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Cursinho Popload! Aula de hoje: para gostar de The Jesus and Mary Chain

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Falta pouco (e restam poucos ingressos) para o show-festa de comemoração dos dez anos de Popload Gig com a banda cult escocesa The Jesus and Mary Chain! Os irmãos Reid desembarcam aqui em 27 de junho para um show único no Brasil. Vai ser o primeiro show solo da banda em São Paulo em quase trinta anos!

Você conhece a banda? É fã conhecedor? Ou sabe o básico? Ou não sabe nada e quer conhecer?

Seguindo nossa série de aulas sobre bandas que se apresentam por aqui (veja as outras edições com suas playlists correspondentes), apresentamos hoje este cursinho intensivo sobre o JAMC. Mas, desta vez, antes de escolher a sua playlist, faça um simulado para saber em qual nível você se encontra: iniciante, intermediário ou avançado?

Descubra o seu nível! BOA PROVA E BOA AULA:

GABARITO

** De 0 a 5: INICIANTE
** De 6 a 9: INTERMEDIÁRIO
** De 10 a 12: AVANÇADO

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Quebradeira nos primeiros shows da banda, nos anos 80 – Foto de Andrew Catlin

Talvez o caminho mais fácil para indicar o The Jesus and Mary Chain para alguém que nunca ouviu a banda é primeiro perguntar de que tipo de som a pessoa gosta e, então, ver onde esse gosto cabe. Curte um feedback? Vá de “Psychocandy”. Violões? Abrace o álbum “Stoned & Dethroned”. Rock dos anos 80? “Darklands”, por favor.

Sempre resultado dos explosivos encontros do irmãos Jim e William Reid, a banda encontrou diferentes abordagens em praticamente todos os seus álbuns em misturas muito únicas, mas nunca ficou muito longe das suas origens no quesito “canções de formato simples”.

Diferentemente de outros artistas estudados aqui, onde em alguns momentos encontramos grandes experimentalismos que ajudam a gente a separar o que é “complicado” das canções pop, o Jesus and Mary Chain quase nunca abraçou grandes tentativas de extrapolar a canção. Por conta disso, entre suas músicas mais conhecidas estão também as mais estranhas para um público que não estiver habituado a alguns ruídos e distorções. Mas ainda assim, fomos atrás de encontrar um balanço para formar uma playlist para cada ouvinte: iniciante, intermediário e avançado.

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Foto de Andrew Catlin

Iniciante

Nossa playlist é praticamente uma coletânea mais “sussa” do Jesus and Mary Chain. Alguns singles e os maiores hits de olho em equilibrar a barulheira da banda com suas passagens mais calmas. “Just Like Honey” pode assustar ouvidos mais sensíveis, mas não é a música mais com a cara deles por nada…

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Intermediário

Aqui abraçamos o peso que os irmãos Reid promoveram ao longo dos anos. Abrimos com a polêmica “Reverence” e seguimos por outras distorções, além de momentos de calmaria com dinâmicas pouco convencionais, como a breve canção “Feeling Lucky”, dona de apenas quatro versos em uma faixa praticamente instrumental.

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Quebradeira nos primeiros shows da banda, nos anos 80 – Foto de Steve Gullick

Avançado

As canções aqui são difíceis? Eu não acho, mas temos mais guitarras apitando aqui do que nas playlists anteriores. O que se repete é a obsessão em fazer melodias simples na barulheira toda. A mágica do Jesus and Mary Chain em essência.

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. Vale lembrar que ele está lá no Twitter (@ViniciusFeIix) para ouvir sugestões e reclamações, seja dos iniciantes que encontrarem dificuldades ou dos alunos mais experientes! Vai lá. ***

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Cursinho Popload! Aula de hoje: “Para gostar de KENDRICK LAMAR”

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Eu não chequei, mas acho difícil que alguém nesta edição do Lollapalooza seja tão reconhecido quanto Kendrick Lamar. Nem vou ver os números de cada, mas sabendo que só ele deve ter um Pulitzer, isso já é o bastante. Eu quero lembrar ainda que ele tem alguns Grammys e uma indicação ao Oscar.

O reconhecimento também vem do público. Em termos de Spotify, Kendrick é um dos três artistas que estarão no festival que tem uma música pelo menos com mais de 1 bilhão de plays na plataforma.

O mesmo acontece pela crítica. Desde 2012 mais ou menos, sempre quando ele lança um álbum tem alguém para falar que é o disco do ano. Certo, é um chute meu isso aí, mas não acho que estou errado.

Inclusive, podemos começar nossa aula por esse detalhe. Dividir a obra do rapper em playlists é um pouco errado e acho que até ele deve concordar com isso. Kendrick Lamar faz álbuns que precisam ser ouvidos do começo ao fim, com atenção na história, nos detalhes. Não é por acaso que a edição especial do “DAMN” é o mesmo disco só com a tracklist invertida. Esse detalhe transforma a narrativa.

Talvez o caminho mais certo para ensinar você a gostar de Kendrick Lamar seja te indicar o álbum mais fácil dele e assim por diante. Mas seguimos com o método de uma playlist para iniciantes, uma para ouvintes intermediários e uma para ouvintes avançados.

Então, por mais que sua obra seja centrada nos álbuns, até que se encaixa bem na nossa divisão aqui porque Kendrick consegue ao longo de sua discografia ser pop para quem nunca ouviu rap, ser excelente para fãs de rap em uma linha tradicional e ser inovador a ponto de levar o gênero para novos limites.

Escolha a playlist mais adequada para você e uma boa aula!

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. Vale lembrar que ele está lá no Twitter (@ViniciusFeIix) para ouvir sugestões e reclamações, seja dos iniciantes que encontrarem dificuldades ou dos alunos mais experientes! Vai lá. ***

Iniciante

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Como eu falei na introdução, aqui está o lado mais pop do Kendrick Lamar. Porém, como todo gênio da música, ele consegue que músicas relativamente difíceis sejam muito populares. Só pensar em “HUMBLE.”, sua música mais tocada no Spotify. Ele não suavizou para ser mais aceito, muito pelo contrário. Mas muito mesmo.

Intermediário

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Aqui já vamos ter algumas músicas do Kendrick Lamar que não são propriamente difíceis de gostar, mas são um pouco mais desafiantes para quem não manja muito de rap. Com um pouco de dedicação, logo você saca as variações todas de faixas como “Backseat Freestyle” ou “ELEMENT.”.

Avançado

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Certo, agora a playlist não busca facilitar, não. Temos mais sons baseados em jazz do que na playlist anterior, temos alguns sons que nos discos funcionam como interlúdios e temos faixas longas, faixas bem longas mesmo. São os momentos onde o Kendrick realmente vai levar sua música para territórios ainda pouco explorados:

*Vinicius Felix é jornalista, tem obsessão por playlists e é o responsável pelo podcast Telefonemas.

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Cursinho Popload! Aula de hoje: “Para gostar de Paul McCartney”

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Paul McCartney está no Brasil. Serão dois shows em São Paulo (26 e 27 de março) e um em Curitiba (dia 30 de março). Por isso, Paul é o assunto da nossa aula de hoje. Melhor dizendo: a carreira de Paul McCartney após os Beatles é o assunto de hoje. Em outras palavras, nossos estudos cobrem a fase que vai do “McCartney” (1970) até o “Egypt Station” (2018), incluindo os discos com os Wings.

Por mais que Paul há um bom tempo dedique mais da metade do repertório dos seus shows ao repertório dos Beatles, conhecer sua fase solo é importante tanto para curtir alguns momentos do seu show, especialmente para quem só manja de Beatles não ficar de bobeira, quanto para dar de cara com canções valiosas que ajudam a entender o tamanho da sua versatilidade artística.

McCartney já acumula quase 50 anos de trabalho solo, praticamente cinco vezes o tempo de existência dos Beatles, dependendo de quando você começa a contar o nascimento da banda. Por isso, quem for se aventurar em tantos discos de estúdio, singles e trilhas sonoras, não vai encontrar uma missão das mais simples. O material, além de extenso, é diversos em estilos e qualidade.

Mas a aula aqui tenta facilitar esse trabalho com três playlists de 1h30 que cobrem tudo que tem bom em diferentes etapas. A playlist iniciante conta com hits e clássicos que estarão nos shows, a intermediária chega basicamente com o melhor pop que o Paul fez e que acabou não tão conhecido e a avançada conta mais sobre o lado experimental dele. Então escolha a playlist que achar mais adequada para você e boa aula!

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. Vale lembrar que ele está lá no Twitter (@ViniciusFeIix) para ouvir sugestões e reclamações, seja dos iniciantes que encontrarem dificuldades ou dos alunos mais experientes que com certeza vão sentir a ausência de alguma música em uma das três playlists.

INICIANTE

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Se Paul não fizer grandes alterações no roteiro de seus show, os brasileiros vão ver apresentações onde ele dedica um pouco mais da metade do repertório às canções dos Beatles. O resto ele divide entre canções solo e canções gravadas com o Wings. São suas canções solo mais reconhecidas com algum destaque para alguma música mais obscura vez ou outra.

Essa playlist conta com essas músicas e alguns outros sucessos de bilheteria do Paul. Legal reparar que embora seja uma playlist para iniciantes, você vai encontrar músicas com formatos tradicionais de canção e arranjos delicados até faixas menos convencionais, como “Band On The Run”, relativamente longa para padrões pop e cheia de partes diferentes. Paul McCartney é assim mesmo.

INTERMEDIÁRIO

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Esta playlist é relativamente parecida com anterior em questão de som. Como Paul McCartney sabe fazer canções tão diferentes serem populares, a playlist iniciante chega até ter faixas “mais difíceis” que algumas que estão aqui. Então, para não deixar alguns hits de fora da playlist iniciante, a missão aqui é dar destaque para faixas tão pop quanto da primeira seleção só que por algum motivo, elas não ficaram tão conhecidas assim.

A capacidade de Paul em fazer músicas na média é tão alta que essa playlist poderia ter vários desenhos, por isso aceito sugestões nos comentários. Mas, para indicar um som, tem que sugerir no lugar de qual outra música ele vai entrar! Combinado?

AVANÇADO

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A visão de que Paul era o beatle careta é um erro! Ele pode até ser o mais pragmático dos quatro, mas também é um dos que mais abraçou experimentações musicais. Em sua carreira toda, são diversas faixas instrumentais, faixas mais longas, faixas muito curtas e músicas que nos discos basicamente faziam a ponte entre outras duas canções.

Aqui, a gente também apresenta o lado mais eletrônico e lo-fi de sua obra. Até daria para emendar nessa playlist mais um monte de obras pop dele que não ficaram tão conhecidas, mas a proposta é outra, quase não temos canções propriamente ditas aqui. Nível hard.

*Vinicius Felix é jornalista, tem obsessão por playlists e é o responsável pelo podcast Telefonemas.

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Cursinho Popload! Aula de hoje: “Para gostar de ARCTIC MONKEYS”

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Vocês já se ligaram que, passando o ziriguidum do Carnaval, falta menos de um mês para Alex Turner no Brasil? Siiiim. Arctic Monkeys em nova fase, com novo disco e fechando a primeira noite da maratona Lollapalooza no Brasil, no dia 05 de abril.

No ano passado, um pouco antes da passagem do Radiohead por aqui, fizemos um post pensando em três tipos diferentes de leitores. Nos “especialistas” da banda, que vão um pouco além do fã tradicional, ou seja, que mergulham na discografia, sabem diferenciar fases e referências; nos fãs “intermediários”, que adoram o som, mas não se arriscam muito além dos hits; nos “iniciantes”, aqueles que acabaram de chegar, que conhecem talvez uma ou outra música e não sabem bem por onde seguir.

Criamos esta seção para que você possa se guiar na maratona de shows que teremos neste ano, começando com o super festival em Interlagos. Qual show escolher, o que ver, como se preparar, o que ouvir/estudar, etc. Didaticamente falando, é como se fosse um cursinho mesmo, dividido em três módulos, cada um com uma playlist correspondente.

*** Uma colaboração do jornalista Vinicius Felix* para a Popload. ***

Aula de hoje: ARCTIC MONKEYS

Lembra da nossa aula sobre o Radiohead? Voltamos com o nosso cursinho! E a “aula” de hoje é sobre o Arctic Monkeys, grupo liderado pelo guitarrista, cantor e compositor Alex Turner.

Vamos tentar entender um pouco mais sobre o grupo que desembarca no Brasil em abril para o Lollapalooza e já não soa (e nem se veste) mais como a banda que tocou por aqui em 2007 no auge do hype mundial dos seus dois primeiros discos ou em 2014, quando eles se tornaram enormes aqui no Brasil com o novo fôlego dado pelo sucesso do “AM”.

Embora a discografia da banda não tenha segredos, formada por seis discos que vão direto ao ponto em uma média de 40 minutos, é bom esquecermos um pouco a questão da cronologia. Nem vamos te indicar só o álbum mais fácil. Tentamos analisar o todo e fazer um bom resumo.

Entre as velozes faixas do primeiro álbum e a lentidão contemplativa do disco mais recente, o Arctic Monkeys mudou de característica muitas vezes, mas em média cada disco conseguiu produzir um material bem diverso que alterna acenos ao pop com faixas (um pouquinho mais) pesadas. Pegue aí, por exemplo, o terceiro disco deles, o Humbug. É entre as faixas mais barulhentas do grupo que está escondida a melhor e mais delicada balada deles, “Conerstone”.

Nesta pesquisa, dividimos o material da banda em três módulos: para ouvintes iniciantes, intermediários e avançados. Cada playlist tem mais ou menos uma hora e meia e tenta passar por todos os discos e lados b de singles. Mesmo com uma discografia econômica, nem tudo que eles lançaram coube nas aulas.

Sentiu falta de algo importante? Me procura lá no Twitter [@ViniciusFeIix] e a gente troca ideia. Sempre é bom lembrar que estas são dicas pra você depois se aventurar sozinho pela discografia do Arctic Monkeys.

Siga as playlists e boa aula!

Iniciante

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Para quem nunca ouviu Arctic Monkeys, a playlist iniciante te coloca perto do lado mais pop do grupo. Aqui estão todos os hits que o grupo fez desde o primeiro disco. São as músicas mais fáceis. Como estamos falando de uma banda de rock, lógico que tem peso aí também em alguns momentos. E como estamos falando de uma banda de rock inglesa, também destacamos ótimas faixas que foram parar no lado b de algum single que pouca gente se ligou.

Intermediário

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Fala aí, você mais versado em Arctic Monkeys, que já deve ter visto um show da banda por aqui, talvez. Ou já ouviu alguns álbuns, mas nunca foi de prestar atenção em todos os discos. Eu acho que talvez você queria começar por aqui. O foco desta playlist está nas músicas que tocaram menos por aí, mas que a gente fica se perguntando a razão disso, já que algumas são até melhores que os hits ou tão viciantes quanto.

Avançado

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O Arctic Monkeys não é uma banda de grandes experimentalismos. Diferentemente do Radiohead, nossa aula anterior, que consegue ter 1h30 de músicas muito esquisitas, para dizer o mínimo, as músicas mais difíceis do Arctic Monkeys não são tantas e são faixas que não abandonam o formato da canção, nem os riffs grudentos ou os bons refrões. O clima aqui fica dividido entre as músicas mais pesadas da banda, as menos pop do álbum mais recente (e mais difícil) deles, alguns raros momentos de músicas mais longas da banda (que chegam até a ter falsos finais) e algumas poucas instrumentais que eles lançaram.

*Vinicius Felix é jornalista, tem obsessão por playlists e é o responsável pelo podcast Telefonemas.

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