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POPLOAD ENTREVISTA: CHVRCHES. Falamos com Lauren Mayberry sobre o disco novo, “Screen Violence”, que saiu nesta sexta-feira

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* Enquanto seguimos tentando entender e nos adaptar ao momento que estamos vivendo, muitos sentimentos e percepções passados voltam para reforçar seu significado. No caso da banda escocesa Chvrches, uma ideia do começo do grupo veio à tona na hora de escolher o nome do novo álbum: “Screen Violence” (capa abaixo), o quarto do trio de Glasgow, que está sendo lançado hoje.

CHVRCHES - Screen Violence (ARTWORK)2

O título foi originalmente concebido como um nome para a banda, formada em setembro de 2011, mas exatamente uma década depois caiu como uma luva para expressar o que eles estavam sentindo no momento de agora. Apesar de elas terem sido essenciais em muitos aspectos, a “violência das telas” no último ano afetou todos nós, numa luta contra a solidão, pertencimento, angústia, desilusão… e são assuntos como estes que criam a narrativa do novo álbum.

Mas, ironicamente, as telas foram fundamentais para que o álbum fosse possível. O processo de gravação foi todo a distância, com membros da banda em Los Angeles e Glasgow. Lauren Mayberry, vocalista do Chvrches, contou para a Popload, em entrevista por Zoom, que só foi possível fazer isso porque eles já tinham algumas demos prontas, assim como os conceitos. Então a questão passou a ser como fazer essa dinâmica da feitura do disco funcionar remotamente. Via… telas.

Até o momento, só conhecíamos três faixas por meio de uma trilogia de vídeos que conversam entre si: “He Said She Said”, “How Not to Drawn” e “Good Girls”, este último destacamos aqui embaixo.

Sobre o visual dos vídeos, que têm uma pegada “ficção científica artsy” e são inspirados em filmes de terror que a banda adora assistir, Lauren diz:

“Tivemos muita sorte que para este projeto conseguimos trabalhar com um artista visual chamado Scott Kiernan, que trabalha com instalações e plataformas multimídia. Acabamos descobrindo o cara depois de assistir a alguns dos seus vídeos e ficamos com muita vontade que ele colaborasse. No fim ele trabalhou nos vídeos, cuidou da capa do álbum, todo o conceito visual. Fora que é muito difícil gravar um vídeo quando um membro da banda está em outro país. Como fazer um vídeo com chroma-key que não pareça horrível? Então meio que o conceito acabou casando com a ideia de uma realidade alternativa.”

Ao longo dos 10 anos da banda, muitas narrativas foram criadas em torno do Chvrches. E uma delas, particularmente, sempre perseguiu Mayberry por ser uma vocalista mulher. Ela já foi alvo de trolls da internet, e muito questionada a cada passo, sobre coisas como questionamentos sobre roupa e maquiagens dela, algo que a levou finalmente a expor isso em letras neste último trabalho.

“Eu sinto que durante muito tempo as conversas em torno do Chvrches eram sempre sobre meu gênero, sobre feminismo. E parte da letra de ‘He Said She Said’ fala de quando me defendi em 2013 de vários ataques que sofri online. A emoção também é uma narrativa, e me sinto feliz em poder fazer parte dessa conversa, mas eu não quero ser só isso. As pessoas nunca me perguntam nada sobre a música, jamais”, reclamou Lauren.

“A galera que comparece aos shows definitivamente se engajam com as letras e os sentimentos contindos nelas, e claro que as encorajam a falar sobre aquelas coisas. E elas vêm e cantam as músicas, mas não por causa dos problemas e sim pela música, o som. E nunca sequer escrevi nada sobre feminismo. Daí falam ‘Chvrches, banda feminista e blablabla’. Então pareceu inevitável que em algum momento eu parasse para realmente falar disso. E claro, quando você escreve algo você fala sobre alguma experiência pessoal. Mas posso dizer que me custou dez anos para amadurecer e construir algo que me levasse a falar disso. Vocês querem que eu fale sobre minhas experiências pessoais? Ok, está aqui. Mas vocês não vão gostar.”

Definitivamente ser mulher numa indústria que sempre foi majoritariamente masculina ainda é uma questão, mas que aos poucos vem aumentando seu lugar de fala.

“É muito legal ter visto como as pessoas têm respondido às músicas até agora. Mesmo que hoje existam muitas mulheres no pop, bem mais do que dez anos atrás quando começamos, ainda sinto que são mulheres suficientes ocupando esses espaços. Não quisemos escrever nada que parecesse como uma ‘música mensagem’ ou algo do tipo, mas sim algo que expressasse o que estávamos sentindo. E finalmente pareceu o casamento certo entre música, letra, o momento certo para abordar esse tema. O título ‘Screen Violence’ também me pareceu apropriado. No começo pensei que “He Said She Said” fosse uma ideia terrível, mas no fundo acho que, pensando bem, nunca nenhum homem parou para falar sobre esse tipo de sentimento, sobre alguma fã mulher, cometendo algum abuso, por exemplo”, ela continua.

Nesse momento de reflexão e amadurecimento, o Chvrches acredita ter evoluído sonoramente, pessoalmente e se sente confiante para encarar novos desafios. Um deles foi a colaboração com um ícone e ídolo pessoal dos integrantes da banda, o Robert Smith, do Cure. Lauren conta que inicialmente a ideia era outra.

“Acho que para o meu eu adolescente ainda não caiu a ficha, porque todos nós sempre fomos grandes fãs, nossa música é muito inspirada no Cure, sempre tivemos camisetas e tal… Meu manager soube que ele estaria gravando um novo album e decidiu entrar em contato com seu representante, para que, sei lá, de repente, se ele fosse estar em turnê, poder abrir algum show do Cure, ou algo assim. Mas acontece que Robert não tem um manager e aí um dia ele simplesmente apareceu e disse ‘Hey, vi que vocês estavam me procurando’. Então começamos a mandar algumas demos para que ele pudesse ouvir. O papo começou com participar de uma turnê e de repente estávamos compondo e gravando juntos. É muito bizarro pensar que ele assinou letras comigo! Às vezes você imagina uma pessoa e na vida real ela é completamente diferente. Aqui não foi o caso, ele ainda é muito apaixonado pelo que faz, é uma pessoa ótima, generosa.”

E, para encerrar nosso papo, não poderíamos deixar de perguntar sobre os planos da banda para o Brasil. Afinal, Chvrches nunca esteve em solo brasileiro para shows.

“Agradeço demais aos fãs do Brasil e sinto muito que ainda não tenhamos tocado aí. Estamos cientes que devemos essa visita, mas prometo que isso está em mente. Já tivemos conflito de agendas e acabou não rolando, mas mal podemos esperar, quando o mundo estiver um pouquinho mais normal, estar aí com vocês.”

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A foto da chamada na home da Popload é de Sebastian Mlynarski & Kevin J. Thomson

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* A entrevista com Lauren Mayberry, da Chvrches, foi conduzida por Daniela Swidrak (com a presença felina de Meg, dona da humana).

Chvrches - Dani + Meg

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Popnotas – Chvrches chama o Robert Smith (The Cure) para entender procedimentos de afogamento. O Primavera Sound revela seu lado português. E o Hierofante Púrpura lança manifesto da coragem em forma de single-vídeo

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– Tem um Robert Smith tocando numa música nova da banda escocesa Chvrches (foto na home). O grupo da Lauren Mayberry lançou o single “How to Not Drown”, num pacote de novidades que aponta para o álbum “Screen Violence”, anunciado hoje para sair dia 27 de agosto. O veterano vocalista do mitológico The Cure fez um dueto vocal com Lauren, entre o atmosférico e o dance. Dance naquelas, né? A música fala sobre a tentativa de ficar consciente no momento em que se está afogando. Robert Smith coube direitinho nessa. “Screen Violence”, segundo o trio de Glasgow, foi feito com seus integrantes separados entre EUA e Escócia, através de chamadas de vídeo e compartilhamento de áudio. Vai ser o quarto disco do grupo britânico. E o som novo é este aqui.

– Saiu hoje o line-up do Primavera Sound Porto para 2022. A extensão portuguesa e menor (portanto mais aconchegante) do enooooorme festival de Barcelona vai juntar no line-up esta turma aqui: Tame Impala, Gorillaz, Nick Cave and the Bad Seeds, Beck e Pavement. Ingressos, no mesmos moldes do evento espanhol, começam a ser vendidos na próxima sexta, dia 4. Esta é a nona edição do Primavera Sound do Porto, que acontece em um só final de semana, dos dias 9 a 11 de junho de 2022. Boa parte das atrações despencam de Barcelona para lá, mas vão ter novos. E a força indie, os bons nomes pop e o agito eletrônico, sem falar do nosso Pabllo Vittar, vão colar no verão do ano que vem nesta charmosa cidade do norte de Portugal. Saca o pôster mais “contemplativo” da filial lusa do Primavera Sound.

primavera

– CENA – A banda Hierofante Púrpura lançou hoje o terceiro single/vídeo de seu próximo álbum, “Impermanências Lo-Fi Vol.2”, que sai via Balaclava Records no dia 6 de julho e é série de registros sonoros da banda gravadas na fitinha cassete no isolamento pandêmico, lá em Mogi das Cruzes. A faixa é “Aqui Temos Medo”, que a banda divulga como “um manifesto musicado sobre coragem. O vídeo foi captado e editado de maneira remota na cidade de Mogi das Cruzes numa parceria virtual-conceitual entre Danilo Sevali e o onipresente videomaker Gabriel Rolim. O belo resultado, musical e virtual, está aqui embaixo.

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Popnotas – A voz total de Lil Nas X. A grande volta dos Chemical Brothers. O vídeo do Chvrches. Mars Volta alivia para os fãs

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– “Montero (Call Me by Your Name)”, hit total do rapper Lil Nas X (foto na home), que já passeou pelo nosso top 10 Gringo, ganhou uma versão onde o próprio faz com a voz todo o instrumental da música. Um trabalho que ficou tão bem acabado que dá até para imaginar ele produzido mais coisas nesse sentido. Curtimos bem.

– Após um 2020 em silêncio, a gigante dupla eletrônica The Chemical Brothers soltou um single inédito chamado “The Darkness that You Fear”, com direito a vídeo que vai deixar todos os fãs dos anos 90 bem nostálgicos. Pelo que se sabe até agora, a música não faz parte de um projeto maior, como um futuro disco, por exemplo, mas vai sair em um single de 12 polegadas no Record Store Day deste ano, em junho. 2021 vai ver dois RSD, um dia 12 de junho, outro 17 de julho. O lançamento de “The Darkness That You Fear”, dos Chemical Brothers, acontece no primeiro deles.

– A banda escocesa Chvrches, da vocalista Lauren Mayberry, lançou o vídeo do som “He Said She Said”, primeira música inédita desde o álbum “Love Is Dead”, de 2018, um som que a gente mencionou aqui no Notas e no nosso Top 10 Gringo, nesta semana. Dirigido por Scott Kiernan e gravado em esquema remoto em diferentes partes do mundo (os integrantes se dividem em Glasgow, Los Angeles e Londres), a obra aproveita a letra de Lauren, que ironiza uma série de lugares comuns que ela teve de escutar de homens ao longo da vida, para construir uma metáfora de prisão e libertação.

– O grupo texano Mars Volta, dentro de uma luxuosa e esgotada caixa de vinis que contém todos os discos da carreira da banda, chamada “La Realidad De Los Sueños” e que contém 18 vinis, a ser lançada, colocou dentro um disco muito especulado (e pirateado) pelos fãs, com as sessões originais e não finalizadas do álbum de estreia deles, “De-Loused in the Comatorium”, de 2003, com faixas que não entraram na edição final. A boa notícia é que esse disquinho não será uma raridade: a banda soltou ele agora nos serviços de streaming. “Landscape Tantrums”, o nome dessa session do disco de estreia, apresenta a banda formada por Cedric Bixler-Zavala e Omar Rodriguez-Lopez (ambos ex-At the Drive In) ainda mais indomável, digamos.

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Popnotas – Só as minas e as músicas lindas, estrelando Jorja Smith, Chvrches, Rina Sawayama e Dua Lipa fazendo Arlo Parks

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– Deu uma saudade aqui do show da Jorja Smith no Lollapalooza 2019. Aquele clima bom, cair da noite. Um show tão foda que ela conseguiu ressignificar a tão-malhada camiseta da seleção brasileira quando apareceu com o uniforme – a banda inteira, aliás, estava uniformizada. Que bom saber que ela voltou com “Be Right Back”, um EP de oito músicas, que dá sequência ao excelente “Lost & Found”, seu álbum de 2018. Deste projeto, já temos dois singles na manga: “Gone” e “Addicted”. As outras seis músicas saem no dia 14 de maio.

A gente por aqui amou a versão que a Rina Sawayama fez com o Elton John de sua “Chosen Family”. Mais alegria em saber que ela tocou uma versão da música em sua recente participação no “Tiny Desk (Home) Concert”. Só que a apresentação não teve nada de pequena. Foi é com banda completa e até uma seção de cordas. No setlist ainda rolaram “Dynasty” e “XS”. Luxo.

– Que maravilha a cover que a musa pop Dua Lipa (foto na home) fez da delicadeza indie Arlo Parks, para o programa “Live Lounge”, da Radio One, da BBC inglesa. A música que Dua Lipa fez performance foi “Eugene”, do álbum de estreia de Parks, o intensamente belo “Collapsed in Sunbeams”, lançado no final de janeiro. Em seu Stories, Arlo Parks afirmou estar “levitando” enquanto ouve a versão da amiga famosa. “Que momento para uma canção tão calma e pessoal que foi feita na sala da minha casa”, falou Parks.

– Olha quem apareceu. A banda escocesa Chvrches, da pequena vocalista enorme Lauren Mayberry. Lançaram hoje “He Said She Said”, primeira música inédita desde o álbum “Love Is Dead”, de 2018. Mataram o amor e sumiram. “Como todo mundo, tive muito tempo para pensar e refletir no ano passado; para examinar experiências que eu havia antes encoberto ou enterrado. Sinto que passei grande parte da minha vida (pessoal e profissional) realizando o ato de equilíbrio desconfortável que é esperado das mulheres, e fica mais confuso e exaustivo quanto mais velha eu fico”, explica o desaparecimento e o novo single a cantora do trio escocês. A música nova é Lauren enfrentando forte a misoginia. “‘He Said She Said’ é minha maneira de avaliar as coisas que aceitei e que sei que não deveria. Coisas que fingi não me prejudicarem. Foi a primeira música que escrevemos quando começamos a voltar, e a linha de abertura (“He said, You bore me to death”) foi a primeira letra que saiu. Todos os versos são versões irônicas ou parafraseadas de coisas que me foram ditas por homens em minha vida. Ser mulher é exaustivo e seria melhor gritar em uma música pop do que gritar no vazio. Depois do ano passado, acho que todos podemos nos relacionar com a sensação de que estamos perdendo a cabeça.” O Chvrches vem com seu quarto álbum neste ano. O projeto já está sendo chamado de “CHV4”, mas não deve ser o título do disco.

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Enquanto não arma um disco novo, Chvrches lança música inédita para a trilha do game Death Stranding

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A banda escocesa Chvrches lançou uma nova música exclusiva para a trilha do jogo de videogame Death Stranding, do Playstation 4, que será lançado mês que vem.

A canção, que carrega o mesmo título do game, será inserida na trilha sonora Death Stranding: Timefall, que tem ainda artistas como Major Lazer, Khalid e Bring Me The Horizon, e será lançada dia 7 de novembro.

Além da canção para o jogo, o Chvrches também apareceu em um novo vídeo cantando Graves, faixa que aparece na série japonesa Terrace House: Tokyo 2019-2020, da Netflix. A apresentação foi na sala de estar da casa onde se passa a série, em Tóquio.

O último disco do Chvrches é Love Is Dead, lançado em 2018.

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