Em Coachella:

Popnotas – As Dobradinhas cariocas, um r.i.p. Titus, Big Thief e o disco diferente, Wry para dançar e tchau, Coachella?

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– De onde os integrantes do quarteto americano Big Thief tiram tanta energia? Dois álbuns da banda em 2019, discos solos de três integrantes na sequência e um single do grupo ainda no ano passado. Tem espaço para mais? Em entrevista à “Guitar.com”, Buck Meek, guitarrista da banda, dá a dica que em breve teremos um novo disco do Big Thief, que já está pronto. E “diferente”, segundo ele. Hummm.

– Integrante da primeira formação da banda Titus Andronicus, de New Jersey, o tecladista Matt “Money” Miller morreu aos 34 anos. O anúncio foi feito pela própria banda em texto no Twitter assinado por Patrick Stickles, único presente em todas as formações e primo de Matt. Nas palavras dele, Matt era seu amigo mais querido. Ainda que tenha deixado a banda antes de ela começar a gravar, ele participou de alguns álbuns, sendo até o vocalista principal em um som do EP “Home Alone on Halloween”, de 2018.

– Sem Coachella? Sim, provavelmente por mais um ano o festival não deve rolar. Cancelado em 2020, a expectativa de uma edição 2021 é rejeitada por fontes entrevistadas pela revista “Variety”, que estipulam que o evento só tenha chances de voltar a ser realizado no ano que vem. A princípio, o Coachella está marcado para acontecer em outubro. Mas deve ir para abril de 2022, seu mês original de realização. Entre as alegações reveladas na revista, a principal razão é que o tamanho do Coachella pede por muito dinheiro e prazo. E, embora a situação da vacinação em massa nos EUA tenha acelerado bastante, ainda as incertezas em relação à pandemia e o tamanho colossal do festival tornam muito difícil sua realização.

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CENA – Uma boa notícia para animar ainda mais a ótima CENA do Rio de Janeiro e um pequeno grande festival para se ter perto mesmo à distância é o carioca Dobradinhas, que volta depois de cinco anos de hiato e acontece neste sábado, a partir das 15h, no canal de Youtube do evento. Seguindo sua vocação em promover encontros musicais, fazendo jus ao nome do festival que em edições passadas já deu suas dobras a nomes como Ava Rocha, Letrux, Cícero e Mahmundi, entre outros.
Os encontros de amanhã, com show de 40 minutos num quintal no Santo Cristo, são:
Ana Frango Elétrico e Luís Capucho + Joana Queiroz
Dora Morelenbaum e Luiza Brina + Aline Gonçalves
Juliana Linhares e Maíra Freitas + Diogo Gomes
Clara Anastácia e Joca + Rodrigo Maré

– CENA 2 – O veterano grupo sorocabano Wry (foto na home, de Ana Érica), agora na fase bilíngue, lançou hoje o single “Man in the Mirror”, faixa do bom álbum “Noites Infinitas”, lançado no ano passado. A música chega a este single de duas formas: “normal” remasterizada e, aqui é o brilho, num remix ultradance tipo Manchester anos 90, de autoria do DJ Electropaulo, lá de Londres. Uma terceira faixa comparece ao single, essa da música “In the Hell of My Head”, hit de show do Wry, feito por Evandro Flanicx, de São Paulo. Dança aí.

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#TBT POPLOAD – Em seção nova, contamos sobre o marcante show do Daft Punk no Coachella 2006

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* Senta que lá vem história. La vêm histórias, na real.

A Popload estreia agora a seção #TBT POPLOAD, uma maneira de recontar nossa trajetória desde 2000 como coluneta “Download” na “Folha de S.Paulo”, virando colunona “Popload” na Ilustrada e uma parte da seção Pensata na extinta Folha Online, saindo do jornal para os portais, primeiro IG e depois UOL, ficando independente, crescendo nos shows, nos festivais e sendo cooptado para fazer parte da Time for Fun, a maior empresa de shows da América Latina.

21 anos de jornalismo musical diário, um sem-número de festivais visitados no planeta, mais de 60 shows da série Popload Gig, 7 edições do Popload Festival, a gente tem algumas coisas para contar. E vamos procurar lembrá-las conectando com fatos do nosso presente, quando possível.

Por exemplo, esta estreia do #TBT Popload tem a ver com o morte do Daft Punk, obviamente.

A gente estreia nosso #TBT indo até o Coachella de 2006, quando o festival “era só mato” e areia e coqueiros e esculturas lindas e… E principalmente as selfies não competiam com as bandas do line-up. Era ainda um final de semana só, em dois dias apenas, ainda por cima. No sábado e no domingo. Nem tinha a sexta para “sextar”. Sdd, Coachella true.

2006 foi o ano em que o Daft Punk viria ao Brasil, meses depois o Coachella, para se apresentar no Tim Festival duas vezes, no Rio e enfiado no antigo Tom Brasil/HSBC Hall. Com um Yeah Yeah Yeahs e um TV on the Radio no pacote. Não vou nem mencionar o ótimo Thievery Corporation. Ops.

O Coachella 2006 foi ousado no seguinte ponto. Botaram dois nomes enooooormes do line-up não para tocarem no palco principal para 40 mil pessoas, chutando. Mas, sim, na tenda dance, a maravilhosa Sahara Tent, que cabia umas (chutando 2) 5 mil pessoas. Os fãs que lutem. Os nomes para essa “loucura”? Madonna e Daft Punk.

Fazia algum sentido essa ousadia coachellica. A Sahara Tent era um mundo à parte dentro do mundão do Coachella. Era o lugar para fãs de eletrônica com as melhores atrações de eletrônica do mundo. Quem ia lá para a tenda dance passava o dia todo nela, nem ligando para as atrações indies, do hip hop e do pop que dominavam os quatro, cinco outros palcos do festival californiano. E o Daft Punk era eminentemente dance. E a Madonna tinha lançado seu disco mais cluber, que pelo nome justificava a tenda eletrônica: “Confessions on a Dance Floor”.

E lá fui eu respirar o pouco ar que sobrava da tenda dance ver o Daft Punk (eu viria a Madonna também, no dia seguinte), entrando na tenda na carona da onda humana, saindo da tenda cuspido pela onda humana. Ouso dizer que tinha quase o mesmo número de gente fora da tenda que dentro. No domingo, na Madonna, com certeza tinha mais gente fora. Tanto que para os dois shows botaram telão para fora da tenda, para os muitos que não conseguiam chegar perto do palco.

Trago agora, para justificar este #TBT POPLOAD, quatro coisas: umas fotos desse show “especial” do Daft Punk na tenda do Coachella; um vídeo do show no festival californiano na íntegra, gravado por um fã bem localizado DENTRO da Sahara Tent; o setlist daquela performance; e o que saiu sobre o show na Popload naquele 2006 aprazível, quando a gente era feliz e sabia.

Repare no começo do show do Daft Punk no Coachella. Era da tour da pirâmide de led e eles entram em cena recebidos pelo tema do filme “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”, aquelas inesquecíveis peça de cinco notas, manja?

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“…Falando em sexy, o Daft Punk no Coachella foi mágico. Uma vez tinha ido a um show deles na França, em um festival, em que a dupla simplesmente não apareceu para tocar. Visualmente não apareceu. O som eletro-robótico estava lá, mas no palco só tinha duas picapes. Foi assim o show inteiro. Sonzão rolando, todo mundo sem tirar o olho das picapes vazias. Desta vez, no Coachella, quando as luzes se acenderam e as cortinas negras se abriram, apareceram dois robôs numa pirâmide imensa, depois de que as famosas cinco notas do tema de “Contatos Imediatos do Terceiro Grau”recebeu a dupla.
A música de largada foi “Robot Rock”. Talvez em homenagem ao caráter roqueiro do Coachella, o princípio escolhido foi o de intermitentes riffs de guitarra à lá heavy metal. Depois de muitos anos sem fazerem shows, lá estava a dupla francesa Daft Punk, em carne e osso metálicos.
Estava tudo certo. Noite linda no meio do deserto e dois caras tipo robôs-ETs numa pirâmide colorida com telão moderníssimo.
Este é meu terceiro Coachella seguido e poucas vezes no festival eu vi uma comoção geral como em “Technologic” e principalmente como em “One More Time”, quando essas músicas foram tocadas.
Quase não estava dando para respirar dentro da tenda. Dali até o final arrebatador, com a extensa “Human After All”, eles, humanos enfim, bateram palmas para o público.
E todo mundo, com uma felicidade incrível na cara, saiu da tenda meio rápido para respirar o oxigênio que dá vida ao planeta. Sim, estávamos na Terra, apesar do Daft Punk ali, e after all.”

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Daft Punk Setlist Coachella Festival 2006, Alive 2006

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“TV Radiohead” mostra show do Coachella sem “Creep”. No caso, um “e daí?” aqui cabe

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* O canal do Youtube da banda inglesa Radiohead mostra hoje, 18h no nosso horário, logo depois da nossa Popload Live (cóf), um concerto que Thom Yorke e amigos lindos fizeram no Coachella Festival em 2012. Já vamos avisando, não tem “Creep” no setlist hahaha. Mas, como diriam governantes em momentos péssimos para se dizer coisas do tipo, e daí?

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O setlist está logo abaixo. Não tem “Creep” mas tem 21 músicas e termina com “Paranoid Android” chacoalhando o deserto e chamando todos os ETs da região “mística” californiana. Em 2012, o Radiohead foi o headliner do segundo dia de ambos os finais de semana do festival. A performance a ser mostrada hoje é do primeiro deles.

O show, da turnê do álbum “King of the Limbs”, lançado no ano anterior, está dentro da série que o Radiohead se propõe a fazer, em streaming ao vivo, nesta época de confinamento.

Você pode ver o concerto por este post mesmo, se quiser. É só voltar depois, às 6 da tarde.

Radiohead Setlist Coachella Festival 2012 2012, The King of Limbs

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Já viu? Os melhores momentos do incrível documentário do Coachella

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* Neste último final de semana, naquele mundo que conhecíamos e não existe mais, era para ter acontecido a “segunda perna” da edição 2020 do grandioso Coachella Festival, no deserto da Califórnia, um dos festivais mais lindos e bem-organizados do planeta, embora nos últimos anos tenha virado uma “outra coisa” em relação ao que era nos anos 2000, musicalmente e “frequentadoramente” falando.

Por 15 dias, até ontem, domingo, até hoje, no pós, o mundo musical estaria vendo, ouvindo, falando, espalhando memes, fotos, comentários, impressões “definitivas” sobre o que rolou no maior encontro de música, arte e pessoas dos EUA. Mas quá…

Não teve nada disso, mas tem isto: há exatos dez dias tem facinho no Youtube o maravilhoso “Coachella: 20 Years in the Desert”, documentário da série Youtube Originals. O filme, quase duas horas de duração, estreou exatamente na sexta da semana passada, o dia em que o Coachella 2020 iria aontecer em seu primeiro final de semana, com a melhor escalação dos últimos anos. Desde seu lançamento de lançamento vi o documentário três vezes. And counting.

A cena de Los Angeles pré-Coachella, desde os anos 80. Como o festival era no começo, como ficou até ser cancelado neste mundo cancelado. Toda sua construção e ideias malucas, a intenção original de sair de Los Angeles (o festival era para acontecer em Palm Springs) e levar algo além de rave eletrônica para o meio do deserto. A feliz cooperação do novo rock ajudando o festival a se consolidar (e se ajudando). O desastroso Woodstock 99 atrapalhando e transformando a concepção de novos festivais uma péssima ideia. Todas as voltas de bandas clássicas incentivadas pelo Coachella até seus planos de inovação na linha show-de-artista-morto-em-holografia e de repetir o line-up em dois finais de semana seguidos. O mundo pré-Coachella para sua produtora em particular, a por pouco falida (duas vezes) e hoje gigante Goldenvoice (que até 1999 promovia eventos punks e de hip hop nas quebradas de Los Angeles e num país de quase nenhum festival). E, claro, cenas das lendárias performances feitas em seus muitos palcos e tendas.

A Popload listou alguns dos principais momentos do documentário, que, se num primeiro momento conta a história particular do Coachella Festival, revela em sua totalidade a história da música nos últimos 20 anos. A gente, que frequentou muito o Coachella, se permite ir além do documentário em alguns momentos. Assim:

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* Um dos fundadores do Coachella e donos da Goldenvoice, o produtor Gary Tovar, achava que produzir shows de bandas como Nirvana, Chili Peppers e Jane’s Addiction não dava dinheiro, então aumentou seu desempenho como traficante de maconha na Califórnia, o que o levou à cadeia. Goldenvoice, o nome da empresa, representava a qualidade da “high quality” maconha traficada por Tovar, que dava a sensação ao usuário de falar com os anjos. Os federais estavam de olho no produtor tinha quatro anos, até o prenderem em 1991. Foi o histórico ano em que “the punk broke” na música, do Nirvana, do grunge, do “rock alternativo” americano das college radios, do Lollapalooza itinerante e da MTV, que bombava master. Foi nesse cenário que a Goldenvoice, pensando em criar um festival para ir além da produção de shows em casas, “achou” o campo de pólo de Índio. Neste ano, experimentaram fazer um show do Pearl Jam no meio do deserto e juntaram lá 25 mil pessoas, no conhecido “show dos sapatos”. Essa história toda é bem contada no documentário. O Coachella mesmo, como festival, teria sua primeira realização muitos anos depois, em 1999.

* No filme, quando o foco é o primeiro Coachella, de 1999, aparece o Morrissey cantando bom trecho da fantástica “November Spawned a Monster”, vestindo uma camiseta do time inglês West Ham e com a galera subindo ao palco emocionada para abraçá-lo. Quando o Morrissey era um ser maravilhoso por completo.

* O Coachella 99, que teve Rage Against the Machine, Beck, Tool e Chemical Brothers como atrações principais, foi realizado para 35 mil pessoas “só” com cinco palcos e em dois finais de semana. E não teria a edição do ano seguinte, porque a Goldenvoice perdeu tipo 1 milhão de dólares na empreitada inicial e a empresa quebrou. Ou quase. E pela segunda vez (a primeira foi quando o trafica-fundador foi preso). Não quebrou meeesmo porque o Rage e o Beck deram um bom desconto em seus cachês, na hora em que o Coachella apresentou as contas e disse que não ia dar para pagar o combinado. E também porque uns produtores do Lollapalooza, amigos, apareceram para ajudar financeiramente a Goldenvoice, na linha “toma aqui e devolva quando puder”.

* O surgimento de um parceiro milagroso e inesperado fez o Coachella voltar a ser realizado em 2001, apesar do caminhão de dinheiro perdido na primeira edição. E um dos headliners foi exatamente o brother Perry Farrell e seu Jane’s Addiction, reformado exclusivamente para o Coachella daquele ano (último show oficial mesmo tinha sido em 1991, apesar de algumas tentativas de reunião que não levaram a banda à frente). “Pobre”, o festival teve apenas um dia de realização e deu prejuízo de novo, mas desta vez numa quantia “controlável”, segundo a Goldenvoice. Logicamente o número de público foi menor que o do primeiro festival: 30 mil pessoas. Mas fazer o festival em 2001 fez a roda do Coachella realmente começar a girar. E a pequena revolução do novo rock, Strokes e a cena de Nova York + White Stripes, quem diria, ia dar uma grande contribuição à sustentação do Coachella.

* Imagens maravilhosas de shows antigos: Bjork cantando grávida ao vento em 2002; e os maravilhosos The Rapture (na tenda Mojave) e White Stripes (no palco principal) em 2003 são de fazer chorar de nostalgia. E eis que chega 2004, o primeiro ano em que eu fui ao festival, e o Coachella passa a dar lucro. Também, com o line-up daquele ano…

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* A estupenda volta dos Pixies (acima), Radiohead e Kraftwerk são as estrelas do primeiro dia do Coachella 2004, o sábado. Com The Cure encabeçando o domingo, muita gente saiu de Los Angeles rumo ao deserto para ver esta edição. Tem imagens lindas do Radiohead mas os Pixies ganham um “capítulo” lindo no documentário.

* A brincadeira da “banda que volta” pegou, e o Coachella fez o lendário grupo pós-punk inglês Bauhaus reformar e ser um dos grandes nomes da edição 2005. O doc traz a espetacular cena de Peter Murphy entrando como um morcego no palco, pendurado de cabeça para baixo por um cabo de aço, cantando a mítica “Bela Lugosi’s Dead”. É impagável a banda contando que a ideia original era soltar centenas de morcegos no começo do show. Mas que, ainda bem, optaram pelo cabo. Mas aí tinha um outro problema: uma pessoa, eles disseram, só aguenta 15 minutos de cabeça para baixo antes de desmaiar. E a música era longa. Coldplay era o headliner deste sábado. Nine Inch Nails liderava o domingo.

* Trechos de shows lindos do LCD Soundsystem, da saudosa Amy Winehouse, Rage Against the Machine – A volta (2007), MGMT (2014), MIA crescendo no festival (cada um de seus três shows do Coachella foi em palcos diferentes), Kendrick Lamar mais recentemente.

* A história de botar a Madonna no Coachella indie é muito boa e está no documentário. E ainda fazê-la tocar/cantar/dançar na tenda dance (na real eletrônica) parecia muita loucura. Mas o Coachella foi lá e fez, em 2006. Massive Attack era o headliner daquele dia. Depeche Mode estrelava o outro. O Coachella virava um festival gigantesca e passava a gerar dezenas de festivais pelos EUA, que até então era pouco ou nada representativo nessa categoria “inglesa” de evento.
O que não tem no documentário, mas a gente conta: enquanto Madonna provocava loucuras na tenda dance, no mesmíssimo horário o brasileiro Seu Jorge se apresentava em um dos outros palcos do festival. E foi estimado que 30 mil pessoas ficaram lotando dentro e as imediações da tenda da Madonna, cuja capacidade real era de 12 mil pessoas. Imagina o fervo.

* Agora megafestival, o Coachella 2007, o do Rage, show que eu quase morri (conto outra hora), foi para três dias de realização, acrescentando a sexta-feira. Exatamente essa sexta incluída, teve a volta do Jesus & Mary Chain, Interpol e o primeiro grande show no deserto da Califórnia do Arctic Monkeys, tudo debaixo da headliner Bjork. Que dia para se estar vivo e no deserto. O sábado marcou tambem a ascensão dos canadenses Arcade Fire rumo ao status de headliner (já tinham feito a espetacular estreia em 2005 e seriam atração principal em 2011, no famoso show das bolas). O Coachella foi para “outros lugares” em 2007, botando o DJ Tiesto no palco principal.

* O documentário do festival dedica um capítulo inteiro para a colossal tenda eletrônica, a Sahara, e como o mito do DJ, aliado à popularização das raves na Califórnia e a EDM tomando conta de tudo, caminhou junto com o evento. No meio dessa construção tem uma apresentação lendária do duo francês Daft Punk em 2006 (pulei aí em cima de propósito). Toda a cena eletrônica, os indies e até o pessoal do hip hop falam dessa performance da dupla de robôs, que antes de entrar no palco botou o tema do “Contatos Imediatos de Terceiro Grau” para ecoar por alguns minutos e a expectativa da aparição deles no palco ficar insuportável. Um show do outro mundo. O cenário da apresentação era o da pirâmide, que viria para o Brasil no Tim Festival. O famosão Steve Aoki disse que Daft Punk no Coachella 2006 mudou sua vida para sempre.

* Obviamente tem o capítulo do Coachella e o hip hop. Desde que o Invisibl Skratch Piklz, do incrível A-Trak, tocou na primeira edição numa tendinha, no Coachella 1999. Entre outras coisas, tem a primeira vez do Kanye West no festival, em 2006, com o rapper perdendo 20 minutos de seu show porque estava “no trânsito”. Sua banda já estava fazendo um som no palco, aleatório. Kanye chegou já cantando, esbaforido, e quis continuar a apresentação além de seu tempo, mas não deixaram. Ele voltaria em 2011 como atração principal e com um show gigantesco.

* 2011 aliás teve o “encontro” de Kanye West com Strokes como headliner do domingo. Este Coachella em especial ficou sold out em menos de uma semana. Além do Arcade Fire (sábado), o grupo Kings of Leon foi o outro headliner (sexta). A bombação era tanta que em 2012 fizeram a loucura de botar o mesmo line-up de um fim de semana para repetir no seguinte. E deu certo.

* Em 2012, Dr. Dre e Snoop Dogg se juntaram para fazer um show “all-stars” de hip hop, recebendo o falecido Tupac Shakur em holograma. Seria histórico? Seria de gosto duvidoso? O Coachella foi lá e fez. O Obama citou, virou desenho do South Park. Bingo! Fora que a parada foi sensacional e estranha na mesma medida.

* Chegamos à terceira evolução do Coachella, para a música de hoje, Travis Scott, Tyler the Creator, Billie Eilish, os shows transmitidos no Youtube e tal. A industrialização do Coachella como espaço para selfies de influencers com viagem bancada por marcas. A invasão chinesa.

* Vai tudo até os shows da Beyoncé em 2018, a primeira mulher negra a ser headliner do festival, que talvez feche uma era rica para o Coachella falido de 1999. E comece outra, porque em 2019 o festival deu grande destaque para as Black Pink, grupo de meninas do k-pop. Fodeu?

* Se você ainda não viu esse documentário do Coachella no Youtube, pare o que está fazendo e vá ver.

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20 anos no deserto: Coachella terá sua história contada em filme que será lançado no início de abril

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Um dos maiores festivais do mundo, certamente o de maior ascensão neste século, o Coachella virou filme e terá sua estreia no dia 10 de abril, no YouTube.

O documentário vai abordar os 20 anos do festival, “20 Years In The Desert” para ser mais específico, e vai passear por imagens registradas desde a primeira edição.

Na prévia, registros que vão de Paul McCartney a Billie Eilish, passando por Radiohead e o histórico holograma do 2Pac. Tem ainda o Moby, que participou da primeira edição do festival, em 1999.

Melhor, só vendo a prévia de pouco mais de 3 minutos.

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