Em Chris Cornell:

SEMILOAD – O indie-mental health se espalha como um movimento musical, com a mensagem: “Ninguém tá bem. E tudo bem”

1 - semiload-arte2

* O indie-mental health está aí, escancarado na música, para quem quiser ver e ouvir. E sentir. Do lado dos artistas, do lado dos fãs. E isso não significa uma má-notícia, exatamente.
Dora Guerra, nossa madame “Semibreve”, a sua espetacular newsletter semanal (não assinou ainda?) e parceira da Popload, esmiúça essas dores da alma espalhadas pelo som que gostamos. Um pouco de onde esse indie-mental health vem e talvez para onde esteja indo, mas principalmente como ele saiu do esconderijo do quarto escuro e pode estar oferecendo conforto e luz a ouvidos sensíveis que andam precisando.

haykey


Quando o emo (termo que vem de “emotional”) nos trouxe uma geração de músicos tristes e levemente góticos, não parecia ser tão diferente nesse sentido dos ingleses tristes da New Wave ou da raiva dos punks. Esses (cada um em seu contexto) foram movimentos pautados por sentimentos fortíssimos, negativos, profundos. Mas hoje, uns dez anos desde aquele respiro do movimento emo, quem era adolescente na época do Paramore já tem coisas a dizer sobre sua própria tristeza – essas, sim, são diferentes.

Na verdade, a própria Hayley Williams (foto acima), que inclusive lançou de surpresa um disco novo nesta sexta-feira, pauta bem essa mudança no cenário emo/indie/alternativo: da guitarra aos synths, ela buscou várias formas de expressar seus sentimentos negativos enquanto compositora na banda. Mas, quando assumiu um projeto solo, entendeu onde estava a virada: Hayley podia assinar seu nome ao lado de desabafos pessoais, ser mais consciente dos seus defeitos e – principalmente – assumir uma depressão que ela há muito disfarçava de outros tipos de tristeza.

Não foi só Hayley, mas também quem cresceu a ouvindo. Os músicos de 20-e-poucos, que hoje começam a conquistar as suas respectivas “cenas”, são os adolescentes emo de 2009 que tiveram Tumblr e achavam que lápis de olho exprimia determinadas angústias. No meio dessa trajetória, encontraram nas redes sociais um espaço confessional; entenderam que desabafo é importante, algumas tristezas são sérias e terapia não é sinal de fragilidade. Na verdade, viram que assumir doenças mentais e insuportáveis dores da alma é um ato de coragem, não de fraqueza – hoje, você até reposta um ou outro meme sobre isso. Combine todos esses fatores, acrescente um pouco de introspecção de tempos majoritariamente digitais e voilá – surge o indie-mental health.

Indie esse que, hoje, encapsula gerações mistas: contempla Fiona Apple, compositora que começou antes de grandes discussões cibernéticas sobre depressão; mas que, finalmente, se reconhece na vulnerabilidade sem se excluir do resto da cena. Contempla Hayley, cujo trabalho solo agora não tem medo de assumir a luta com a psique como parte da sua expressão. Contempla Phoebe Bridgers, Bully, Clarice Falcão, Letrux e quem mais você pensar. Muitos deles não fazem “música triste” por definição – mas são músicos que abrem um diálogo e cantam, para milhares de pessoas, que não estão tão bem assim. A antítese do roqueiro fodão.

Claro, não é um caso exclusivo do indie – se Kanye e Halsey conseguem basear álbuns inteiros em uma bipolaridade assumida, isso mostra que existe um movimento grande acontecendo aqui. Artistas estendendo a mão e dizendo não só que não são perfeitos como que seus fãs também podem procurá-los quando o buraco é mais embaixo. Dizendo “Eu sei exatamente o que é isso que você sente”. Lembrando que existe terapia, existe remédio, existe saída. Advogando a favor deles e de você.

É que tem algo particular desta nossa época, para além de um estilo musical específico. São coisas que um Radiohead da vida já antecipava, mas não falava tão claramente – essas novas músicas no clima “How to Disappear Completely” agora são acompanhadas de entrevistas, doações, alusões explícitas a causas específicas do tal mental health. É uma geração de músicos que não quer ver outro Chris Cornell, cujas letras sinalizavam um sofrimento sério, mas não houve tempo para cura – e é Toni Cornell, a filha de Chris, que hoje canta e também cria um podcast sobre estigmas da saúde mental. E quando Billie Eilish faz vídeos de puro torpor, ela não o faz totalmente sem responsabilidade: complementa sempre com entrevistas sinceras sobre depressão e como as coisas andam melhorando. De repente, estamos dando nome aos bois.

Mas é no indie que o mental health aparece com força, trilhando caminhos para o resto. Porque falar de saúde mental não combina com uma música estritamente comercial ou pop, não é o caso mesmo do último single da Cardi B, mas bate perfeitamente com o clima alternativo-artístico-conceitual. Flerta com a exposição das redes sociais, mas rejeita a pose “perfeita” que o Instagram pede. E vai do próprio sentimento ao sentimento do outro: do “My worst habit is my own sadness”, da girl in red, ao “I would do anything to get you out your room”, da Arlo Parks. Indie que compreende a dor e a seriedade das coisas enquanto tenta dar algum sentido a isso tudo.

Uma mudança como essa acompanha riscos: de glamorizar a dor, de tornar a doença um assunto de TikTok sem seriedade. Quando transformada em arte, a saúde mental (ou a falta dela) se torna um assunto fácil de romantizar, como se o sofrimento desses artistas fosse indissociável do seu sucesso – e, portanto, fãs podem acabar admirando ambos. Mas, de modo geral, estamos finalmente dizendo e ouvindo o que, há pouco, era o indizível. E o indie-mental health te abraça e lembra: ninguém tá bem. E tudo bem.

>>

Chris Cornell é lembrado em seu aniversário com cover inédita e linda de Guns N’Roses

>>

cornellsld

* Na última segunda, dia 20, o grande Chris Cornell, uma das vozes mais marcantes do rock do final dos anos 90 para cá, completaria seu 56º aniversário, não tivesse ele tirado sua propria vida depois de um show em Detroit, em maio de 2017, afundado na depressão que sempre acompanhou o músico do Soundgarden, Audioslave, Temple of Dog.

Para a data não passar batida, sua filha Toni postou uma inédita cover que Chris Cornell fez da música “Patience”, balada famosa do Guns N’Roses. O que Toni bota a público na verdade foi uma releitura que Cornell fez PARA ELA. Em março de 2016, felizona que o Guns tinha anunciado sua volta, Toni pediu ao pai para aprender a canção, que jamais tinha sido revelada aos fãs de Cornell. Era uma coisa entre eles.

Agora, no aniversário do pai, Toni postou na conta dele no Youtube um lindo vídeo da linda e inédita cover, com imagens de polaroids dela e do pai.

“Seu aniversário pareceu a data certa para dividir essa música e celebrar o Chris, sua voz, música, histórias, sua arte. É uma verdade que um homem não está morto enquanto seu nome ainda ser falado, através de sua arte. Sua alma ainda brilha como nunca entre aqueles que o admiram e respeitam sua memória. Lançar uma música que era especial para ele ajuda a mantê-lo entre nós”, foi um depoimento da família de Cornell que veio junto com a versão inédita dele para o clássico do Guns N’Roses.

Difícil não escorrer uma lágrima com o resultado musical e a história por trás.

>>

Na guitarra de Tom Morello e na voz de Serj Tankian, Chris Cornell continua vivendo em mais uma versão de “Like A Stone”

>>

210519_tomserj2

Pelo visto, o mundo da música ainda não superou (e nem vai, muito menos deve) a morte de Chris Cornell, o eterno líder do Soundgarden, dono de uma voz singular, que nos deixou tão jovem.

Neste final de semana, Tom Morello recordou seu ex-companheiro de Audioslave durante um show em Columbus, Ohio. Após um medley de canções com sua guitarra, Morello deu início aos acordes de “Like A Stone”.

A surpresa veio logo em seguida, quando Serj Tankian, o cara do System Of A Down, apareceu para cantar a canção que foi um grande hit do Audioslave. O público, antenado, registrou o momento.

>>

Tributo a Chris Cornell em Los Angeles comove o rock. Veja muitos vídeos

>>

* Aconteceu ontem em Los Angeles, durou mais de quatro horas, no Brasil já era de manhã quando acabou e teve a maior quantidade de gente conhecida da música o evento tributo ao saudoso roqueiro grunge Chris Cornell, ex-Soundgarden e Audioslave entre outras bandas significantes, que se matou aos 52 anos em um quarto de hotel em Detroit, em maio do ano passado. Chamou-se I Am the Highway – A Tribute to Chris Cornell.

O grande show, assistido pela Popload ao vivo via Periscope, alternou entre mostrar os singles esperados e coisas menos óbvias da carreira do Chris Cornell. De cara, as melhores partes: Dave Grohl cantando “Show Me How to Live”, do Audioslave”, Ryan Adams cantando a maravilhosa “Fell on Black Days”, do Soundgarden, e Miley Cyrus (!!!!) cantando “Say Hello to Heaven”, do histórico Temple of the Dog (banda-embrião da famosa cena de Seattle do final dos 80, começo dos 90, aquela em que o Nirvana apareceu em 1991 e BOOOOOM!!. No ano passado Seattle deu a Cornell uma estátua de bronze no imponente Seattle Center, parque de artes que tem a “agulha”).

Captura de Tela 2019-01-17 às 8.27.38 PM

Miguel cantando “Reach Down”, com Temple of the Dog, foi destaque da noite, também. Os Foo Fighters, acima, mandaram três músicas bem lado Z do Soundgarden, o que foi bem interessante. O “Queen” Josh Homme cantou “Rusty Cage” na versão Johnny Cash, interpolando um trecho de “Hand of Doom”, do Black Sabbath, no meio. Metallica tocou duas covers (ruins) de Soundgarden, e inexplicavelmente, tocou duas músicas próprias (why?).

No último segmento da noite, foi o esperado momento do Soundgarden tocar com convidados nos vocais. Taylor Momsen (The Pretty Reckless) e o relativamente desconhecido Marcus Durant mandaram bem em suas respectivas músicas. Taylor Hawkins (Foo Fighters) foi excepcional nas absurdas “I Awake” e “The Day I Tried to Live” – que também contaram com Buzz Osborne (Melvins). Para fechar a grande noite em memória de Cornell, uma bela versão de “Black Hole Sun” com a cantora folk Brandi Carlile, e Peter Frampton na guitarra.

O principal evento deste ano que mal começou e já considero pacas. Entre muuuuitas coisas, teve…

* “The Day I Tried to Live (com Taylor Hawkins)

**

* “Say hello to Heaven” (com Miley Cyrus)

**

“All Night Thing” (com Fiona Apple)

**

* “Show Me How to Live” (com Dave Grohl)

**

* “Fell on Black Days” (com Ryan Adams)

**

* Todas do Foo Fighters

**

* “Hunger Strike” (Brandi Carlile e Chris Stapleton)

**

* “Hunted Down” (meio Alice In Chains, meio Pearl Jam, e Josh Freese, ex-NIN, moendo na batera)

**

* “Redemption Song” (Ziggy Marley e Toni Cornell, filha do Chris Cornell)

**

* “Black Hole Sun” (com Brandi Carlile, e Peter Frampton)

>>

Chris Cornell vive! Cantor marcante do rock ganhará projeto póstumo que inclui canções inéditas, tipo “When Bad Does Good”

>>

210918_chriscornell_box

Uma das figuras mais importantes do rock nas últimas décadas, Chris Cornell ainda tem sua voz ecoando forte por aí. O ex-líder do Soundgarden e Audioslave, que se suicidou em maio do ano passado, vai ganhar um box póstumo no dia 16 de novembro.

Intitulado “Chris Cornell”, o projeto vai incluir diversos álbuns que farão uma varredura na carreira do músico norte-americano, incluindo também canções do Temple of the Dog e de sua carreira solo.

No total, serão 64 canções, sendo 11 delas inéditas e outras 10 oriundas de performances ao vivo. No total, a versão deluxe contará com um livro de fotos, 4 CDs, 7 LPs e um DVD, além de um poster. Haverá também um disco com uma versão enxuta, com 17 faixas no total.

Junto com o anúncio, foi liberada a inédita “When Bad Does Good”, encontrada no arquivo pessoal de Cornell, que fez toda a produção da faixa.

Chris Cornell – disco único:
1- “Loud Love” (Soundgarden)
2- “Outshined” (Soundgarden)
3- “Hunger Strike” (Temple of the Dog)
4- “Seasons”
5- “Black Hole Sun” (Soundgarden)
6- “Can’t Change Me”
7- “Like a Stone” (Audioslave)
8- “Be Yourself” (Audioslave)
9- “You Know My Name”
10- “Billie Jean”
11- “Long Gone” (Rock Version)
12- “Call Me a Dog” (Live Acoustic)
13- “Been Away Too Long” (Soundgarden)
14- “Nearly Forgot My Broken Heart”
15- “Nothing Compares 2 U” (Live at Sirius XM) – inédita
16- “The Promise”
17- “When Bad Does Good” – inédita

Chris Cornell Deluxe Edition

Disco 1
1- “Hunted Down” (Soundgarden)
2- “Kingdom of Come” (Soundgarden)
3- “Flower” (Soundgarden)
4- “All Your Lies” (Soundgarden)
5- “Loud Love” (Soundgarden)
6- “Hands All Over” (Soundgarden)
7- “Say Hello 2 Heaven” (Temple of the Dog)
8- “Hunger Strike” (Temple of the Dog)
9- “Outshined” (Soundgarden)
10- “Rusty Cage” (Soundgarden)
11- “Seasons”
12- “Hey Baby” (Land Of The New Rising Sun)” (M.A.C.C.)
13- “Black Hole Sun” (Soundgarden)
14- “Spoonman” (Soundgarden)
15- “Dusty” (Soundgarden)
16- “Burden in My Hand” (Soundgarden)

Disco Dois

1- “Sunshower”
2- “Sweet Euphoria”
3- “Can’t Change Me”
4- “Like a Stone” (Audioslave)
5- “Cochise” (Audioslave)
6- “Be Yourself” (Audioslave)
7- “Doesn’t Remind Me” (Audioslave)
8- “Revelations” (Audioslave)
9- “Shape of Things to Come” (Audioslave)
10- “You Know My Name”
11- “Billie Jean”
12- “Long Gone” (Rock Version)
13- “Scream”
14- “Part of Me” (Steve Aoki Remix)
15- “Ave Maria” (with Eleven)

Disco 3
1- “Promise” (Slash featuring Chris Cornell)
2- “Whole Lotta Love” (Santana featuring Chris Cornell)
3- “Call Me a Dog” (Live Acoustic)
4- “Imagine” (Live Acoustic)
5- “I Am the Highway” (Live Acoustic)
6- “The Keeper”
7- “Been Away Too Long” (Soundgarden)
8- “Live to Rise” (Soundgarden)
9- “Lies” (Gabin with Chris Cornell and Ace)
10- “Misery Chain” (with Joy Williams)
11- “Storm” (Soundgarden)
12- “Nearly Forgot My Broken Heart”
13- “Only These Words”
14- “Our Time in the Universe”
15- “‘Til the Sun Comes Back Around”
16- “Stay With Me Baby”
17- “The Promise”
18- “When Bad Does Good” *

Disco 4
1- “Into the Void” (Sealth)” (Live at the Paramount) (Soundgarden)
2- “Mind Riot” (Live at the Paramount) (Soundgarden)
3- “Nothing to Say” (Live in Seattle) (Soundgarden)
4- “Jesus Christ Pose” (Live in Oakland) (Soundgarden)
5- “Show Me How to Live” (Live in Cuba) (Audioslave) – inédita
6- “Wide Awake” (Live in Sweden) – inédita
7- “All Night Thing” (Live in Sweden) – inédita
8- “Nothing Compares 2 U” (Live at Sirius XM)- inédita
9- “One” (Live at Beacon Theatre) – inédita
10- “Reach Down” (Live at the Paramount) (Temple of the Dog) – inédita
11- “Stargazer” (Live at the Paramount) (Temple of the Dog) – inédita
12- “Wild World” (Live at Pantages Theatre) (Yusuf/Cat Stevens with Chris Cornell) – inédita
13- “A Day in The Life” (Live at the Royal Albert Hall) – inédita
14- “Redemption Song” (Live at Beacon Theatre) (with Toni Cornell) – inédita
15- “Thank You” (Live in Sweden)

>>