Em cine joia:

CENA – Aldo The Band: o show no Popload Gig e a música nova “diferente”

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* Um show bom, muitas vezes, pode ser medido por quão alto ele é. E, se volume é documento, a apresentação do quarteto paulistano Aldo The Band no Cine Joia quarta-feira, na abertura do abençoado show do Caribou, digamos que abalou as estruturas. Mesmo.

No talo sonoro, o Aldo mesclou rapidamente canções de seus excelentes dois discos aliando barulho e energia até em músicas mais “tranquilas”, coisa difícil de encontrar em palcos por aí.

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Temos prova disso. Toma o vídeo da performance da banda dos Faria bros para “The City Is Waiting” e “Murray’s Pomade”, ambas do disco de estreia, “Is Love”, de 2013. O vídeo tem a categoria costumeira do trabalho de Rodolfo Yuzo e Rafael Andres.

Na sequência vem música nova do Aldo The Band, “Mastaba”, que foge um pouco da pegada indie-dance dos dois primeiros discos e vai para um caminho mais experimental e viajante, tipo o… Air? A canção, que apareceu na quarta abrindo o show deles no Cine Joia e ontem surgiu oficialmente e em vídeo, talvez já indique para qual direção vai o terceiro álbum deles, gravado em São Paulo e Paris, a ser lançado ainda neste semestre.

* As fotos da performance do Aldo The Band, desta página e em destaque na home da Popload, são ambas de Fabríco Vianna.

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Popload Gig – Caribou foi o que já antecipávamos: o show do ano. Do ano inteiro

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* Eu sei, eu sei. Ainda vão ter os shows o Popload Festival. E outros do Popload Gig. E o Justin Bieber no começo de abril agora no Allianz. Mas vai ser difícil algo bater essa apresentação sonora e cheia de cores do maravilhoso Caribou, que ilustrou o nosso Popload Gig de número 48, no aconchego de shows médios do Cine Joia, depois de um restaurante japonês na Liberdade, um monte de negronis bem-feitos no clube, após um barulhentíssimo show do Aldo The Band, cheio de gente bonita, elegante e principalmente sincera no envolvimento com os envolvidos.

Repare. Eu nem sei mais o que escrever sobre a porra desse show do Caribou, de ontem. Não liga, não!

O fabuloso vídeo filmado pelos meninos Rodolfo Yuzo e Rafael Andres, o nosso vídeo de “Odessa”, uma das músicas mais legais deste século, e as fotos do Fabricio Vianna contam com imagens, mais do que palavras, o que foi a noite de ontem.

Mais uma vez, dsclp.

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Cinco motivos para você não perder o showzaço do Caribou em São Paulo

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>> Falta UMA semana para, talvez, o melhor show do ano (até o Popload Festival, provavelmente)! Dan Snaith, o homem por trás de vários projetos que amamos e o responsável pelo CARIBOU, grande representante da cena eletrônica hoje, chega a São Paulo para uma apresentação única. No Popload Gig. Apenas uma das atrações mais concorridas do Primavera Sound 2015, com shows lotados nos festivais mais legais do mundo ao seu alcance no Cine Joia e, confia em mim, você não vai querer ficar de fora. Temos alguns bons motivos para você sair para dançar em plena quarta-feira:

1 – Primeiro show no Brasil após o lançamento de Our Love

Tá, o Caribou já tocou por aqui lá em 2010. Faz quase sete anos, o presidente era outro, não tinha crise política, não tinha tido Copa, nem Olimpíadas e um monte de gente que é vidrada no som do cara hoje em dia nem tinha saído da escola/faculdade. Mas a maior diferença de todas para o show que a banda fará na próxima semana é que não tinha Our Love. Considerado amplamente o auge do grupo até agora, o disco foi elogiado pelas maiores publicações do mundo – incluindo a Popload – e ganhou destaque como um dos melhores álbuns eletrônicos desta década. Coisa de gente grande, né? Abaixo dá pra sacar as músicas do disco que viraram clipes e depois já aproveita o embalo e dá play no disco inteiro.

2 – É melhor ao vivo que em disco

Em estúdio o Caribou é só o Dan Snaith, que assume a responsa inteirinha pra si. Só que ao vivo, a coisa toma forma e se juntam a ele Ryan Smith, Brad Weber e John Schmersal e aí, meu amigo, o bicho pega de verdade! Os caras já tocaram nos maiores festivais do mundo com plateia lotadaça e o resultado final é sempre o mesmo: ÉPICO. É difícil até descrever como o som dos caras se junta às luzes do palco pra criar um efeito único e avassalador. Por isso a gente nem vai tentar, a gente vai te deixar com alguns vídeos abaixo para você ficar com esse gostinho na boca.

3 – Dan Snaith saca tudo de música

A gente assume que pra você fazer bem música você tem que conhecer bem música. Mas não é sempre assim que acontece e quando a gente vai pesquisar mais a fundo as influências de um artista ou sacar o que ele anda ouvindo, não é raro se decepcionar. Não é o caso de Dan Snaith, que montou esta playlist com o que ele anda escutando para se preparar para o show e ela não sai do repeat por aqui. Tem clássicos como Arthur Russel e The Zombies, o monstro do hip-hop underground Madvillain e até representante brasileira – a cantora carioca Joyce, que fez sucessos nos anos 80. A gente convida você a viajar junto no colorido e diverso mundo de Snaith:

 

4 – Não é só um showzaço – são DOIS!

Às vezes a vida é boa demais. E é o que vai poder comprovar quem estiver no Cine Joia no dia 22 de março, na semana que vem. Isso porque além do Caribou, a abertura vai ficar por conta do Aldo, the Band, escolhido diversas vezes como um dos melhores shows nacionais da atualidade. A gente é suspeito para falar porque ama o trabalho dos irmãos André e Murilo Faria desde o comecinho, mas se tem um lugar que a mistura de eletrônico e punk foi feita é para o palco. O som potente, a energia sensacional é daquelas que faz a gente ficar ofegante no fim e nos deixa pensando o resto da semana no que acabou de presenciar. Dúvida? Espere e verá. E aproveita para, enquanto isso, curtir uns vídeos dos brothers e ficar com o gostinho:

5 – O palco é um bom e velho conhecido

Os shows vão acontecer no Cine Joia, no centro de São Paulo, com metrô pertinho e táxi e Uber na porta. Fácil de chegar, lugar conhecido do nosso público, com aquela vibe linda de sempre. E o jogo de luzes e o som moderno do Caribou tem tudo para fazerem um par perfeito com a decoração e a arquitetura clássica do Joia. Quem já foi a algum show por lá sabe que de qualquer lugar da casa é como se você estivesse na frente do palco. Então, a próxima quarta tem tudo pra ficar marcada como o dia em que rolou uma antológica rave-indie e você pode fazer parte dessa história ou só ouvir falar depois.

Garanta já seu ingresso para o show do Caribou no Cine Joia aqui!

 

**a foto do Caribou na home é de Burak Cingi.

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O bom truque do Peter Hook em uma noite quente de São Paulo

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* Talvez um dos únicos caras da história da música que pode se dar o luxo de aplicar o truque na música, o baixista Peter Hook fez um excelente show ontem à noite no lotadaço e festivo Cine Joia, na Liberdade, em São Paulo. Pendendo entre uma banda cover de luxo, um karaokê bizarro cujas canções você canta com a maior familiaridade porque esteve lá as construindo e uma ótima aula de história (aqui no sentido da matéria, mesmo), o britânico tocou nesta terça por 2h40 exatamente uma semana depois que seus ex-amigos de um passado mais bem formado, o New Order em si, também deu show _ e milagrosamente um show absurdo _ na capital paulistana.

Peter Hook, por não ter sido um “mero baixista”, carrega uma licença poética de aprontar barraco, montar uma banda de moleques (The Light) que inclui seu filho e sair por aí excursionando pelo mundo “apenas” porque ajudou a fundar duas das mais importantes bandas da música inglesa: o pós-punk no future Joy Division e o em seguida indie-pop-dance-eletrônico New Order, duas instituições tão iguais e tão diferentes com um caminhão de hits marcantes que dava para abastecer umas dez bandas novas de sucessos para se manter em tour mundial por anos e anos.

Hook fez do baixo uma guitarra líder na época áurea das duas bandas e continua fazendo hoje em dia. Porque era isso mesmo: no Joy Division e no New Order, seu instrumento era tão importante quanto a guitarra. Ele impunhava isso, as músicas impunhavam isso, o ritmo das bandas era ditado por seu baixo.

Hoje, se em seus show erra em muitos vocais ou condições dos hits mais eletrônicos, ele acerta quando o bacana é remeter as memórias exatamente para o comecinho dos anos 80, terreno familiar a ele e para a maioria dos fãs presentes ao Joia, que esgotaram os ingressos da noite.

Por exemplo, peguemos o clássico dos clássicos “Blue Monday”, uma das músicas de pista mais importantes da face da Terra. A versão que o New Order toca em seus shows dos últimos anos é uma versão playba tipo remix de FM. O hit está ali embaixo, lindo. Mas a “roupa moderna” dá uma cara mais coxa ao hino do New Order. Já Hook vai no básico e certeiro. Assume a música com seu baixo explodindo logo após a inicial e espetacular introdução eletrônica que marca “Blue Monday”, desde 1983, quando foi lançada. Hook roots. Pontaço para ele.

Seu show teve malucas 2h40 de duração, mais ou menos, dividido em duas partes. A primeira, New Order. A segunda, Joy Division. Brilhou no que tinha que brilhar, escorregou um pouco em momentos em que a música pedia o vocal de Bernard Sumner ou Ian Curtis sem ter muito jeito. Ou a cozinha original do New Order/JD.

Dedicou a música mais triste do universo, “Atmosphere”, do Joy Division, à Chapecoense. Depois emendou, aos gritos da galera de “Vamo, Vamo, Chapêêê” o massacrante hit “Love Will Tears Us Apart”. E foi embora sastisfeito com o truque bem dado. O público também.

Abaixo um videozinho de Hook tocando a übermaravilhosa “Thieves Like Us”, que o New Order não tem tocado ao vivo. Isso não é uma reclamação, Bernie!!! Haha.

** A foto que ilustra este post é do instagram da brother sister Claudia Assef (@clauassef), do Music Non Stop. A da home é da galera do Peter Hook, mesmo.

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Você pode não acreditar, mas o Foals tocou no Cine Joia. E foi incendiário

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* Finalmente, depois de duas adiadas, a banda inglesa Foals baixou em São Paulo para pagar o show que devia para o Cine Joia, na última quarta-feira.

O Foals, fazendo uso de palavras do diário inglês “Guardian” em texto recente sobre a banda, não é uma banda fácil. O grupo, do guitarrista baixinho e explosivo Yannis Philippakis, ganharam destaque no jornalzõo inglês em agosto, por serem, APENAS, um dos headliners do gigantesco Reading Festival, mesmo com som bem indie, não necessariamente retilíneo de tranquila absorção e de não fazerem parte dessa “era dos artistas solos grandes”.

Tudo isso esteve à mostra até as vísceras, aqui na Liberdade, na última quarta-feira. Eu particularmente não pude comparecer ao show, porque tive que ir em outra apresentação na cidade, no mesmo horário. Mas meu fashion brother Augusto Mariotti, um dos caras que mais manjam de música independente que eu conheço, foi lá e conta um pouco do que viu.

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“O Foals incendiou o Jóia como há muito tempo não via. A banda já entrou no palco pedindo desculpas pelas duas mudanças de datas do show aqui e por fazer o público esperar tanto pelo show.

“Para alegria dos fãs mais novos, tocaram várias músicas do mais recente álbum, “What Went Down”, de uma banda já maior, disco levemente moldado para tocar nas rádios. Mas o grupo não desapontou os fãs de sua fase inicial, que acampanha a banda desde os primeiros EPs e do album “Antidotes”, de sonoridade mais indie, quando o mathrock definia o som do Foals.

” “Spanish Saara”, na metade do show, foi o momento mais lindo da noite, com o público cantando até os riffs da guitarra. E explodindo junto quando a banda sai do momento calminho rumo a catarse.

“E a melhor supresa, já no bis, foi quando a banda tocou “Hummer”, primeira música da banda a aparecer ainda na época do MySpace. E que acabou não entrando em nenhum disco apesar de ser uma potência em forma de canção. Que noite.”

* A foto deste post é de Augusto Mariotti. A foto do Foals na home da Popload é de Marcos Bacon, usada inclusive no Instagram oficial da banda.

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