Em criolo:

Top 50 da CENA – A semana (ou 30 semanas) é de Rico Dalasam. Criolo chama Ogum no segundão. Jamelão dialoga em terceiro

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* Se a semana na gringa deixou difícil escolher um primeiro lugar, as coisas foram bem parecidas por aqui na confecção deste ranking nacional. Bom, como a gente não cansa de afirmar, isto aqui não é disputa: é “só” a nossa vitrine para exaltar este momento belíssimo da música brasileira. Tem rap, tem MPB, tem forró de vaquejada e tem metal também. OK?

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1 – Rico Dalasam – “30 Semanas” (Estreia)
Rico Dalasam começa a apresentar seu novo trabalho. “Fim das Tentativas” será o sucessor do espetacular “Dolores Dala Guardião do Alívio”. O primeiro single do novo álbum é uma canção sobre a superação de uma separação dolorida. Afinal, 30 semanas de chororô. Nas palavras de Rico, a música feita em 2018 retoma sua aproximação da canção popular. Nas nossas palavras, parece uma ponte muito interessante que Rico encontrou entre seu material mais recente e sua fase mais pop, ali em 2017, com “Balanga Raba”. Com um detalhe novo que é o refrão, que tem um punch que poderia ser de um pagode estourado em todas as rádios e rodas de samba. Passado apontando para o futuro. Seja na proposta da música, seja na temática da letra. Interessante. E chegou com um vídeo lindíssimo.

2 – Criolo – “Ogum Ogum” (com Mayra Andrade) (Estreia)
Em “Sobre Viver”, seu quinto disco de inéditas, Criolo faz não só um preciso diagnóstico da situação brasileira, mas também encontra a cura para o momento difícil: amor, educação e arte. Parece pouco e parece simples, mas Criolo confia que cada palavra dessas resolve problemas gigantescos. Primeiro que não é pouco. Essas três chaves são capazes de acabar com tanta desesperança, fome, violência e racismo. Simples não é. Porque o mundão está aí combatendo justamente o amor, a educação e arte. Em alguma medida, parece que a experiência pessoal de Criolo prova um pouco de sua tese. Sua música ao oferecer tudo isso foi ao mundo e seu mundo mudou um tanto. “Ogum Ogum” traz essa fé em uma saudação a Ogum que confia no povo brasileiro essa esperança, aqui contra a intolerância religiosa. É um passo que mudaria tudo. Criolo é profundo.     

3 – Thiago Jamelão – “Diálogo sobre Vivência” (Estreia)
Thiago Jamelão é um dos principais parceiros de Emicida em “Amarelo”, álbum que apresentou uma nova perspectiva musical na carreira do rapper. Um tanto dessa parceria de sucesso reaparece agora em algumas canções do primeiro EP solo de Thiago, que ainda dá espaço para que ele se apresente sozinho e com outras junções musicais. Esse bonito encontro da dupla ressoa melhor ainda nesse som que conta um pouco da trajetória de Thiago, que começou na igreja no Centro-Oeste do país, passa por Brasília em bandas de rock e chega até São Paulo, onde encontra com Emicida. Uma música que nasceu em um almoço de dia dos pais.

4 – João Gomes – “Me Adora” (Estreia)
“Tem música que fica marcada no coração”, anuncia João Gomes antes de entregar uma versão daquele que é o maior sucesso da carreira de Pitty, uma das muitas surpresas de seu novo álbum. “Digo ou Não Digo” é o trabalho que aproxima o rei da vaquejada de diversas outras vertentes estouradas da música brasileira, seja o trap, pop ou MPB. Tudo isso sem perder sua essência, que pode ser encontrada em detalhes muito sutis, como os constantes agradecimentos e falas que João faz ao longo do álbum, como se estivessem em um show. Construção, conceito, tudo muito cuidadoso. 

5 – Black Pantera – “Estandarte” (com Tuyo) (Estreia)
“Antes que os beats e as batidas cessem, dance!/ Antes que calem sua voz, questione, cante!/ Antes que o amor se acabe, beije, cuide, transe!”. É nessa ideia que chegam os mineiros do Black Pantera, uma das bandas de heavy metal mais responsas do Brasil hoje. Seu novo álbum, “Ascensão”, é uma pancada sonora na ideia certa e no som, que abre um inusitado espaço para a sempre tranquila turma da banda paranaense Tuyo em um disco de metal. E ficou lindo.

6 – Ratos de Porão – “Necropolítica”(Estreia)
E, por falar em metal, o Ratos retoma a produção de inéditas após quase dez anos sem novidades em sua tradicional mistura de punk, harcore e metal que já rendeu mais tretas em tempos mais puristas. Na ideia, bater na ascensão fascista recente que colocou o Brasil nessa dança que canta “Foda-se a vida”. É um pouco do que o Gordo comentou em entrevista aos nossos parças do Scream&Yell: “É o que acontece aqui no Brasil: o governo escolhe quem deve morrer e quem deve viver. Segundo esse camaronês aí, isso é necropolítica. Aquele Witzel (Wilson, governador do Rio de Janeiro) ou no país inteiro. Os ricos vivem, e os pobres morrem. O que aconteceu, realmente, foi um genocídio programado para matar os pobres, os negros, os gordos e os velhos. Isso está explícito. Não sei como as pessoas não percebem isso”.

7 – Elza Soares – “Meu Guri” (1)
Elza Soares se encontrou muitas vezes com “Meu Guri”, canção de Chico Buarque, ao longo de sua carreira. O “match” mais recente foi pouco antes do dia 20 de janeiro. Ela interpretou “Meu Guri” no Teatro Municipal de São Paulo para um DVD ao vivo. Elza não estava sozinha. Ao seu lado, o pianista Fábio Leandro. Entrega intensa em cada nota, em cada olhar dividido pelos dois. Sem ar de despedida. Afinal, seu tempo é agora.

8 – N.I.N.A. – “Anna” (2)
Muito massa ver o sucesso do álbum de estreia da N.I.N.A. Artista do Rio de Janeiro, Cidade Alta, N.I.N.A. chamou atenção pelo singles, por sua pesquisa musical e sua história. Em 2020, ela contou para a “Rolling Stone” um pouco desse processo: “Deixei de ser a Nina que eu sou para virar a Nina acadêmica, que sempre tinha que estar dando o melhor para ser aceita. Eu meio que tinha me perdido em toda aquela fantasia”. Esse reencontro está presente em “Pele”, seu primeiro álbum, onde ela se apropria sem medo do drill, gênero mais atrelado aos caras e à temática da violência. Da faixa “Anna”, seu nome, até “N.I.N.A.”, seu nome artístico, ela abre uma papo sem firula sobre sua história, sexo, rolê e outras “cositas más”. Se os fãs estavam ansiosos pelo lançamento, imagina ela e sua espera bem mais longa: “24 anos para ser eu sem medo”, escreveu no Instagram.

9 – Tim Bernardes – “Nascer, Viver, Morrer” (3)
Tim Bernardes, um terço da banda O Terno, dá o primeiro passo em direção ao seu segundo álbum solo, enquanto se apronta para passar um tempo pelos Estados Unidos em turnê abrindo para o famoso grupo indie Fleet Foxes. Ele vai ser a atração inicial nada mais nada menos que 17 shows da banda americana pela Costa Oeste. Na primeira amostra do novo trabalho, Tim segue com seu jeito bem particular de optar por uma confecção sonora que respeita muito uma certa descompressão. É sua recusa em participar da guerra por mais volume. Interessante que isso dialogue um tanto com a letra, que vai por um rumo mais filosófico sobre a vida.

10 – Saskia – “Quarta Obra” (4)
“Quarta é um martelo nas paredes, é as cinzas do reprocesso e realocação da criatividade. Uma mistura das dimensões, salpicada de ironia, marinada no conforto. Para desentupir todos os desejos afogados, hackear o deboche do grito isolado”. Bem que a gente queria ter essa habilidade para descrever o som da Saskia, mas a belíssima descrição é da própria Saskia, que chega arrebentando no conceitual EP surpresa “Quarta”.

11 – Rashid – “Pílula Vermelha, Pílula Azul” (5)
12 – Otto – “Tinta” (6)
13 – Assucena – “Ela (Citação a Menina Dança)” (7)
14 – Emicida – “Gueto” (8)
15 – Dieguito Reis – “Decolagem” (9)
16 – Amen Jr. – “Mysterio” (10)
17 – Walfredo em Busca da Simbiose – “Netuno” (14)
18 – Gorduratrans – “Enterro dos Ossos” (15)
19 – Gabriel Ventura – “Nada pra Ensinar, Muito pra Aprender” (16)
20 – AIYE – “Isadora” (17)
21 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (18)
22 – Holger – “Beaver” (19)
23 – Glue Trip – “Lazy Days” (com Arthur Verocai) (20)
24 – Sérgio Wong – “Filme” (21)
25 – Radio Diaspora – “Ori” (22)
26 – Anitta – “Maria Elegante” (com Afro B) (23)
27 – Devotos – “Periferia Fria” (com Criolo) (24)
28 – UANA – “Vidro Fumê” (25)
29 – Cícero – “Sem Distância” (26)
30 – Karol Conká – “Fuzuê” (28)
31 – Florais da Terra Quente – “Suco de Umbu” (com Chapéu de Palha) (29)
32 – Narcoliricista – “Bem Pertin” (30)
33 – Marina Sena – “Temporal” (31)
34 – LAZÚLI – “Pomba Gira” (32)
35 – Maglore – “A Vida É uma Aventura” (33)
36 – Valciãn Calixto – “Aquele Frejo” (34)
37 – Helo Cleaver – “Café com Leite” (35)
38 – Messias – “Avenida Contorno” (36)
39 – Labaq – “Dóidóidói” (37)
40 – Pabllo Vittar e Rina Sawayama – “Follow Me” (38)
41 – Jota.pê – “Preta Rainha” com Kabé Pinheiro e Marcelo Mariano (39)
42 – Dududa – “Vou Seu” (40)
43 – Luneta Mágica – “Além das Fronteiras” (41)
44 – Vanguart – “Amor” (42)
45 – HENRI – “Coração de Plástico” (43)
46 – Agnes Nunes – “Não Quero – A COLORS SHOW” (44)
47 – Diogo Strausz – “Deixa a Gira Girar” (45)
48 – Zudizilla – “Oya” (46)
49 – Coruja BC1 – “Auxílio Emergencial do Rap” (47)
50 – Duda Beat – “Dar uma Deitchada” (48)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper-cantor Rico Dalasam, sob foto de Larissa Zaidan.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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SEMILOAD – O pop brasileiro vai ao cyberpunk. Mas por que mesmo, hein?

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* Nossa pensadora musical contemporânea Dora Guerra, que comanda a newsletter parceira Semibreve, agora implic… questiona os vídeos esteticamente frios do quentíssimo pop brasileiro. Será que é proposital ou acidental? Coincidência estética ou o nosso pop quer nos avisar que já estamos vivendo um certo apocalipse (ou pós-apocalipse) cultural?

Dora Guerra dá uma iluminada nessa escuridão.

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Notou que os vídeos do pop brasileiro andam meio… cyberpunks?

Tudo bem, existe essa tendência no pop gringo já há algum tempo (o k-pop que o diga!). Mas, na minha concepção, o cyberpunk era um pouco difícil de associar ao pop brasileiro: uma música tradicionalmente mais orgânica, viva, carnavalesca. Por exemplo: “Nem Um Pouquinho”, da Duda Beat, tem lá seu lado sombrio, mas cai num pagodão baiano. Por que complementar esse tipo de sonoridade com um vídeo tão escuro e “poluído”?

De Duda Beat a Iza, passando por Pabllo Vittar, é curioso que artistas cujas marcas registradas eram (essencialmente) o calor estejam atraídas por visuais mais frios. Muitas dessas artistas, inclusive, cantam sobre temas individuais, não coletivos; têm mais política, crítica e filosofia em seus pronunciamentos públicos que em suas músicas propriamente ditas. Será que escolher o cyberpunk não passa uma outra mensagem?

Afinal, a estética escancara diversas questões: projeta um futuro possivelmente poluído e pessimista; uma vida urbana hiperbólica, que te engole por completo; uma dúvida profunda sobre o que quer dizer ser humano em meio a desenvolvimentos tecnológicos tão avançados; e a decadência, decadência, decadência.

Por esses e outros motivos, esse estilo fantástico-tecnológico-decadente até casou bem com o trap – o que dá para sacar aqui pelo trabalho de alguém feito o Matuê, no disco “MÁQUINA DO TEMPO”. Pegando pelo lado literal, basta ver que a voz autotunada – tecnológica, meio robótica – e o beat, mais sombrio, têm uma conversa direta com a estética cyberpunk. Tudo isso, claro, influenciado por um dos maiores do gênero internacionalmente: Travis Scott.

E à medida que o trap vai deixando sua influência mundialmente e reinando nas paradas, era de se esperar que seus elementos visuais também deixassem pistas no universo mais pop. Vale lembrar também que existe algo de sensual em tudo que é sombrio – o caso do cyberpunk não é exceção; e, se cabe sexy, cabe o pop.

E tem mais, tem mais: tem uma indústria audiovisual crescente no brasil (aos trancos e barrancos, mas isso a gente deixa para outra hora), com gente jovem e boa de serviço e investimentos milionários em videos musicais como nunca antes. Tem grande artista com recurso para bancar um mundo fantasioso ou uma distopia e isso com certeza ajuda. Além disso, a relação direta que a estética cyberpunk faz com o mundo dos games é uma proposta atraente pra qualquer um.

Mas, mesmo considerando todo o papo daí de cima – e ainda que pareça apenas uma escolha estética –, não é só isso: a mera opção pelo cyberpunk já carrega muito significado. Ao projetar um futuro, a estética acompanha um sentimento coletivo, baseado em um certo pessimismo, muitas questões sobre a humanidade e a tecnologia. Mesmo que o flerte com o cyberpunk não ocorra em temática musical ou com densidade, escolher essa estética quer dizer acreditar que ela combina com algo do presente; por definição, a ficção científica sempre tem raízes rastreáveis no agora.

Fato é que o cyberpunk combina com o Brasil, sim. Combina com a sensação de apocalipse ou pós-apocalipse que ainda nos assombra; com o universo poluído, decadente e tenebroso que o governo nos proporcionou; com a tecnologia que, na pandemia, foi o único mediador possível das relações humanas (que de humanas pouco tiveram); com a queimada do que temos de mais simbólico e colorido; e com a realidade autoritária dessas distopias.

Mais precisamente: se estivéssemos vivendo um eterno Carnaval, não sei se haveria espaço para cyberpunk.

Uma estética nunca é só uma estética; em um ou outro vídeo talvez, mas, se já passou de três, se torna algo para se observar mais atentamente. Dançando e sensualizando com seus replicantes, Pabllo Vittar não pretende te trazer o mesmo terror realista que o Criolo em “Sistema Obtuso” (que não é cyberpunk necessariamente, apenas punk de se ver). Mas nunca esteve tão próxima do clima obscuro, coabitando em um mesmo universo tenso e pesado.

É que somos mesmo conterrâneos nesta terra distópica. Será que, quando tudo passar, os vídeos se iluminam de novo?


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* Dora Guerra escreve coisas iluminadas no Twitter dela, o @goraduerra.
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Cine Joia completa 10 anos de shows, hoje. Casa de SP reabre no dia 26 com grande programação: de Tropkillaz a Marina Senna, de Boogarins a Alcione

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* Hoje, às 11h11 da noite deste dia 11/21, o Cine Joia, ex-cinema e igreja evangélica da Liberdade que virou um tradicional lugar de shows e festas, completa 10 anos de idade.

Desde que James Murphy largou o LCD Soundsystem lá em NYC para dar um pulo em São Paulo às 11h11 da noite daquele dia 11/11 e inaugurar o Cine Joia, muitas bandas incríveis passaram por aquele palco. Dos novinhos Tame Impala ao lendário Lee Scratchy Perry, puxando uma fila de notáveis que inclui Elza Soares, Busta Rhymes, Pabllo Vittar, You La Tengo, Criolo, Thurston Moore, Thundercat, Bixiga 70, Feist e vai embora de tanto nome bom.

No Cine Joia teve o melhor show da vida da importantíssima banda dance-punk nova-iorquina The Rapture e também o pior show da vida do também nova-iorquino Julian Casasablancas fora dos Strokes.

O clube-cinema ainda teve por anos, até março de 2020, alguma das mais bombadas festas da cidade, de Glow in the Dark a Baile das Marinheiras, de Batekoo a Pardieiro, só para citar algumas de muitas.

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Esta festa de aniversário de hoje, comemorada de modo privado, é muito mais do que apenas, isso, uma festa de aniversário, depois de o Cine Joia ficar 20 meses fechado por causa da pandemia. Representa o fim de um ciclo. E o começo de outro.

O Cine Joia faz sua abertura oficial ao público no próximo dia 26 deste novembro, com programação praticamente definida até o final de março, para shows e festas. No exato dia 26, pratas-da-casa como a banda Boogarins e o rapper versátil multiformas Edgar se apresentam conjuntamente para inaugurar a nova era.

Daí até os primeiros meses de 2022, nomes como a grande Alcione, Tropkillaz, Marina Sena, Maju, Maglore e festas como VHS, Funfarra e vários outras farão o Novo Cine Joia renascer. Vários ingressos já estão sendo vendidos, através do site
https://cinejoia.byinti.com/.

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Quando a porta do lugar se abrir, no dia 26, vai se mostrar reformado, mais moderno, transformado. Um novo bar, um novo piso e novos sistemas de iluminação, sonorização e acústica vão dar a cara que o Cine Joia vai ter pelos próximos dez anos pelo menos. Tudo assinado pelo escritório de arquitetura Futura Estudio, de Larissa Burke.

O Cine Joia, hoje, apaga sua vela dos 10 anos e se apaga nesta noite. Esse lugar foi lindo, mas já era. Viva o Novo Cine Joia.

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* Na chamada da home da Popload para este post, a fachada do Cine Joia quando ele era mesmo um cinema, em novembro de 1952. Abaixo, uma das marcantes apresentações da então casa de show, esta de 2013, quando a banda australiana Tame Impala se apresentou no Cine Joia numa segunda visita.

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Top 50 da CENA – Don L encabeça o ranking perfeito. Céu chega mais diferente, mas sendo ela. Alice Caymmi inexplica o terceiro lugar

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* A gente gastou tanta tinta com o primeiro lugar que sobrou pouco para a introdução, mas talvez vale sempre repetir um mantra nosso: que fase da música brasileira! Neste 2021 que ainda nem acabou a gente já tem dezenas de concorrentes a disco e música do ano. Dá para ver que logo teremos mais problemas para resolver. Mas problemas bons. Don L ensaia lançar seu melhor trabalho em breve, Coruja vem forte, Céu arrebenta em sua experiência de intérprete e Alice Caymmi chega bem mais uma vez. É louco, mas nossa música é um lance que faz a gente até ter orgulho do Brasil em uma hora tão complicada dessas para ser brasileiro. Eu disse que era louco.

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1 – Don L – “Na Batida da Procura Perfeita” (Estreia)
Tem um verso antigo do Don L que avisa: “Faz da vida um filme próprio, não um filme antigo”. Fazer o próprio filme é uma tarefa árdua. Se você tentar terá sorte se só te chamarem de maluco. Simbólico que “Você não queria um filme diferente?” seja a frase que abre sua nova música, esta aqui. No filme próprio que constrói, Don começa a dar conta de que perceber o que há de errado no mundo é bem diferente de mudar o que há de errado no mundo. Nessa distância entre reflexão e ação cabe um milhão de coisas. E nesse caminho Don já topou com as contradições (“Eu sou comunista e curto carros”), com o cansaço (“Uma luta contra o mundo/ Pra fazer parte do mundo que cê luta contra”), o tema da vez é a procura pelo que se quer de fato. Ou uma redefinição de metas e objetivos. Ricos? Imagina a gente livre, ele pondera. Temos aqui uma música que toca na questão da terra como luta primordial ao lembrar o mito guarani da busca por uma terra sem males (“Yvy Marã”). A senha é a palavra “busca”. E mais: mal não é algo abstrato, mas engloba criações dos homens brancos que massacraram a população indígena. A invenção da propriedade privada é um desses males, para ficar em um só problema. Sonhar por um filme diferente é parte essencial de conseguir armar esse filme diferente. E é uma questão que escapa ainda para muita gente, que tem deixado de sonhar, como se no máximo desse para dar uma melhorada em um roteiro ruim. Cadê nossa criatividade? E se tá ruim, massa, todo mundo entendeu, mas que filme diferente é esse? Don deu sua sugestão.

2 – Céu – “Chega Mais” (Estreia)
Em seu primeiro disco de intérprete, Céu resolveu lançar como primeiro single justamente a superautoral Rita Lee. E, na complicada missão de dar um cara sua a algo tão pessoal, Céu se sai muito bem. A chegada dela tem cara dela mesmo, muito bem acompanhada por um violão caprichado do sepultúrico Andreas Kisser. Arrisco dizer que é a Céu autoral de sempre por aqui, afinal interpretação é composição e quem discorda dessa ideia vai ter que apresentar bons argumentos.

3 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
A voz da Alice Caymmi é daquelas inexplicáveis. Das que dispensam acompanhamento tamanha força e presença. Entre momentos mais experimentais, tradicionais e pop na carreira, com o álbum “Imaculada” parece ser a vez em que Alice decide não escolher só um dos caminhos e questionar um pouco o sentido deles. É diferente de tentar fazer um tanto de tudo. É muito mais sobre entender que esses limites são mais dos outros e um papo quase sem sentido de mercado. O sentido de Alice é de liberdade e busca, já falamos disso hoje?

4 – Juçara Marçal – “Ladra” (1)
O disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

5 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda.

6 – Coruja Bc1 e Salgadinho – “Bolhas” (Estreia)
Uau! Por aqui temos mais uma deixa do que vem no próximo álbum do rapper Coruja Bc1. E é interessante vê-lo levando sua voz para uma outra região, até mais aproximado do canto. Ele que gosta de músicas com muita linhas e ideias, sintetiza seu recado aqui, em um som que conta com a participação do sambista Salgadinho. “O assunto é financeiro, ou nossa obsessão exagerada pelo din.”

7 – Sant – “Prantos” (Estreia)
E, por falar em sonhos, sintomático que Sant em um momento de “Prantos”, faixa de “Rap dos Novos Bandidos”, comente: “Tentando contato com meus sonhos/ Tantas perdas e ganhos/ Se botar na balança, dá quanto?”. Se isso não fizer a gente recuperar a importância do sonho, esquece.

8 – Francisco, El Hombre – “Solo Muere El Que Se Olvida” (Estreia)
E segue a apresentação aos poucos do novo álbum do Francisco, El Hombre, dessa vez em espanhol e muito dançante em uma celebração. Seguem afiados. Vem discão por aí.

9 – Marina Sena – “Pelejei” (2)
“Pelejei” não é novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

10 – Felipe S – “Violento Monumento” (4)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

11 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (5)
12 – Taxidermia – “Lava” (7)
13 – The Baggios – “Barra Pesada” (8)
14 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (9)
15 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (10)
16 – Pedro Sá – “Maior” (11)
17 – Tagore – “Maya” (12)
18 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (15)
19 – Marissol Mwaba – “Marte” (16)
20 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (17)
21 – Liniker – “Mel” (18)
22 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (19)
23 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (20)
24 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (21)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (22)
26 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (25)
27 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (26)
28 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (27)
29 – Majur – Ogunté (28)
30 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
31 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o rapper e cantor Don L.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Top 50 da CENA – Adivinha o primeiro lugar? Juçara Marçal de novo. Marina Sena cola em segundo. Criolo não sai mais do pódio. Nunca mais

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* Parece que a turma da música brasileira respeitou o feriadão e pouca coisa apareceu por aí. Ou é a gente que quis um pouco de folga e relaxou? Fica a dúvida. Em todo caso, seria difícil alguém tirar o pódio dela, Juçara Marçal. Outra história que a gente conta nesta edição é das volta dos shows presenciais. Você já voltou a ver show por aí?

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1 – Juçara Marçal – “Ladra” (Estreia)
Mais uma vez Juçara no topo desta nossa listinha semanal. É que o disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

2 – Marina Sena – “Pelejei” (Estreia)
“Pelejei” não é uma novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

3 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. E pela segunda vez não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

4 – Felipe S – “Violento Monumento” (Estreia)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

5 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (Estreia)
Das mais bonitas do repertório do Skank, a letra que Nando Reis fez após o término com Marisa Monte coube bem no jeitão do Terno Rei de conduzir música. Ou melhor: aquele “rock pra dormir”, como a gente descobriu no papo da banda como Samuel na live especial promovida pela Balaclava. Durma com uma “Resposta” dessa.

6 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (3)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

7 – Taxidermia – “Lava” (4)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

8 – The Baggios – “Barra Pesada” (5)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

9 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (6)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

10 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (7)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

11 – Pedro Sá – “Maior” (8)
12 – Tagore – “Maya” (9)
13 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (10)
14 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (11)
15 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (12)
16 – Marissol Mwaba – “Marte” (13)
17 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (14)
18 – Liniker – “Mel” (15)
19 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (16)
20 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (17)
21 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (19)
22 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (21)
23 – Coruja BC1 – “Tarot” (22)
24 – Nelson D – “Toy Boy” (23)
25 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (24)
26 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (25)
27 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (26)
28 – Majur – Ogunté (28)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (31)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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