Em cinesthesia:

Keep calm and Rocky on! Cinesthesia apresenta hoje, no Cine Joia, mais uma sessão de “Rocky Horror Picture Show”

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fff “Just a sweet transvestite, from Transsexual Transylvania”

Conhece a figura acima? Ele/Ela mesmo se apresenta na legenda da foto: Dr. Frank-N-Furter, apenas um cientista maluco, travesti e alienígena, do musical nonsense “Rocky Horror Picture Show”. Sexo, muito glitter e um pouco de rock ‘n’ roll, mais ou menos isso. Habitado por seres bizarros, o castelo do Dr. Frank ‘n’ Furter também esconde Rocky Horror, um Frankenstein-bonitão fabricado por ele para fins… sexuais. O filme estreou em Londres um ano depois do musical homônimo em, acredite, 1975 (!), ambos escritos por Richard O’Brien (que faz o papel do mordomo). Ousado até para os padrões “globais” de hoje, misturava clichês de filmes B com a estética glam, recém-apresentada aos jovens britânicos por David Bowie.

A produção amargou várias salas vazias até ganhar o carimbo “cult” com suas sessões da meia-noite nos EUA. E o carimbo “culto”, também, no sentido religioso mesmo da palavra. Os fãs compareciam vestidos a caráter e cantavam as músicas durante as exibições, além de recriarem os diálogos ao vivo. Logo o movimento se espalhou pelo mundo, influenciando o glam punk com suas maquiagens carregadas, lápis preto borrado, cabelos coloridos, meia arrastão rasgada, couro e muito glitter.

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Se você quiser levar o lema do filme (“Não sonhe, seja!”) um pouco mais a sério, HOJE é o seu dia. O Cinesthesia, projeto de experiências visuais e sonoras do Cine Joia, em São Paulo, que mistura cinema-música-teatro-balada, apresenta mais uma sessão do filme “Rocky Horror Picture Show”, com cenas expandidas!

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Aqui, a tal experiência é completa, com participação de atores e intervenções audiovisuais. Você, claro, é convidado a usar a fantasia do personagem preferido (a melhor delas dá ao vencedor um par de ingressos para qualquer show no Joia neste ano) e a cantar e dançar durante o filme-espetáculo. No papel do Dr. Frank-N-Furter, um dos melhores performers da arte drag no país, Ikaro Kadoshi, acompanhado das drag queens Malonna, Kelly Caramelo e Amanda Sparks, do Trio Milano. É divertido e você ainda tem pipocas para acompanhar, de graça e à vontade.

Para os fãs ainda mais “dedicados”, temos uma sugestão turística, why not? A Popload foi conhecer o casarão de Dr Furter in loco.

Oakley Cort Hotel, Berks

Sim, ele (ainda) existe e fica próximo à “residência de campo” da Rainha Elizabeth, em Windsor, na Inglaterra. Antes propriedade particular, Oakley Court foi escolhido por estar ao lado do Bray Studios, onde parte das filmagens acontecia. O castelo gótico-vitoriano foi construído em 1859 e transformado em hotel de luxo em 1981. Quem trabalha ali se acostumou com os fanáticos que exploram os mais de 200 mil m2 atrás de vestígios do filme.

Oakley Cort Hotel, Berks

Logo na entrada, você é recepcionado pelas gárgulas que aparecem no começo do filme e que ornamentam todo o hotel. Também estão lá a campainha que o casal intruso Brad & Janet hesita em tocar, a estante de livros, a sala de jantar e o relógio (sem o esqueleto). Visitamos o lugar em uma semana bem quente de verão, quando o cenário estava mais para o de uma princesa da Disney que para um thriller B de terror: jardins com canoas de flores, cadeiras de praia à beira do rio Tâmisa, pequenos barcos à disposição dos hóspedes e mesas ao ar livre para o chá da tarde. Mais “instagramável” que isso é impossível. Na parede do salão principal, fotos da visita da Rainha em 2009 e de atletas ingleses, que se hospedaram ali durante a Olimpíada de Londres, misturam-se aos pôsteres e registros de bastidores dos muitos filmes de terror filmados em Oakley. Fãs vão se ocupar por um bom tempo na gincana-Rocky e os não fãs podem se esbaldar na piscina aquecida, academia, quadras de tênis, bicicletas e campo de golfe. Do kitsch ao chic, tem para todo mundo.

>> Saindo da Inglaterra e voltando ao Cine Joia: depois da exibição de “Rocky Horror Picture Show”, hoje, a festa continua com discotecagem do inglês Daniel Hunt, produtor e músico do Ladytron, e com a DJ Débora Cassolatto, a Debbie Hell. Experiência completa?

Cinesthesia Rocky Horror Picture Show @ Cine Joia

Data: hoje.
Horários: Abertura da casa – 21h, Exibição do filme – 23h (festa após o término da exibição)
Ingressos: R$ 40 (inclui pipoca free + uma cerveja)
Locais de venda: cinejoia.tv e na bilheteria (segunda-feira a sexta-feira, das 10h às 18h, e durante o final de semana, a bilheteria só abre em dia de show, 1h antes da abertura oficial da casa).
Cine Joia: Praça Carlos Gomes, 82 – Liberdade
*Neste Cinesthesia, o público ficará em pé

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Radiohead toca hoje no Cine Joia. Convidado especial: Nosferatu

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* Um dos projetos mais legais e crescentes da cidade, o Cinesthesia acontece novamente hoje no Cine Joia, em São Paulo, desta vez combinando três seres atuantes em comunhão de um mesmo espetáculo. A música do grupo inglês Radiohead, o imortal filme “Nosferatu” (1922) e o público participativo: ou seja, você. Porque ali não é só assistir a um filme.

Em outra das noites em que o Cine Joia tem o que é de melhor, ser casa de shows moderna sem perder sua vocação de cinema antigo, o evento “Kid Nosferatu” botará em sincronia a obra-prima muda de horror expressionista do alemão (ou germânico) FW Murnau com o álbum “Kid A”, outra obra-prima, essa um pouco mais recente, do cultuado Radiohead, tocado ao vivo e na íntegra pela banda Radiohead Cover. O Thom Yorke está convidado a participar, se quiser. Alguém avisa?

No Cinesthesia “Kid Nosferatu”, o filme + música tem sua exibição a partir das 22h. O ingresso, a carga que ainda resta, está disponível aqui e dá direito a pipoca grátis à vontade e uma cerveja. A casa abre, toda climática, às 21h.

Considerado um dos 100 filmes mais importantes da história do cinema, “Nosferatu, Uma Sinfonia do Horror” é tido ainda como a segunda mais bem avaliada produção de terror de todos os tempos. É uma versão “pirata” de “Dracula”, clássico vampírico de Bram Stoker, numa interpretação expressionista alemã rodada em 1921, que de tão impactante depois também viraria obra clássica.

“Kid A” é, “apenas”, o quarto disco da banda do vampiro Thom Yorke, o sucessor de “OK Computer”, que causou comoção mundial ao ser “vazado” na internet em 2000, uma data ainda rara de lançamentos vazados. Foi considerado o álbum mais antecipado dos últimos 30 anos, na linha do “In Utero”, do Nirvana, por vir depois de uma obra-prima que catapultou a banda à estratosfera musical. É tido o mais bem acabado produto a ousar misturar o fino da indie music, mais IDM, krautrock, experimentalismos gerais, post-rock etc.

“Nosferatu” e “Kid A”, uma trombada clássica de música e cinema, vão poder ser “sentidos” hoje à noite, em São Paulo, em uma sincronia absurda e assustadora. E essa é a ideia.

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