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O MELHOR DO TWITTER: “O primo da Nicki Minaj” edition

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A gente A-D-O-R-A uma semana de assuntos bons e variados. Nesta aqui estivemos muito fashion com o Met Gala, embora ninguém tenha entendido qual era o assunto deste ano, porque os looks estavam bem variados: teve cowboy, samurai, cavaleiro do zodíaco, encosto, painel solar… Teve a barrada do baile, a Nicki Minaj, que não conseguiu ir à festa porque a bonita não tomou vacina. Daí a antivaxxer questionou a eficácia da vacina depois que, supostamente, o vizinho do amigo do primo teria ficado impotente, com as bolas inchadas e por isso a noiva teria dado um pé no cara e cancelado o casamento. A história chamou a atenção das autoridades mundiais, blogueiros de direita tupiniquins e gerou até protestos. A questão aqui é: mas cadê o cara? Cadê a ex-noiva? O bagulho desinchou pelo menos?
O Twitter concluiu que a Nicki deveria vir fazer um freela no Ministério da Saúde do Brasil.
E teve o VMA, da MTV. Tirando a Anitta e o Lil Nas X, a gente não entendeu o resto muito bem. Tipo, por que ressuscitaram a Megan Fox? Tem uma Kardashian namorando o cara do Blink? Por que tinha gente fantasiada que não era a Lady Gaga? Era mais legal quando o Kanye interrompia o rolê dos outros.
Bom, obvio que não esquecemos de incluir pets nesta edição especial. Então pega o drink e vem sextar com a gente com o melhor desta semana!
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Billie Eilish e sexo virtual são tópicos em novo single de Caetano sobre internet e algoritmos

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* De tempos em tempos, Caetano Veloso manda uma canção com pique de tese sobre algum assunto. Bossa nova, comunismo, violência, política. O pensamento crítico de Caetano está em suas canções.

Em “Anjos Tronchos”, primeiro single do seu novo álbum, “Meu Coco”, previsto para outubro, o alvo da tese são os algoritmos e a tecnologia que moldam o nosso mundo atual. Partindo do ponto de vista de uma pessoa que não é especialista no assunto, Caetano se arrisca pelo tema por diversas frentes em versos curtos, onde tem dar conta de quase tudo ao mesmo tempo – como é de seu estilo.

Na canção, lançada nesta sexta, vai do tom crítico aos donos do Vale do Sícilio (“Anjos já mi, ou bi, ou trilionários/ Comandam só seus mi, bi, trilhões”) até a potência violenta de um post (“Um post vil poderá matar/ Que é que pode ser salvação?”), ao passo que elogia fenômenos que só existem por conta da internet, seja na poesia (“Mas há poemas como jamais”) ou seja na Billie Eilish. Sim, ela mesma, Miss Eilish. (“E enquanto nós nos perguntamos do início/ Miss Eilish faz tudo do quarto com o irmão”).

Também passa pelo questionamento das mobilizações online (“Primavera Árabe, e logo o horror”) até a ascensão de líderes fascistas que aconteceu em parte pela internet (“Palhaços líderes brotaram macabros/ No império e nos seus vastos quintais”).

Em uma espécie de ponte da música, Caetano descreve uma relação sexual virtual. “Ah, morena bela, estás aqui/ Sem pele, tela a tela, estamos aí”. Os versos não revelam exatamente se Caetano aprova essa experiência, mas é interessante ve-lo tocar no assunto sabendo do seu interesse por sexo – tema sobre o qual escreveu longamente em “Verdade Tropical”. “O que importa é ter os caminhos para o sexo rico e intenso abertos dentro de si”, diz num verso.

E isso para ficar em interpretações rápidas sobre alguns dos assuntos contemplados na música. Logo as teses sobre a tese vão aparecer. Até porque nem chegamos na questão central da canção nova: algoritmos nos moldam ou moldamos eles?

Sonoramente, a produção em dupla de Caetano com o jovem Lucas Nunes dá jogo ao trazer a presença marcante do guitarrista Pedro Sá e um rápido momento percussivo tocado por Pretinho da Serrinha, um toque rápido que aparece quando Caetano relembra versos de “Alegria, Alegria”. Se isso adianta a sonoridade do álbum como um todo, é cedo para saber. Fato é que o longo silêncio de novidades do Caetano desde “Abraçaço” (2012), fora algumas poucas inéditas em projetos ao vivo ou de colegas, foi quebrado de maneira espetacular. Segue afiado.

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SEMILOAD – Paramore x Olivia Rodrigo. Martinho da Vila x Adele. E a questão do plágio na música

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* Lá vai a Dora Guerra, a dona da nossa newsletter predileta (mas tão predileta que virou nossa parceira), se meter na velha questão, ou no vespeiro, do que é plágio, o que é “homenagem”, “referência” na música. Mas com um olhar “fresh” e um posicionamento bem claro. Dora, a senhorita Semibreve, tendo à luz essas pendengas recorrentes de Olivia Rodrigo copiando ou “copiando” Paramore e nosso sambista Martinho da Vila “inspirando” a megastar pop Adele, acha que…

Bom, vai ler o que ela acha, que é melhor.

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Vou me meter em uma discussão complexa, subjetiva e que requer um conhecimento musical profundo – do qual tenho só a superfície. É, né… Meu tipo preferido de discussão.

Recentemente, dois “processinhos” musicais me chamaram a atenção: o do Paramore com a Olivia Rodrigo, em que os compositores de “Misery Business” conseguiram créditos como compositores de “good 4 u”. E, claro, o famigerado novo processinho de Toninho Geraes sobre Adele, dizendo que houve plágio de “Mulheres” na canção “Million Years Ago”, da inglesa. O curioso é que um caso afetou a minha percepção do outro – até eu perceber que são coisas bem diferentes.

Eu sou parcial: tento rejeitar todo tipo de acusação de plágio na música, a não ser que seja óbvia ou delineada para mim. Primeiro, porque tento acreditar no melhor das pessoas (e na consciência destas, caso o plágio seja intencional). Segundo, em uma nota menos utópica, me assusta a complexidade das discussões de autoria, originalidade e por aí vai. Onde acaba o autêntico e começa o derivativo? Não estamos todos referenciando alguma outra coisa, o tempo todo, em nossas criações?

Esse é o meu incômodo na discussão “Misery Business” x “good 4 u”, por exemplo. E o pedido de créditos na música. Os créditos foram dados como “interpolação” – termo usado para designar uma referência que não é um sample direto, mas uma citação reinterpretada; feito o que Ariana Grande fez em “7 Rings”. Eu já tinha a sensação de que, apesar de as músicas lembrarem uma a outra, não existia de fato uma interpolação. Não há uma citação tão direta, ainda que a inspiração seja explícita (e, quando vi um nerd musical como Adam Neely assinar embaixo, tive mais confiança para afirmar essa percepção). Ao aceitar e ceder os créditos, Olivia Rodrigo e seu produtor Dan Nigro parecem assumir a culpa no cartório, o que me incomodou mais ainda. Culpa de quê?

Convenhamos, a inspiração de Olivia é clara; em nenhum momento ela busca esconder esse tipo de referência ou se colocar sob a fachada de original. O que a gravadora exige como direitos autorais, por interpolação ou cópia, tem mais de homenagem. Não é tanto uma música “clone” da outra – é mais uma música “filha” da outra. Não digo que o Paramore esteja errado, mas me parece até bizarro cobrar créditos de uma adolescente cujo único objetivo pareceu ser exatamente fazer um tributo a quem veio antes.

Por isso, existem duas diferenças primordiais entre o caso de Olivia Rodrigo e o da Adele: a primeira é que, em se tratando do tamanho e público dos artistas, Olivia e Paramore são extremamente comparáveis (muito mais que o segundo exemplo). E a outra é que, em termos de estilo, referências visuais e mais, o brasileiro e a inglesa não têm muito a ver – já Paramore e Olivia Rodrigo, sim.

No caso Adele x Martinho/Toninho, o buraco é muito mais embaixo (e eu admito que, a princípio, eu não levei o processo tão a sério). Sem que Toninho Geraes desenhasse essa referência, poucos de nós havíamos feito a ligação – parece que poucos dos ouvintes mundiais de “Million Years Ago” (Adele) ouvem “Mulheres” (Martinho da Vila) com frequência (eu mesma prefiro “Chasing Pavements” e “Disritmia”, respectivamente). Apesar do seu brilhantismo, Martinho não tem uma proporção sequer equiparável à de Adele; não tem a mesma fortuna, o mesmo sucesso internacional/contemporâneo, os mesmos prêmios. Então, a discussão deixa de ser exclusivamente sobre autoria e passa a ser, também, sobre visibilidade.

É desleal: enquanto qualquer sample, paródia ou interpolação de faixa gringa famosa em forró não passa despercebida por nós, uma possível inspiração (ou, se bobear, uma cópia) como essa vinha passando em branco, escondendo todos os seus traços. Tudo sob a fachada – muitas vezes dada pela mídia – da compositora originalíssima (ainda que muito derivativa de outras fontes).

Não é curioso que Adele seja bem aquela clássica referência da artista incontestável, na qual muita gente gosta de se apoiar?

Pois é. Não sou eu o juiz a dizer se é plágio, mas considerando que não há conexão de país, gênero musical ou qualquer referência implícita ou explícita, a linha que une Martinho da Vila e Adele é somente musical – daí, a questão mais urgente. Um exemplo: se Adele fizesse uma bossa nova “inspirada nos fundadores desta”, você saberia exatamente de onde ela partiu mesmo que não citasse nomes. Aí, claro, poderia valer um processinho por direitos autorais se a música fosse inspirada demais – mas meio que só significaria que ela foi mais cover que autoral; não que, necessariamente, se apropriou da criação de outro com a intenção de parecer que a criou sozinha.

Resumindo, eu adoro o reaproveitamento que acontece no mundo da música – adoro o uso quase desenfreado de samples e interpolações e inspirações, a ideia de que você sempre pode transformar o novo em algo ainda mais novo, flexioná-lo, reinventá-lo, redecorá-lo. Mas, ao partir de algum lugar, é necessário entender de onde você vem e de onde vem o outro. É preciso tratar referências com uma reverência: com carinho, cuidado e respeito por quem trilhou o caminho direta ou indiretamente até onde você está. Não existe homenagem que apague o homenageado em vez de iluminá-lo; isso vai contra qualquer harmonia no reino musical. E, quando você se apropria da qualidade do trabalho de outra pessoa e some com os traços dela, acho que isso é sim passível de um belo processo judicial.

Precisamos saber diferenciar os dois tipos de referência – a boa da má –, saber honrar o tributo, também, para não deixar que o processo criativo perca com tudo isso.

A regra não é minha – é de Lavoisier. Cabe à gente entender o limite dela.

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* Dora Guerra pratica seu processo criativo também no Twitter, como @goraduerra.

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Royal Blood solta o single “Hold on”, com vídeo dirigido por Collin Hanks, filho do Tom, e pontas de famosos

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* Considerado um dos grandes destaques do Victorious Festival, que rolou tem duas semanas na Inglaterra, o duo de bambas Royal Blood soltou hoje um novo vídeo, desta vez para o single “Hold on”, faixa de seu poderoso álbum “Typhoons”, o terceiro, que saiu em abril.

A música tá dentro do baixão-estourado-bateria-certeira-vocal-rasgado-falsete-no-meio padrão de qualidade do Royal Blood. A novidade está no vídeo. Ele é dirigido por Colin Hanks, filho do Tom e também ator, que tem papeis legais em “Dexter” e “Fargo”. O trabalho dele por trás de câmeras é bom. Assinou os docs “Eagles of Death Metal: Nos Amis (Our Friends)” e “All Things Must Pass: The Rise and Fall of Tower Records”.

Ou seja, espere do vídeo do Royal Blood um filminho. Hanks, o Collins, é ele mesmo a estrela do vídeo, fazendo um palestrante motivacional tentando dar sentido a algumas almas perdidas numa sala dessas pequenas de reuniões de hotel. Nas palestras “pra cima” ele fala a letra de “Hold on”

E, sim, no final do vídeo aparecem Josh Homme, do Queens of the Stone Age, e o baterista Matt Helders, do Arctic Monkeys.

Tudo em casa:

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Hey, kids, rock’n’roll. Eddie Vedder faz cover linda “Drive”, do REM, e bota na trilha do filme do Sean Penn

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* Eddie Vedder, o capo do Pearl Jam, revelou hoje uma sensível cover sua da fantástica “Drive”, hit dos anos 90 do REM. O tributo, que saiu bastante fiel à pegada da original, faz parte da trilha sonora do novo filme do Sean Penn, “Flag Day”.

“Drive” é um dos muitos destaques do oitavo álbum do REM, “Automatic for the People”, de 1992.

“Flag Day”, estrelado pelo próprio diretor e sua filha, Dylan Penn, entrou em cartaz hoje nos cinemas americanos. O soundtrack do longa de Sean Penn já está na plataforma e tem, além de “Drive”, outras músicas compostas por Vedder em parceria com Glen Hansard, que escreveu as músicas do famoso filme “Once”, e ainda duas músicas da cantora e guitarrista Cat Power.

A filha de Vedder, Olivia, 17 anos, também assina algumas das canções da trilha.

Abaixo, então, Eddie Vedder fazendo REM para o Sean Penn. Que frase nobre.

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