Em dababy:

Um “sunday service” absurdo. Saiu oficialmente, enfiiiiim, “Donda”, o poderoso novo disco do Kanye West, de capa preta

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* Um dos artistas mais geniosos e geniais desta era, o rapper polêmico Kanye West, em processo legal para mudar seu nome para Ye, lançou neste domingo de manhã, finalmente, o encantado álbum “Donda”. O disco era para ter saído em julho do ano passado e veio sendo postergado, postergado, postergado, ganhou audições de estádio, elevou o sarrafo de lançamentos da história pop, tem uma coleção de participantes notáveis, traz signifcados enormes e, ufa, saiu de surpresa-nada-surpreendente hoje. Um verdadeiro “sunday service”.

“Donda”, que bota no título da mãe de Kanye e tem na faixa de abertura mais ou menos homônima (“Donda Chant”) a simulação da “criança Kanye” repetindo sem parar o nome da progenitora já morta, como um chamamento, é o décimo disco do rapper.

Jay-Z, The Weeknd, Travis Scott, Ariana Grande, Young Thug, Marilyn Manson, Lil Baby, Ty Dolla Sign, DaBaby, Playboi Carti, Kid Cudi, Chris Brown são alguns dos nomes elencados nas colaborações do disco, mas NÃO SAÍRAM CREDITADOS nas plataformas.

“Donda” saiu na totalidade de todas as músicas especuladas em torno dele: 27 faixas. Quer dizer, 26, porque uma está “apagada” no tracklist (tem ela no Youtube). Não dá para tocá-la nos streamings de áudio. É a parte 2 de “Jail”, que tem o cancelado rapper DaBaby na participação. DaBaby, que recentemente fez pronunciamentos homofóbicos numa apresentação em festival de Miami e por causa disso acabou cortado da escalação do Lollapalooza de Chicago no comecinho do mês, não teve sua collab liberada pelo empresário dele ainda, que nem responde as mensagens ou a ligação do time de Kanye West. Então rolou uma conversa entre Kanye e seu manager sobre isso.

O empresário de Kanye West teria cogitado para ele arrancar fora a collab do DaBaby de “Jail pt. 2” do disco, senão a faixa não poderia estar no upload de “Donda”. O rapper rechaçou a ideia: “Não vou tirar meu brother do disco. Ele foi a única pessoa que disse publicamente que iria votar em mim em público [para a presidência dos EUA, nas eleições do ano passado que tirou o Trump e botou o Biden na Casa Branca].

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A parte 1 de “Jail”, a primeira faixa real do disco, logo na sequência da vinheta do canto para a Donda, já começa explosiva, com uma linha de baixo estourada marcando toda a música (junto com uma guitarra chorosa e-bow) e as participações do tutor e “frenemy” (friend + enemy) Jay-Z e de outro polêmico entre os polêmicos: o roqueiro Marilyn Manson, também canceladaço.

Há um trecho nessa “Jail” em que Jay-Z diz, na letra, “This might be the return of the Throne”, se referindo ao famoso disco colaborativo “Watch the Throne”, de Jay-Z e Kanye West, lançado em agosto de 2011, há exatos dez anos.

Kanye West escreveu nova página na música pop no geral ao fazer três “listening parties” em estádio, reunindo a galera para ouvir seu disco pagando ingresso, chamando os participantes para, enfim, participar do show (show?), transmitindo tudo ao vivo na Apple Music e vendendo merchandising a rodo. Foram três dessas audições-show, duas no gigantesco Mercedes-Benz Stadium, Atlanta, e a última nesta semana, em Chicago, onde perto de 40 mil pessoas compareceram para ouvir “Donda”, ver Kanye de máscara preta o tempo todo na cara, numa listening party que não só não exigiu vacina ou teste negativado para a covid-19 como teve ainda, como convidados, os réus dos tribunais de cancelamento das redes sociais Marilyn Manson e DaBaby. No estádio de Atlanta, Kanye chegou a MORAR um tempo num dos camarins e transformar outras salas em área de produção, para dar os toques finais de “Donda”, depois de recolher impressões do disco nas primeiras audições. Tudo isso, claro, transmitido na Apple Music.

“Donda” é sobre a cor preta, que vai da pele de Kanye e da mãe, a causa anti-racista (tem um merchan supervendido já, nas audições de estádio”, que é um colete a prova de balas preto, com “Donda” escrito na frente e atrás, ainda com uma sigla MBF “My Body Different”; custava 20 dólares), a capa inteira preta sem nada escrito, a máscara enorme que não tirou um segundo em seus “shows” de agora.

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Donda West, a mãe de Kanye homenageada no título do disco novo, sucessor de “Jesus Is King”, de 2019, morreu aos 58 anos, em 2007, de problemas no coração, alegadamente ocorridos por causa de uma lipoaspiração e cirurgia plástica nos seios, para diminuí-los, que ela fez anos antes, em 2001. Na época, o cirurgião responsável foi processado pela família de Kanye. Então o governador da Califórnia, ninguém menos que Arnold Schwarzenegger, lançou a “Lei Donda West”, em vigor até hoje, que obriga todo paciente a ter uma autorização assinada baseada em exames médicos antes de fazer uma cirurgia plástica estética.

** KANYE E O BRASIL – O rapper é considerado o responsável por falir um dos maiores festivais que o país já teve. Grande e caríssima atração da edição derradeira do Tim Festival 2008, que antes era o Free Jazz Festival mas teve que tirar o cigarro de seu nome, Kanye West não traduziu sua fama já estratosférica em venda de ingressos naquela vez. Para o show de SP, na etapa paulistana do Tim, cerca de 300 pessoas foram vê-lo sair de dentro de sua nave espacial para sua maravilhosa porém perdulária ópera-hip hop espacial, que ainda tinha uma orquestra trazida por ele, tocando nos bastidores. Não houve mais Tim Festival depois de Kanye.

Muitos anos depois, e na real nunca saberemos se ia mesmo acontecer, mas no final de 2019 um colossal concerto de Kanye West foi negociado entre empresários gringos, a prefeitura de SP e a… Popload, para acontecer na Avenida Paulista. Kanye iria trazer seu coro religioso Sunday Service para tocar no aniversário de São Paulo, 25 de janeiro de 2020. Com um Sunday Service especial extra num domingo de manhã no Unimed Hall. Por questões logísticas para um show desse vulto (as conversas começaram pouco antes do Natal), a apresentação do Kanye West foi postergada para abril, no feriado de Páscoa. Mas aí a covid…

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Kanye West faz da audição de “Donda”, em Chicago, um festival de cancelados. Veja fotos e vídeos e músicas

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* Talvez o maior show da temporada sem ter sido um show foi realizado ontem em Chicago, pelo rapper-treta Kanye West, o CARA QUE FALIU O TIM FESTiVAL BRASILEIRO. Mas isso é uma outra questão, para outra hora.

Kanye, que deve passar a se chamar Ye logo mais, fez a terceira audição pública, em estádio, de seu próximo álbum, “Donda”, para testar se a galera gosta, se ele vai querer mudar algo antes do lançamento. Ou mesmo nem lançar. Porque é o kanYE, né?

Essa coisa de “galera em teste” resume-se a 38 mil pessoas, que foram aglomerar os ouvidos no Soldier Field, em Chicago, terra do rapper. Antes, Kanye botou sua provável bolacha nova para rodar em Atlanta e Los Angeles.

Mas não foi uma “listening party qualquer”. Teve cenário e convidados. Foi erguida dentro do estádio uma réplica da casa em que Kanye passou sua infância, na região de South Shore”, uma das mais povoadas e tensas áreas da sempre tensa Chicago fora de seu maravilhoso skyline.

Os convidados? Ah, os convidados! Mantendo sua fama de… de… provocador, Kanye West levou ao Soldier Fields seus amigos DaBaby e Marilyn Manson, ambos artistas canceladaços. O primeiro causou controvérsia por homofobia declarada em um evento de Miami no mês passado, o que lhe rendeu uma expulsão do line-up do Lollapalooza pela repercussão negativa. E o figurão Marilyn Manson está enfrentando na Justiça acusações gravíssimas de abusos sexuais e psicológicos de sua ex, a atriz Evan Rachel Wood, e outras mulheres.

Logo no comecinho do evento, que foi transmitido para o mundo pela Apple Music, Kanye West botou para tocar a faixa “Jail”, que tem um verso cantado originalmente pelo Jay-Z, mas que na listening party de Chicago foi substituída por uma frase falada pelo DaBaby: “I said one thing they ain’t like and they threw me out like the garbage” (“Eu falei uma coisa que eles não gostaram e me jogaram fora como se eu fosse um lixo”).

A própria ex do Kanye West, a extrafamosa Kim Kardashian, em processo de divórcio do rapper, apareceu na hora em que a última música da noite foi tocada, a “No Child Left Behind”. E ela apareceu usando um… vestido de casamento.

Esse caldo polêmico todo se juntou ao fato de que as 38 mil pessoas que foram ao estádio ouvir o “Donda” não tinham a obrigação de apresentar comprovantes de vacinação ou testes negativados para a covid-19, o que nos EUA representam um número gigante de pessoas. Tudo garantido pelas autoridades locais, pelos testes com eventos esportivos e principalmente musicais, como o bem-sucedido sanitariamente Lollapalooza, que rolou no mês passado.

“Donda”, o décimo álbum do Kanye West, já roda a internet em algumas versões, não se sabe se definitivas. O título do disco se refere à mãe de Kanye, Donda.

As fotos e tweets e vídeos do Youtube do evento de ontem em Chicago são sensacionais.

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Fila “organizada” para comprar merch do Kanye West e de seu disco novo “Donda”, que nem saiu ainda e já pode ser o álbum que mais faturou nos últimos anos sem nem ter sido lançado

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