Em coldplay:

POPNOTAS – A nova da Lizzo. O anúncio bizarrinho do novo Kendrick Lamar. Enfim, o show da Rosalía em São Paulo (e tem vídeo novo). Coldplay anuncia mais duas apresentações, com a H.E.R. junto

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– O super-rapper americano Kendrick Lamar anunciou novo disco, que vai se chamar, atenção, “Mr. Morale & The Big Steppers” e sai em menos de um mês, dia 13 de maio. Kendrick, não confundir com o cracaço Endrick, do Palmeiras, fez o aviso de seu novo álbum tuitando um link que levava a seu site, o Oklama. O pronunciamento sobre o novo disco estava lá. “Mr. Morale & The Big Steppers” vai ser o primeiro disco de Lamar depois do extrafamosíssimo “Damn.”, de 2017.

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– O que a gente sabia desde a semana passada saiu em comunicado oficial hoje. A explosiva cantora espanhola Rosalía vai dar uma passadinha por São Paulo em agosto com sua “Motomami World Tour”. A data exata em que ela se apresenta no Tokio Marine Hall, antiga Tom Brasil, é dia 22/8. “Motomami”, o álbum novo cheio de singles bons, o terceiro da artista catalã, saiu há um mês. Os ingressos para esta apresentação única de Rosalía neste ano começam a ser vendidos a partir desta sexta-feira, 22 de abril, às 10h, aqui e na bilheteria do Tokio Marine Hall. Hoje também Rosalía soltou um novo e sempre incrível vídeo, desta vez para a faixa “Motomami”, que dá título ao álbum. Tem apenas 1min, a música e o vídeo, e, beleza, dá conta do recado. Veja isso! Se tem moto desta vez? Quase…

– O grupo pop colorido (!) britânico Coldplay anunciou hoje mais dois shows extras da turnê “Music of the Spheres”, que aterrissa no Brasil em outubro. Uma segunda data no Rio de Janeiro e uma terceira em São Paulo foram confirmadas. Agora o Coldplay toca no dia 11 e 12/10 no estádio Nilton Santos, o Engenhão, e 15, 16 e 18/10 no Allianz Parque, em São Paulo. Tudo isso, e essa é a melhor notícia de todas, tendo a ótima cantora H.E.R. como atração de abertura. H.E.R. é o nome artístico da californiana com traços de sangue filipino Gabriella Wilson, 24 anos, até Oscar já ganhou.

– No meio do fuzuê do Coachella, a cantora e flautista bombator Lizzo (foto na home), rapper também, lançou sua nova música, “About Damn Time”, o single que puxa seu novo álbum, “Special”, a ser lançado no dia 15 de julho. “About Damn Time” saiu com um vídeo divertido, com duas Lizzo aparecendo, uma estressada e outra sexy. A música até parece que tem o Nile Rodgers na guitarra, de tão disco linha Chic que é. “Special”, o disco, é o quarto de Lizzo e vem para suceder o explosivo “Cuz I Love You”, lançado naquele outro mundo, 2019.

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POPNOTAS – Coldplay anuncia hoje os outros shows da turnê por aqui. Dave Grohl encerra a Hanukkah Sessions com Clash e Kiss. Phoebe Bridgers toca uma do Tom Waits. E a ganhadora do livro brasileiro do Mark Lanegan

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– O enorme grupo Coldplay deve anunciar hoje outras datas de shows na América do Sul em 2022, ancorada em sua participação no Rock in Rio, no dia 10 de setembro. Pelo menos uma das datas da turnê “Music of the Spheres” está prevista para acontecer no Allianz Parque, laureada arena de São Paulo. Vão ter outros no Brasil. A colorida banda de Chris Martin deve botar para circular junto, também, a cantora americana-nascida-cubana Camila Cabello, como fez com a britânica Dua Lipa, da última vez, em 2017. Peru, Colômbia, Chile e Argentina estarão neste rolê. A gente atualiza esta nota conforme as notícias oficiais chegarem.

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– O chapa Dave Grohl encerrou neste final de semana, com músicas de Clash e Kiss, as duas últimas performances da Hanukkah Sessions, o projeto anual que ele e o produtor amigo Greg Kurstin fazem para prestar homenagens musicais à famosa festa judia. As noites 7 e 8 foram de, respectivamente, “Train in Vain”, clássico da banda punk inglesa, e “Rock and Roll All Nite”, outro hit universal dos cara-pintada mais famosos do rock americano. Nesta última session, em que Kurstin faz todas as guitarras no sintetizador, sempre com Grohl na bateria lembrando seus tempos nirvânicos, o vídeo traz os dois dando rolezinho de carro em Los Angeles, com as pinturas do Kiss na cara.

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– A loirinha californiana Phoebe Bridgers continou sua boa mania de fazer covers legais, desta vez lançando oficialmente, da sexta-feira, “Day After Tomorrow”, do grande cantor trovão, compositor e ator americano Tom Waits. A música, de 2004, é um hino antiguerra de Waits, sobre um soldado voltando para casa depois de uma batalha. No sábado Bridgers, que veremos de pertinho em março no Lollapalooza Brasil, participou da série de TV “Austin City Limits” cantando “I Know the End”, não por acaso a última faixa de seu segundo álbum, o belo “Punisher”, lançado no ano passado. Dois momentos tranquilinhos da fofa Phoebe Bridgers.

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Cristina Sanfelici (cmsanfelice@gmail.com), que inclusive aproveitou o email para nos mandar um Feliz Natal, foi a vencedora do sorteio de um exemplar de “Sing Backwards and Weep (Memórias)”, impressionante livro do roqueiro Mark Lanegan. Um botton e um pôster estão no pacote. A obra acaba de sair em português pela editora Terreno Estranho.

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Coldplay vai à BBC tocar seu passado bonito, a nova com o BTS e ainda fez cover de fenômeno do TikTok

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* A onipresente banda over inglesa Coldplay mesmo entrega suas diferenças, entre as belas canções antigas que a transformaram em superbanda e os tiros pop que dá hoje em dia para manter-se relevante, ainda que o resultado seja esquecível.

O grupo de Chris Martin foi à Radio One, da BBC, participar do famoso programa “Live Lounge”, em uma edição especial e com cenário caprichado, digno de seu tamanho para tal requisito.

O Coldplay, que recentemente lançou agora em outubro seu nono disco, “Music of the Spheres”, numa pegada “pop universal”, fez performance ao vivo de quatro músicas.

A primeira foi “My Universe”, canção do disco que a banda inglesa fez com o fenômeno coreano BTS. Depois Chris Martin foi ao piano para tocarem a velha linda “The Scientist”, hit master do começo dos anos 2000. Voltaram ao chato disco novo para “Human Heart”. E aí finalizaram com uma cover de “Just for Me”, da cantora de 20 anos inglesa também PinkPantheress, nome-arroba da novíssima geração, que lançou suas músicas no TikTok até chamar atenção de gravadora para botá-la nos caminhos “tradicionais” da música.

Tirando “Human Heart”, a gente traz todos os vídeos aqui embaixo. Incluindo o áudio inteiro da participação do Coldplay no “Live Lounge” da Radio One, o que inclui entrevista.

Enjoy!

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Ruim, mas fofo. Coldplay faz cover de Spice Girls e Pearl Jam em dois shows rápidos nos EUA

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* Em duas apresentações ao vivo especiais nos EUA neste final de semana, o supergrupo Coldplay teve dois momentos ousados, digamos. O primeiro, sexta à noite, mostrando em um show em Seattle uma cover de Pearl Jam, para a música “Nottingman”, que pertence ao disco “Vitology”, de 1994, lá da era grunge.

Ficou ruim, hahaha, mas valeu a homenagem. Chris Martin ainda pediu para não postarem no Youtube, dizendo que uma cover assim talvez não fosse uma boa idéia, haha. “Isto não é Adele cantando ‘Make You Feel My Love'”, disse Chris Martin, na hora em que empunhou seu violão para um tributo acústico da banda de Eddie Vedder. “Isto é um homem de 44 anos lembrando o quanto ficou apaixonado por Pearl Jam em 1991.”

No dia seguinte, no sábado, agora em Los Angeles, mais precisamente no Hollywood Bowl, o Coldplay foi além. Em uma miniapresentação no evento beneficente para várias causas We Can Survive, o Coldplay tocou uma música das Spice Girls, com Melanie C presente no palco ainda por cima. Foi “2 Become 1”.

Chris Martin, desta vez, justificou que estava em Los Angeles, a terra em que os sonhos podem se tornar realidade. E que ele tinha um sonho de tocar uma música das Spice Girls ao vivo. Com uma spice girl junto.

“Esperamos 24 anos por isso”, disse Martin. Daí pediu silêncio para a plateia, para que todos fizessem um pedido para que uma spice girl aparecesse no palco, como num encanto. Aí a “esportiva” Mel C surgiu “como uma magia” e fez um dueto com Martin.

O Coldplay aproveitou esses dos shows especiais para mostrar as músicas do novo disco, “Music of the Spheres”, o quinto álbum da banda, lançado faz uns 10 dias.

Turnê enorme mesmo o Coldplay faz no ano que vem, a partir de março e começando na Costa Rica (!).

Mais para o final do ano, mais precisamente em 10 de setembro, a banda se apresenta no Rock in Rio, com uma provavel esticada para um show solo em São Paulo.

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SEMILOAD – Pergunta sincera. O que aconteceu com o Coldplay, hein?

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* Toda vez que o nome Coldplay surge à baila em rodas indies como esta aqui, o seguinte comentário vem à baila logo depois de uma torcida de nariz: “Mas os dois primeiros discos eram tão bons. Por que a banda virou isso aí?”

O “isso aí” vai ser explicado por Dora Guerra, a colunista híbrida da Popload com a newsletter Semibreve, um dos textos mais legais do jornalismo musical brasileiro. Dora vai fazer a ponte do “isso aí”, que é o Coldplay-vibe-Maroon 5 de agora, com “aquilo lá”, que é o Coldplay bom da fase indie.

E dizer se a banda de Chris Martin tem salvação. Mas daí vem outro problema. Ela conta.

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Me peguei ouvindo o “Parachutes”, do Coldplay, novamente – um álbum que divide opiniões, mas que, particularmente, sempre me atraiu. É delicado, agridoce, carregado pela voz macia e sentimental de Chris Martin. Tem alguma melancolia – inspirada por, mas não tão grande quanto, nomes como Radiohead e Jeff Buckley – britânica e contemplativa, otimista com tons de pessimismo do novo milênio. Naquele momento, o Coldplay parecia uma banda que se via com seriedade e prezava por música de alguma forma afetiva.

Tudo isso se aperfeiçoa no álbum seguinte, “A Rush of Blood to the Head”. Eu fico até triste em lembrá-los que estamos falando de uma banda que fez “In My Place”, “Clocks”, “The Scientist”; em 2002, poucas atos eram mais melancólicos que ouvir “The Scientist” na chuva. Era palatável o suficiente para ser trilha sonora de filme romântico, mas em contraponto com outro sucesso do ano – o Nickelback – era um som com mais personalidade e densidade, até.

Mesmo no que eu chamo aqui de “auge do Coldplay”, vale ressaltar que algumas coisas são inegáveis: primeiro, que sempre faltou uma certa “maldade” em seu trabalho, que nunca ousou demais ou saiu do molde de bons garotos (coisa que os artistas sempre foram; Chris Martin sequer bebia). Segundo – e isso não é demérito, necessariamente –, que sempre foi fácil localizar onde os artistas estavam mirando em cada composição.

Às vezes, até demais. Quando eu ouço uma das antigas e confundo a voz de Chris Martin com a do Bono Vox, sei que a coisa se misturou. Ainda assim, eram pecados perdoáveis: eu era nova demais para distinguir uma coisa da outra, pelo menos. E, para mim (que só agora, em pesquisa, descubro que o Coldplay sempre foi visto como “rock para vovós, pouco original e entediante” para inúmeros críticos musicais), sempre houve carga afetiva em muitas dessas canções.

Dá para ver claramente a linha do tempo do Coldplay e onde as coisas mudam. “Viva La Vida or Death and All Its Friends” é o começo do fim – ou o fim do começo. É mais denso, uma tentativa de ser experimental, com faixas monumentais (“42” me arrepia até hoje). “Viva La Vida” (a faixa) é incontestável, como vídeos com milhares de pessoas entoando o coro no Rock in Rio não me deixam mentir.

Mas talvez tenha sido aí – ao descobrir o gosto de uma música que faz as pessoas pularem em estádios – que o Coldplay tenha se perdido de vez.

Afinal, é no álbum seguinte que surge “Paradise”, mais uma tentativa (bem-sucedida, sim, mas a que custo?) de puxar um refrão vindo da plateia. Surgem os vídeos com cores absolutamente saturadas. Nasce o Coldplay anos 2010: com os dois pés em território pop.

Como eu disse, sempre faltou alguma maldade ao Coldplay; por isso, ao aterrissar em terreno pop, a banda foi caindo em um lugar otimista-genérico, perdendo os aspectos minimamente excêntricos que pegavam de suas influências. De repente, todas (todas!) as músicas da banda sorriem com força para você, quase te obrigando a sorrir de volta via chantagem emocional. O universo coldplayniano, que vinha tentando se aprofundar até então, começa a se tornar raso.

O outro problema em questão é justamente aquele que eu citei ali em cima: sempre dá para ver onde o Coldplay está mirando. Não existe enigma e, portanto, você consegue saber claramente se eles acertaram ou falharam em tentar ser aquela inspiração.

Aí, pronto: você vê o sucesso da EDM deixando suas pegadas em “A Sky Full of Stars”, o que não combina de forma alguma com os integrantes. Você vê, em “Higher Power”, a tentativa de ser música-dançante, pop polido, sem mensagem verdadeira. Na tentativa de abraçar o mundo e se redefinir enquanto grupo pop, o Coldplay perdeu muita coisa no caminho.

Afinal, o ano é 2021 e a banda está colaborando com Max Martin. E você ouve falar de uma parceria com BTS. Já sacou onde o Coldplay está mirando agora?

É isso que escancara o problema no trabalho da banda. Não há nada que denuncie mais a obsolescência que a tentativa incessante de ser sempre novo, sempre jovem, sempre relevante; por mais comercialmente bem-sucedido que possa ser o próximo álbum, o Coldplay vai se alinhando ao Maroon 5 como banda que não experimenta e só se preocupa em vender músicas bem farofas – aquelas que em nada mudam a vida de ninguém e, no minuto seguinte, você já esqueceu.

Em um momento da vida em que deveriam estar fazendo tudo menos encaixar em um molde (visto que já venderam o que tinham para vender), o Coldplay está intoxicado pela própria fórmula do sucesso. E, aí, caiu em um formato que só se altera para o pior, para o mais comercial, para a versão musical daquele meme do Steve Buscemi dizendo “How do you do, fellow kids?”.

Será que existe saída disso? Não sei. Mas eles não parecem querê-la, também.

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* Dora Guerra “atua” ainda no Twitter, como @goraduerra. Segue ela!

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