Em churrasco elétrico:

Popload Session: a vez é do CHURRASCO ELÉTRICO

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* A Popload Session desembarca em Araraquara, interior de São Paulo, coração do Estado, para cavar uma session do grupo Churrasco Elétrico, nome bizarro para uma armada psicodélica a seu modo, que na verdade se autodefine uma banda de “rock grilê”. Não sei ao certo o que significa, mas deve ser algo entre o rock gaúcho dos anos 90 e a Jovem Guarda iê-iê-iê anos 60.

E na verdade também traz só o espírito de “Campos de Araraquara”, porque o trio (ora quarteto, ora quinteto) mora em São Paulo já há algum tempinho. Churrasco Elétrico titular é Lucas Gorla (voz e maracas), Fábio Farello (guitarra e voz) e Gustavo Beber (bateria). Na foto desta página tem o Edu Barreto (baixista). Outro churrasqueiro pode ser considerado o Gil Purunga, responsável pelos teclados na session.

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A ligação com Araraquara é presente na umbilical cover desempenhada na session abaixo. O Churrasco Elétrico mostrou sua versão para “Vai Mal Tudo”, cover do famoso grupo dos anos 60 da cidade deles, The Jungles, que por sua vez tinha feito cover do cantor americano de soul/blues Eddie Floyd. Cover da versão, na real.

A música própria que o grupo tocou na Popload Session é a incrível “Só o Que Sobrou”, canção novinha que fará parte do EP “Vol. 2”, a ser lançado em agosto agora. Lançamento exclusivo.
((O ótimo EP “Vol. 1”, revelado em novembro de 2013, é uma pedrada. Tente ouvir “Ela Não Me Deixa Ser o Cara”, “Trovejar” (“Se começar trovejar, não volto para casa. Talvez, se chover, eu volto pra você”), “A Melhor Companhia da Cidade” e a balada “O Dor”, todas bem boas.))

A conexão do Churrasco Elétrico com o rock psicodélico anos 60 vai além da cover desta session, a “Vai Mal Tudo”, que também estará no “Vol. 2”. O EP trará ainda, além de mais duas músicas do grupo, uma outra regravação. Desta vez para “LSD”, de Fabio Stella, cantor e compositor paraguaio naturalizado brasileiro que foi grande parceiro de Tim Maia e tem seu nome ligado aos Fevers, Jerri Adriani e outros astros dos anos 60. No caso, essa “LSD” feita para os Fevers, é sigla para “Lindo Sonho Delirante”, mas a referência é mesmo “Lucy in the Sky with Diamonds”, dos Beatles. Pódicrê!

Uma grande chance de ver o Churrasco Elétrico ao vivo é neste sábado no Cine Joia, no festival da Converse. A banda de Araraquara compõe talvez a melhor noite do festival, abrindo a escalação que terá os grandes Single Parents (São Paulo) e Fucked UP (Canadá), além do histórico grupo americano Dinosaur Jr.

Mas vamos ao que, no momento, interessa.
Senhoras e senhores, com vocês e para vocês… CHURRASCO ELÉTRICO, in session.

** A Popload Session é apresentada pela marca de cerveja Heineken.

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O nome da banda é Churrasco Elétrico

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* Deve ser o vento psicodélico que sopra no novo rock, mas me peguei curtindo bem o disco de uma banda cujo nome é esquisito e parece saída do rock gaúcho, mesmo sendo de Araraquara, no interiorzão de São Paulo.
Nome esquisito de banda, quem nunca? Banda indie nacional parecendo o Cachorro Grande, quem nunca?

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Mas vale dar uma boa ouvida no… Churrasco Elétrico. Segundo definição própria encontrada em busca de mais referências, trombei na internet com um esclarecimento sonoro da própria banda que (se) diz tipo isto: “Oriundo de uma região do interior paulista conhecida por “Campos de Araraquara”, o Churrasco Elétrico cativa a mocidade com músicas afinadas com o rock e a psicodelia enraizada nesta terra, fazendo por nossas próprias palavras o Rock Grilê”.

O Churrasco Elétrico, hoje, é um quinteto, já podemos dizer, paulistano. Nasceu em Araraquara, mas veio para São Paulo para “se firmar”. Parece banda de Minneapolis que se muda para o Brooklyn para tentar a sorte.

Da aventura em SP nasceu o primeiro EP da formação atual em constante mutação, que acaba de ser lançado. Chama “Vol. 1”, porque o grupo tem muitas músicas prontas e logo mais vêm o “Vol. 2”, “Vol. 3″… até montarem o primeiro álbum, me disseram.

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Esse EP de estreia é puxado por “Ela Não Me Deixa Ser o Cara”, algum zeitgeist involuntário com o Roberto Carlos, cujo som anos 60/70 não fica distante no referencial, no vocal. A Jovem Guarda, ou parte dela, foi a nossa psicodelia pré-Mutantes, com seus teclados dramáticos. O Churrasco Elétrico tem isso, é carregado por isso.

Atravesse essa primeira música, e o EP só melhora. “Trovejar”, a que vem a seguir, é ótima, de tão debochadamente básica. Sonoridade impecável, das guitarras à bateria e teclados, do jeito de cantar às letras. É tipo tudo o que você ouviu por aí. Mas que funciona que é uma beleza com o Churras (Sorry, não resisti!): “Se começar trovejar, não volto para casa. Talvez, se chove, eu volto pra você”, assim, desse jeito, antecipando o duelo solo de teclado vs. guitarra. Se a 89FM for uma rádio para representar alguma coisa para alguém no meio da cena nacional, tocaria mais músicas desse tipo do que as que toca do Nickelback.

Faltam duas músicas para acabar o EP. “A Melhor Companhia da Cidade” é boa também e já ganhou vídeo esperto. Já já mostro. É tipo música com nome “como assim?” que pode enganar pelo andamento “normal” inicial, mas cresce bem. O disco acaba com “O Dor”, que acho ser mais bem batizada como “Ô, Dor”ou “Oh, Dor”, é a baladaça do disco. Talvez minha preferida. Talvez. Letra ótima e a melhor combinação voz-teclado jovem guarda. Rola até um pianinho.

Agora é com você. Encare aí o Churrasco Elétrico. Quero ver.

O Churrasco Elétrico é Lucas Gorla – Vocal; Fábio Farello – Guitarra; Eduardo Barreto – Baixo; Roger Alex – Piano; e Gustavo Beber – Bateria.
Obviamente, já os convidei para uma Popload Session. Quero vê-los ao vivo.

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