Em emicida:

Top 50 da CENA – Edgar bombator, o “fator Terno Rei”, a volta do Lava Divers e outras estreias, incluindo o Vovô Bebê

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* Seguimos na missão de produzir o top 50 da CENA brasileira. Com a nossa cara, mais no feeling e menos cientificamente. Sem robozinho de streaming auxiliando.

Quem reparou na nossa primeira edição e depois na segunda notou muitas faixas de 2019 na listagem. Estamos em acelerado ritmo de troca: saem os sons de 2019 e entram os deste ano.

Por isso não estranhe se achar que uma música muito 10 (10/10?) de 2019 perdeu espaço para um som OK de 2020. Faz parte do jogo. O ano ainda não está exatamente quente em quantidade de lançamentos, mas já temos muito boas novidades.

O primeiro lugar desta semana é do rapper Edgar, que já apareceu por aqui acompanhado da Saskia e estreia solo logo em primeiro lugar. Porque Edgar, atração do Lollapalooza Brasil em abril, é f*da, achamos.

O TOP 50 da semana e sua respectiva playlist delicinha (no Deezer e Spotify) ficaram assim:

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1 – Edgar – “Carro de Boy” (Estreia)
Existe uma linha tênue na hora de fazer música de protesto que vira refrão grudento. Pode pegar mal, banalizar, ficar tosco. Não é o que acontece aqui. Edgar acerta no alvo na denúncia e na produção de um som que cabe na pista. Para dançar com profundidade. Com conceito. Esta canção chega com impactante vídeo e participação do Rico Dalasam.
2 – Kiko Dinucci – “Veneno” (3)
O álbum solo novo de Kiko Dinucci é uma peça e tanto. Violão no comando de tudo. E muita informação ainda há ser captada em futuras audições. A música com Rodrigo Ogi é, de cara, um dos achados dos disco e pode dar a prévia do novo álbum do rapper, que tem produção do próprio Kiko.
3 – Terno Rei – “São Paulo” (Estreia)
Ingressos esgotados em São Paulo em 20 minutos. Algo sério vem acontecendo com o Terno Rei. A febre em torno da banda só aumenta, shows lotados em outras cidades também. “Violeta”, o disco mais recente da banda, completou um ano, mas parece que está só no começo de uma jornada de conquistas. Esta “São Paulo” tem um sabor da new wave paulistana dos anos 80, revisitada. Coisa fina.
4 – Vovô Bebê – “Êxodo” (Estreia)
Alguém viu a manchete do G1: “Vovô Bebê põe Ana Frango Elétrico em ‘Briga de família'”? Lembrou o saudoso “Notícias Populares”, mas era só uma nota sobre este ótimo som novo da CENA carioca, que tem participação dela, sim, Ana Frango Elétrico. Fique de olho. Projeto de Pedro Carneiro que lembra o antigo grupo Rumo, uma das bandas mais paulistanas que existiram. Olha a ironia geográfica.
5 – Carne Doce – “Temporal” (1)
Esta só melhora quanto mais se ouve. Que musiquinha enoooorme soltou o grupo goiano Carne Doce para já anunciar que em 2020 vai ter disco novo, o quarto da banda do casal Macloys/Salma. A gente aqui quer morar nessas guitarrinhas que embalam a música nova, da metade para a frente.
6 – Nill – “Options” (Estreia)
Nill sempre manda bem e seu novo single já entra aqui no nosso Top 50, substituindo a faixa anterior dele que estava por aqui.
7 – Vivian Kuczynski – “Carne” (2)
O novo single da Vivian ganhou um belo vídeo. Por isso destacamos “Carne” por aqui, outra das boas músicas do álbum de estreia da curitibana de 16 anos, single que tem uma letra que está na parte de críticas sociais do disco, segundo ela, mesmo que um tanto cifrada. Nem tanto assim. É só prestar atenção na menina.
8 – Os Amanticidas – “Paisagem Apagada” (Estreia)
A música é de 2017, mas se encaixou muito bem no Brasil de 2020. A voz de Juçara Marçal na segunda metade da música, então, só faz a força da música redobrar. Olho nessa banda, no disco, nos shows que eles vão fazer por aí.
9 – Rashid – “Eu” (4)
Em seu novo álbum, Rashid deixa para a última faixa talvez um de seus melhores sons, a reveladora “Eu”. Uma daquelas reflexões pessoais de um artista que acaba refletindo no ouvinte.
10 – Lava Divers – “My Boy” (Estreia)
Banda clássica do indie mineiro, o Lava Divers lançou um vídeo de música de 2017 para dizer que neste 2020 vem novidade por aí. Ótimo indie rock para aquecer os ouvidos _ e esperar ansiosamente por inéditas do Divers.
11 – Rincon Sapiência – “Real Oficial” (5)
Uma das muitas boas músicas do mais recente álbum de Rincon Sapiência, um disco lançando no final de 2019 e que passou meio batido, injustamente, pelo menos por aqui. Corrigimos a rota agora.
12 – Céu de Vênus – “O Acaso Não Existe” (Estreia)
13 – Alice Caymmi e ÀTTØØXXÁ – A Noite Inteira (Estreia)
14 – Marcelo Perdido – “Santa Clara de Tróia” (Estreia)
15 – Apeles – “A Alegria dos Dias Dorme no Calor dos Teus Braços” (20)
16 – Liniker – “Não Adianta” (8)

Parte do projeto “Acorda Amor”, Liniker faz um bom cover de uma música do Trio Mocotó. O projeto ainda conta com as vozes de Maria Gadu, Xênia França, Letrux e Luedji Luna. O disco saí nesta terça-feira.
17 – Bixiga 70 e Luiza Lian – “Alumiô (Cai Na Terra)” (11)
O encontro entre Luiza Lian e Bixiga 70 nasceu com cara de clássico. Fica a deixa para um projeto mais extenso, um álbum, quem sabe? Estamos na espera.
18 – Saskia – “Tô Duvidando” (6)
Já escutou o disco da Saskia? A gaúcha é uma das revelações do ano passado para você também? E a participação do Edgar nesta faixa, então? Outro nível esses dois.
19 – Ana Frango Elétrico – “Chocolate” (9)
Ficamos aqui pensando no abstrato desta música. Entendemos nada e tudo certo. Ana Frango Elétrico merece toda a atenção que está recebendo. Se até o gringo do Anthony Fantano já sacou ela, você está esperando o quê?
20 – Hot e Oreia – “Estilo” (10)
Da ótima cena mineira de rap, Hot e Oreia conseguem dosar aqui humor e mensagem de uma maneira única. A sacada “Cês são CS, eu RPG” é para poucos. E o “pior” é que o som é bem bom. Olho neles.
21 – Mc Thá – “Rito de Passá” (13)
Quem não entender com a MC Thá a dimensão do funk em si e no diálogo com outros gêneros não entende mais. Uma contribuição imensa ela dá aqui em “Rito de Passá”.
22 – Yma – “Vampiro” (12)
Os shows da Yma que andamos vendo por aí ajudaram a recolocar o disco dela, que foi lançado lá no começo do ano passado, de novo em rotação por aqui. “Vampiro” é uma delícia de música.
23 – Linn Da Quebrada – “Oração” (22)
24 – AIYÉ – “Terreiro” (28)
25 – Papisa – “Fenda” (18)
26 – Pabllo Vittar – “Amor De Que” (45)

27 – Emicida – “Ismália” (14)
A gente já falou desta faixa por aqui. Se o novo álbum do Emicida for encarado como um filme, “Ismália” é a cena mais triste. Um resumo sobre a tragédia do racismo na estrutura social do país. Que peso de som. Que coisa séria.
28 – Boogarins – “Sombra ou Dúvida” (15)
Melhor banda brasileira em atividade, os Boogarins fizeram mais uma beleza de disco no ano passado. E esta música é uma das belezas dessa beleza.
29 – Black Alien – “Vai Baby” (16)
30 – Djonga – “Bença” (17)
31 – O Terno – “Pra Sempre Será” (19)
32 – Suco de Lúcuma – “Nada No Ar” (Estreia)
33 – Rachel Reis – “Ventilador” (44)
34 – Anderson Primo – Ocê, Oceano” (Estreia)
35 – Moons – “No More Tear About It” (21)
36 – Francisco, El Hombre – “Matilha :: coleira ou cólera” (23)
37 – Bruno Capinam – “Mais Amor” (47)

38 – Triz – “O Som Vem Assim” (Estreia)
39 – La Leuca – “Morning Gloria (O Medo)” (Estreia)
40 – João Bragança – “Bala Doce” (Estreia)
41 – Decaer & Vulgar Débil – “Na Taverna, Eu e Você: Aparições” (Estreia)
42 – BaianaSystem – “Miçanga” (Estreia)
43 – Caio – “Entorna” (Estreia)
44 – Karol de Souza – “Tambor” (40)
45 – Aori – “Xx/Xx” (Estreia)
46 – Os Mutantes – “Mutant’s Lonely Night” (7)

Os Mutantes hoje são apenas Sérgio Dias e um novo pessoal, mas estão na ativa e lançaram um disco novo. Entre boas faixas setentistas, ecos de Beatles e Caetano (uma forma de descrever até outros trabalhos dos Mutantes, não?), destacamos uma das mais melancólicas do álbum. Sérgio Dias sabe os atalhos bonitos da guitarra.
47 – Saulo – “Bahia Mãe” (Estreia)
48 – Trabalho Espaciais Manuais – “Terras Brasais” (Estreia)
49 – Thom Verardi – “Tudo Que Acontece” (Estreia)
50 – Terra Mãe – “Retrato” (Estreia)

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* Entre parenteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.

** Na vinheta do Top 50, a cantora curitibana Vivian Kuczynski. O rapper Edgar ilustra a foto da chamada do post na home da Popload.

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CENA – Música daora: “Ismália”, do Emicida

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* O rapper Emicida, que já dividiu um palco com o deus Iggy Pop lá atrás num Popload Festival, já escreveu sobre quando encarou a própria miséria, a perda de amigos e do pai, mas nunca soou tão triste quanto em “Ismália”, uma das faixas de destaque de seu recém-lançado novo disco, “AmarElo”.

Sobre racismo, então, Emicida já escreveu de várias formas, entre sons mais diretos ao ponto e outros mais amplos que tangenciavam o tema, mas talvez nunca tenha retratado tão bem a destruição psicológica por conta da frustração que o preconceito gera.

“Ismália”, nossa faixa de destaque da vez, que tem participações especiais de Larissa Luz cantando e da atriz Fernanda Montenegro declamando, é uma pancada dura.

De primeira, “AmarElo”, o novo álbum, parece propositivo, até otimista ao encarar o mundo neste fim de ciclo sem ódio, embora atento a todos os problemas – racismo, violência, o fim do mundo por conta da destruição do meio ambiente. A sugestão do rapper parece ser que só dado o valor necessário à luta de todo brasileiro é que a equação da enrascada será solucionada.

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Entre tantas questões a serem resolvidas, Emicida entende, por exemplo, que ninguém terá compaixão por mais um jovem negro assassinado enquanto ver ali só mais um corpo anônimo no chão. É preciso cantar a vida deste herói do cotidiano para quem sabe talvez assim mudar o sentimento de quem ainda presta.

Então, em diversas músicas do disco, parece que ele conta a história desse herói, dos sonhos desse herói, não de sua derrota.

Nada disso é explícito, lógico. (Aliás, o que o disco mais faz é dar conta de músicas com mensagens sujeitas a muitas interpretações. Ouça repetidas vezes “Paisagem”, que fala sobre paz em um cenário questionável, e “9inha”, que não é uma love song, não. É sobre violência, sobre armas.)

Só que a dor desse personagem está em “Ismália”. Aqui Emicida olha para o espelho, encara a si próprio e vê Ícaro aconselhar: “Não chegue perto do sol”. O rapper vê que está encurralado. Perde se perder. Perde, se vencer também. Está dada aqui a dimensão do racismo no Brasil. No mundo. Não tem vitória plena enquanto existir racismo. Sucesso, diploma, emprego, nada traz segurança enquanto a cor da pele for um alvo. Entendendo que essa reflexão está na mente do herói do cotidiano celebrado no disco, que tem suas filhas, seus amigos, sua rotina, seu trabalho, o amor, compaixão, religião, suas viagens de férias, aqui descobrimos que ele é negro e vemos o soco que é ele sacar que tudo que construiu é nada diante do racismo.

Na poesia de Alphonsus de Guimaraens, poesia que dá nome à faixa e é recitada por Fernanda Montenegro na música, Ismália delira. Ao crer que poderia alcançar a lua do céu e a lua do mar ao mesmo tempo, morre afogada. Emicida entende que todo negro está na mesma condição de Ismália. Sem escapatória. Se vencer nos termos do brancos, “É um hipócrita”, na maneira que o MBL gritou quando viu o Emicida com um terno. Se for visto com droga, “Ih, eu avisei”, dirá o algoz. Se for parado com uma bala, vira suspeito, alguma coisa deve ter feito.

“80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Quem te acusou nem lá num tava (Bando de espírito de porco)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das parada:
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada”

“Ismália” dá essa dimensão do racismo e opta por terminar sem oferecer qualquer solução ao problema. Na música e no álbum, Emicida dá a dimensão da vida dos negros no país, mas também podemos ver paralelos dessas histórias na vida de todas as minorias, de todos os trabalhadores que fazem milagres com salários que não dão para ser poupados de tão curtos. Marginais que não vão ser heróis.

Ainda assim, “AmarElo” é sobre esperança, sobre ver a solução no afeto. Ter esperança não é se omitir de agir. Em se reconhecer o que se é. Olhe a capa do álbum. O que você vê? No disco, o personagem tem amigos que protegem sua origem, olha as religiões como ponto de encontro e não de separação, olha para o seus amores com carinho, olha nas filhas o futuro que válida a luta. Emicida mira no sonho que soa impossível. Pessoas menos doidonas de like e mais afetuosas farão política melhor ao ser parte de uma sociedade melhor.

As músicas que vêm após “Ismália” versam em alguma medida sobre esse sonho. Quem hoje aposta no afeto como solução? Ele propõe isso a par de que vai receber críticas, mas entende que essa vida merece ser sonhada, merece ser posta em prática. Ou a gente entende esse recado ou dá uma pedrada na própria cabeça.

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CENA – Circo indie toma Sorocaba neste final de semana. Festival Circadélica faz sua terceira edição. A segunda deste século (?!)

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* Respeitável público indie!
Neste semana, uma vez em São Paulo, bota a Popload Radio no Bluetooth do carro e dirija por uma horinha até Sorocaba, no interior, para os picadeiros do festival Circadélica, esforço cada vez maior, mais vistoso da turma da banda Wry, liderada pelo intrépido guitarrista e produtor Mario Bros.

Cerca de 28 bandas e artistas de vários tamanhos na cena independente brasileira compõem essa terceira edição do festival, que acontece neste sábado e domingo. Sendo que, na real, a primeira edição aconteceu em 2001, outros tempos, outro momento do indie nacional, outra hora da grande era “dourada” atual dos festivais brasileiros. Já falaremos de 2001. O festival foi ressuscitado Agora o assunto é 2018.

Emicida, Tropkillaz, O Terno, Jaloo, Tagore, A Banda Mais Bonita da Cidade, Bike, Flora Matos, My Magical Glowing Lens, Vanguart, Baleia, Fresno e Jaloo estão entre os destaques e dão a variadíssima cara do Circadélica deste ano.

Os shows vão das 13h às 23h nos dois dias, e as duas tendas de shows são rodeadas de lojinhas de roupas, tatuagens, food trucks, enquanto artistas circenses com ou sem pernas de pau passeiam entre o público, para assegurar o clima de “música e diversão” que é o mote do Circadélica.

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As info de ingressos, para um ou os dois dias, estão no site do festival. O line-up completo, com os horários da programação, estão aqui embaixo:

Sábado – 28/7

Palco TNT
13h – Fones
13h45 – Miêta
14h30 – Deb and the Mentals
15h30 – Bike
17h – Jonnata Doll e Os Garotos Selvagens
19h – My Magical Glowing Lens
21h – Tagore

Palco Principal
13h30 – Paramethrik
14h10 – Menores Atos
15h05 – Zander
16h15 – Selvagens à Procura de Lei
18h – Fresno
20h – Flora Matos
22h – Tropkillaz

Domingo – 29/7

Palco TNT
13h – Os Pontas
13h45 – Sky Down
14h30 – Kill Moves
15h30 – Hierofante Púrpura
17h – Gorduratrans
19h – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21h – Baleia

Palco Principal
13h30 – Benziê
14h10 – Zimbra
15h05 – A Banda Mais Bonita da Cidade
16h15 – Jaloo
18h – Vanguart
20h – O Terno
22h – Emicida

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* CIRCADÉLICA 2001 – Vale contar esta mesma historinha que eu botei aqui na Popload na cobertura do Circadélica do ano passado. Ela é assim:

Para você ver como o indie andou de 2001 para cá, um pouco do Circadélica da época em que Strokes e White Stripes eram bandinhas alternativas desconhecidas, sendo que os nova-iorquinos nem o primeiro álbum havia lançado. O festival sorocabano, já considerado enorme à época, teve 21 bandas escaladas. Um dos melhores shows do festival, foi o Prole, de Americana. Uma rara gravação de meia hora do Circadélica 2001 é tesouro puro, com trechos dos shows do Pelvs (RJ), Grenade (PR), Walverdes (RS) e MQN (GO).

O Thee Butchers’ Orchestra, uma das principais bandas daquela época, apresentou músicas de seu disco novo no Circadélica 01. Outras bandas que fizeram parte do festival há 17 anos: Garage Fuzz, Astromato, Maybees, Holly Tree, Muzzarelas, Biggs, entre outras. Os Pin Ups estavam escalados para se apresentar no festival, mas não compareceram, porque a banda, que voltou a existir hoje, mais ou menos, havia decidido acabar à época.

“O Circadélica veio para mostrar que é possível montar festivais de rock de médio porte em um país no qual predominam o samba e o pagode”, foram palavras do organizador Mário Bross, vocalista e guitarrista do Wry, lá em 2001. Acrescentemos funk e sertanejo para a edição 2, do ano passado, e a 3, deste ano. O Circadélica 2001 marcou também a despedida do Wry do Brasil, indo tentar a sorte na Inglaterra, por onde ficou por alguns anos.

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* As fotos deste post são de divulgação da edição do festival no ano passado, a segunda, que é a primeira dos novos tempos. A que ilustra a chamada da home da Popload para o festival deste ano é do Tagore, feita por José de Holanda.

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CENA – Bananada, de Goiânia, anuncia seu festival completo com Pabllo Vittar e Lee Ranaldo, com descontos e sem taxa de conveniência (por algumas horas)

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* Baianasystem, Rincon Sapiência, Carne Doce, Francisco El Hombre, Ava Rocha, DJ Marky, KL Jay e os chilenos Javiera Mena e Ganjas são alguns dos muitos nomes que comporão o sempre gigante elenco de bandas e artistas solo que fazem do festival Bananada, de Goiânia, um dos principais festivais indies do Brasil. E olha que temos agora vários e incríveis festivais…

Agora no final de tarde o festival, 20 anos neste ano, anunciou a escalação completa de seu final de semana. Além dos nomes acima, o Bananada 2018 vem ainda mais forte com Gilberto Gil e o show de 40 anos do álbum “Refavela”, a sensação Pabllo Vittar, o ex-Sonic Youth Lee Ranaldo, Nação Zumbi, Emicida, os onipresentes Boogarins, Holger, Molho Negro e muito mais.

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O Bananada, que acontece de 7 a 13 de maio e vai ocorrer em “seu grosso” no shopping Passeio das Águas. Mas, antes, o festival ainda tem uma programação de showcases durante a semana que antecede o festivalzão em si, a ser divulgada em breve.

E não é só. A partir das 19h desta terça, o evento goiano liberou ainda a venda de ingressos por dia, via Sympla. Não só o do passaporte inteiroAté a meia-noite de hoje, não será cobrada a taxa de conveniência na compra. Além disso, o Bananada oferece um cupom de desconto de 10% nos ingressos, via inbox do Facebook, para quem se cadastrar aqui.

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O line-up completo do final de semana do Bananada 2018 – 20 anos, fica assim:

– sexta-feira – 11/05
AVEEVA (GO)
NIELA (GO)
RØKR
ERMO (PORTUGAL)
VAMOZ
HOLGER
GIOVANI CIDREIRA
AS BAHIAS E COZINHA MINEIRA
JORGE CABELEIRA E O DIA EM TODOS SEREMOS INÚTEIS
CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA

palco red bull music
BRUNA MENDEZ (GO)
MERIDIAN BROTHERS (COLOMBIA)
FRANCISCO EL HOMBRE
KL JAY
DJ MARKY

palco chilli beans
GILBERTO GIL REFAVELA
EMICIDA convida DRIK BARBOSA e CORUJA BC1

– sábado – 12/05
LUTRE (GO)
GORDURATRANS
EMA STONED
BRANDA (GO)
ORUÃ
IN CORP SANTICS (ARGENTINA)
KALOUV
NEGRO LEO
ANA MULLER

palco red bull music
AVA ROCHA
JAVIERA MENA (CHILE)
CARNE DOCE (GO)
RINCON SAPIÊNCIA
HEAVY BAILE

palco chilli beans
ÀTTØØXXÁ
PABLLO VITTAR part. ARETUZA LOVI

– domingo – 13/05
FRIEZA (GO)
BLASTFEMME
DEAFKIDS
CORONA KINGS
ADELAIDA (CHILE)
BRVNKS (GO)
VIOLINS (GO)
MOLHO NEGRO
HELLBENDERS (GO)
MENORES ATOS

palco red bull music
TRIZ
THE GANJAS (CHILE)
RIMAS E MELODIAS
LARISSA LUZ
BAIANASYSTEM

palco chilli beans
BOOGARINS (GO)
NAÇÃO ZUMBI

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CENA – O CoMa Festival, em Brasília, a onda de “conferências de música” e o Far From Alaska

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A mescla de conferência sobre música e festival com preço popular realizada pelo CoMa, novo evento indie que aconteceu em Brasília no final de semana passado, atraiu a atenção da Cena brasileira. Armado no gramado entre a Funarte e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o evento teve a ideia de misturar artistas conhecidos (até Lenine e Emicida) com apostas locais e do indie atual. E muita conversação sobre o estado de coisas da música brasileira feita hoje. Com o crescimento e expansão da festa-festival Picnik, mais este CoMa, Brasília estabelece-se ainda mais no mapa do indie brasileiro.

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Com um climão de festa de final de ano do indie nacional, o CoMa levou a BSB, se não todos, quase todos, os mais destacados veículos, produtores e programadores de festivais da cena para passarem dois dias juntos, tudo isso para discutir o presente e o futuro da música feita por aqui. A Popload esteve de olho no festival e participando de mesa, com representação do poploader gaúcho Afonso de Lima.

De consultoria para novas bandas até bate papo com os maiores festivais independentes da atualidade, o que arrematou o maior número de público foram os quatro palcos espalhados pelo megalomaníaco complexo erguido para abrigar a parte musical do evento. Com ingressos entre R$ 25 e R$ 125 (para festival + conferência) o público ocupou boa parte dos shows apresentados durante a programação e é sobre eles que a gente vai falar um pouco mais por aqui.

Sábado passado teve Emicida, mas também teve Ventre e Carne Doce. O dia começou tímido com um line-up que tinha até dupla sertaneja independente tocando no sol quente de 1h da tarde. No caminhar do dia, Lista de Lily, Baleia e Ventre foram aquecendo o que seria a noite de Emicida, mas que antes ainda nos daria um Carne Doce já acostumado com palcos grandiosos.

O Clube do Choro, com capacidade para quase 500 pessoas, teve fila de dobrar a esquina para ver o Baleia, enquanto a psicodelia da Lista de Lily chamou atenção no palcão debaixo do clima árido de Brasília. Logo depois, já no entardecer, a Ventre chegou a gritos de “Fora Temer” soltando uma porção de músicas do seu único e ótimo disco. E soltando ainda seus tradicionais discursos “textão de Facebook” protagonizado pela baterista-metralhadora Larissa Conforto, em forma e conteúdo. Na parte musical, que é o que interessa, o Ventre fez um show suado e barulhento, preparando os ouvidos para o que ainda viria: Silva, Mahmed, Carne Doce, Rico Dalasam, Emicida, Jaloo e o bloco de carnaval Divinas Tetas.

Em paralelo a todos esses shows, ainda rolava uma tenda eletrônica comandada pelo Picnik e cheia de convidados locais. Tinhq também expositores com marcas da região e produtos artesanais, outra ação do Picnik dentro do CoMa.

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* No domingo, a latinidade e o rock comandaram: Quatro Pesos de Propina, Francisco, El Hombre e também Far From Alaska (foto acima) e Scalene. Se no sábado lotou consideravelmente os palcos principais e o simpático Clube do Choro, domingo a impressão foi de um grupo ainda maior circulando pelo espaço quase infinito do complexo. O dia começou com atrações locais seguidas do Bratislava, Aloizio e a Rede (também local), Medulla e da junção by Balaclava Records de Ventre + E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Cuatro Pesos de Propina botou o Clube do Choro abaixo e reforçou a conexão latino-americana que o festival trouxe, no palco norte. Clarice Falcão arrebatou milhares de fãs teen com um stand-up comedy com cara de show muito bem executado, prendendo até os desavisados que passavam pelo bar e esperavam a Francisco, El Hombre tocar.

De volta ao Clube fechado, Selvagens à Procura de Lei entupiram a pequena sala e fizeram uma das maiores filas do festival (olha só, uma fila enorme que nem é para comprar cerveja). Na chegada da esperada Francisco, El Hombre, o palco norte acabou virando um grande baile latino, cheio de danças desengonçadas para todo lado.

No outro lado, Larissa Luz se apresentou com uma ótima surpresa, com um show alto e cheio de batidas pesadas. Na sequência, Far From Alaska estourou os PA’s do festival com o som de guitarra mais alto que ouvimos durante todos os shows que assistimos. O setlist veio cheio de novidades do seu recém-lançado disco poderoso, “Unlikely”, que havia saído dois dias antes da apresentação. O público cantou junto, pulou e até ensaiou uma roda punk sem muita experiência. Um dos grandes shows do festival. Tendência no festival, teve encontrão de bandas no palco do Far From Alaska. Supercombo, Clarice Falcão, Medulla e mais um monte de gente subiu ao palco no show do grupo do Rio Grande do Norte.

Na caída da noite e na última parte do festival, ainda aconteceram show dos gringos do O’Brother, dos locais da Scalene e do quase aposentado Lenine (com um set imensamente longo).

O CoMa acertou? Parece que sim, parece que muito. Com um line-up bem diversificado e valorizando a cena local, o CoMa chegou certo a Brasília. O mix de quatro produtoras conseguiu criar uma estrutura gigante e de qualidade para receber bandas interessantes e que conversam com o que de novo está acontecendo musicalmente, além de trazer nomes consagrados para dar o peso necessário a escalação. Talvez o complexo ultragrandioso não tenha ajudado muito a agrupar as pessoas o tempo todo, mas facilitou a circulação e também evitou filas para comida, bebida e pagamentos.

Conferência/Festival, esse modelo que ainda é novo por aqui mas está crescendo bastante, apresentou um pequeno problema em relação às agendas, já que dividiu o público entre grandes shows e grandes painéis. Solução? A gente deixa para os programadores. Para muito além disso, o CoMa conseguiu começar com o pé direito, tanto pela organização impecável como também pela estrutura de qualidade e a boa organização dos palcos, claro, tirando os atrasos que acabaram atrapalhando um pouco quem estava pontualmente organizado. Fora isso, potencial para uma segunda edição com ainda mais acertos.

BH – Neste final de semana, ainda com participação da Popload, presente, e mais um exemplo da onda “conferências de música” no estilo SIM-SP, está acontecendo em BELO HORIZONTE a dobradinha de festivais Sonâncias (de debate + show) + Transborda (festival). Ontem, sexta, a Popload participou de um debate sobre “comunicação e divulgação de bandas e eventos independentes”. Hoje, sábado, o Transborda leva para a lagoa da Pampulha, com entrada gratuita, um evento musical encabeçado pela banda da hora, os potiguares do Far From Alaska, e mais: os mineiros do Djonga, Young Lights, Pequeno Céu, El Toro Fuerte e a paulistana Iara Rennó.

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