Em curumin:

Top 50 da CENA – Liniker vai ao topo até improvisando (ou por isso mesmo). Luana Flores traz suas conexões ao pódio. Sophia Chablau não perde tempo e fica em terceiro

1 - cenatopo19

* Que semana quente, não só na temperatura. Quase que a gente troca todos os dez primeiros do nosso top, mas resolvemos ser conversadores. Mantivemos alguns sons, mas a maioria é novidade. Complicado mesmo foi decidir quem ficava em primeiro, parecia um grande empate técnico. E meio que é assim mesmo. Como a gente gosta de contar, o Top 50 é só uma desculpa para a gente falar das músicas que nos agradam. E fazer a nossa playlist, para escutar (e entender) “o todo”. Do primeiro ao 50ª lugar, para nós, não tem erro.

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1 – Liniker – “Mel” (Estreia)
No excelente primeiro álbum solo, “Indigo Borboleta Anil”, Liniker arrebenta em uma série de músicas que passeiam de maneira habilidosa entre dores e alegrias, como é a vida, não? Do balanço a momentos de reflexão, são muitas as músicas que a gente ficou tentado a colocar em primeiro lugar, como “Baby 95” e “Lalange”. Mas ficamos com um dos momentos mais interessantes do álbum, onde ela aparece muito à vontade com voz e violão, sem clique, cantando uma música que aparentemente seria preterida, mas que na real não poderia ficar de fora do disco. Você que lê a gente sabe o quanto somos fissurados em uma metalinguagem. Liniker parou o andamento do disco para avisar, nele, que a seguir vem uma faixa bônus. É uma ideia muito boa de intimidade com seu fã. E acaba que sendo mesmo uma das músicas mais gostosas do álbum. Fora que faz esse fã se sentir parte daquilo. Que bom que ela fez esta no improviso, sem medo de desafinar, e não deixou de fora de “Indigo Borboleta Anil”.

2 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (Estreia)
Em “Nordeste Futurista”, Luana, que é da Paraíba, chega arrepiando em propor muitas conexões sonoras de ritmos da região com a música eletrônica. Melhor que o verbo “propor”, dá para dizer que Luana realiza com sucesso tipo uma cientista essa mistura para conseguir construir algo novo. Um diálogo criativo em ritmo, sons e na letras, que abordam a questão LGBTQI+.

3 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (Estreia)
Entre Pavement e Ana Frango Elétrico, Sophia e sua turma fazem tudo certo aqui. A cadência, depois a intensidade, a voz, a letra, o clima e o clímax. A música já tem um tempo e talvez até a gente já tenha falado dela aqui, mas retomamos porque a banda acabou de lançar um vídeo maravilhoso deste som que coloca os sentidos visuais para dialogar com a poesia da letra. Que galera nova boa.

4 – Juçara Marçal – “Crash” (1)
Uau. Que pancada quase literal é este novo single da Juçara Marçal. Com letra do rapper Rodrigo Ogi e produção de seu superparceiro Kiko Dinucci, Juçara chega estraçalhando com aqueles que querem com ferro ferir. Além da letra certeira e sua interpretação para lá de inspirada, sonoramente este single aponta que o álbum “Delta Estácio Blues” vai trazer novos elementos para sua rica discografia, onde o experimentalismo mais de banda embarca em uma experimentação eletrônica. Na ansiedade, falamos em disco do ano. Vamos ver.

5 – Cesar MC – “Antes Que a Bala Perdida Me Ache” (Estreia)
Conhecido das batalhas de rimas há alguns anos, Cesar MC estreia em álbum com feats poderosos de Djonga e Emicida, que chegam em versos que facilmente caberiam em discos seus, pesadões. Com boas linhas e mirando na farsa da meritocracia e o peso do racismo estrutural, o rapper faz bem a difícil transição das batalhas de improviso para as linhas que viram canções.

6 – Alice Caymmi – “Serpente” (Estreia)
Chega forte o novo single da Alice Caymmi, que tem produção dela e da talentosíssima Vivian Kuczynski. A parceria dessa dupla é um porradão em termos de som. Na letra, mais pancada, com Alice reivindicando contar a história de um amor que não andava dando muito certo. “Se eu amei um dia é problema meu/ A verdadeira história/ Quem conta sou eu.”

7 – Coruja BC1 – “Tarot” (Estreia)
Single novo do rapper Coruja BC1 deixa todo mundo bem ansioso para o álbum que ele prepara. Dizem por aí que está pesado. Dos muitos bons versos, chama atenção a autocrítica que ele faz a uma visão antiga de mundo que tinha: “Já quis tá cinco anos à frente, desculpa o que eu vou dizer/ Hoje eu quero só viver o presente sem pressa de envelhecer”.

8 – Curumin – “Púrpuras” (Estreia)
Que saudade que estávamos do Curumin. Bom saber que ele está de volta com este super-single, que chega totalmente apaixonado. Aquele clima sabe? Aquela ansiedade de dar uma ligadinha ou receber aquela ligação. A composição é parceria braba dele com Vitor Hugo (do Bloco Lua Vai), Tulipa Ruiz, Anelis Assumpção e a rapper Nellê.

9 – Nelson D – “Toy Boy” (2)
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

10 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (3)
Rei Lacoste é dos nomes mais inventivos da CENA de Salvador. Artista que estudou cinema antes de embarcar na música, ele escolhe o trap como elemento de sua exploração artística. Um pé no pop e outro pé em Glauber Rocha, sacou? Já no título deste som você já vê a brincadeira. Tutorial vem dos tutoriais da internet. E aprender a ser amado é uma bela inversão já que é mais fácil imaginar por aí um tutorial de como amar ou conquistar alguém e tal. Lacoste aprontou aqui.

11 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (14)
12 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (11)
13 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa” (4)
14 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (5)
15 – Marina Sena – “Me Toca” (6)
16 – Majur – Ogunté (7)
17 – Fresno – “6h43 (Nem Liga Guria)” (8)
18 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (9)
19 – Papangu – “Ave-Bala” (10)
20 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (11)
21 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (12)
22 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (13)
23 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (20)
24 – GIO – “Sangue Negro” (21)
25 – Tuyo – “Turvo” (22)
26 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (23)
27 – Rodrigo Amarante – “Maré” (27)
28 – Criolo – “Fellini” (28)
29 – Amaro Freitas – “Sankofa” (29)
30 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (30)
31 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (31)
32 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (32)
33 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (33)
34 – Jonathan Ferr – “Amor” (34)
35 – Jadsa – “Mergulho” (35)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
38 – Yung Buda – “Digimon” (40)
39 – FEBEM – “Crime” (42)
40 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
41 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
42 – Boogarins – “Supernova” (44)
43 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
45 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
46 – Mbé – “Aos Meus” (48)
47 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
48 – LEALL – “Pedro Bala” (50)
49 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
50 – Tagore – “Capricorniana” (20)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Liniker.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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