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Seu corpo, sua performance poderosa. Megan Thee Stallion mostra “Body” ao vivo pela primeira vez

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* Voltamos ao American Music Awards de ontem, menos pelo prêmio quaquá em si e mais pelas performances. Ou “A” performance, considerada a melhor da noite.

Focamos então na espetacular apresentação da já bombástica cantora, rapper, dançarina e compositora Megan Thee Stallion, não nessa ordem, mostrando pela primeira vez ao vivo seu megahit instantâneo “Body”, faixa que faz parte de seu álbum de estreia, “Good News”, lançado sexta passada.

“Body”, incrível, é um hip hop com guitarra de rock. Lembra Run DMC ou Beastie Boys, desculpe a lembrança despropositada. Foi composta na quarentena por Megan, fazendo a linha hedonista porém realista, pois inspirada em seu corpão. E no trato e admiração de seu “body” durante a quarentena.

O corpo dela, as regra delas, “A” apresentação dela.

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Times like Those, os 25 anos do Foo Fighters, em vídeo comemorativo

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* Já devo ter contado essa história aqui mil vezes, mas toma a 1001.

Em 1995, Dave Grohl, um ano e pouquinho depois da morte de Kurt Cobain e o consequente fim do Nirvana, anunciou que ia lançar uma banda nova, o Foo Fighters. A banda, que consistia nele mesmo tocando tudo, já existia meses depois do suicídio do líder da então sua ex-banda, e Grohl passou a chamar uns amigos para experimentar as músicas ao vivo, em selecionados e quase secretos shows. Então, no meio do ano de 1995, Grohl lançou a primeira música oficial, “This Is a Call”, em junho. Em julho lançou o álbum, sob o nome “Foo Fighters”, e no mês seguinte estava na Inglaterra para tocar no gigantesco Reading Festival, o primeiro show para a galera inglesa da nova vida de um cara que até no ano anterior havia tocado no Nirvana (ele tinha feito um show “experimental” minúsculo, quase fechado, em Londres, no mês anterior. No Reading, por tudo o que envolvia, estava tipo comoção mundial. Isso era big news!!!! E eu fui lá ver meu ex-Nirvana.

Alguém do Reading Festival botou Dave Grohl para tocar como atração máxima da tenda da BBC Radio One, que era o segundo maior palco do Reading, mas não era o palco principal. Óbvio que deu merda.

Cheguei cedinho para ver o Foo Fighters, tipo uma hora antes, ainda com a banda anterior tocando, e a tenda já estava bem cheia. Cavei um lugarzinho no meio e imaginei que o tumulto ia passar assim que o show acabasse e trocasse o público para ver o Foo Fighters. Só piorou. Ondas humanas transportava a galera de um lugar para o outro na tenda. Eu fui levado em várias dessas, muitas vezes sem ter os pés no chão por longos segundos. Então, em nome de querer respirar, fui me deixando ser cuspido para fora da tenda e acabei saindo dela.

Quando Dave Grohl entrou no palco e o show começou, achei que ia morrer, mesmo estando do lado de fora da tenda, vendo a apresentação de cantinho. O mais engraçado é que, por estar do lado de fora da tenda, quando o FF encerrava uma música e a barulheira dava uma folguinha, de onde eu estava dava para ouvir o som da Bjork, que tocava calmamente lááá no palco principal, para um grande público mas não o sufoco que estava ali no Foo Fighters, no mesmo horário.

Dias depois, comprei uma fita casseta pirata com o show, em Camden Town. Não teve uma música em que acabasse e o Dave Grohl não ameaçasse parar a apresentação, de tanta loucura descontrolada que estava. Ondas humanas que não acabavam nunca, galera espremida na grade e nem aí para o aperto, povo escalando todos os postes que sustentavam a tenda do show.

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Enfim. Tudo isso para lembrar que hoje o Foo Fighters compartilhou o vídeo “Times like Those”, meia hora de uma pequena celebração filmada de Dave Grohl e amigos para os 25 anos do Foo Fighters. Tipo 30 minutos dos caras comendo pipoca, vendo uns vídeos antigos e discutindo o começo da carreira da banda.

Tem imagens do primeiro show do Foo Fighters como tal, no comecinho de 1995, até de eles invadindo um pequeno estúdio na Islândia em 2003 onde uma banda punk de moleques estava ensaiando. E acabaram convidados para ser a atração de abertura no dia seguinte, no show do Foo Fighters no país.

Feliz aniversário, FF!

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POPLOAD NOW – Cinco novos lançamentos que você não pode perder, estrelando The Cribs, Phoebe Bridgers, Wry, King of the Stone Age e King Gizzard

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* Nas sextas-feiras, dia oficial de lançamento de álbuns, singles e vídeos, geralmente sai uma batelada de novidades por todos os lados do planeta. E a Popload sempre bota a mão nessa cumbuca sem fim de coisas novas, para “curar” para você alguns dos mais relevantes “produtos” fresquinhos dessa fornada de lançamentos. E, já que somos a “cura”, por assim dizer, escolhemos cinco dessas novidades imperdíveis para você ter assunto num call com as amiguinhas e amiguinhos.

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** DISCO NOVO DO CRIBS
Como a gente adoraaaaava a banda de irmãos The Cribs, inglesa. Não que eles tenham acabado, veja bem. Trio importante no novo rock nos anos 2000 com seu garage pop, os brothers Jarman já viveram até a loucura de ter em sua formação, por um período mas ainda assim de modo oficial, o guitarrista Johnny Marr, ex-Smiths.

O problema é que, dos seus sete álbuns lançados desde 2004, apenas os três primeiros eram, digamos, consistentes. Mas vamos dar essa chance para o Cribs porque eles merecem. E porque hoje saiu seu oitavo disco “Night Network”, gravado em Los Angeles e tals. Estamos ouvindo aqui, deglutindo aqui. Mas, só para dizer uma opinião de quem tem ouvido há mais tempo, certamente, a a “NME” aponta como o melhor disco do Cribs nos últimos dez anos. E deu todas as cinco estrelas possíveis como nota. Vamos ouvir?

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** PHOEBE BRIDGERS RELÊ A SI MESMO
A cantora americana Phoebe Bridgers, que já deu pinta por aqui nesta semana, está lançando (ou seria relançando?) hoje o “Copycat Killer EP”, que nada mais é do que um EP com 4 músicas do seu segundo incrível e sensibilíssimo álbum de 2020, “Punisher”, que saiu em junho.
Coisas da pandemia. Lança o disco, não tem show para mostrar ao vivo, no máximo poucas lives e vídeos e programas de TV, refaz o disco, lança para movimentar a carreira.
Este EP conta com a colaboração do multiinstrumentista Rob Moose, que já trabalhou com artistas como Bon Iver, Alabama Shakes e Perfume Genius entre outros, além de fazer os arranjos de “Punisher”.
E, claro, seja de que forma for, é sempre bom ouvir a Phoebe Bridgers.

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** VÍDEO NOVO TENSO DO WRY
Dá um nervosinho o vídeo novo lindão da banda sorocabana Wry, velha de guerra sempre com ideias novas. O grupo de Mario Bros, pedreiro do indie BR, lançou o disco mezzo português mezzo inglês faz pouco tempo e gastamos umas linhas falando dele por aqui, porque curtimos bem.

No embalo, agora lançam o vídeo para a bela “I Feel Invisible”, o assunto desta parte do post. Ele, o vídeo, envolve dança e uma arma que fica aparecendo aqui e ali, sempre dando a pinta que uma hora alguém vai usá-la.

Em ação, o dançarino convidado Lucas Fernandes interpreta o clima à beira de um ataque de nervos em performance junto a um móvel de uma sala, uma alegoria da arte em tempos de enclausuramento pandêmico e os efeitos psíquicos que isso pode trazer. A dança de Fernandes, com interações pontuais dramáticas da banda, é incrível e magnética. Quase não dá para tirar o olho. Um misto de da conta do Twitter “Funkeiros dançando ao som de rock” (eu gosto demais) com Christine & The Queens, levando em consideração que é uma sala de Sorocaba.

Grande conteúdo, como é mais moderno dizer. Sonoro e visual.

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** GIOVANNA MORAES, UMA KING OF THE STONE AGE
A gente já falou aqui, a cantora e multiinstrumentista Giovanna Moraes, rising star dessa simbióse indie-MPB anglo-brasileira, tendência cada vez mais atual de uma cena global que já teve só bandas cantando em inglês em cima de som só de características gringas. Não sei se você me entendeu, mas imagina algo na linha “pense global aja local” aplicado à CENA.

Para combater sua inquietude criativa e um turbilhão interno represado por não poder fazer shows com suas músicas, Giovanna pegou algumas canções de seu segundo álbum, lançado em junho, e as regravou num esquema session ao vivo, com bandaça a suportando, aumentando o som, roqueirizando na caruda. E funcionou. Virou um EP “Rockin’ Gringa”, que foi lançado na sexta-passada.

A cereja do bolo rocker de Giovanna é a ideia de, como última faixa, botar uma cover de mina para a banda de machos alfas Queens of the Stone Age. A homenagem lindamente transgressora é para o hit “No One Knows”. Agora, graças a Giovanna Moraes, “everybody knows”. Toma esta, Josh!

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** KING GIZZARD & THE LIZARD WIZARD
Se tem banda que curte lançar um álbum, essa com certeza é a australiano King Gizzard & The Lizzard Wizard. Geralmente eles soltam uns dois (mínimo) por ano, isso desde sua formação, em 2010. Tipo hoje, quando eles estão lançando dois NO MESMO DIA.

Por isso, para facilitar sua vida, hoje damos a letra dos lançamentos de “K.G.” e “Live in San Francisco ’16”, além do vídeo de “Intrasport”, single mais recente de “K.G.”, que já mostrou anteriormente músicas como a surreal “Automation”.

Sobre o ao vivo em São Francisco, o disco foi gravado num show realizado em 2016 no The Independent, casa de shows americana que desde o começo dos anos 2000 sedia desde bandas emergentes a headliners de peso como Sonic Youth e sei lá, Green Day.

O show você pode assistir por tempo limitado no link abaixo por apenas 5 doletas.

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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Mais franceses. Mais Fontaines DC. Agora a session para o fantástico “Blogothèque”

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* Em forte produção de ações para dar movimento ao disco novo, “A Hero’s Death”, lançado neste ano, a banda irlandesa Fontaines DC, gravou em Paris o ilustríssomo “La Blogothèque”, programa francês online que bota em ação bandas novas especiais em sessions especiais, em lugares especiais.

Filmado em outubro e solto hoje à tarde no Youtube, o “Blogotèque” com o Fontaines DC traz duas músicas do segundo álbum, absurdamente bem filmadas e bem tocadas: “I Don’t Belong” e “Oh Such a Spring”.

Tem Fontaines dentro de um carro, Fontaines num casarão vazio.

Coisa mais linda.

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Blur x Oasis. Os 25 anos da batalha mais sensacional da música pop

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* São tantas nuances e reviravoltas que vamos dividir aqui em tópicos:

* No dia 14 de agosto de 1995, um quarto de século de distância de hoje, as bandas inglesas Oasis e Blur lançavam um single. No mesmo dia. O da música “Roll with It”, no caso do Oasis, “Country House”, pelo Blur.

* O entorno desta notícia é uma das coisas mais maravilhosas da música, mas pertence a um outro mundo que não existe mais. Tanto o mundo real quanto o mundo musical. Por isso cabem algumas lembranças.

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* Vivia-se à época o britpop. Em seu maior furor. Movimento cultural britânico que resgatava o orgulho inglês e da ilha toda depois de tempos nas trevas de pessoas e ideias. E, no caso da música, depois do movimento americano grunge liderado pelo Nirvana, que terminou por aniquilar a cena de Madchester do final dos 80, começo dos 90 e de umas outras cenas menores, mas frutíferas e cheias de bandas boas.

* O Reino Unido estava “swinging again”, para usar um termo que lembra um período em que a efervescência cultural e o modernismo de costumes focava particularmente em Londres na segunda metade dos anos 60, o famoso “Swinging London”. Tanto o cinema, a literatura, as artes plásticas, os museus, a dança, o teatro, o jornalismo pop. Tudo estava em evidência e cheio de sangue novo, ideias novas. Claro, a música tinha um papel essencial nessa retomada.

* E na música o britpop bombava, até ao lado do pop (Spice Girls fazendo show com a bandeira de UK). No lado mais… indie… o Oasis era até uma “banda nova”. Tinha um disco e ia lançar seu segundo dali pouco mais de um mês. O Blur já tinha três discos e uma semana antes dos Gallagher ia lançar seu quarto álbum. Mas assim…

* 1994, o ano anterior, já havia sido glorioso para as duas bandas e para o britpop em si. O Oasis tinha lançado seu maravilhoso disco de estreia, o “Definitely Maybe”, e estava há um mês de soltar o arrasa-quarteirão “What’s the Story (Morning Glory)”. O Blur já estava no rolê da música inglesa desde uns quatro anos antes e em 94 foi “adotado” forte pelo novo espírito britânico com o disco “Parklife”, coisa mais inglesa impossível. E, também, poucas semanas daquele 14 de agosto de 1995, iria lançar o quarto álbum, “The Great Escape”, outro. E aí o britpop iria para os ares. “Morning Glory” iria fazer do Oasis uma banda fenômeno, quebrou recordes, entrou muito alto nas paradas americanas (“Billboard”), um feito para um grupo inglês, e ficou três meses seguidos no número 1 do chart inglês. E o “The Great Escape”, do Blur, não só morderia de cara o primeiro lugar das paradas britânicas quanto emplacaria seu nome no Top 10 de paradas de pelo menos outros 12 países.

* Mas enfim, estamos em 14 de agosto de 1995, isso tudo ainda não aconteceu, mas o desenho estava feito. E aí as bandas marcaram a data de lançamento dos singles, nosso principal assunto, para o mesmo dia.

* Bandas grandes NUNCA marcavam lançamentos para o mesmo dia. Sempre um fugia do outro, para não dividir a “novidade” da semana: nas matérias de jornais e revistas, nas paradas, na vendagem em si e principalmente no programa de TV histórico chamado “Top of the Pops”, que trazia as bandas fazendo um playback farofa na TV aberta de todo o Reino Unido. Mas não foi o caso entre Blur e Oasis, uma tendo bronca do outra, um representando a classe operária e a molecada de rua (Oasis) e os classe média alta de boas universidades e roupas mais “arrumadinhas” (Blur). Outra tese de mestrado que vamos deixar por aqui.

* Lançamento de single, principalmente nos anos 90, também precisaria de um post gigante à parte. E não estamos falando de músicas como as de hoje lançadas como single, que é apenas uma canção colocada de graça para streaming (que não é de graça). Naquela era distante, single era capaz de vender na primeira semana de lançamento umas 250 mil cópias, se bem trabalhado.

* Mas ok, Blur x Oasis na batalha de singles, na Batalha do Britpop, como ficou mundialmente conhecida. Numa bela segunda-feira de agosto, 25 anos atrás, “Roll with It” e “Country House”, enfeitavam as gigantescas e várias lojas de discos, tocavam sem parar nas lojas, eram temas dos noticiários de TV, um inferno.

* Eu estava na Inglaterra na data, porque o Reading Festival ia acontecer naquele período e não perderia esta por nada no mundo. Fui a uma dessas lojas gigantes, desviei de algumas câmeras de TVs e flashes de máquinas que estavam lá para cobrir o evento e comprei os dois singles.

* O engraçado da coisa que, como eu, tinha muita gente comprando os dois. Porque Oasis x Blur eram rivais entre si. A galera mesma gostava das duas bandas.

* O Blur acabou ganhando “a guerra”. Vendeu cerca de 270 mil cópias de seu single, enquanto o do Oasis foi comprado por quase 220 mil pessoas. Talvez porque o Blur ali naquele ponto já era uma banda mais “consagrada” que o Oasis. Talvez porque “Country House” era mesmo melhor que “Roll with It”. Ou, talvez, porque o Blur teve a sacada de botar o seu single pela metade do preço do Oasis, a 0,99.

* Dois fatos que eu nunca me esqueço. Noel Gallagher anos depois dando seu depoimento a uma TV dizendo que aquela guerra foi muito imbecil porque as duas músicas eram ruins. Que o barulho seria mais justificado se quem estivesse em disputa nas vendas fossem “Cigarettes & Alcohol” e “Girls & Boys”. O outro é que, na semana do lançamento dos singles, enquanto esperava-se o resultado da semana das vendagens, o famooooooso tablóide “The Sun” foi a Manchester e conseguiu entrevistar a mãe dos Gallagher. Levaram um walkmen e tocaram o single do Blur para ela, que acompanhou alegrona, batendo o pezinho no chão. A manchete do jornal no dia seguinte, óbvio, era algo do tipo: “Mãe dos Gallagher adora a música nova do Blur”.

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* Esta história de Blur x Oasis está oralmente contada também no Popload:Popcast, nosso podcast que foi ao ar hoje, no Spotify.

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