Em Damon Albarn:

Top 10 Gringo – Que semana de músicas incríveis. Mas o que formou pódio por aqui foram Courtney Barnett, Ye e Idles

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* Este feriado que passou atrasou nosso trabalho por aqui e também deixou a gente com muita saudade do nosso festival – no tradicional 15 de novembro. Mas tudo bem, isso é uma outra história. O que pega é que a semana foi carregada de discos novos, muito mesmo, e ainda estamos digerindo tudo para muito além daquela escutada básica. Mas já estamos maravilhados com alguns. Courtney Barnett lançou coisa nova, Idles também, Damon Albarn… Lógico que singles também não faltaram, e aí temos Beyoncé, Placebo… E tem o Kanye West, que ao seu modo soltou sem aviso uma edição de luxo do “Donda”, que é quase outro disco se a gente for contar o número e o calibre do “material extra” que entrou – no mínimo, é outra experiência escutá-lo de cabo a rabo, vai. Dito isso tuuuuuuudo, vamos às novidades todas e ao que interessa, que é engordar nossa valiosa playlist:

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1 – Courtney Barnett – “Turning Green”
Quem ama a guitarra da Courtney Barnett, sem dúvida uma das mais originais por aí no momento, vai se surpreender com esta faixa de seu novo álbum, “Thing Take Time, Take Time”, onde ela simplesmente (quase) deixa a guitarra de lado. Temos um beat, um baixo potente, um pouquinho de percussão, um sintetizador, se pá, um piano. E quando você acha que ela não vai tocar uma notinha sequer da guitarra vem um solo descontruído (sério) e maravilhoso. Courtney arrepia nesse novo disco. Aliás, já viu nosso papo com ela?

2 – Ye – “Life of the Party”
Não é todo dia que a gente tem a chance de escutar o sumido André 3000 em um som e isso já é o bastante para valorizar a novidade da versão de luxo de “Donda” – uma canção incrível que quase não viu a luz do dia por conta de uma treta com o próprio André sobre a edição da faixa. Ainda que bem que tudo foi resolvido, pelo visto, nem que tinha tido um impulso do desafeto Drake haha. Enfim, um um disco um tanto quanto confuso, ok, mas eis aqui uma faixa bem resolvida e lindona.

3 – Idles – “The New Sensation”
Em seu trabalho mais “experimental” (se é que dá para dizer isso) até aqui, o ótimo “Crawler”, são bons os momentos em que o IDLES também se permite ser mais “tradicional”. “New Sensation” é uma porrada (quase literal) em um político britânico que sugeriu que os artistas se reinventassem durante a pandemia, abdicando da arte. Consegue imaginar ter lidado com a fase mais brusca de ficar em casa sem arte? Agora pensa isso tudo transformado numa música e tanto…

4 – Beyoncé – “Be Alive”
Vacilaram muito em até hoje não acertarem com a Beyoncé um tema do 007. Não que “Be Alive” tenha a ver com algo do agente secreto, mas mostra a capacidade incrível da Queen B em traduzir a emoção de um filme em música. No caso, estamos falando do filme que vai contar a história do pai (e de quebra) das tenistas irmãs Williams – que pelo trailer vai ser daqueles longas de arrepiar quem é fã e quem não é fã do esporte, especialmente pela atuação do Will Smith.

5 – Damon Albarn – “Darkness to Light”
Não vamos ser apressados e tal, mas a sensação que “The Nearer The Fountain, More Pure The Stream Flows”, segundo disco solo para valer de Damon Albarn (Blur, Gorillaz e outros mil projetos), deixa é de talvez ser um dos trabalhos mais inspirados do inglês, entre todos. Exagero? Não tem faixa ruim, as letras são boas, a voz está em cima… Até parece que ele vinha escondendo o jogo por aí nos últimos anos.

6 – Nation of Language – “The Grey Commute”
Direto dos anos 80, Nation of Language. Zuêra. Esse trio do Brooklyn é atualíssimo, mas, caramba, que sensação esquisita e boa ele provoca. É que o synth pop que a banda captura em seu novo álbum, “A Way Forward”, tem muito da essência do melhor do gênero das antigas e gera essa sensação curiosa de estarmos diante de uma novidade e de uma coisa datada. Falar isso parece um lugar comum sobre músicas que usam elementos retrô, mas a questão é que o Nation of Language, de alguma maneira muita habilidosa e difícil de colocar em palavras, deixa essa divisão entre novidade e velharia mais nublada que outras bandas que tentam o mesmo. Fez sentido?

7 – Taylor Swift – “All Too Well (Taylor’s Version)”
Well, well. Música de DEZ minutos da Taylor Swift para você. Mas acredite: a música só vai ficando boa enquanto esse tempo passa. Porque o tempo para ela passou desde que lançou o seu “clássico álbum”, o “Red”, aos 22 anos, e agora aos 31, mudada, resolveu refazer o disco e chamá-lo de “Red (Taylor’s Version)”. Believe!

8 – Holly Humberstone – “Haunted House”
E, por falar em lugares estranho da música no tempo e espaço, aqui outro exemplar de música nova que parece que sempre esteve por aqui. É a lindíssima “Haunted House”, da britânica Holly Humberstone, que chega a seu segundo EP e tem cara de quem deve conquistar o mundo em breve – ela já é destaque em diversas publicações e festivais. Questão de tempo.

8 – Beach House – “Once Twice Melody”
A querida Beach House, dupla dos Estados Unidos formada por Victoria Legrand e Alex Scally, que não lançava nada desde desde 2018, chega com um álbum divido em quatro capítulos. Se o restante tiver o pique que a primeira etapa tem, estamos feitos.

10 – Placebo – “Surrounded by Spies”
Foi longo o período sem novidades do Placebo. Mas a banda emo-glam-gótico que encantava David Bowie ressurge para um novo trabalho, “Never Let Me Go”. Nas devidas proporções, esse segundo single de retomada do grupo herda muito do que Bowie inventou por aqui, inspiração declarada do vocalista Brian Molko para a letra. Em todo caso, é muito Placebo e (melhor ainda) em seus melhores dias.

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* A imagem que ilustra este post é da guitarrista australiana Courtney Barnett.
** Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Damon Albarn por todo lugar: na TV, no rádio, com disco novo, tocando Blur, fazendo cover…

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* Damon Albarn é o cara. Lançou seu lindaço segundo álbum solo na última sexta-feira, o “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”, vai vir com tudo para shows na América do Sul no ano que vem com o Gorillaz e anda tocando Blur em sessions e apresentações recentes. Olha o repertório de boas músicas que ele acumula!!!

Do dia que saiu o disco para cá, a gente juntou algums momentos de Damon Albarn nos últimos dias espalhando sua música em rádio britânica, TV americana e até fazendo cover incrível de banda absurda.

Resumindo, abaixo temos Albarn mandando uma performance da absurda “Dakrness to Light”, do disco novo, para o programa do Jimmy Fallon, tocando o superhit “Don’t You Want Me”, do Human League, na Radio 2 (programa da maravilhosa Jo Whiley), e encerrando seus shows no Pryzm Kingston, no sul de Londres, e na loja Rough Trade, no East, com a clássica “Beetlebum”, do Blur, ao piano.

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POPLOAD NOW – Cinco discos lançados sexta para você ouvir desesperadamente por todo o feriado

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* Que dia, amigues! Que sexta-feira de lançamentos tivemos. A gente aqui está morando muito, desde as primeiras horas do dia, no disco novo da Courtney Barnett. Mas já sapeamos por aí nos outros lançamentos mega do dia e temos a dizer o seguinte:

– Courtney Barnett – “Things Take Time, Take Time”
Saiu o maravilhoso terceiro álbum da nossa querida guitarrista e poploader australiana, carregaaaaaaaado dos singles incríveis que foram revelados nas últimas semanas e várias pérolas indies que tomamos conhecimento agora, com o disco na rua. Tipo essa absurda “Turning Green” com toda aquela conjunção perfeita que a gente gosta, tipo voz brilhantemente frágil e a guitarra mais esperta do mundo, tudo junto. Vamos soltar em breve uma entrevista com Courtney Barnett, se liga.

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– Idles – “Crawler”
Outro discaço que saiu hoje é o da armada inglesa pós-punk Idles, banda cada vez melhor e que está para tocar no Brasil em março, no Lollapalooza de São Paulo. O grupo de Joe Talbot tem em “Crawler” seu quarto disco, significantemente lançado pelo selo Partisan Records. O disco começa tão bem que a gente destaca aqui logo a música de abertura, a paranóica-sussa “MTT 420 RR”.

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– Silk Sonic – “An Evening with Silk Sonic”
Você vai ler bem mais e melhor sobre este disco na coluna Semiload, que vamos publicar logo mais aqui na Popload. Mas fica o registro deste beeeeelo álbum da superdupla insólita Bruno Mars e Anderson .Paak. Esse “An Evening with Silk Sonic”, outro dos petardos novos de hoje, tirando os singles conhecidos, traz a suingadíssima “Fly as Me”, música de deixar alegre até a galera que votou no Bolsonaro e hoje se arrepende de tanta vergonha. James Brown, onde estiver, deve estar sorrindo com essa música. Olha só.

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– Damon Albarn – “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”
Coisa linda de meu Deus é esse segundo álbum solo do incansável Damon Albarn, o cara do Blur e do Gorillas ou vice-versa. Íntimo e de uma doçura incômoda, o disco teve um single que saiu junto, a belíssima balada “Darkness to Light”, que representa em seu título muito do que é o álbum. Para você ter uma idéia do nível deste disco, uma obra-de-arte, ele vai ser decupado em seus processos e inspirações na The Photographers’ Gallery, em Londres. Desta sexta até dia 21. Sentiu?

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– Taylor Swift – “Red (Taylor’s Version)”
A retrabalhada da madura Taylor Swift em seu quarto álbum, de 2012, o clássico “Red”, da época em que era a menina Taylor Swift, tem rendido elogios rasgados. Taylor dobrou o número de faixas do original para oferecer um recheio a mais neste relançamento esperto. E meteu uma versão de 10 minutos da conhecida “All Too Well” que, juramos, não cansa nem um pouquinho.

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Damon Albarn toca o disco solo lindão e novo em show em Paris

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* O nosso querido Damon Albarn, ser musical iluminado há muito tempo e com muitas bandas, tocou neste onipresente programa francês Arte Concert, aquele esforço conjunto esperto com instituições francesas, desta vez com o conhecido programa de vídeos “La Blogothèque”, a revista “Les Inrockuptibles” e o absurdo centro de música moderna La Gaîté Lyrique, onde o cara do Blur, do Gorillaz e agora saindo solo novamente se apresentou.

Sexta que vem Albarn lança “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”, seu segundo disco usando seu precioso nome. O álbum serviu de base para o material sonoro apresentado na linda performance para o Arte Concert, com banda cheia, galera em violinos, contrabaixão, Damon ao piano, num palco arena com o público ao redor. Tudo filmado neste show especial na quinta-feira passada, de 1h15 de duração.

Sim, teve duas do Blur e três do Gorillaz no setlist.

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* As músicas tocadas
0:41 The Nearer the Fountain,
More Pure the Stream Flows
5:12 The Cormorant
8:57 Royal Morning Blue
12:38 Lonely Press Play
16:20 Go Back (Tonny Allen)
22:17 The Tower of Montevideo
27:10 The Poison Tree (The Good, The Bad & The Queen)

32:17 Hong Kong (Gorillaz)
37:08 Daft Wader
39:53 Out of Time (Blur)
44:13 El Mañana (Gorillaz)
50:03 Darkness to Light
54:26 On Melancholy Hill (Gorillaz)
57:16 Polaris
1:03:46 Particles
1:07:49 This Is a Low (Blur)

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Top 10 Gringo – Um remix em primeiro lugar? Culpa do Tame Impala. James Blake volta ao pódio, que traz a incrível Arca também

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* Caramba. Semana de peso pesados na lista. Tame Impala, James Blake, Arca, BADBADNOTGOOD, Little Simz. Pensa que a gente teve que deixar lá nas últimas posições coisas de gigantes como Damon Albarn e Nas. Mas a missão está entregue. Qual missão? A playlist mais certeira de novidades da semana que conhecemos.

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1 – Tame Impala – “Breathe Deeper (Lil Yachty Remix)”
Remix em primeiro lugar? Pois é. A gente ficou de cara com a presença e letra que o rapper norte-americano Lil Yachty lançou na música dos australianos do Tame Impala. Já fica a nossa sugestão de que Kevin Parker abra o acervo da banda para que outros rappers explorem a trilha. Porque combina, viu? Virou outra música, sendo a mesma. Para resumir, agora o Tame Impala tem duas “Breathe Deeper” muito boas, em vez de “só uma”.

2 – James Blake – “Life Is Not the Same”
Esse novo álbum do James Blake carrega uma coerência tão boa entre todas as faixas que fica difícil escolher uma só como destaque. Ainda que não seja talvez uma revolução sonora em sua carreira, são todas músicas inspiradas que ficam já perto da gente na primeira audição. Saca?

3 – Arca – “Born Yesterday”
Experimental, a sensasional artista venezuelana Arca tateia seu som mais pop até aqui ao criar em cima de uma demo da Sia. “Born Yesterday” é uma canção que foi recusada por Katy Perry. Perdeu. Se bobear essa versão vira hit daqueles gigantes que a Sia tá acostumada a ter.

4 – BADBADNOTGOOD – “City of Mirrors”
Na emocionante track instrumental é bem provável que o trio canadense BadBadNotGood esteja mais emocionado não com a composição, mas por realizar um sonho – imaginamos que era um sonho, né? No arranjo de cordas está o brasileiro Arthur Verocai, sem dúvida um dos nossos músicos mais amados pelos gringos que tão ligados no cultuado álbum dele de 1972, sampleado já por uma galera forte.

5 – Little Simz – “Venom – Remix”
Esta música tinha uma letra diferente no álbum “Grey Area”. Little Simz reescreveu para encaixá-la na trilha do novo filme do Venom. Digamos que a letra original era um pouco pesada para um filme que deve ser visto por muitos adolescentes. De qualquer maneira, é Little Simz e a gente gosta demais, com filme ou sem filme.

6 – Mitski – “Working for the Knife”
Ainda que tenha lançado algumas coisas para trilha sonora, quer dizer, tendo feita a trilha de uma HQ, Mitski retorna a sua discografia oficial, digamos. Esse single não antecipa um álbum, por enquanto, mas sua turnê do ano que vem. A música é sobre algo que não está certo na percepção do personagem. Ele tinha grandes sonhos, mas agora sente que o mundo não se importa lá muito com ele e ele só vive a trabalhar. “Começo o dia com uma mentira e acabo ele com a verdade”, ela canta em um dos versos. Ideia pesada.

7 – Damon Albarn – “Royal Morning Blue”
Ainda falta um mês para que tenhamos o novo álbum de Damon Albarn completo nas plataformas e a ansiedade está alta. Até aqui os singles tinham sido um tanto quando introspectivos, mas a coisa muda de figura aqui. Ou quase. Ainda há uma melancolia na voz, no clima. É uma música que fala de fim do mundo e tal, mas há um beat dançante que deixa tudo meio fora do lugar.

8 – Porches – “Back3School”
Difícil pensar algo sobre a letra deste som do projeto tocado pelo Aaron Maine. Ele mesmo escreveu sobre o mistério da canção. “Destruição iminente misturada com felicidade total.” Vai entender. O que a gente pode garantir é que é uma boa música que vai crescendo e de fato se desmancha no final. Repara no efeito sonoro.

9 – Nas – “Big Nas”
Manja aquele Masterclass? É uma plataforma que traz uns mestres de suas áreas para dar aulas. Dá para aprender xadrez com o Kasparov, composição com a Alicia Keys, entre outros sábios de seus rolês. Nas vai estrear sua aula sobre hip hop e escreveu uma música dentro do seu curso. Não sabemos se o curso vai te deixar afiado como o Nas, mas o rapper sabe bem o que faz.

10 – Nirvana – “Lithium” (Live in Melbourne, 1992)
A gente não vai se cansar do Nirvana. Especialmente enquanto eles ficarem soltando aos poucos as novidades que vão estar na reedição do comemorado “Nevermind”. Esta versão de “Lithium” é bonita, pois carrega pequenos detalhes que contam um tanto sobre a banda: Kurt pedindo gentilmente que a plateia cante, ele se distraindo a ponto de se esquecer de acionar a distorção da guitarra no refrão e Dave Grohl no apoio dos vocais gritados para tentar repetir a energia da gravação de estúdio.

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* A imagem que ilustra este post é do duo inglês Wet Leg.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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