Em deftones:

Smashing Pumpkins faz show especial e conta com uma pequena ajuda dos amigos, incluindo Peter Hook, Courtney Love, gente do Killers, Deftones, AFI…

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O Smashing Pumpkins quase todo original está na estrada após um bom tempo para celebrar seus 30 anos de carreira. Batizada como “Shiny And Oh So Bright”, a turnê fez uma parada em New Jersey na noite de ontem e contou com uma extensa fila de convidados especiais, incluindo Courtney Love, Chino Moreno (Deftones) e Peter Hook. O filho do legendário baixista britânico, Jack, está tocando com o Pumpkins.

O líder do Deftones foi o primeiro a subir no palco e cantou com Billy Corgan as faixas “Bodies” e “Snail”, que não eram tocadas desde 2008 e 2000, respectivamente.

Dave Keuning e Mark Stoermer, do Killers, participaram em “Cherub Rock” e “1979”.

Mark McGrath, do Sugar Ray, cantou o hit da banda, “Fly”, com o Pumpkins. E participou ainda de uma cover de “Breaking the Law”, do Judas Priest.

Courtney Love, parceria de Corgan em diversas ocasiões (!), cantou um par de músicas do seu Hole, “Celebrity Skin” e “Malibu”, ambas escritas pela dupla. Ela ainda participou na reedição ao vivo de “Bullet With Butterfly Wings”.

Já Peter Hook tocou seu baixo em “Age of Consent” (New Order) e “Transmission” (Joy Division).

Na parte final da apresentação, Hook, Courtney e ainda Davey Havok, do AFI, fizeram uma jam com o Pumpkins em uma releitura de “Love Will Tear Us Apart”, da lendária banda de Manchester.

Captou?

https://youtu.be/a0xmJltuTsw

https://www.youtube.com/watch?v=gMTlhowCuBo

https://www.youtube.com/watch?v=0Kxi5pu6z1k

https://www.youtube.com/watch?v=0pTnCSo8akg

https://www.youtube.com/watch?v=bOpGIYSStwc

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A música e o horror. Eagles of Death Metal, Paris e o terrorismo

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Banda Eagles of Death Metal em ação no Bataclan, sexta, em Paris, momentos antes de o lugar sofrer um ataque terrorista que fez centenas de vítimas

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* E não é que nosso mundinho de música independente, pop, rock, de garagem, ligado ao grunge, ao deserto da Califórnia, foi devastado na sexta à noite com cenas de horror que aconteceram em Paris, e deu tétrica fama mundial ao grupo Eagles of Death Metal? No clube Bataclan, tradicional reduto de shows da capital francesa que certamente teria muito leitor da Popload vendo a banda lá se esse leitor estivesse em Paris no momento. A banda saiu ilesa, fisicamente falando. Cerca de 90 pessoas que viam o show morreram, sob tiros da intolerância de outras esferas, mais complicadas. O fato terrível em si, mais a reação geral da música contra extremismos de tal ordem, nos mostrou o seguinte nas últimas horas:

* Quando o indie encontrou o extremismo islâmico. O momento em que o show do Eagles of Death Metal foi interrompido a tiros no Bataclan.

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Coincidência macabra, os tiros terroristas começaram quando a banda tinha acabado de tocar a cover “Save a Prayer”, do Duran Duran, e estava no meio de “Kiss the Devil”…

* Entre os mortos, na platéia, muitos membros da indústria musical, que estavam no Bataclan sold-out (1500 pessoas, tipo um Cine Joia lotado) para ver o show francês do badalado novo álbum da banda de Jesse Hughes (e de uma certa forma também banda de propriedade de Josh Homme, do Queens of the Stone Age, que não excursiona com o grupo, mas participa do álbum e de algumas apresentações ao vivo). Algumas das vítimas:
– Nick Alexander, 36 anos, integrante da equipe do EODM, foi atingido ao cuidar da mesa de merchandising oficial da banda, por estar vendendo camisetas, vinil, CD e pôster, no Bataclan.
– Guillaume Decherf, 43 anos, destacado jornalista de uma das revistas de música mais legais do mundo, a “Les Incrockuptibles”, onde ele trabalhava desde 2008. Decherf recentemente fez a crítica do novo álbum do Eagles of Death Metal para a revista.
– Thomas Ayad, 34 anos, francês, e gerente de produtos internacionais da Mercury Records, divisão da Universal Music que tem o EODM em seu cast para lançamento na Europa. Ayad estava com dois amigos da gravadora na hora do show. Ambos também morreram.

* A banda U2 tinha show grande a ser realizado em Paris no sábado. Obviamente cancelaram. Os quatro da banda foram no dia seguinte próximo ao Bataclan para depositar flores num memorial que fizeram às vítimas do clube. Em tributo às vítimas dos atos terroristas na capital francesa, em especial ao ocorrido no Bataclan, postaram um trecho de letra do Eagles of Death Metal no Instagram, da música “How Can a Man With So Many Friends Feel So Alone”, assinado por todos do U2.

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* O Motorhead ia tocar em Paris no domingo e cancelou. Transferiu para janeiro. O Foo Fighters, hoje, segunda. Não vai rolar. O Coldplay ia fazer um show para transmissão on line para o mundo todo, direto dos EUA. Desistiu, em razão dos eventos terroristas em Paris. A banda americana Deftones ia tocar exatamente no Bataclan, ontem e hoje. Desnecessário dizer que…

* A rainha pop Madonna parou seu show do sábado em Estocolmo, na Suécia, para chorar pelo que ocorreu em Paris. Depois fez um discurso poderoso, onde disse que não tinha vontade de estar lá cantando coisas alegres, mas que “They want to shut us up. They want to silence us, and we won’t let them. We will never let them”.

* O Coldplay abriu seu concerto sexta à noite em Los Angeles (já era sábado de manhã em Paris) com uma cover do hino pacificador “Imagine”, clássico de John Lennon.

* Em seu show no Morumbi, São Paulo, sábado passado, o Pearl Jam apresentou a mesma canção de Lennon. Antes de tocá-la, no primeiro bis, Eddie Vedder discursou por Paris em português.

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Tudo pesado em SP: o Deftones, o System of a Down e a chuva

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* No segundo dia de shows de “Roque Pesado do Demônio” em SP, foi a vez do System of a Down e do Deftones, um dia após se apresentarem no Rock In Rio. Tocando para uma Arena Anhembi praticamente lotada, parecia um espetáculo bem maior do que o Faith No More na noite anterior. Algo incrível, considerando que o SOAD não lança material novo há 10 anos.

A noite foi atrapalhada por uma chuva chata, relata o poploader Fernando Scoczynski, também ele mesmo em turnê em São Paulo para esses shows com algum viés metal que espirraram para cá do line-up bizarro do Rock in Rio. A água durou pouco mais de uma hora, mas deu uma trégua na hora do Deftones subir ao palco. O grupo balanceou bem as principais músicas de seus melhores discos (“pulando” dois álbuns inteiros) e fez mais do que podia no pouco tempo que tinha – menos de uma hora. Era bem fácil ver os fãs do Deftones infiltrados na plateia, mais animados que o resto, e se deslocando para o fundo assim que o show terminou. A chuva voltou para lubrificar toda a plateia na última música, “Headup”. E daí não parou mais durante o resto da noite.

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Se o Faith No More tinha o desafio de equilibrar músicas novas e antigas sem levar a plateia ao tédio, o System of a Down tinha o desafio de tocar as mesmas musicas sem fazer exatamente o mesmo show que trouxeram em 2011, também no Rock In Rio e em show solo em SP. Sim, o setlist estava realmente muito parecido, então quem esperava novidade de uma banda sem material inédito desde 2005 iria se decepcionar. Entre as pequenas surpresas, estava a faixa “ATWA”, que não aparecia no setlist impresso. Apesar da relativa falta de variedade, todas as 29 músicas foram executadas tão bem que é difícil achar alguma crítica.

A participação da plateia foi boa até demais, durante todo o concerto. Era virtualmente impossível ouvir Serj Tankian perto do palco, tamanha era a vontade dos fãs de se esgoelarem na frente, cantando todas as letras de todas as músicas. A exceção veio em “Temper”, uma “raridade” que não era tocada desde 1999, mas apareceu quinta-feira no Rio, e então novamente em SP. A chuva incessante também não atrapalhou em nada na disposição da plateia para pular e fazer “circle pits”, só dando uma pequena folga após uma hora de show.

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O Deftones foi ótimo, o SOAD foi ótimo, a reação da plateia foi ótima. Mas o guitarrista Daron Malakian, este foi excepcional. Toda a banda normalmente já toca com vontade, mas Daron tocava como se fosse o show mais importante de sua vida. Teve destaques incríveis na guitarra em diversos pontos do show, e suas dancinhas bizarras e animadas davam significado à expressão “um show à parte” – especialmente quando as danças nem tinham muito a ver com a música tocada. Resumindo, ver ele tocando é mais divertido que aqueles mashups de SOAD e cabras, o que já é dizer muito.

** Todas as fotos deste post, mais a da home da Popload, são de autoria de Flavio Moraes, do G1.

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