Em El Interior Hacia Fuera:

CENA – A revolução do indie, capítulo dois. Saiu o segundo disco da banda gaúcha Chimi Churris

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1 - cenatopo19

* “Tranquilos, sem muita pretensão”. Esse é o mantra dos Chimi Churris, banda de Porto Alegre que além de ter nome de tempero argentino e ser a “versão Supervão com baterista” foi um dos embriões de uma série de acontecimentos importantes que rolou na cena da cidade de uns anos para cá.

Eles nasceram de um coletivo de fotografia e festas de rua, lançaram um EP gravado na raça e na peculiaridade por eles mesmos, depois financiaram coletivamente um álbum e, através dele, mostraram para muita gente que fazer música poderia ser mais fácil do que parece. Agora, seis anos depois do seu primeiro show, o quarteto lança seu segundo álbum, “El Interior Hacia Fuera”, um manifesto antiestrelismo, regido pela vontade de fazer som e de reunir amigos.

Chimi_Churris

Os Chimi Churris são uma banda que surgiu em meio a um movimento recente da capital gaúcha. Alunos dos cursos de comunicação e artes das faculdades da região se juntaram para criar seus próprios espaços de atuação, muitas vezes usando a rua como local. Durante esse tempo, surgiu um coletivo fotográfico chamado Ovos e Lhamas, uma festa chamada DADA e outra intitulada Geramor, todas ligadas aos integrantes que hoje são a Chimi.

Em meio a todas essas movimentações d.i.y, os meninos decidiram gravar seu próprio disco usando um microfone de computador, captando com o media player da máquina e editando ele a partir de um software de vídeo. Eles não faziam ideia do que estavam fazendo, mas a partir diss, muitos meninos e meninas mais novas do que eles viram que fazer música não precisava ser totalmente hi-fi. Existia uma estética para aquilo que fugia dos padrões.

Com seus dois EPs experimentais gravados e um disco inteiro na discografia, a banda realizou mais alguns shows até o final de 2016, quando decidiu parar de vez e finalizar seu segundo disco. Dois anos após o hiato e quase quatro anos depois do último lançamento, a banda enfim aparece com seu “El Interior Hacia Fuera”, um pequeno disco de oito faixas que vai de Mac DeMarco até Gilberto Gil em poucos minutos, uma mistura do indie cool gringo com a ginga brasileira nos arranjos.

“El Interior Hacia Fuera” é um álbum experimental, mas muito mais pop do que os lançamentos anteriores da banda, misturando inúmeras referências de cada um dos integrantes e espremendo tudo isso em uma jarra só. Mesmo sem muita pretensão, o disco apresenta faixas incríveis e mostra um dos momentos mais interessantes do projeto até aqui. Eles trazem guitarras praieiras e cansadas, lembrando um pouco todas aquelas referência de DeMarco e companhia, coisas como Homeshake, Real Estate e até Beach Fossils.

Na sexta-feira passada, a Chimi Churris lançou seu disco ao vivo em Porto Alegre. No show, a banda conseguiu trazer um clima ainda mais interessante para as suas novas faixas tocadas ao vivo. Os arranjos ganharam mais força, a performance do guitarrista e vocalista Mário Arruda fez todo mundo dançar e ainda levou grande parte do público para batucar junto com a banda no palco durante “Jahnaína”, tudo isso em uma noite de paralisações e quase sem nenhum tipo de transporte funcionando na cidade. Incrível como o público deixou de lado as “adversidades brasileiras” e compareceu em grande número para acompanhar a volta de uma das bandas do fundamento do indie na cidade, deixando o lançamento ainda mais especial para figuras que não tocavam juntos há quase três anos.

Abaixo, o bendito disco novo da Chimi Churris.

** A foto da chamada de capa do Chimi Churris é de Ana Bassani. A deste post, acima, é Divulgação.

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