Em dave grohl:

Popnotas – A música misteriosa de Lil Nas X. As pistas para o disco novo do Rodrigo Amarante. O vídeo da nova velharia do Black Keys. E o Dave Grohl tocando AC/DC para os médicos

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CENA – Desde 2013 sem lançar um novo álbum, o conhecido Rodrigo Amarante anunciou o sucessor de “Cavalo”, que foi sua primeira experiência sozinho após os anos de Los Hermanos e Little Joy, a aventura de uns dois verões que ele teve com o baterista dos Strokes, o Fabrizio Moretti. Seu segundo disco vai levar o nome de “Drama”. A notícia veio acompanhada de um trailer, que não entrega informações objetivas – quem precisa de datas? Amarante sempre misterioso.

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– E vem por aí uma inédita do Lil Nas X (foto na home). O rapper cantor americano vai ter a honra de ser a última atração musical da atual temporada do lendário e alive-and-kicking programa de TV nova-iorquino “Saturday Night Live”, um espaço que o programa costuma reservar para os maiores da música, como Mick Jagger, Kanye West, Rihanna – se bem que em algumas temporadas as atrações musicais são tão relevantes que o último episódio nem soa tão headliner assim. Sabendo da oportunidade, ele vai mandar, lógico, seu hit “Montero”, mas também terá espaço para essa nova e misteriosa faixa que andam dizendo por aí. Lá vem o Lil Nas X.

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– O duo Black Keys, de Akron, Ohio, soltou mais um single do seu álbum com versões de músicas que os inspiraram – traduzindo: um monte de country e blues muito (mas muito) antigos. A música da vez é “Going Down South” de Robert Lee Burnside, bluesman que por anos tocou e trabalhou nos subterrâneos da música americana até ser reconhecido, nos anos 90, por artista gigantes como Bono e Iggy Pop. A faixa do Black Keys ganhou um vídeo bonito em um passeio pelo sul norte-americano. A coletânea “Delta Kream” chega às plataformas na próxima semana.

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– Já que nada pode deter nunca nosso amigo Dave Grohl, vamos às últimas dele. O cara do Foo Fighters e do recentíssimo documentário “What Drives Us” (já viu no Amazon Prime?) apareceu ontem em um show do Brian Johnson, do AC/DC, para tocar “Back in Black”, um dos grandes clássicos da mitológica banda hard rock australiana. O show de Johnson foi num evento no SoFi Stadium, em Los Angeles, no domingo, especial para a Global Citizen, ong internacional, lutando pela conscientização da importância da vacina, por mais que lutar por isso seja um absurdo. Mas enfim. Show com público mostrado no vídeo abaixo, Johnson e Grohl tocou o hit secular para uma plateia de milhares formada em sua grande maioria por médicos e enfermeiros da linha de frente do combate ao vírus, devidamente vacinados. E muitos usando vestimentas médicas. Temos um trecho de “Back in Black”, no encontro Brian Johnson e Dave Grohl. Em tempo, o vocalista do AC/DC é amplamente entrevistado no doc de Grohl.

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Top 10 Gringo – Ranking robusto desta semana reúne no topo Billie Eilish, Royal Blood, Girl in Red e grande elenco. Mas… Anitta??

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* Têm semanas que montar o nosso top 10 é dar atenção a artistas que a gente acabou de conhecer e nem sabe ainda muito qual é a deles. Porque tudo que seguimos mais de perto às vezes anda devagar. Nestes dias essa situação não rolou. Uma galera que a gente já acompanha, segue e presta atenção parece ter combinado de soltar novidades excelentes de uma só vez. Uma fato que deixou nossa missão bem complicada aqui, com vários potenciais números 1 na mão. Se o que a gente sempre fala aqui, que o importante é a playlist gostosa que essas músicas reunidas gera, isso não chega a ser complicaaaaaado exatamente, né? Charminho nosso.

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1 – Billie Eilish – “Your Power”
A missão do segundo disco é um trabalho árduo mesmo quando o primeiro não bombou, digamos. Imagina então quando esse seu álbum de estreia é um múltiplo vencedor do Grammy que te levou a conquistar o mundo inteiro até mesmo antes de ser lançado? É daí que Billie Eilish assume essa complicada missão, que tudo indica que será bem-sucedida, incluindo até algumas transformações de personalidade, sinal de crescimento, de querer sair do lugar onde sempre esteve. Até agora os três singles de “Happier than Ever” são excelentes e o mais recente, “Your Power”, além de revelar mais a fundo novo visual e postura, relevam uma Billie ainda mais afiada e sutil em seu recados na letra corajosa que expõe uma questão tão pessoal – um retrato sobre abuso de poder em um relacionamento, talvez inspirado em seu próprio namoro com um cara mais velho. Cada um com suas cobras, ela mostrando a dela.

2 – Royal Blood – “Trouble’s Coming”
Ao se reinventar mais “dançante”, e aqui as aspas são importantes, o duo do Royal Blood conseguiu dar um novo gás para o seu som e garantir a sua volta às principais arenas do rock mundial – quando elas tiverem funcionando a toda, lógico. Proporção é uma questão aqui. Em uma banda com a fama do duo Royal Blood movimentos bruscos são sempre sentidos por fãs e não fãs. Um erro e acabou. Mas não é o caso da vez. Aqui eles entregam vários prováveis hits que podem tocar sem medo em rádios pelo mundo. Talvez ele percam algum fã mais radical no processo, mas é do jogo.

3 – Black Midi – “Slow (Loud)
A versão loud de “Slow”, novo single do Black Midi lançado nas plataformas, é a mesma música que estará no disco novo que vem aí, só que ligeiramente mais alta, como descreveu a banda. Lógico que gostamos da versão mais barulhenta e pegada. Sendo o conteúdo o mesmo, vale notar que o Black Midi deve aperfeiçoar sua lógica complicada de nos fazer perdidos em tentar rotulá-los (jazz? indie? experimental?), proposta em seu primeiro álbum, repetindo a tarefa agora em “Cavalcade”, a segunda aventura de estúdio da banda prevista para o fim do mês. A gente já ouviu por aqui e entrega um spoiler rápido: está menos jam, mais melodioso. Mas do jeito Black Midi, claro.

4 – Girl in Red – “Did You Come?”
A gente sabia que ia amar o disco de estreia da norueguesa Girl in Red, que saiu sexta passada. Além dos singles que já curtíamos todos, um petardo desses em direção a um namorado que traiu a narradora da música. Não é lamento, não. É um chega para lá daqueles. Dolorosamente divertido.

5 – Kings of Convenience – “Rock Trail”
Foram 12 anos sem música nova, mas a dupla norueguesa do altão Erlend “Shhhh” Øye com o parça das antigas Eirik Glambek Bøe não perdeu a forma que consagrou seu trabalho lá atrás. Uma afiada dupla de violões e vozes que se encontram harmoniosamente em belas melodias e climas deliciosos, arriscamos a dizer um parente de uma MPB bem feita, cancioneira. No caso do KoC, sabe aquele som que pede uma tarde de sol, um vinho, um parque, alguns amigos? Tem quem ache caído, pode ser, mas nem tudo é ruído nesta vida barulhenta.

6 – Beach Bunny – “Cloud 9”
Quem acha que no TikTok não tem espaço para hits com guitarras tem que escutar “Cloud 9”, megafenômeno do pequenininho grupo americano Beach Bunny, de Chicago, quarteto indie liderado pela fofa Lili Trifilio. São 78 MILHÕES de streams na plataforma jovem-dancinha. Pensa. Esse sucesso alavancou a música em ambientes mais tradicionais, como o Spotify e até programas de TV nos EUA, que a banda até já frequentava antes de ser tornar fenômeno. É que agora o status dessa molecada é/está outro.

7 – Teenage Fanclub – “Silent Song”
Teenage Fanclub não tem erro. Em seu novo álbum, “Endless Arcade” a sempre linda banda escocesa não só se mostra que está firme em sua “velhice indie” (aqui tem um conceito que talvez seja desnecessário explicar) como segue produzindo, talvezzzzzz, um de seus melhores repertórios, se você praticar o desapego ao passado. “Silent Song” é sobre uma poderosa música que não precisa de palavras: a mensagem está no olhos, na alma. Uma conexão dessa dispensa palavras.

8 – Burna Boy – “Kilometre”
Burna Boy conquistou um Grammy ano passado na categoria meio controversa da polêmica premiação da indústria americana que é a de world music – mas é o Grammy, né? Outro papo. Com boa entrada nessa indústria citada, na imprensa pop dos EUA e bombando Billboard, o artista nigeriano soltou um single que comemora esse sucesso todo e ao mesmo tempo avisa aos novatos, nesta sua música, que sua trajetória de sucesso não começou ontem, com esse tardio reconhecimento do “primeiro mundo”. Ele já tem sua estrada. Estrada quilométrica. Respeita o cara.

9 – Violet Grohl e Dave Grohl
Que voz tem a filha do Dave, Violet, 15 anos. É um barato ver a dupla aqui no primeiro single dela, com protagonismo realçado ainda que numa música de outro, um cover esperto da sensacional banda punk X. E ainda mais a versão ao vivo que rolou em um programa de televisão nos EUA, que contou com o ex-Nirvana Krist Novoselic no baixo e o ex-Slayer Dave Lombardo na bateria. Se o pai liberar o zap para mais convites desse porte, Violet já tem algumas superbandas para imaginar.

10 – Anitta – “Girl from Rio”
Anitta é brasileira, mas achamos que vale a brincadeira de jogar ela aqui entre os gringos. Até porque (1) a música é de exportação, cantada em inglês, e (2) a meta dela nesta canção e ultimamente na vida é começar a rivalizar de vez com os grandes nomes do pop mundial. E talvez role. É um acerto a maneira como ela pega uma das canções mais populares e brilhantes da história, que é “Garota de Ipanema”, e dá seu toque moderno nos novos versos. Quer forma melhor de tocar corações do mundo todo com uma melodia que já está lá, mas para uma nova geração? A gente comenta melhor na CENA. Apropriação cultura? Our asses.

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* A imagem que ilustra este post é da nova Billie Eilish nova.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Dave Grohl estreia filme em homenagem às viagens de vans de bandas pequenas. E leva a filha para cantar na TV

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* Estreou hoje na Amazon Prime o documentário “What Drives Us”, idealizado pelo foofighter Dave Grohl. O filme é uma declaração de amor e uma volta do ex-Nirvana às lembranças de começo de carreira como integrante de banda pequena, quando “tudo começou”. E para essa viagem ao passado ele carrega junto um monte de gente de banda de todos os tamanhos, até gigantescas como as deles mesmo ou Metallica ou U2 ou Red Hot Chili Peppers, por exemplo, que um dia foram pequenininhas.

O símbolo focado no filme produzido e dirigido por Grohl são as vans de turnês, veiculo que puxa o “drives” do título do doc e representa uma pratica bem comum de bandas novas caírem na estrada para pingar de cidade em cidade tocando. O guitarrista do Foo Fighters foi atrás da van vermelha que o levava nos tempos de “bateristinha” ainda, para comprá-la.

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“What Drives Us” começa com uma frase de Grohl dizendo que todas as grandes bandas do mundo tiveram que começar de algum lugar. “E todas as que conheço começaram assim, em uma van.”

Sim, o filme vai além dos carros que uniam as cidades em torno do rock. Ele fala com sua enorme lista de convidado ilustre sobre inspiração, tocar em cima de um palco diante de uma plateia seja ela de 30 pessoas ou 30 mil, mas desde o começo. Que fica com cara de “os bons tempos”, para um sujeito que faz dois shows no Brasil e praticamente pode comprar todas as vans dos Estados Unidos. O exagero é para passar o sentido.

Mas um bom e hoje dolorido jeito de enxergar esse “What Drives Us” é como uma celebração à música ao vivo. Dessas com banda tocando e galera assistindo, todo mundo no mesmo lugar e ao mesmo tempo, lembra? Algo que nos foi tirado ao mesmo tempo que nos motiva a enxergar a volta mais para frente. [Já falei aqui do Popload Festival 2022?]

Dave Grohl, além da música que faz e os showzões que conduz para a banda que comanda é um cara tão boa praça demais quanto chato. Ou “chato”, que seja. Ele está em todas,a toda hora e em todo lugar. Faz cover de todo mundo, faz 200 projetos, um outro tanto de filmes, puxa a filha de 15 anos para cantar com ele, se envolve em causas musicais. Abraça sonoramente até religião que nem é a sua. Porque o cara ama rock e não sabe nem quer fazer outra coisa. “What Drives Us” é mais um de seus bons produtos para manter o gênero sempre vivo. Não que ele esteja morrendo, essa é a graça da coisa. E a importância de Grohl.

O filme, para quem gosta de música em geral, mas também bastidores, ver gente famosa e novata falando da mesma coisa com a mesma paixão, apenas com diferentes fases de vidas, é uma delícia, embora não pretenda concorrer a um Oscar ou ser unanimidade da crítica especializada. É um filme de roqueiro para roqueiros, seja esses gente de banda ou apenas fãs.

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Flea Chili Peppers, Steven Tyler (Aerosmith, o da foto acima), Ben Harper, St. Vincent, Lars Ulrich (Metallica), Brian Johnson (AC/DC), Tony Kanal (No Doubt), The Edge (2) e Ringo Starr, daquela banda lá, são alguns dos nomes que dividem espaço com os molequinhos da banda Radkey, para citar alguns.

“Eu, pessoalmente, não acho que estaria aqui se não fossem as experiências do começo, cair na estrada numa van, viajar com meus amigos para tocar. Se não fosse aquelas velhas vans, eu não tenho ideia onde eu estaria hoje”, disse Grohl, no filme.

No começo desta semana, Grohl e sua filha Violet foram a atração musical do programa de entrevistas do Jimmy Kimmel, um desses noite adentro da TV americana. Grohl tocou guitarra e montou uma “bandinha” para sua filha de 15 anos cantar “Nausea”, uma sensacional cover da lendária banda punk californiana X, música esta que já tinha tido seu áudio revelado há alguns dias e está na trilha sonora do “What Drives Us”, o doc.

Para a família Grohl brilhar na TV, o ex-Nirvana Krist Novoselic tocou baixo, o slayer Dave Lombardo espancou a bateria e o superprodutor Greg Kurstin comandou teclados.

Tudo o que envolve esse “What Drives Us” é legal. Embarque nessa van do Dave Grohl. Se você assinar o Prime Video da Amazon, ou conhecer alguém que assine, ou saber se movimentar pela internet, vai ajudar bastante.

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As crianças estão bem. Garoto de 10 anos em cover de Rage against the Machine, enquanto a filha de Dave Grohl canta música da banda punk X (com o pai)

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* Estão?

Violet Grohl, a filha de 14 anos de Dave Grohl, se juntou ao pai para fazerem uma versão de “Nausea”, música da lendária banda punk californiana X, uma das bandas prediletas do dono do Foo Fighters. A menina canta “Nausea”, tipo lindamente. Violet parece estar bem encaminhada mesmo. Aos 12, já tinha participado num evento pró-Nirvana, cantando “Heart-Shaped Box” ao lado dos ex-integrantes da banda, obviamente sem Kurt Cobain. Mas agora ela ganhou um protagonismo maior, ao assinar a cover com o pai.

“Nausea”, pelos Grohl, foi postada na conta de YT do Foo Fighters, remetendo ao ” target=”_blank”>documentário “What Drive Us”, que estreia na Amazon Prime dia 30 de abril, sexta-feira da semana que vem, e é dirigido por Dave Grohl, ótimo contador de histórias, desta vez disposto a contá-las com todos seus laços familiares no longa.

Estamos de olho aqui para quando Violet Grohl formar sua banda.

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* No paralelo e sem conexão com a cover acima apareceu na conta do YT da
O’Keefe Music Foundation, ong americana que ajuda na formação musical de crianças sem condições econômicas, um vídeo de um homem de 10 anos de idade cantando “Freedom”, importante canção de protesto da sempre protestante Rage against the Machine. A garoto se chama Colt Shedden e estrela ainda um vídeo da versão. Outro míni ser humano que esperamos ver o futuro musical ansiosamente.

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It is only Jagger & Grohl, but we like it. Ouça “Eazy Sleazy”, música pandêmica do líder dos Stones

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* Dessas músicas que você já ouviu milhões de vezes mas que, saindo assim, fresquinha, ainda é capaz de mexer com o sistema nervoso de quem gosta de rock, foi lançada agora há pouco “Eazy Sleazy”, de assinatura de mister Mick Jagger, com colaboração na bateria, na guitarra e no baixo dele mesmo, o onipresente pra sempre Dave Grohl. Dois ícones do rock, cada qual de seu tempo.

A nova canção de Jagger, que pelo gás poderia estar em um disco dos Stones, é um pretexto para o cantor fazer algo de útil na pandemia, segundo ele mesmo. E se manter vivo.

“Eazy Sleazy” tem o famoso bom humor na desgraceira. É irônica e de desabafo, ao mesmo tempo. Fala de chamadas de Zoom, zoeira com as dancinhas do TikTok, Bill Gates, aplausos falsos à distância e muitas horas vendo televisão.

“É uma música que escrevi sobre como sair do lockdown, com um certo otimismo, que é muito necessário. Obrigado a Dave Grohl por pular na bateria, baixo e guitarra, foi muito divertido trabalhar com você. Espero que todos gostem de ‘Eazy Sleazy’”, disse Mick Jagger, que estrela o vídeo com Grohl, armado com cada um de um lado do Atlântico.

Dave Grohl diz que foi lançada a música do verão deste ano. Concorda?

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