the future))”
Bande de hardcore incrível da Filadélfia, o Soul Glo dá em seu novo disco aquele passo ousado, ainda que já conhecido, de colocar as barreiras do gênero a prova: o que mais pode caber em uma banda de baixo, guitarra e bateria que toca muito (e fala muito) rápido? Toques de hip hop e soul entram na conta. E quem sabe lá na frente a gente enxergue a aventura de “Diaspora Problems” mais ou menos como enxerga “London Calling”, até pela semelhança na postura política dos grupos, de olho na ação e mudança.

3 – deep tan – “rudy ya ya ya”
Do renovado pós-punk inglês, vem de Londres esse trio de garotas que já é uma forte promessa, que começa a rolar cada vez mais forte single a single. Se não confia só na nossa opinião, o que é um forte vacilo da sua parte, saiba que elas são amigas da turma do IDLES (quem viu o show do Lolla? Uau, né?) e do Yard Act. Então, só confia.

4 – Bree Runway – “Somebody Like You”
Manja o trabalho da inglesa Bree Runway? Ela já tem alguns EPS e uma mixtape e sua bio no Spotify é muito boa: como se a Lady Gaga e a Lil Kim tivessem uma filha. Falta ainda um megahit para chamar de seu, mas é questão de tempo. E esta “Somebody Like You”, uma carta de amor para um amor futuro, é uma forte candidata. Se depender dos nossos plays, vai rolar.

5 – Charli XCX – “Selfish Girl”
Que mundo veloz. Mal foi lançado o “Crash” e a Charli XCX já colocou na rua uma versão deluxe com quatro sons a mais. “Selfish Girl”, um deles, mantém bem a pegada do disco, que a gente já elogiou por aqui – e talvez até seja um pouquinho mais esquisita do que o material da tracklist original, o que pode agradar uma ala dos fãs que ficou meio chateado com a linha mais convencional de “Crash”.

6 – Chance the Rapper – “Child of God”
Ainda que em 2021 Chance the Rapper tenha feito um feat. com Justin Bieber que talvez lhe rendeu seu maior hit até aqui, a canção “Holy”. É fato que seu álbum mais recente, “The Big Day” (2019), foi tão mal que ele até se meteu em uma treta jurídica com o ex-empresário. Este novo single parece reorganizar um pouco a casa.

7 – Let’s Eat Grandma – “Levitation”
A gente já tinha comentado sobre a nova fase desse duo inglês e seu experimental sludge pop. Elas lançaram uma das primeiras músicas legais de 2022, “Happy New Year”, e mantém essa vibe com “Levitation”. “Two Ribbons”, terceiro disco delas previsto para breve, é outro trabalho que merece um pouquinho da sua ansiedade.

8 – Fontaines D.C. – “Skinty Fia”
“Skinty Fia” é o nome do terceiro álbum dos irlandeses do Fontaines D.C., que vem por aí em abril. É uma expressão irlandesa que em inglês fica superdiferente e adquire novos sentidos. E é justamente essa metáfora de deslocamento que a banda parecer querer puxar neste disco, que por todos os singles até aqui promete ser o trabalho mais politizado da banda, falando muito sobre imigração e preconceito, entre as outras questões que circulam esses dois tópicos.

9 – Red Hot Chili Peppers – “Not The One”
Mais um single do álbum novo do Red Hot Chili Peppers, o com a volta do guitarrista John Frusciante. Cai um pouco nos problemas dos singles anteriores. É uma música interessante? Sim. Parece uma reprise de velhos momentos com pouquíssimo a acrescentar? Um tanto, pelo menos assim à primeira vista. Ouça a antiga “Warm Tape”, do “By the Way”, por exemplo.

10 – Pete Doherty e Supla – “In Your Tropical’s Snow Dream”
Ok, a gente não tem ideia de como essa música é ainda, mas vale esta menção especial ao encontro inusitado – já previsto por quem reparou no Supla ali no cantinho do palco vibrando no show do Libertines – e pelo furo conquistado pela Popload de que a parceria Supla e Pete rendeu uma música. Tem mais detalhes na matéria.

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* A imagem que ilustra este post é do baterista Taylor Hawkins.
** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Seis novos discos para já amar em 2022, estrelando Wet Leg, Metronomy, Alt-J, Charlie XCX, Big Thief e Yard Act

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* Olha, de cara dá para dizer que vai ser difícil nosso querido ano de 2022 bater 2021 no quesito “lançamento de discos maravilhosos”, pelo menos em quantidade. E talvez em qualidade também. Foi muito disco bom lançado, que produziu, você viu por aí, verdadeiras listas de melhores do ano criminosas , com uma enormidade de álbuns bons ficando fora dos rankings gerais. A gente tratou disso aqui.

Mas, de todo modo, 2022 promete não ser um “ano qualquer”. Para o bem e para o mal. O que 2021 seria “um ano normal” a respeito de pandemia está sendo oficialmente transferido para este ano que começa agora, apesar da combinação “altos contágios” + “menos gravidade” que está rolando. Então aparentemente uma outra combinação, a de lançamento de discos + shows ao vivo + festivais presenciais + galera nas pistas, promete turbinar 2022, fazendo a música rodar no seu eixo tradicional.

Por isso, pelo menos na parte que toca este post, a de discos novos que vêm por aí, a gente quer destacar alguns lançamentos excitantes que prometem balançar o ano novo. Sim, tiramos fora desse rol coisas grandes como os novos do Arctic Monkeys, Liam Gallagher, The Cure, Radiohead, do próprio The Weeknd que tratamos no post anterior, a volta do Placebo.

Porque, você sabe, somos do tipo que usa aquelas camiseta “Estamos aqui para a banda de abertura”.

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* “Wet Leg”, Wet Leg
Lançamento: 8 de abril

Depois de quatro singles bombásticos, todos incríveis, a banda indie mais falada do ano passado, liderada pelas meninas inglesas Rhian Teasdale e Hester Chambers, finalmente vai lançar seu disco de estreia. Dessa capa espetacular abaixo. Certeza de barulho master em torno desse álbum. Would you like us to assign someone to butter your muffin?

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* “Crash”, Charlie XCX
Lançamento: 18 de março

Ela é “acusada” de ser o futuro da música pop. E agora em 2022 ela certamente vai botar de novo o mainstream em alerta ao revelar seu quinto disco, “Crash”. Lembra o vídeo de Charlie dançando sexy em um funeral, na hyperpopesca e esperta canção “Good Ones”, single lançado em setembro. Então: a vibe é essa. No programa do Jimmy Fallon, na TV americana, a inglesa transformou o palco num cemitério para fazer sua apresentação. Tipo isso:

Outro single conhecido do álbum novo de Charlie XCX é “New Shapes”, que tem a participação, “apenas”, das espetaculares Christine and the Queens e Caroline Polachek. Fraca ela?

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* “Small World”, Metronomy
Lançamento: 16 de fevereiro

A gente sempre merece um disco novo da banda inglesa Metronomy. O mundo merece, ainda que pequeno. E este “Small World” chega no mês que vem para, além de nos trazer alegrias musicais, servir como o sétimo álbum do grupo electroindie que sabe bem os caminhos de shows no Brasil, pelas mãos da Popload. Desse disco, a gente já conhece a delicinha “It’s Good to Be Back”, de título tão representativo. Só vem, Metronomy.

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* “Dragon New Warm Mountain I Believe in You”, Big Thief
Lançamento: 11 de fevereiro

Desta vez a talentosíssima banda americana da guitarrista Adrianne Lenker não vai lançar dois álbuns num ano só. Porque esse “Dragon New Warm Mountain I Believe in You” vai vir com 20 canções e em edição dupla no formato vinil. O grupo folk do Brookyn, Nova York, já nos mostrou seis dessas 20, lançadas durante 2021: “Little Things”, “Sparrow”, “Certainly”, “Change”, “No Reason” e “Spud Infinity”. Nenhuma delas chega a ser “mais ou menos”. Só para dar uma prévia do que vem por aí, o site Pitchfork considerou o single “Little Things” como a 15ª música mais bonita do ano passado.

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* “The Dream”, Alt-J
Lançamento: 11 de fevereiro

Muito se espera também do novo disco da peculiar banda inglesa Alt-J, digamos de um estilo bem próprio. E, dentro desse jeitão todo pitoresco, o grupo artsy, também de Leeds, acena com mudanças. De integrantes e de estilo, um pouco. Estão inclusive aparecendo em vídeos, o que não acontecia antes. As únicas pistas deste novo álbum, o quarto da banda, são os singles “U&Me”, este lançado no final de setembro, e “Get Better”, que saiu em novembro. Estamos bem curiosos pelo que vem neste primeiro álbum desde 2017.

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* “The Overload”, Yard Act
Lançamento: 21 de janeiro

Muita expectativa está sendo botada em cima desse disco de estréia da nova banda pós-punk inglesa Yard Act, de Leeds. O quarteto, outro grupo que segue a linha The Fall das letras faladas, meio intelectualizado nas letras e no jeitão artsy dos vídeos iniciais, foi ganhando fama nos poucos singles certeiros lançados desde 2020.

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Popnotas – Batelada de novos discos, novos remixes, filme do disco etc. ABBA nas paradas como se fosse 1981. Popcast em papo reto sobre “Ele”. Charlie XCX demoníaca. E Macaco Bong arma lambadão cuiabano em novo single

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– Sexta-feira passada foi muito movimentada nos lançamentos de discos. Além do álbum novo do canadense Drake, saíram o fundamental quarto disco da rapper inglesa Little Simz, “Sometimes I Might Be Introvert”, de quem destacamos o novo vídeo, para a maravilhosa “Point and Kill” (abaixo); a edição luxo de 15 anos de “Yello House”, da banda indie americana Grizzly Bear; o “Dawn of Chromatica”, a versão remix do último álbum da Lady Gaga, que traz uma remexida da Pabllo Vittar, numa faixa, da qual temos mais coisas para falar, em breve; rolou ainda “Senjutsu”, o disco japonês do almighty Iron Maiden. Teve ainda o filme do disco, a versão hollywoodiana da Billie Eilish para seu “Happier than Ever”, cantado faixa a faixa e animado por uma Billie em desenho e com orquestra regida pelo renomado Gustavo Dudamel. “Happier than Ever: Uma Carta de Amor para Los Angeles”, dirigido pelo Robert Rodriguez, está em cartaz na plataforma Disney+. Ah, tem o EP da Juliette BBB, também, que contou com o maior esquema de lançamento de um disco no ano aqui no Brasil nos últimos anos, além de ter três músicas com nomes de músicas do Boogarins…

– Você deve já ter sido atropelada/o pela notícia, a lendária banda sueca Abba, uma das formações pop mais bem-sucedidas da história, anunciou que vai lançar um disco novo depois de 39 anos e sair em turnê mundial. “Sair em turnê” é um termo relativo, porque o grupo escandinavo (foto na chamada da home da Popload), formado por Agnetha, Björn, Benny e Anni-Frid, prepara uma série de shows em holograma, sem sair da Suécia. Dado o grande vídeo de apresentação da ideia que correu mundo e tinha São Paulo e Rio representados, esse show de avatares, estando-sem-estar, deve ser armado por aqui também. Vai ser, pelo que parece, uma nova concepção de live, não para ver em computador e sim pagando ingresso para assistir numa arena. Não à toa, o álbum a ser lançado vai se chamar “Voyage”, marcado para sair em 5 de novembro. O negócio é que, no meio do fuzuê de retorno da banda, o Abba soltou duas músicas novas, “I Still Have Faith In You” e “Don’t Shut Me Down”. E, na Inglaterra, espera-se que ambas as canções novas cheguem ao Top 10 das mais vendidas da semana, até sexta que vem. Tudo baseado em vendas dos três primeiros dias pós-anúncio de volta do grupo de Estocolmo. Vai ser a primeira vez do Abba no Top 10 britânico em praticamente 40 anos. A última emplacada nos charts ingleses foi em dezembro de 1981, com o single “One of Us”. A turnê de avatares do Abba, que no local da apresentação vai ter uma banda real de dez músicos tocando, começa em 2022 e já tem um período anunciado para acontecer: entre março e maio no parque olímpico em Londres, numa arena a ser construída especialmente no local para receber os hologramas do quarteto sueco. Ainda sem data divulgada, o show da Queen Elizabeth Olympic Park terá seus ingressos vendidos a partir de amanhã.

– O Popcast desta semana traz um papo retíssimo e nada conclusivo de “Donda”, o disco novo do rapper Kanye West, essa figura iluminada cuja genialidade talvez não esteja plenamente sendo alcançada por nós, seres humanos normais. O podcast da Popload, apresentado por Isadora Almeida e Lúcio Ribeiro, com firulas técnicas incríveis de Raphael Bertazi, conversa ainda sobre a batelada (de novo?) de festivais que aconteceram na Inglaterra nos últimos dias, vários grandes no mesmo final de semana. Temos esperança? Fora o nosso “disputado” pódio de músicas novas, as efemérides/R.I.P da semana e os rolês legais da CENA brasileira. No arrrrr. Ouve e comenta.

– Com premiere na Radio One da BBC, quinta passada, a cantora inglesa de um certo electropop de vanguarda Charlie XCX revelou seu novo single, “Good Ones”, que aponta para seu embaçadinho quinto disco, muito conversado nas redes sociais, mas nada ainda de vir ao mundo real. Quer dizer, agora está vindo, com este single e seu vídeo assim… polêmico. Charlie XCX se veste sexy para ir dançar num velório de algum “good one” dela, acompanhada de umas amiguinhas. Segundo a cantora, compor essa música fez virar uma chavinha dentro dela. “Ela abriu as portas da transformação para minha nova era pessoal. ‘Good Ones’ é muito representativa do que está por vir. Com uma inspiração oitentista, poderosa e desafiadora, mas também emocionalmente ferido e vulnerável, ele me levou a um nível pop demoníaco.” Tá bom?

– A clássica banda indie-instrumental Macaco Bong realmente saiu do coma profundo. Depois de quebrar uma longa ausência de três anos com o single inédito “Hacker de Sol”, fazendo uma homenagem ao filme “Bacurau”, agora o trio, liderado pelo guitarrista-fundador Bruno Kayapy, solta a segunda faixa do próximo álbum do grupo, “Mondo Verbero”, ainda sem data de lançamento, mas prometido ainda para 2021 pelo selo ForMusic Records. Em “Kãeãe”, o novo single, o tributo é para o Mato Grosso, onde a banda nasceu, lá em 2004. “‘Kãeãe’ é uma gíria expressada somente por pessoas que realmente conhecem a capital Cuiabá”, revela Kayapy. “Geralmente o termo é usado para se referir a algum tipo de sentimento de medo ou apreensão, com o mesmo sentido de ‘Meu Deus do Céu’ e pode ser escrito de qualquer forma. Musicalmente falando, é um rasqueado com lambadão ao estilo bem cuiabano”, diz. Além de Kayapy, o Macaco Bong de hoje tem Eder Noleto na bateria e Igor Carvalho no baixo, os dois de Cuiabá.

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Top 10 Gringo: Semana da mulher tem a St. Vincent em primeirão e a girl in red na cola. Bonito. Kings of Leon pede bom espaço e o Drake chega mansinho

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* Semaninha boa lá fora, no agito dos lançamentos musicais, com reflexo direto no nosso top 10 internacional. Tem a St. Vincent com promessa de discão, tem a promessa girl in red cada vez mais perto de se tornar fenômeno, um retorno e tanto (e inesperado) do Kings of Leon, entre outros auês sonoros. Um mundo pop mais agitado nos cantos onde a pandemia deixa a cada dia mais de ser uma realidade, privilégio deles, incompetência nossa. E la nave va.

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1 – St. Vincent – “Pay Your Way in Pain”
St. Vincent voltou. E voltou com tudo. Gemidos acompanhados de um piano antigo, um riff sintetizado junto de uma bateria analógica. Universos misturados em uma letra sobre o preço que pagamos em dor e vergonha da nossa existência atual. Ou como explicou melhor à revista inglesa NME a própria Annie Clark: “É também sobre como não há nada que eu tenha feito na minha vida que não envolva algum tipo de luta”.
2 – girl in red – “Serotonin”
Billie Eilish europeia ainda por explodir – ou uma nova Lorde talvez -, a norueguesa Girl in Red (ou girl in red, tudo em minúsculos, um jeito significativo da nova geração de se expressar…) promete com seu álbum de estreia “if i could make it go quiet” (as minúsculas…). “Serotonin”, seu novo single, começa superindie nas guitarras e entra num quase hip hop pop (hip pop) e recebe a volta das guitarras às vezes. E tem “A LETRA” para o movimento indie-mental health que assola a música hoje, no Brasil e fora dele: “I’m burnin’ up on serotonin/ Chemical unbalance got me twisting things/ Stay blessed with medicine”. O que mais ou menos seria “Minha serotonina está bombando. O desequilíbrio químico me atrapalha toda. Fico plena com remédios”. Pesado. E leve depois dos remédios tomados.
3 – Kings of Leon – “Stormy Weather”
A gente está na turma que gostou do novo álbum do Kings of Leon. “When You See Yourself”, oitavo disco, recupera o fôlego perdido em alguns lançamentos qualquer-nota da banda nos últimos anos – onde andaram cada vez mais distantes do bom primeiro álbum e dos três seguintes que eram respeitáveis. Aqui as coisas funcionam bem. Temos boas guitarras, protagonistas, e uma bateria que vai da simplicidade de saber se fazer presente quando precisa. E um punhado de canções inspiradas, como o caso de “Stormy Weather”, que pede uma estrada, um rolê lá pelas quatro da manhã a procura de alguma coisa perdida que ninguém sabe ao certo o que é. Só quer ver se acha.
4 – No Rome, Charlie XCX e The 1975 – “Spinning”
Deu muita liga essa união entre o relativamente desconhecido No Rome e os gigantescos em popularidade (cada um na sua) Charlie XCX e The 1975. Daquelas canções que vão tocar infinitamente em qualquer rádio do mundo – das mais alternativas até as mais pops. Pegajosa demais. A Charlie comentou algo de supergrupo. A gente imagina que, se esse trio quiser lançar mais coisas juntos, não vamos reclamar.
5 – Drake – “What’s Next”
Talvez “What’s Next” não seja mais um hit nos portes que acostumamos a ver do Drake, mas é um bom som – até por ser um Drake mais rimador, um lado que de vez em quando ele deixa de lado demais e que ele sabe como poucos. E o refrão aceleradíssimo é um acerto e tanto: “I’m makin’ a change today”. Bora pro disco, Drakão.
6 – Amy Winehouse – “Valerie” (Live in London)
O disco ao vivo da Amy Winehouse que pintou nos streamings não é exatamente uma novidade – ele já rolava em DVD há um bom tempo e até em vinil. Mas ter uma acesso fácil a esse registro espetacular e no auge da Amy é algo que não dá para desprezar jamais. Um pouco antes do estouro mundial de “Back to Black”, ela está cantando tudo o que sabe, com o melhor repertório possível, banda afiada. Vale escutar todas, fomos de “Valerie” porque, além de ser maravilhosa (e na real ser uma cover do estupendo The Zutons), vale sacar a versão mais suingada que ela fazia ao vivo em relação à que está no álbum solo do Mark Ronson, o produtor-magia.
7 – Nick Cave – “Carnage”
Nick Cave em um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. E mais uma semana dele aqui no Top 10 porque, no nosso ritmo de trabalho frenético, é preciso de muito mais do que o tempo do mundo pop para sacar um Nick Cave.
8 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista. Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Faith Healer” é um tratado sobre vícios que vai além do problema do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
9 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single, para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares por aqui para suas canções, neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
10 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista St. Vincent.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Muitas covers. Estrelando Jake Bugg fazendo Imagine Dragons, Real Estate replicando Grateful Dead e Charlie XCX mandando Bow Wow Wow

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* Dá para amarrar num post só. Demais o Jake Bugg meter sua voz e seu violão folk britânico em cima do hit viral so-so do Imagine Dragons, “Radioactive”. Sem mais.

Outra que fez bonitinho foi a babe Charlie XCX, amiga das Icona Pop e da Iggy Hummm Azalea, que em outubro para de dar sucessos para os outros para fazer os seus em um álbum próprio. Ela imolou a deliciosa “I Want Candy”, sucesso do Bow Wow Wow, mas que na verdade é música original do Strangeloves, dos anos 60.

Mais para o “indie puro”, tem a talentosa molecada do Real Estate, de New Jersey, fazendo cover do famoso grupo psicodélico hippie histórico Grateful Dead, de Palo Alto, Califórnia, que entre outras coisas deu ao mundo o sorvete Ben & Jerry’s, que vai abrir loja na Oscar Freire, em São Paulo, em setembro. Adeus, Baccio di Latte e Haagen Dasz.

Enfim, as covers tudo, abaixo.

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