Em coachella 2016:

Coachella, parte 2: festival celebra Guns N’ Roses e LCD Soundsystem no deserto

>>

Ah, o Coachella!!!!

vinheta_poploadcoachella2016

Tem sempre uma mesma notícia boa e outra ruim em ir ao segundo final de semana para o Coachella. Toda a afetação dos VIPs e das meninas de vestido de crochê em cima de lingerie ou biquíni aparece bem mais no Coachella First Weekend. E, no segundo, se você é aquele ser estranho que vai para o festival do deserto “só” por causa da música, vale bem mais a pena, embora também no primeiro final de semana os “convidados especiais” dão mais o ar da graça.

Mas neste final de semana que passou, desde sexta, o Coachella teve o Prince… Espiritualmente falando. E o festival ficou roxo por causa disso.

Li em algum lugar uma ótima definição do perfil de público atual do Coachella, nos últimos anos: “This is Coachella, a cosplay convention for the wealthy children of LA. All the press making fun of the flower crowns and crocheted white dresses has in no way deterred the legions of women decked out in them; the men tend toward the frat boy standard — T-shirts, baseball caps, and cargo shorts — though a brave few appear to be wearing the beta versions of their Burning Man costumes”.

coachella84

Sem juízo de valor aqui, apenas constatando, mas acrescente aí ordas de chineses, chicanos e blogueiras de moda do Brasil e você tem o quadro atual perfeito do público do Coachella.

Mas continua sendo um dos festivais mais bonitos do mundo, mais bem cuidado e organizado. Com o telão do palco principal mais interessante. E a tenda eletrônica mais absurda. Fora o Despacio, o “clubinho” do James Murphy funcionando todos os dias.

Estou aqui quebrando a cabeça para descrever o tal telão do palco principal, inacreditável, e ainda o show da australiana SIA, ontem, inacreditável idem. Mas confesso estar tendo uma certa dificuldade. Vamos ver se sai algo até o final do post.

Mas, com reprodução de textos escritos para a Folha de S.Paulo, foi tudo mais ou menos assim, nos últimos três dias no deserto.

coachella85

Talvez o mais importante evento musical ao ar livre americano, o paradisíaco Coachella Festival pareceu ter antecipado o feriado de Halloween em uns seis meses para celebrar os mortos, entre sexta e domingo passado.

Estamos no meio do deserto da Califórnia a duas horas de carro de Los Angeles para a nossa série de shows. E também para o segundo final de semana do festival, que repete a escalação do anterior e cerca, no mesmo espaço de visual deslumbrante, perto de 160 bandas e mais de 200 mil pessoas em seus três dias de duração. Muita música misturada a sol de dia, frio à noite, ocasionais tempestades de areia, gigantes esculturas de arte e incontáveis palmeiras iluminadas de roxo (sim, por causa de Prince).

O artista “purple”, que morreu semana passada, foi citado de alguma forma em grande parte dos shows. Dos novinhos eletrônicos Disclosure aos veteranos do metal Guns N’ Roses (o baixista Duff McKagan tinha estampado em seu instrumento o símbolo que representava Prince), passando pelos eletropop Jack Ü e indo até a world music afrocubana das irmãs Ibeyi, que são francesas. O passamento de Prince mexeu com a música.

David Bowie, morto em janeiro, também esteve espiritualmente aqui e ali no festival, cujas duas de suas três atrações principais, até pouco tempo atrás, também estavam, digamos, mortas.

Na sexta, o LCD Soundsystem, instituição indie-eletrônica de Nova York chefiada por James Murphy, que tinha encerrado as atividades havia cinco anos, voltou aos palcos para atender ao convite e às cifras do Coachella. E batizaram essa turnê de retorno de “Back from the Dead”, cujo cartaz, com seus integrantes fazendo pose de zumbis, virou camiseta oficial bastante vendida no festival.

O show foi espetacular, na medida em que um show irregular normal do LCD Soundsystem pode ser espetacular. Entre oito e dez pessoas num palco caótico tocando muitos instrumentos e batuques, com James Murphy reclamando da voz “danificada”, diante de uma galera diversa que não necessariamente era sua galera. Banda mais apropriada para tenda com 8 mil pessoas do que para um palco daqueles com 30 mil, o LCD Soundsystem, ainda bem, é daquelas bandas que se sustentam por suas músicas marcantes. E elas, da primeira à última do setlist, estavam lá, voando lindas ao sabor da ventania do deserto.

Outra ressurreição promovida pelo Coachella 2016, essa realmente um “big deal” noticioso dos infernos, foi a do Guns N’ Roses, que viveu seu grande auge nos anos 90 e depois se afundou em toda sorte de problemas. Até vermos no palco do Coachella, sábado retrasado e neste, o impagável vocalista Axl Rose e o exímio guitarrista Slash, juntos neste ano pela primeira vez desde 1993.
E, acredite ou não, a “magia Guns”, pelo menos no Coachella, pareceu intacta e renovada. A apresentação, de um certo heavy metal direto nas fuças da geração hip hop e EDM que forma o grosso da plateia do festival hoje, só não foi melhor porque Axl Rose cantou sentado num trono, graças a um pé quebrado há duas semanas em um dos shows de aquecimento para a grande volta. Sua dancinha de cobra ficou prejudicada.

Na sexta, em um de seus sete espaços para shows do Coachella, o duo inglês The Kills fez um ótimo show debaixo de impiedoso sol forte. Sexy e barulhento como só Allison Moshart e Jamie Hince sabem fazer. As novas músicas do próximo disco, o quinto, a ser lançado em junho, soaram tão boas ao vivo quanto os pequenos hits dos últimos quatro discos.

Na enorme tenda de eletrônico, outro grande destaque foi o grupo inglês Underworld, seminal nome da popularização do gênero nos anos 90, que fez hipnótica performance tanto com músicas conhecidas como “Born Slippy” (aquela do filme “Trainspotting”) como “I Exhale”, novo single do recém-lançado “Barbara Barbara, We Face a Shining Future”, o primeiro álbum da banda em seis anos.
A garota australiana Courtney Barnett foi uma das atrações do sábado, comandando seu power trio que anima tanto a cena independente dos EUA que já rendeu comparações ousadas com um Nirvana antes da explosão. Guitarrista canhota e vocalista, ela desempenha quase à perfeição suas canções niilistas e românticas sobre café coado. No estilo agridoce (calma no começo, barulhenta no refrão, calma de novo).

Içado da tenda eletrônica para o palco principal, o que parece ser um exagero a princípio, o jovem duo de DJs irmãos britânicos Disclosure surfa bem a onda do eletrônico pop que assola a garotada americana. Pelo menos, no caso deles, a música é às vezes “tocada” (eles usam alguns instrumentos), cheio de vocalistas convidados e com um visual mais bem cuidado, ainda que perdido na luz do dia. Disclosure faz mesmo o que se pode chamar de show, sendo da turma da eletrônica.

Uma das mais curiosas atrações do Coachella 2016, que estava no pôster da escalação e foi destaque nos três dias do evento, não era uma banda, e sim um conceito. O festival da Califórnia instalou em suas dependências, pela primeira vez entre os seus sete palcos e tendas, um clubinho “diferente”.

O projeto Despacio, criação do músico e produtor James Murphy (LCD Soundsystem) em parceria com os irmãos 2ManyDJs mais um engenheiro de som, virou um oasis sonoro e de ar-condicionado para quem quisesse curtir música eletrônica, mas queria um descanso da onipresente EDM. E ainda fugir do calor.

O Despacio é um sistema de som desenhado em conjunto com a McIntosh americana (empresa de audio, não confundir com o computador da Apple) que consiste em sete torres de som que envolvem uma pista de dança circular com músicas de vinil tocadas a 50 mil watts de potência. Aqui não é a altura da música que conta, mas a qualidade do som.

No Despacio, que ficava aberto em média umas sete horas por dia no Coachella, a atmosfera é outra. Disco music calma, classuda e vintage onde a pista e seus frequentadores são a atração, não o DJ. Um verdadeiro contraponto ao que Diplo, Skrillex e outros promoviam do lado de fora.

Tudo bem que eram os excelentes Murphy e o duo dos irmãos Dewaele no comando do som, mas estar no meio da pista “recebendo” aquelas músicas era o que importava.

coachelladespacioO cool Despacio, mais uma das invenções geniais de James Murphy

Em cima do palco, no domingo, um outro bom contraponto à “cena dominante” foi o show da banda indie-folk maluco-beleza Edward Sharpe and the Magnetic Zeros, que levou ao Coachella 2016 um clima de Woodstock 1969. O grupo lançou disco novo, “PersonA”, há duas semanas. Mas o que bombou foi o velho hit “Home”. O vocalista Alex Ebert pediu para todo mundo assobiar junto e parou a música no meio para as algumas pessoas da plateia contarem histórias de vida. Paz e amor.

“Fora da curva” também foi o show-performance da cantora australiana Sia, com uma apresentação que misturou arte, teatro e dança e ainda fez o melhor uso do acachapante novo telão de possibilidades múltiplas (na qualidade e edição das imagens) do Coachella.

Sia ficou o tempo todo no canto do palco, estática, diante do microfone e com uma peruca metade morena, metade loira cuja franja cobria seus olhos. Ela “apenas” cantava, enquanto os dançarinos convidados, entre eles a ótima Maddie Ziegler, de 13 anos, presente em vários os vídeos de Sia, interpretavam com movimentos o desespero emocional que a cantora passa em sua música, em suas letras.

Colaboradora de cantoras mais famosas como Beyoncé, Adele e Rihanna, Sia lançou neste ano um álbum só com canções suas recusadas pelas artistas citadas. Sem rancor, só por dar uso às músicas encostadas. E como estão sendo bem usadas pela dona…

siacoachella

* Fotos deste post são cortesia da Goldenvoice.
* Foto da Sia é do San Bernardino Sun.

* A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

>>

Coachella transmitirá shows em 360º. Tem Kills, Chvrches e até o… Guns N’ Roses!

>>
vinheta_poploadcoachella2016220416_coachellalive2

Novidade bonita para quem quer acompanhar o Coachella no conforto do lar. Pela primeira vez, o festival transmitirá alguns shows do seu segundo final de semana. E através de câmeras 360º.

Tradicionalmente, dezenas de shows do Coachella são mostrados ao mundo no primeiro final de semana do evento, como ocorreu neste ano. Nesta ação inovadora, o festival vai mostrar de hoje até domingo shows de Sufjan Stevens, The Kills, Chvrches, Run The Jewels, Matt & Kim e outros.

Mas o destaque mesmo fica para a transmissão (parcial) do show do Guns N’ Roses. Com formação clássica após duas décadas, a banda liderada pelo Axl Rose e Slash liberou algumas canções para este broadcast. O show está marcado para a madrugada de sábado para domingo, tipo 2h30 da manhã de Brasília (22h30 daqui).

Confira abaixo os shows e os horários daqui de Indio, que é -4h em relação ao de Brasília.

SEXTA, 22 DE ABRIL
SUFJAN STEVENS — OUTDOOR STAGE — 8:45-9:35 PM
THE KILLS — OUTDOOR STAGE — 6:15-7:05 PM
LORD HURON — OUTDOOR STAGE — 5:00-5:50 PM
ROBERT DELONG — OUTDOOR STAGE — 3:45-4:25 PM

SÁBADO, 23 DE ABRIL
GUNS N’ ROSES – COACHELLA STAGE — Horário à confirmar
ICE CUBE – COACHELLA STAGE — 9:05-10:00 PM
CHVRCHES — COACHELLA STAGE — 6:10-7:00 PM
RUN THE JEWELS — COACHELLA STAGE — 4:55-5:45 PM
GARY CLARK JR. — COACHELLA STAGE – 3:35-4:25 PM
MOON TAXI — COACHELLA STAGE — 2:30-3:10 PM

DOMINGO, 24 DE ABRIL
MATT & KIM — COACHELLA STAGE — 4:55-5:45 PM
NATHANIEL RATELIFF — COACHELLA STAGE — 2:30-3:15 PM

>>

Vai recomeçar a bagunça na Califórnia. E a Popload veio conferir o que o Coachella tem

>>

vinheta_poploadcoachella2016

2manydjs seguido de Underworld. E ainda com um LCD Soundsystem embalando sua volta aos palcos no meio. Não existe lugar melhor do que a Califórnia para se estar neste fim de semana para quem respira música boa (e outras coisas mais).

O agito no meio do deserto da Califórnia, em Indio, é tão grande que a Popload resolveu pegar a mochila e acompanhar de perto. Neste fim de semana, rola o repeteco dos shows da semana passada de um dos maiores festivais de música do mundo.

Confesso que ainda estou meio confuso sobre quais bandas assistir. Com certeza verei um punhado de shows de bons e perderei o triplo. Mas a vida é assim, feita de escolhas e lamentos.

coachwhathappens

Fiquei sabendo agora há pouco que uma das grandes novidades do festival deste ano é a transmissão de alguns shows deste segundo fim de semana. Tradicionalmente, o Coachella transmite um bom volume de apresentações em seus três canais na primeira semana do evento, você deve ter visto aqui na Popload.

Neste finde, o festival inventou em parceria com o YouTube uma transmissão ao vivo de alguns shows com câmeras em 360º. Tem The Kills, Chvrches, Sufjan Stevens, Run the Jewels, Matt & Kim e, atenção, Guns N’ Roses. Não completo, apenas algumas canções. Mas já é algo.

coachella15poster

** A Popload viaja pela Califórnia em shows a convite do VisitCalifornia.

>>

O Coachella em fotos, da Lorde dançando ao Kanye West batendo palminha

>>

popload_coachella2016

Califórnia em transe com o Coachella chamando para si todas as atenções. Depois do pacotão com vídeos, a Popload entrega aqui algumas fotos dos shows que fizeram a alegria da galera no último final de semana em Indio, Califórnia. Calma que o post com os “populares” incluindo as “Coachella Babes” está firme na nossa programação. Stay tuned!

* Os registros são da agência Getty Images, especial para o Coachella.

01majorlazer

Parece festa de fim de ano da Globo. Mas é apenas o agito do Major Lazer com a MO e o DJ Snake mesmo

03rihanna

Rihanna surgiu toda gata no show do Calvin Harris…

 

THERMAL, CA - APRIL 16: Singer Rihanna and actor Leonardo DiCaprio attend the Levi's Brand And RE/DONE Levi's Present NEON CARNIVAL With Tequila Don Julio on April 16, 2016 in Thermal, California. (Photo by Jesse Grant/Getty Images for Best Events)

Mas voou mesmo para os braços de Leo DiCaprio, que parece estar ganhando algo mais importante que o Oscar

 

INDIO, CA - APRIL 17: Sia (L) and dancer perform onstage during day 3 of the 2016 Coachella Valley Music And Arts Festival Weekend 1 at the Empire Polo Club on April 17, 2016 in Indio, California. (Photo by Kevin Winter/Getty Images for Coachella)

Tudo normal no show da normal SIA

05halsey

É só impressão ou a Halsey está se tornando aos poucos uma nova diva indie-pop?

07icecube_snoop

Snoop Dogg mostrando quem é que manda na p**** toda, em show do Ice Cube

08_1975

O 1975 pediu para ser amado

09lorde

E a Lorde dançou como se não houvesse amanhã

10rancid

Quem quer curtir um rock pesado?

11_skrillex

Skrillex com seu agito de sempre, até longe das pick-ups

12_janelle_grimes

Encontro de divas: a classy Janelle Monaé e a loqui Grimes

13_katyperry

Katy Perry não se apresentou no Coachella, mas mostrou seu corpão violão (!)

14_aluna_disclosure

Aluna Francis toda estilosa dá um brilho a mais ao show do Disclosure

15_miikesnow

Olha só o Miike Snow versão sedução no meio do deserto

16_barnett

Courtney Love Barnett arrasando e literalmente se jogando no Coachella

17_chvrches

O som balada do Chvrches cai bem até sob o sol escaldante

18_mattkim

A dupla Matt & Kim está acostumada com os grandes festivais, do Popload Gig ao Coachella

19_rtj

Viiiige. A dupla treta Run The Jewels, mostrando que o hip hop sobrevive

06guns

Tudo bem que tem um Guns N’ Roses no meio, mas não bate uma felicidade instantânea em ver Slash e Angus Young dividindo um mesmo palco?

20_kanye

Participação de Kanye West no show do Jack Ü: 0 versos, 27 palminhas

21_lcd

O cabuloso LCD Soundsystem, personificado em seu gênio James Murphy, está de volta

22_kills

A pose, marra, elegância, charme, beleza e formosura da gata Allison Mosshart, do Kills

23_savages

Jehnny Beth hipnotizando sua legião de fãs da ordem Savages

24_devhynes

Too cool para uma simples foto. O grande Dev Hynes, aka Blood Orange, também marcou presença no Coachella

25_foals

Yannis do Foals se jogando na galera, literalmente

26_lastsp

Mr. Alex Turner e seu terninho cor de paçoca para encerrar este post de fotos bonitas

>>

Pacotão Coachella: os melhores momentos do primeiro final de semana na Califórnia

>>

coachella_gnr

O deserto é logo ali. E é indie. Chegou ao fim a primeira etapa do insano Coachella, festival de música que se tornou ponto de encontro de visitantes do mundo todo, e que faz de Indio, Califórnia, a capital do mundo da cultura pop durante alguns dias. O evento é tão bombator que há alguns anos acontece em dois finais de semana, com a mesma programação de shows. A Popload vai acompanhar pessoalmente o agito no meio das palmeiras famosas do campo de polo local no próximo final de semana, mas vamos tentar passar a limpo o que de melhor aconteceu no incrível Coachella nas últimas 72 horas de muito calor e boa música.

Em meio às centenas de atrações, os olhos aguçados do público do Coachella estavam voltados especialmente para dois shows de reunião, que por coincidência eram as atrações principais de sexta e sábado.

coachella_lcd

Na sexta, o seminal LCD Soundsystem voltou do mundo dos mortos para fazer aquele show matador com o qual acostumamos na década passada. Cinco anos após anunciar o próprio fim, a verdade é que a banda de James Murphy nunca deixou de existir. Em meio aos seus petardos musicais, que se tornaram hinos de uma geração, o LCD Soundsystem dedicou uma parte do seu show para homenagear o inesquecível David Bowie, com quem Murphy esteve musicalmente envolvido nos últimos anos contribuindo em produções dos dois últimos álbuns do músico inglês. No palco do Coachella, a banda de NY mandou uma cover da classuda “Heroes”. E ainda sobrou tempo para um pequeno tributo ao Guns N’ Roses, que tocaria no dia seguinte. James resolveu emendar sua “New York I Love You” com o hit chiclete “November Rain”.

E por falar em Guns N’ Roses… Parece existir de fato uma absurda dose de nostalgia no ar. Tudo bem que Axl Rose está uns quilinhos “mais velho”, e inclusive impossibilitado de fazer aquelas correrias e estripulias no palco, já que quebrou o pé recentemente e vem utilizando o trono do seu ex-desafeto Dave Grohl. Mas, dizem os fãs do GNR, a sonoridade da banda vinte anos depois continua no mínimo tão boa quanto antigamente. Até a voz de Axl tem recebido elogios. Talvez o fato da confirmação dele como novo vocalista do AC/DC diga alguma coisa. Ou talvez não diga tanta coisa assim. O show talvez valha pela experiência. Ao menos, o do sábado passado contou com uma passagem especial. O mítico Angus Young, guitarrista do próprio AC/DC, fez participação especialíssima e tocou nas canções “Whole Lotta Rosie” e “Riff Raff”, numa espécie de prévia do que vem por aí com o Axl cantando músicas da banda australiana. Completando o set, o GNR tirou do bolso canções famosas como “Paradise City”, “Welcome To The Jungle” e “Sweet Child O’ Mine”, além de evocar em forma de riffs e solos bandas como Pink Floyd, Wings, The Who e Misfits.

O incrível duo The Kills ganhou uma banda de reforço e fez um show super coeso e pesado. Em meio ao seu blues-punk que lhe é peculiar, destaque para a gata Alison Mosshart chacoalhando o cabelo como se não houvesse amanhã. A dupla aproveitou para lançar durante a transmissão ao vivo do Coachella seu novo single, “Heart Of A Dog”, em vídeo dirigido pela cineasta britânica Sophie Muller. No show, o duo mostrou canções do novo álbum que sai em junho, tipo a ótima “Doing It To Death”.

Quem também aproveitou o buzz em cima do festival para tocar uma canção inédita foi outro duo, este mais treta, Run the Jewels. El-P e Killer Mike mostraram a inédita “Scenes”, em show movimentado que contou com participações especiais do rapper Nas em “Made You Look”, do guitarrista Gary Clark Jr. Em “Angel Duster” e do DJ Shadow em “Nobody Speak”. Uma mistureba sonora de qualidade que o RTJ tem promovido como poucos no indie/pop atual. Cabe ressaltar que eles entraram no palco apresentados pelo pré-candidato à presidência dos Estados Unidos, Bernie Sanders (no telão).

Na onda das colaborações, o sempre incrível Disclosure recebeu nada menos que Lorde, Sam Smith e AlunaGeorge em sua apresentação super concorrida na noite de sábado. A cantora fenômeno neozelandesa reeditou ao vivo a canção “Magnets”. Sam fez dobradinha em “Omen” e “Latch”. Já o duo AlunaGeorge agitou com a faixa “White Noise”.

coachella_lordedisclosure

Outros que apareceram como “very special guests” foram Kanye West nos shows de A$AP Rocky e Jack Ü, o cantor Seal (sim) na apresentação do cantor norte-americano Gallant, e a estrela Rihanna no apagar das luzes no show do Calvin Harris.

* Mais do primeiro final de semana do Coachella, abaixo, em vídeos.




>>