Em distant sky:

Como presente de final de ano, Nick Cave mostra ao mundo, de graça, o seu show espetacular em forma de filme

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Na noite de Natal, o incrível Nick Cave ofereceu ao mundo, de graça, a exibição de “Distant Sky”, seu glorioso documentário/show gravado em Copenhagen, em 2017, e que foi exibido em sessões especiais de cinema ano passado em algumas cidades, entre elas São Paulo.

O filme, com duração de quase 2 horas e meia, foi filmado na Royal Arena na Dinamarca e sempre foi um dos grandes pedidos dos fãs diretamente para Nick através do seu canal The Red Hand Files.

“Distant Sky” tem direção de David Barnard, responsável por filmes e documentários musicais que vão de Radiohead a Björk. Nick Cave lançou outros dois filmes recentemente nos últimos anos: “20,000 Days on Earth”, que retrata (com doses de ficção, claro) 24h na vida do cantor, e “One More Time with Feeling”, filmado em 3D, que mostra exatamente a difícil concepção, gravação e produção do último álbum.

Em 2018, chegamos a publicar nossas impressões do filme através do fã Marco Lockmann, que havia assistido à produção em um cinema de Nova York. Relembre aqui.

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Vimos o Nick Cave ao vivo em Nova York! No cinema

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THE MAN

Você deve estar acompanhando por aqui que Nick Cave, nosso ídolo do post-punk, volta a sua São Paulo para uma apresentação única e exclusiva no Popload Gig, em outubro. Ao lado do seu fiel The Bad Seeds, esse é um show que tem sido considerado imperdível não só pela Popload, mas por todo mundo que importa: “Rolling Stone”, “The New York Times”, “The Guardian”, “Pitchfork”… não sobrou uma só crítica meia-boca para a recente e catártica turnê “Distant Sky”. Nick Cave chora, grita, se emociona com as músicas de perda e morte, deixa ser levado pelo público, se ajoelha, entra em transe… É emoção demais para um palco só.

Por aqui, você pode passar por essa experiência única no dia 14 de outubro, no Espaço das Américas! Os ingressos estão à venda (e voando) aqui.

Daí que tem “Distant Sky”, o show, e tem o “Distant Sky”, o filme, na verdade o concerto da Dinamarca filmado que teve exibições recentemente em alguns cinemas do mundo, nesse fuzuê de anúncio da turnê de Nick Cave. Brasil estava na rota, mas por algum motivo, as sessões por aqui foram canceladas.

Então convidamos Marco Lockmann, fã entendido de Nick Cave e de muitos outros assuntos que nos dizem respeito, a falar sobre a recente exibição do filme-concerto “Distant Sky” lá em Nova York, onde mora. E a experiência que ele teve vendo o filme do show do Nick foi a seguinte:

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O ápice depois do ápice

Nick Cave ao vivo (nos cinemas) com o show de sua última turne “Distant Sky”

Em 2013, quando Nick Cave e seus Bad Seeds lançaram “Push The Sky Away”, o décimo quinto (!) disco da banda – que além de ter reviews extraordinários entrou direto como #1 na parada independente Inglesa – a conversa que cercava o disco era que este era o ápice da carreira de Cave, o ponto onde ele ganhou “legitimidade” (se é que existe algo assim em música) como herdeiro direto de seus ídolos Leonard Cohen e Bob Dylan.

Com “Push The Sky Away”, Cave teve uma audiência gigantesca, passando a tocar em estádios (sem depender exclusivamente de “hits antigos” como muitos contemporâneos) e passou de performer errático (nos tempos do Birthday Party e nos early days dos Bad Seeds) para comandar multidões em estádios numa tour que durou mais de um ano e que emendou com a gravação do disco seguinte “Skeleton Key”.

No meio da gravação do disco, a morte acidental do filho de Cave e a decisão dele de continuar gravando e indo em turnê como um meio de lidar com a perda, trouxe à tona uma outra versão do músico australiano, ainda mais madura e intensa do que a do disco anterior (mostrada em “Once More Time with Feeling”, filme que documenta a gravação e a reação de Cave com a perda mostrando uma vulnerabilidade única).

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O show capturado em “Distant Sky”, baseado neste último disco de Cave, “Skeleton Key”, é diferente da turnê anterior – mais emocional, mais pesado e ao mesmo tempo mais vulnerável. Além da performance intensa de Cave, Warren Ellis, o multiintrumentisca e atual braço direito de Cave em todos seus projetos musicais (de Grinderman às inúmeras trilhas sonoras que tem composto), cria uma atmosfera única, misturando pianos, guitarras distorcidas, percussão e cellos….alternando momentos violentos como a nova versão do “clássico” “From Her to Eternity” até baladas longas como “Jubilee Street”, onde a plateia (e Cave) entram num semitranse (“I am transforming. I am vibrating. I am glowing”).

Num dos pontos altos do final do show, Cave canta “Girl in Amber”, a principal balada do disco com a imagem de Susie Bick (sua esposa) andando na praia em Brighton projetada no fundo com a mesma intensidade insana que canta uma das suas “Murder Ballads”. Para quem não acompanha de perto essa mudança na vida/carreira de Cave e a quase-violência com que ele entra nessas novas “baladas atmosféricas”, pode soar estranho, mas cabe aqui uma das suas falas em outro documentário recente sobre sua carreira (“20,000 Days on Earth”):

“In the end, I’m not interested in that which I fully understand”.

Cave está (mais uma vez) no ápice da sua carreira e talvez seja o mais importante live performer no mundo hoje. Ache um modo de vê-lo ao vivo…..

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* Pois então. Só para lembrar…

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Confirmado Nick Cave no Brasil. No cinema!!

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Agora vai.

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O incansável dândi Nick Cave, que se desdobra atualmente entre relançamentos, trilhas e shows, reaparece com mais um filme, ou um filme-concerto como preferirem, que mostra na íntegra um dos seus shows mais emocionantes do ano passado, em Copenhague, na Dinamarca. “Distant Sky” terá uma sessão única transmitida em vários cinemas do mundo, incluindo o Brasil.

Além de ser a primeira turnê da banda em três anos, a carga emotiva dessas apresentações está diretamente ligada à morte de Arthur, filho de Nick Cave que caiu de um penhasco e faleceu aos 15 anos de idade. O álbum gravado após o acidente, “Skeleton Tree”, carregado de letras que discutem perdas, luto e morte, serviu de base para todos os shows de 2017.

Nos vídeos e fotos que circulavam pelas redes sociais e YouTube no ano passado, as imagens mais marcantes e mais compartilhadas eram aquelas que mostravam Cave recebendo todo tipo de carinho e solidariedade dos fãs, em contato direto com o público nos shows e envolvido em abraços no meio da multidão, visivelmente emocionado. Uma destas fotos ilustra o pôster, abaixo. O filme com o show dinamarquês na íntegra chega aos cinemas no dia 12 de abril.

Em São Paulo, os cinemas escolhidos foram os dos shoppings Anália Franco e Jardim Sul. Também haverá exibições em Ribeirão Preto e Rio de Janeiro. Você pode acompanhar os horários e se preparar para a (concorrida) venda de ingressos aqui.

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“Distant Sky” tem direção de David Barnard, responsável por filmes e documentários musicais que vão de Radiohead a Björk. Nick Cave lançou outros dois filmes recentemente: “20,000 Days on Earth”, que retrata (com doses de ficção, claro) 24h na vida do cantor, e “One More Time with Feeling”, filmado em 3D, que mostra exatamente a difícil concepção, gravação e produção do último álbum. Recentemente, também, foi lançada a coletânea “Lovely Creatures: The Best of Nick Cave & the Bad Seeds 1984-2014”.

Abaixo, um trecho do que veremos em abril, nos cinemas. Já ao vivo, a promessa é que a lista completa de países que receberão o músico apareça nos créditos finais. Vamos aguardar.

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