Em dom pescoço:

Top 50 da CENA: Jup do Bairro bota dois corpos sem juízo no ranking semanal necessário da música brasileira. Ana Frango reaparece, de certo modo. Rincon Sapiência reaparece, de modo total

1 - cenatopo19

* O ano segue algo lento por este canto do mundo em questão de lançamentos. E a gente entende. A situação do país é grave. Clima pesado, esquisito. Tem vacina mas não tem vacina. Tem bastante leite condensado, mas a vida não anda nada doce. Todas as dificuldades da pandemia como se fosse o início de 2020 e por aí vai. Ainda sim, a CENA, sempre na luta, dá as caras aqui e ali.

Não são dezenas de lançamentos, mas tudo que selecionamos é imperdível. Em especial a nossa líder da vez. Jup do Bairro conquista o topo do Top com uma versão original e seu remix – acho que é a primeira vez que isso acontece. E pensar que tinha gente tirando onda dela ano passado, sei lá que mundo é o dessa turma.

O nosso é o deste ranking legal abaixo, com playlist legal mais abaixo. É o nosso jeitinho.

jupquadrada

1 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (Estreias)
São dois primeiros lugares em um só. “O Corre – Bixurdia Remix” é a mexida que a multiartista Jup do Bairro deu na faixa de seu incrível EP, o “Corpo Sem Juízo”, do ano passado. A Bixurdia, que assina o remix, é uma produtora de áudio tocada por uma galera 100% LGBTQIA+, que já armaram mais de 30 projetos de pessoas trans, travestis e não-binárias de forma totalmente gratuita. “O Corre”, que já tinha uma levada funky, agora descamba para os clubes – quando tudo voltar, né? Fora isso, a original virou single, ganhou vídeo lindo, voltou a tocar em nós. O ideal é ouvir as duas no repeat, que dá uma liga campeã.

2 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (Estreia)
Antônio Neves é compositor, arranjador e multintrumentista. E está nos preparativos do lançamento de seu segundo álbum, “A Pegada Agora É Essa”. Entre os singles já lançados, vale notar essa versão supercaprichada para o clássico de Nelson Cavaquinho e Amâncio Cardoso, uma lenta construção instrumental que nos leva à voz maravilhosa de Ana Frango Elétrico, que se derrama pela letra e melodia das mais bonitas já feitas por um brasileiro. Pouca coisa?

3 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (Estreia)
Todo verso livre do Rincon é imperdível e aqui a história segue igual. Um som lançado no finalzinho do ano passado, pós-Natal, que a gente não se conectou tanto, mas que agora bateu. Daquele jeitão que só o Rincon sabe. UAU.

4 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (1)
“Bum Bum Tam Tam” é a trilha sonora da vacina, é questão do ENEM, é o funk brasileiro mais popular no YouTube – 1,5 bilhão de plays. É um som histórico. Leandro Aparecido Ferreira, o MC Fioti, representa exatamente o que é “do it yourself” do funk brasileiro. A voz da música foi gravada no celular. A produção e um sample de Bach foram construídos em seu notebook “cheio de vírus”. Gênio é uma palavra que cabe aqui, ainda que numa concepção nada tradicional. Por nós, ficaria aqui batendo bumbo no top 10 do Top 50 até o país inteiro estar vacinado. Vamos ver.

5 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (2)
Integrantes da banda da Letrux andam revendo o repertório do álbum “Aos Prantos”, no que deve formar um EP chamado “Aos Prantos Pandêmicos”. Nas mão de Martha V, “Dorme Com Essa” ganhou ares acústicos e vozes adicionais. Outro clima mesmo. Tão bom quanto o original.

6 – MC Carol – “Levanta Mina” (3)
Reclamar que o funk, ou só o funk, é um gênero machista é uma imprecisão. Todos os outros gêneros musicais do país sofrem do problema. E, no funk, a luta por canções feministas está bem ativa. “Levanta Mina” é um som para levantar, mesmo, a autoestima de todas as minas. Petardado da sempre excelente MC Carol.

7 – Marrakesh – “To Comprehend” (4)
Aqui um som do Marrakesh que já circulou nessa listinha quando saiu em single. É que a banda reuniu três singles do ano passado em um EP, “Knots”, lançado semana passada por selo gringo e que traz duas inéditas – que são bem boas também. Esta “To Comprehend” tem um clima irresistível demais. Dá uma chance, se não conhece ainda.

8 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (5)
Nosso disco favorito de funk em 2020. Sim, disco. E conceitual. Em um gênero que ama os singles, Marabu chega com o excelente “Fundamento”. Um álbum que passeia por misturas do funk com outros ritmos apresentando diversos pontos de vistas de uma noite pelas quebradas de SP. “Sereno”, por exemplo, se aproveita de uma clave de funk que também está nos terreiros. Por isso que um Ogã puxa a batida.

9 – Dom Pescoço – “Delicadinho” (Estreia)
Não tem título melhor para este som que chega devagarzinho e pega, especialmente no gancho do vocal: “Olha pro céu azuuuul”. Fica na cabeça. Mandaram bem esses meninos do interior de São Paulo, mais exatamente de São José dos Campos. “Delicadinho” é single do terceiro disco deles, “Chucro”, recém-lançado.

10 – Dizin – “Human Bomb (Explode)” (Estreia)
A estreia do músico paulistano Dizin, 18 anos, na CENA brasileira, não poderia ser mais peculiar. A começar pelo tipo de som que traz este seu primeiro single, “Human Bomb (Explode), título peculiar em língua hoje em dia peculiar para as novidades da música brasileira atual. A música em questão, parte do primeiro álbum, “The Time Has Come”, libera alguns gatilhos noventista, como se por alguns minutos estivéssemos penteando nossos longos cabelos hardcore e se preparando para ir a algum show do Guns N’Roses. Peculiar ou não?

11 – Criolo – “Fellini” (6)
12 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (7)
13 – Cambriana – “Induction Bread” (8)
14 – Kamau – “Pensei” (9)
15 – IVYSON – “Trilho” (10)
16 – Maglore (feat. Josyara) – “Liberta” (11)
17 – Wry – “Absoluta Incerteza” (12)
18 – Silva e Criolo – “Soprou” (13)
19 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (14)
20 – YMA – “White Peacock” (15)
21 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (16)
22 – Edgar – “Também Quero Diversão” (17)
23 – Luedji Luna – “Chororô” (18)
24 – Black Alien – “Chuck Berry” (19)
25 – Vovô Bebê – “Bolha” (20)
26 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (21)
27 – The Baggios – “Mantrayam” (22)
28 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (23)
29 – JP – Essa Mulher Vai Acabar com a Minha Vida (24)
30 – Zé Manoel – “História Antiga” (25)
31 – Liniker – “Psiu” (26
32 – Tuyo – “Sonho da Lay” (28)
33 – KL Jay – “Território Inimigo” (31)
34 – Marcelo D2 – “4º AS 20h” (32)
35 – Rohmanelli – “Toneaí” (33)
36 – BK – “Movimento” (34)
37 – Vivian Kuczynski – “Pele” (35)
38 – Boogarins – “Cães do Ódio” (36)
39 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (39)
40 – Mateus Aleluia – “Amarelou” (40)
41 – Valciãn Calixto – “Nunca Fomos Tão Adultos” (41)
42 – Negro Leo – “Tudo Foi Feito pra Gente Lacrar” (42)
43 – Don L – “Kelefeeling” (43)
44 – Mahmundi – “Nós De Fronte” (44)
45 – Rico Dalasam – “Mudou Como?” (45)
46 – ÀIYÉ – “Pulmão” (46)
47 – Coruja BC1 – “Baby Girl” (47)
48 – Edgar – “Carro de Boy” (48)
49 – Jhony MC – F.A.B. (49)
50 – Djonga – “Procuro Alguém (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a multiartista paulistana bafo Jup do Bairro.
** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Popload Session apresenta… DOM PESCOÇO

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A banda autopropaga seu som como uma “Tropsicodelia”, um certo resgate da psicodelia brasileira que nasceu da mistura da MPB com o rock viajante/lisérgico dos anos 70 do circuito São Paulo-Minas Gerais-Nordeste.

Mas estamos em 2016, em São José dos Campos, interior de São Paulo, e a banda em questão é a Dom Pescoço, quarteto que foi formado há apenas dois anos e no momento junta músicas para constituir seu disco de estreia, mas tem tocado bastante pelo estado, por enquanto, incluindo apresentações em festivais como Virada Cultural Paulista, Vento (Ilhabela) e Sescs e SESIs no interior e em São Paulo. Tudo à custa de seu EP de estreia, “Temperar”, de cinco músicas, lançado no mês passado).

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A questão para o Dom Pescoço é a linguagem. Ou a “ludicidade”. Tanto ao vivo quanto nesta session para a Popload, o grupo diz querer trabalhar o alto astral e a repleta interação com o público. Ver essa performance especial que a banda da zona rural de São José dos Campos (o interior do interior) fez para este site é notar muito bem isso.

Em que pese o pouco tempo de vida e a ainda construção de um primeiro disco, o Dom Pescoço já quis mudar sua forma para chegar à Popload. Dom de Oliveira, o baixista e vocalista do quarteto, explica melhor:

“Escolhemos fazer doi vídeos ao vivo em formato acústico-roda-de-violão para esta session. Queríamos trabalhar essa linguagem faz um tempo.

O primeiro vídeo é de uma música nova nossa e quisemos trazer psicodelia e ludicidade com um fundo chroma key psicodélico, enquanto a banda aparece em P&B. O segundo é de um mesclado de duas canções, uma de Tim Maia e Di Melo. Escolhemos aqui o P&B integral.

Sacou?

Senhoras e senhores, com vocês… DOM PESCOÇO.

** O Dom Pescoço é Rafael Pessoto (guitarra), Luiz Felipe Passarinho (bateria), Gabriel Sielawa (guitarra, cavaco) e Dom de Oliveira (baixo). Todos cantam.

*** A banda toca nesta quarta-feira 21 no tradicional Bar do Zé, em Campinas. Sexta, 23, eles vêm à capital para se apresentar no Baderna Bar.

**** As fotos deste post e a da home da Popload são de autoria de Jaíne Lima, da Carpe Diem Fotografia.

***** A Popload Session é apresentada pela Heineken. Se beber, ouça música alto.

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