Em Cultura Inglesa Festival:

Cultura Inglesa Festival no sofá. Shows de Lily Allen e Duda Beat serão transmitidos ao vivo pela TV neste domingo

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Neste domingo, São Paulo será palco da 23ª edição do Cultura Inglesa Festival. O evento acontecerá no Memorial da América Latina e já tem ingressos esgotados para os shows de Lily Allen e Duda Beat, em um choque de gerações de duas cantoras que dão o que falar.

Estrela do pop inglês do início deste século, Lily retorna ao Brasil após uma década. Dona de diversos hits, a cantora também coleciona inúmeras polêmicas ao longo da carreira, que viraram até livro, “My Thoughts Exactly”, lançado no ano passado. Foi também em 2018 que ela soltou “No Shame”, seu quinto disco de estúdio que é base da atual turnê.

Já Duda Beat é hoje atração de destaque em 199 dos 200 festivais indies brasileiros. Com canções como “Bixinho” e “Bédi Beat”, ela também promete cantar neste domingo algumas releituras de clássicos britânicos de nomes como George Michael e Spice Girls.

A boa notícia é que tudo isso vai passar ao vivo na TV fechada, pelo canal Multishow, a partir das 17h30 de domingo. A Cultura Inglesa tem incentivado as pessoas que têm ingresso, mas que não irão ao show, doem as entradas para quem está buscando por uma entrada ainda.

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George Ezra em SP. Leia entrevista com o “fofolk” inglês e saiba como foi seu primeiro show no Brasil, no “chocante” Cultura Inglesa Festival

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Show George Erza - Foto Maria Tuca Fanchin (2)

* O inglês George Ezra completou 25 anos dois dias antes de desembarcar em São Paulo para o seu primeiro show no Brasil e, no encontro que teve com a Popload na véspera do evento, abriu a conversa assumindo que não é lá muito fã de aniversários: “Aproveitei um tempo com minha família, fomos ao boliche e assim é o meu tipo de aniversário perfeito: perto deles e dos amigos. No dia seguinte, já estava na estrada novamente. Essa viagem ao Brasil não deixa de ser um presente e parte da festa também”.

Motivos para comemorar em grande estilo ele teria de sobra: Ezra está na turma que movimenta o novo pop britânico com números estrondosos, a exemplo dos conterrâneos Ed Sheeran e Sam Smith. Misturando rock, folk, blues, elementos do gospel, muitas palminhas e uma leve inclinação para o country, ele rodou o mundo tocando em todos os grandes festivais de música que você pode imaginar. Seu álbum de estreia em 2014 foi o mais vendido do Reino Unido e em dezenas de países naquele ano, o que se repete agora com “Staying at Tamara’s”, lançado em março. E ainda arranja tempo para gravar um podcast com colegas como Elton John e Lily Allen, escrever um newsletter semanal para os fãs e atualizar uma playlist incrível com tudo o que tem escutado.

Confira abaixo o papo na íntegra e saiba como foi o festival da Cultura Inglesa no final do post.

Popload: Você acaba de fazer 25 anos. Quais são os desafios e aprendizados em ficar mais velho?
George Ezra: (Risos) Uau, melhor não pensar muito sobre isso. Acho que estou no vácuo que existe entre o adolescente e o adulto. Não me vejo como nenhum deles, entende? É estranho pensar nisso, é um processo de transição. Faço música desde os 13 anos e um belo dia simplesmente aconteceu: estava em estúdio, no palco, vivendo de música. Crescer é muito prazeroso, especialmente se você pode se dedicar a fazer o que ama. Tenho certeza que é só o começo de uma longa jornada pela frente.

Popload: Essa experiência na estrada, em quase quatro anos seguidos de shows, mudou de alguma forma o seu retorno ao estúdio e o processo de gravação do novo álbum?
Ezra: Totalmente! Diria que muito do estilo do novo álbum vem da minha vivência dos shows, pois, desde que comecei a fazer turnês, pude tocar para todos os tamanhos de público que você pode imaginar, de 1.000 a 100.000 pessoas. Acabei aprendendo como me conectar ao público. O feedback é instantâneo. Por exemplo: no primeiro álbum, apenas duas ou três músicas tinham backing vocals. Era algo mais voz e violão. Depois de fazer tantos shows, percebi que era hora de algo mais poderoso e o “Staying at Tamara’s” saiu com essa pegada mais gospel, músicas encorpadas e com mais camadas, com refrães feitos para todo mundo cantar junto em um festival ou casa de shows. É um reflexo de tanto tempo na estrada e da experiência do ao vivo. É um álbum mais solar, animado, estou muito feliz com o resultado.

Popload: Com uma agenda tão apertada, de onde tirou tempo para lançar o podcast “George Ezra & Friends”? Quem é o convidado que está no topo da sua lista de desejos? (George tem um podcast semanal onde conversa com outros músicos que admira, entre eles o amigo Ed Sheeran, Ben Tchatcher do Royal Blood e Sir Elton John.)
Ezra: A verdade é que começou como um hobby. Houve uma época em que comecei a ouvir muitos podcasts de comediantes e eram realmente fascinantes e divertidos, mas ainda sentia falta de algo específico sobre música. Também suspeito que tenho um lado radialista adormecido, que espero explorar cada vez mais. Comprei um microfone, mandei alguns e-mails para esses artistas incríveis e assim começou. Acho saudável que um artista tenha projetos paralelos, é importante para manter-se sempre motivado e criativo. E definitivamente qualquer membro dos Rolling Stones está no topo da minha wishlist de convidados. Espero que eles leiam esta entrevista (risos).

Popload: Você vai tocar em um festival que promove a música britânica. Quais artistas do seu país, um grande clássico e uma novidade, que você mais gosta e recomendaria para seu público e fãs de música em geral?
Ezra: Por que a última pergunta é a mais difícil? Preciso de tanto tempo para responder isso! Acho que a Inglaterra, no geral, é muito fã dos clássicos. Seria complicado escolher entre os Beatles e os Rolling Stones. Tem que ser um deles? Posso escolher os dois?

Popload: Com certeza!
Ezra: Ufa, obrigado! Então Beatles e Stones são os meus clássicos favoritos. E um artista novo, pode anotar: Ten Tonnes. Comece pela música “Lucy” e você vai amar de primeira!

Obs.: Somente no fechamento deste post, descobrimos que o tal Ten Tonnes é irmão mais novo do cantor e vale mesmo o play. George Ezra é definitivamente um homem de família.

Show George Erza - Foto Maria Tuca Fanchin (4)

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Cultura Inglesa Festival e o choque de cultura brasileiro de festivais

Talvez a grande força de um festival de música está em promover artistas que se completem nas semelhanças e principalmente nas diferenças, oferecendo para um público que tende a ser diverso (se você não está num evento de heavy metal, claro) uma experiência tão diversa, rica e interessante como a própria música em essência o é.

O Popload Festival já promoveu coisa do tipo em 2015, quando lado a lado (ou acima e abaixo) foram escalados o mito punk americano Iggy Pop e o rapper paulistano Emicida.

E, de novo, o que levou quase 20.000 pessoas ao Memorial da América Latina, em SP, foi muito além de um nome específico no line-up ou a gratuidade dos ingressos do Cultura Inglesa Festival.

Definitivamente foi o todo. Junte um britânico cheio de hits “fofolks” em seu primeiro e único show na América Latina e uma talentosa cantora carioca na árdua escalada ao panteão pop brasileiro.

À primeira vista fica difícil entender as conexões, mas George Ezra e Iza, ambos com 20 e poucos anos e headliners do evento, provaram na 22ª edição do CIF que os diferentes gêneros musicais estão aí para serem misturados mesmo e que existe palco e plateia para todos.

O público assistiu a dois shows antagônicos, mas igualmente marcantes. De um lado, Ezra e uma superbanda com instrumentos de sopro, muitas trocas de guitarras e movimentação contida, mas mesmo assim emocionada diante de tanta gente. A voz de baixo-barítono do cantor preencheu o Memorial de “Cassy O”, que abriu o show com a energia e o impacto certos, ao hit “Budapest”, devidamente acompanhado a plenos pulmões pelo público. As músicas do novo álbum são ainda melhores ao vivo e se fazem necessárias para reaquecer a plateia depois dos momentos de voz, violão e pouca luz.

Show IZA - Foto Maria Tuca Fanchin (4)

Já Iza levou um show mais pop e acessível e tudo o que isso envolve: DJ, backing vocals, dançarinos, figurinos e muito papo com a plateia. Com apenas um álbum nas costas, a cantora estruturou um setlist eficiente sem cometer o erro da repetição ou covers excessivos, um mal recorrente de quem tem pouco repertório próprio. A única exceção, com razão, foi sua música em parceria com Marcelo Falcão d’O Rappa, tocada duas vezes e que, como o próprio título diz, comprova que Iza e sua turma são realmente do bonde “Pesadão” do novo pop brasileiro.

Tradicionalmente mais rock, com performances históricas de nomes como Franz Ferdinand, Johnny Marr e Kaiser Chiefs, as últimas edições do Cultura Inglesa têm ampliado a participação de artistas mais radiofônicos e apelo pop, a exemplo de Charli XCX, Karol Conka e os headliners deste ano.

O festival encontrou seu lugar no Memorial da América Latina e entrega tudo o que é preciso para aproveitar um evento desse porte. A verdade é que já não importa mais quem ocupa o seu palco: promover um choque de cultura geral, unindo pela música crianças (muitas delas em sua primeira experiência de festival), famílias inteiras e grupos de amigos tão diversos como o lineup é a maior das missões.

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** A foto de Ezra que ilustra a chamada da home para este post é de Camila Picolo. Todas as imagens do post são de Maria Tuca Fanchin.

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Molecada do Strypes se junta a Johnny Marr em festival em São Paulo, em junho

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* Um mais um. Ontem de manhã a gente cravou aqui que o ex-Smiths, ex-200 bandas e atual solo guitarrista inglês Johnny Marr vem a São Paulo para shows no Brasil em junho, dentro de uma turnê sul-americana a ser arranjada no período. Ontem, no fim da tarde, surgiu a confirmação oficial de que o grupo inglês de moleques beatles The Strypes, tudo menor de idade, tem apresentação marcada para 19 de junho em Buenos Aires, Argentina.

Sabemos aqui que o anual Cultura Inglesa Festival acontece em São Paulo, em 2015, em meados de junho. Então não é difícil prever onde Johnny Marr e The Strypes vão tocar.

O festival deve acontecer em algum final de semana entre essa data anunciada do Strypes na Argentina. Ou no sábado ou no domingo dos dias 13 e 14 de junho. Ou, mais provável, no seguinte, dos dias 20 ou 21. O festival anuncia oficialmente sua realização (bandas, datas e locais) nos próximos dias. Vamos aguardar.

Johnny Marr, you know, é o Johnny Marr. Os Strypes, que nem do Reino Unido são para serem chamados de britânicos, são de Cavan, na Irlanda, se apresentam de terninho, acham que são netos dos Beatles e dizem que curtem mais Chuck Berry e Bo Diddley do que Arctic Monkeys. O mais velho do quarteto tem 17 anos. Já tocaram até no Glastonbury. Mas, enfim, escocês, irlandês do norte ou os brothers do U2 “são tudo inglês”, amarrados na língua do Shakespeare.

Abaixo, o pôster dos Strypes na Argentina, veiculado pela banda em seu Facebook.

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The Jesus & Mary Chain em SP: as fotos, o show completo e o Alan McGee

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Aconteceu ontem, no Memorial da América Latina, em São Paulo, o Cultura Inglesa Festival, em sua décima oitava edição. Debaixo de MUITA chuva e frio, o festival gratuito começou quietinho, com o público chegando aos poucos (talvez na esperança que o dia melhorasse), até atingir a marca de doze mil pessoas (!) durante a atração principal do line-up, o cultuado The Jesus & Mary Chain.

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Los Campesinos

A banda galesa Los Campesinos!, tocando pela primeira vez no Brasil, tentou esquentar a turma que chegou mais cedo, mas o show não empolgou (o som ficava tão baixo em alguns momentos que era como se a tecladista nunca tivesse estado lá). A qualidade do som mudava muito de um lugar para o outro no Memorial, então a ideia era se movimentar para achar a melhor “recepção”.

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Pela terceira vez no país, os escoceses do The Jesus & Mary Chain estavam se sentindo em casa. A chuva chegou a parar e o vocalista Jim Reid até comemorou (com aquela efusividade britânica, claro), mas ela voltou mais forte durante em, adivinha?, “Happy When It Rains”. Talvez essa tenha sido a legenda de 9 entre 10 fotos no Instagram sobre o show. Os irmãos Reid (Jim, no vocal, William na guitarra) nem tentam disfarçar a antipatia que sentem um pelo outro, confirmada em entrevistas e citada nessa conversa do vocalista com a Popload. Não se falaram, muito menos se olharam. Era visível o clima de irritação no palco quando algumas músicas tiveram que ser recomeçadas (“Sidewalking”, “Halfway to Crazy” e o “hit” “Just Like Honey”).

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Menos barulhento, mais lento, mas ainda com as mesmas distorções e microfonia que são a marca registrada do grupo, o J&MC agradou e emocionou os trintões (e quarentões e cinquentões) que estava ali. Foi um show bonito de ver e muito melhor que o anterior, de 2008, no Planeta Terra. Revezando músicas de quase todos os discos, todas muito bem recebidas, a banda fez um show relativamente curto, com pouco mais de uma hora. “Relativamente” se a gente levar em consideração que era a banda principal, mas até longo para um grupo que não fazia apresentações com mais de meia hora. Mais: os dois (dois!) beijinhos de Jim Reid para plateia também são um avanço para um vocalista tímido e mal humorado que cantava de costas para o público. A já citada “Just Like Honey” encerrou o show e para o bis ficaram “The Hardest Walk” e “Taste of Cindy”, todas do disco que revolucionou e causou uma bagunça no rock britânico há 30 anos, o “Psychocandy” (na foto acima, nas mãos de um fã durante o show).

Enquanto isso, no backstage, o “cara”! Descobridor do Oasis e do próprio J&MC, Alan McGee postou esta foto em sua página no Facebook, curtindo o show:

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McGee com Simon Fletcher, diretor da Creation, no backstage

>> Abaixo e recheando o post: fotos do Poploader Fabrício Vianna, o setlist e o show completo, já no youtube! \o/


SETLIST

1. Snakedriver
2. Head On
3. Far Gone and Out
4. Between Planets
5. Blues From a Gun
6. Teenage Lust
7. Sidewalking
8. Cracking Up
9. All Things Must Pass
10. Some Candy Talking
11. Happy When It Rains
12. Halfway to Crazy
13. Just Like Honey

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14. The Hardest Walk
15. Taste of Cindy
16. Reverence

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Popload entrevista: Jim Reid, do Jesus & Mary Chain

Saiu hoje na Ilustrada da Folha de S. Paulo uma entrevista que este espaço fez com Jim Reid, um dos seres mais geniais e geniosos da música alternativa das últimas décadas. Com o seu Jesus & Mary Chain, Jim volta ao país nos próximos dias e fala sobre como a banda ainda resiste ao tempo, um possível novo álbum, sua conturbada relação com o irmão William e sua (não) relação com a música nova de hoje em dia. O grupo escocês toca em São Paulo no domingo (25), dentro do festival da Cultura Inglesa, no Memorial da América Latina. Na terça, 27, é a vez do Vivo Open Air, na Marina da Glória, no Rio.

A Popload reproduz a matéria que saiu na Ilustrada, abaixo, em versão “bigger, better & uncut”.

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Quase não dá para acreditar que a lendária banda escocesa Jesus & Mary Chain consiga se manter viva a ponto de vir tocar pela terceira vez no brasil, como vai ocorrer no próximo dia 25, um domingo, quando estrelam outra edição do festival da Cultura Inglesa em SP.

O espanto não é pelos 30 anos da banda que incidentalmente causou uma revolução de estilos no rock em 1983/1984, quando botou as guitarras a serviço do barulho puro, da microfonia desenfreada, mas com uma melodiazinha bem lírica e bonita de fundo, quase inaudível.

O fato que surpreende é que os dois irmãos que construíram a história da banda e da música independente britânica, Jim e William Reid, se detestam há muito tempo. A ponto de fazer Noel e Liam Gallagher, a família Oasis, parecerem estar brigando para ver quem preenche o álbum de figurinhas da Copa primeiro.
“Sim, a relação entre a gente não é e nunca foi a ideal. Nunca foi e nunca vai ser. Nós conversamos quando temos necessidade de fazê-lo. Praticamente nos vemos em cima do palco apenas”, declarou Jim Reid, vocalista do Jesus & Mary Chain, em entrevista à Popload por telefone.

Por causa de briga, os Mary Chain acabaram em 1998. Por causa de dinheiro, eles voltaram em 2007.
“A gente voltou porque o Coachella Festival vinha incisivamente nos oferecendo um bom dinheiro. Por três anos tentaram nos convencer a tocar lá, promover nossa volta. O engraçado é que quando eles conversavam comigo eu sempre achava que o Will nunca iria querer voltar com os Mary Chain. E, quando falavam com ele, Will sempre achava que eu não aceitaria jamais. Um dia, falando com meu irmão ao telefone sobre o assunto, resolvemos topar”, revelou Jim.

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A formação clássica da banda, nos anos 80

“Tem sido difícil, mas no final das contas é um trabalho. É o que sabemos fazer. Às vezes é bom, às vezes é ruim. Como grupo musical, a gente discute bastante ainda mais, pontos de vista bem diferentes, mas de alguma forma a banda ainda funciona em apresentações ao vivo. Que é o que importa no momento. Até quando não sei dizer.”

O Jesus & Mary Chain, que toca ainda no Rio de Janeiro, no dia 27, no festival Vivo Open Air, já se apresentou no Brasil duas vezes. Uma em 1990, com shows solo no Rio e SP, e outra somente em SP, no festival Planeta Terra de 2008.
“Tocar no Brasil sempre foi bom. A primeira vez foi um pouco tumultuada, porque nossos shows eram naturalmente tumultuados. A segunda, em um festival, foi arrebatadora. A experiência de shows na América Latina é incrível, porque o público é sempre intenso, participativo e… jovem. É encorajador ver pessoas novas realmente sabendo as músicas do Mary Chain, interessadas na banda. Isso nos mantém vivo mais que o dinheiro”, disse o vocalista.

No ano passado, a banda lançou uma caixa comemorativa com todos os seis álbuns da banda em vinil, do histórico début, “Psychocandy”, ao derradeiro, “Munki”, mais um disco ao vivo de bônus. Qual dos álbuns do Jesus & Mary Chain o vocalista Jim Reid mais se orgulha de ter lançado?

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Os irmãos treta, Will e Jim

“É uma pergunta impossível de responder. É como perguntar para um pai qual seu filho favorito. Eu tendo a proteger mais o Munki [1998, o sexto e último disco do J&MC lançado], o mais difícil dos álbuns que fizemos. William e eu não suportávamos estar no mesmo ambiente. Brigamos com a gravadora e lançamos por outra. As pessoas tentam associar esse ‘tempo ruim’ da banda ao ‘Munki’ como se isso tivesse afetado o resultado do disco, mas acho ele tão bom quanto os outros cinco. Sinto que ele foi subestimado.”

Sobre a possibilidade de um álbum de inéditas ser lançado, Jim Reid diz que ela é real: “A gente vem falando de um disco novo há muito tempo. Nós temos as canções. As músicas não são o problema para esse disco sair, porque elas existem. O negócio é que temos um desentendimento de como lançar, quando, quais músicas entrar, qual caminho seguir. Mas uma hora o disco sai.”

Um dos caras que revolucionou a música nova, ao lançar há três décadas um álbum “inaudível”, fazer shows curtos de no máximo meia hora e cantando de costas para a plateia, não acredita muito mais na música nova.

“Eu perdi o costume de ouvir canções de bandas de hoje, não sei muito o que está acontecendo. Eu parti de Londres para viver mais sossegado, no interior, longe de toda essa movimentação. Não vejo muita coisa que realmente me interesse na ‘new music’ britânica. Quando você tem a minha idade [52] e viveu todos esses anos ouvindo rock, você percebe que o círculo já foi formado, tudo já foi feito e dificilmente sairá algo realmente novo na música”, decretou o mais novo dos Reid (Will hoje tem 55 anos).
“Tudo o que surge hoje na música empresta sonoridades, influências, postura de músicas das bandas velhas. Não estou falando que isso é necessariamente uma coisa ruim. Nós mesmos emprestamos muita coisa de Velvet Underground, Beatles. Muita”

Como Jim Reid enxerga hoje a bagunça causada pelo disco “Psychocandy”, 30 anos atrás?
“Para ser honesto, até hoje parece que o ‘Psychocandy’ faz sentido para as pessoas, porque muita gente vem comentar ainda sobre o disco. Novas bandas botam ele na lista de influências, o que me deixa surpresa, porque hoje muita gente que tem banda nos dias atuais não era nem nascida quando o álbum foi lançado. É óbvio que eu fico orgulhoso. Tem muita lição boa para se tirar disso. Você não precisa ser tecnicamente impecável para lançar um bom disco. Atitude, energia e um punhado de canções boas podem resultar num grande álbum. Num álbum que dure.”

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