Em emicida:

CENA – Música daora: “Ismália”, do Emicida

1 - cenatopo19

* O rapper Emicida, que já dividiu um palco com o deus Iggy Pop lá atrás num Popload Festival, já escreveu sobre quando encarou a própria miséria, a perda de amigos e do pai, mas nunca soou tão triste quanto em “Ismália”, uma das faixas de destaque de seu recém-lançado novo disco, “AmarElo”.

Sobre racismo, então, Emicida já escreveu de várias formas, entre sons mais diretos ao ponto e outros mais amplos que tangenciavam o tema, mas talvez nunca tenha retratado tão bem a destruição psicológica por conta da frustração que o preconceito gera.

“Ismália”, nossa faixa de destaque da vez, que tem participações especiais de Larissa Luz cantando e da atriz Fernanda Montenegro declamando, é uma pancada dura.

De primeira, “AmarElo”, o novo álbum, parece propositivo, até otimista ao encarar o mundo neste fim de ciclo sem ódio, embora atento a todos os problemas – racismo, violência, o fim do mundo por conta da destruição do meio ambiente. A sugestão do rapper parece ser que só dado o valor necessário à luta de todo brasileiro é que a equação da enrascada será solucionada.

2 - 76199270_2663523277038661_6708352373590327296_o

Entre tantas questões a serem resolvidas, Emicida entende, por exemplo, que ninguém terá compaixão por mais um jovem negro assassinado enquanto ver ali só mais um corpo anônimo no chão. É preciso cantar a vida deste herói do cotidiano para quem sabe talvez assim mudar o sentimento de quem ainda presta.

Então, em diversas músicas do disco, parece que ele conta a história desse herói, dos sonhos desse herói, não de sua derrota.

Nada disso é explícito, lógico. (Aliás, o que o disco mais faz é dar conta de músicas com mensagens sujeitas a muitas interpretações. Ouça repetidas vezes “Paisagem”, que fala sobre paz em um cenário questionável, e “9inha”, que não é uma love song, não. É sobre violência, sobre armas.)

Só que a dor desse personagem está em “Ismália”. Aqui Emicida olha para o espelho, encara a si próprio e vê Ícaro aconselhar: “Não chegue perto do sol”. O rapper vê que está encurralado. Perde se perder. Perde, se vencer também. Está dada aqui a dimensão do racismo no Brasil. No mundo. Não tem vitória plena enquanto existir racismo. Sucesso, diploma, emprego, nada traz segurança enquanto a cor da pele for um alvo. Entendendo que essa reflexão está na mente do herói do cotidiano celebrado no disco, que tem suas filhas, seus amigos, sua rotina, seu trabalho, o amor, compaixão, religião, suas viagens de férias, aqui descobrimos que ele é negro e vemos o soco que é ele sacar que tudo que construiu é nada diante do racismo.

Na poesia de Alphonsus de Guimaraens, poesia que dá nome à faixa e é recitada por Fernanda Montenegro na música, Ismália delira. Ao crer que poderia alcançar a lua do céu e a lua do mar ao mesmo tempo, morre afogada. Emicida entende que todo negro está na mesma condição de Ismália. Sem escapatória. Se vencer nos termos do brancos, “É um hipócrita”, na maneira que o MBL gritou quando viu o Emicida com um terno. Se for visto com droga, “Ih, eu avisei”, dirá o algoz. Se for parado com uma bala, vira suspeito, alguma coisa deve ter feito.

“80 tiros te lembram que existe pele alva e pele alvo
Quem disparou usava farda (Mais uma vez)
Quem te acusou nem lá num tava (Bando de espírito de porco)
Porque um corpo preto morto é tipo os hit das parada:
Todo mundo vê, mas essa porra não diz nada”

“Ismália” dá essa dimensão do racismo e opta por terminar sem oferecer qualquer solução ao problema. Na música e no álbum, Emicida dá a dimensão da vida dos negros no país, mas também podemos ver paralelos dessas histórias na vida de todas as minorias, de todos os trabalhadores que fazem milagres com salários que não dão para ser poupados de tão curtos. Marginais que não vão ser heróis.

Ainda assim, “AmarElo” é sobre esperança, sobre ver a solução no afeto. Ter esperança não é se omitir de agir. Em se reconhecer o que se é. Olhe a capa do álbum. O que você vê? No disco, o personagem tem amigos que protegem sua origem, olha as religiões como ponto de encontro e não de separação, olha para o seus amores com carinho, olha nas filhas o futuro que válida a luta. Emicida mira no sonho que soa impossível. Pessoas menos doidonas de like e mais afetuosas farão política melhor ao ser parte de uma sociedade melhor.

As músicas que vêm após “Ismália” versam em alguma medida sobre esse sonho. Quem hoje aposta no afeto como solução? Ele propõe isso a par de que vai receber críticas, mas entende que essa vida merece ser sonhada, merece ser posta em prática. Ou a gente entende esse recado ou dá uma pedrada na própria cabeça.

>>

CENA – Circo indie toma Sorocaba neste final de semana. Festival Circadélica faz sua terceira edição. A segunda deste século (?!)

>>

1 - cenatopo19

arena-circadelica

* Respeitável público indie!
Neste semana, uma vez em São Paulo, bota a Popload Radio no Bluetooth do carro e dirija por uma horinha até Sorocaba, no interior, para os picadeiros do festival Circadélica, esforço cada vez maior, mais vistoso da turma da banda Wry, liderada pelo intrépido guitarrista e produtor Mario Bros.

Cerca de 28 bandas e artistas de vários tamanhos na cena independente brasileira compõem essa terceira edição do festival, que acontece neste sábado e domingo. Sendo que, na real, a primeira edição aconteceu em 2001, outros tempos, outro momento do indie nacional, outra hora da grande era “dourada” atual dos festivais brasileiros. Já falaremos de 2001. O festival foi ressuscitado Agora o assunto é 2018.

Emicida, Tropkillaz, O Terno, Jaloo, Tagore, A Banda Mais Bonita da Cidade, Bike, Flora Matos, My Magical Glowing Lens, Vanguart, Baleia, Fresno e Jaloo estão entre os destaques e dão a variadíssima cara do Circadélica deste ano.

Os shows vão das 13h às 23h nos dois dias, e as duas tendas de shows são rodeadas de lojinhas de roupas, tatuagens, food trucks, enquanto artistas circenses com ou sem pernas de pau passeiam entre o público, para assegurar o clima de “música e diversão” que é o mote do Circadélica.

Untitled-6

As info de ingressos, para um ou os dois dias, estão no site do festival. O line-up completo, com os horários da programação, estão aqui embaixo:

Sábado – 28/7

Palco TNT
13h – Fones
13h45 – Miêta
14h30 – Deb and the Mentals
15h30 – Bike
17h – Jonnata Doll e Os Garotos Selvagens
19h – My Magical Glowing Lens
21h – Tagore

Palco Principal
13h30 – Paramethrik
14h10 – Menores Atos
15h05 – Zander
16h15 – Selvagens à Procura de Lei
18h – Fresno
20h – Flora Matos
22h – Tropkillaz

Domingo – 29/7

Palco TNT
13h – Os Pontas
13h45 – Sky Down
14h30 – Kill Moves
15h30 – Hierofante Púrpura
17h – Gorduratrans
19h – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21h – Baleia

Palco Principal
13h30 – Benziê
14h10 – Zimbra
15h05 – A Banda Mais Bonita da Cidade
16h15 – Jaloo
18h – Vanguart
20h – O Terno
22h – Emicida

Captura de Tela 2018-07-27 às 7.46.07 PM

***

* CIRCADÉLICA 2001 – Vale contar esta mesma historinha que eu botei aqui na Popload na cobertura do Circadélica do ano passado. Ela é assim:

Para você ver como o indie andou de 2001 para cá, um pouco do Circadélica da época em que Strokes e White Stripes eram bandinhas alternativas desconhecidas, sendo que os nova-iorquinos nem o primeiro álbum havia lançado. O festival sorocabano, já considerado enorme à época, teve 21 bandas escaladas. Um dos melhores shows do festival, foi o Prole, de Americana. Uma rara gravação de meia hora do Circadélica 2001 é tesouro puro, com trechos dos shows do Pelvs (RJ), Grenade (PR), Walverdes (RS) e MQN (GO).

O Thee Butchers’ Orchestra, uma das principais bandas daquela época, apresentou músicas de seu disco novo no Circadélica 01. Outras bandas que fizeram parte do festival há 17 anos: Garage Fuzz, Astromato, Maybees, Holly Tree, Muzzarelas, Biggs, entre outras. Os Pin Ups estavam escalados para se apresentar no festival, mas não compareceram, porque a banda, que voltou a existir hoje, mais ou menos, havia decidido acabar à época.

“O Circadélica veio para mostrar que é possível montar festivais de rock de médio porte em um país no qual predominam o samba e o pagode”, foram palavras do organizador Mário Bross, vocalista e guitarrista do Wry, lá em 2001. Acrescentemos funk e sertanejo para a edição 2, do ano passado, e a 3, deste ano. O Circadélica 2001 marcou também a despedida do Wry do Brasil, indo tentar a sorte na Inglaterra, por onde ficou por alguns anos.

***

* As fotos deste post são de divulgação da edição do festival no ano passado, a segunda, que é a primeira dos novos tempos. A que ilustra a chamada da home da Popload para o festival deste ano é do Tagore, feita por José de Holanda.

>>

CENA – Bananada, de Goiânia, anuncia seu festival completo com Pabllo Vittar e Lee Ranaldo, com descontos e sem taxa de conveniência (por algumas horas)

>>

1 - cenatopo19

* Baianasystem, Rincon Sapiência, Carne Doce, Francisco El Hombre, Ava Rocha, DJ Marky, KL Jay e os chilenos Javiera Mena e Ganjas são alguns dos muitos nomes que comporão o sempre gigante elenco de bandas e artistas solo que fazem do festival Bananada, de Goiânia, um dos principais festivais indies do Brasil. E olha que temos agora vários e incríveis festivais…

Agora no final de tarde o festival, 20 anos neste ano, anunciou a escalação completa de seu final de semana. Além dos nomes acima, o Bananada 2018 vem ainda mais forte com Gilberto Gil e o show de 40 anos do álbum “Refavela”, a sensação Pabllo Vittar, o ex-Sonic Youth Lee Ranaldo, Nação Zumbi, Emicida, os onipresentes Boogarins, Holger, Molho Negro e muito mais.

gil

O Bananada, que acontece de 7 a 13 de maio e vai ocorrer em “seu grosso” no shopping Passeio das Águas. Mas, antes, o festival ainda tem uma programação de showcases durante a semana que antecede o festivalzão em si, a ser divulgada em breve.

E não é só. A partir das 19h desta terça, o evento goiano liberou ainda a venda de ingressos por dia, via Sympla. Não só o do passaporte inteiroAté a meia-noite de hoje, não será cobrada a taxa de conveniência na compra. Além disso, o Bananada oferece um cupom de desconto de 10% nos ingressos, via inbox do Facebook, para quem se cadastrar aqui.

**

O line-up completo do final de semana do Bananada 2018 – 20 anos, fica assim:

– sexta-feira – 11/05
AVEEVA (GO)
NIELA (GO)
RØKR
ERMO (PORTUGAL)
VAMOZ
HOLGER
GIOVANI CIDREIRA
AS BAHIAS E COZINHA MINEIRA
JORGE CABELEIRA E O DIA EM TODOS SEREMOS INÚTEIS
CAMARONES ORQUESTRA GUITARRÍSTICA

palco red bull music
BRUNA MENDEZ (GO)
MERIDIAN BROTHERS (COLOMBIA)
FRANCISCO EL HOMBRE
KL JAY
DJ MARKY

palco chilli beans
GILBERTO GIL REFAVELA
EMICIDA convida DRIK BARBOSA e CORUJA BC1

– sábado – 12/05
LUTRE (GO)
GORDURATRANS
EMA STONED
BRANDA (GO)
ORUÃ
IN CORP SANTICS (ARGENTINA)
KALOUV
NEGRO LEO
ANA MULLER

palco red bull music
AVA ROCHA
JAVIERA MENA (CHILE)
CARNE DOCE (GO)
RINCON SAPIÊNCIA
HEAVY BAILE

palco chilli beans
ÀTTØØXXÁ
PABLLO VITTAR part. ARETUZA LOVI

– domingo – 13/05
FRIEZA (GO)
BLASTFEMME
DEAFKIDS
CORONA KINGS
ADELAIDA (CHILE)
BRVNKS (GO)
VIOLINS (GO)
MOLHO NEGRO
HELLBENDERS (GO)
MENORES ATOS

palco red bull music
TRIZ
THE GANJAS (CHILE)
RIMAS E MELODIAS
LARISSA LUZ
BAIANASYSTEM

palco chilli beans
BOOGARINS (GO)
NAÇÃO ZUMBI

>>

CENA – O CoMa Festival, em Brasília, a onda de “conferências de música” e o Far From Alaska

>>

popload_cena_pq

A mescla de conferência sobre música e festival com preço popular realizada pelo CoMa, novo evento indie que aconteceu em Brasília no final de semana passado, atraiu a atenção da Cena brasileira. Armado no gramado entre a Funarte e o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, o evento teve a ideia de misturar artistas conhecidos (até Lenine e Emicida) com apostas locais e do indie atual. E muita conversação sobre o estado de coisas da música brasileira feita hoje. Com o crescimento e expansão da festa-festival Picnik, mais este CoMa, Brasília estabelece-se ainda mais no mapa do indie brasileiro.

coma2

Com um climão de festa de final de ano do indie nacional, o CoMa levou a BSB, se não todos, quase todos, os mais destacados veículos, produtores e programadores de festivais da cena para passarem dois dias juntos, tudo isso para discutir o presente e o futuro da música feita por aqui. A Popload esteve de olho no festival e participando de mesa, com representação do poploader gaúcho Afonso de Lima.

De consultoria para novas bandas até bate papo com os maiores festivais independentes da atualidade, o que arrematou o maior número de público foram os quatro palcos espalhados pelo megalomaníaco complexo erguido para abrigar a parte musical do evento. Com ingressos entre R$ 25 e R$ 125 (para festival + conferência) o público ocupou boa parte dos shows apresentados durante a programação e é sobre eles que a gente vai falar um pouco mais por aqui.

Sábado passado teve Emicida, mas também teve Ventre e Carne Doce. O dia começou tímido com um line-up que tinha até dupla sertaneja independente tocando no sol quente de 1h da tarde. No caminhar do dia, Lista de Lily, Baleia e Ventre foram aquecendo o que seria a noite de Emicida, mas que antes ainda nos daria um Carne Doce já acostumado com palcos grandiosos.

O Clube do Choro, com capacidade para quase 500 pessoas, teve fila de dobrar a esquina para ver o Baleia, enquanto a psicodelia da Lista de Lily chamou atenção no palcão debaixo do clima árido de Brasília. Logo depois, já no entardecer, a Ventre chegou a gritos de “Fora Temer” soltando uma porção de músicas do seu único e ótimo disco. E soltando ainda seus tradicionais discursos “textão de Facebook” protagonizado pela baterista-metralhadora Larissa Conforto, em forma e conteúdo. Na parte musical, que é o que interessa, o Ventre fez um show suado e barulhento, preparando os ouvidos para o que ainda viria: Silva, Mahmed, Carne Doce, Rico Dalasam, Emicida, Jaloo e o bloco de carnaval Divinas Tetas.

Em paralelo a todos esses shows, ainda rolava uma tenda eletrônica comandada pelo Picnik e cheia de convidados locais. Tinhq também expositores com marcas da região e produtos artesanais, outra ação do Picnik dentro do CoMa.

coma farfromalaska

* No domingo, a latinidade e o rock comandaram: Quatro Pesos de Propina, Francisco, El Hombre e também Far From Alaska (foto acima) e Scalene. Se no sábado lotou consideravelmente os palcos principais e o simpático Clube do Choro, domingo a impressão foi de um grupo ainda maior circulando pelo espaço quase infinito do complexo. O dia começou com atrações locais seguidas do Bratislava, Aloizio e a Rede (também local), Medulla e da junção by Balaclava Records de Ventre + E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante. Cuatro Pesos de Propina botou o Clube do Choro abaixo e reforçou a conexão latino-americana que o festival trouxe, no palco norte. Clarice Falcão arrebatou milhares de fãs teen com um stand-up comedy com cara de show muito bem executado, prendendo até os desavisados que passavam pelo bar e esperavam a Francisco, El Hombre tocar.

De volta ao Clube fechado, Selvagens à Procura de Lei entupiram a pequena sala e fizeram uma das maiores filas do festival (olha só, uma fila enorme que nem é para comprar cerveja). Na chegada da esperada Francisco, El Hombre, o palco norte acabou virando um grande baile latino, cheio de danças desengonçadas para todo lado.

No outro lado, Larissa Luz se apresentou com uma ótima surpresa, com um show alto e cheio de batidas pesadas. Na sequência, Far From Alaska estourou os PA’s do festival com o som de guitarra mais alto que ouvimos durante todos os shows que assistimos. O setlist veio cheio de novidades do seu recém-lançado disco poderoso, “Unlikely”, que havia saído dois dias antes da apresentação. O público cantou junto, pulou e até ensaiou uma roda punk sem muita experiência. Um dos grandes shows do festival. Tendência no festival, teve encontrão de bandas no palco do Far From Alaska. Supercombo, Clarice Falcão, Medulla e mais um monte de gente subiu ao palco no show do grupo do Rio Grande do Norte.

Na caída da noite e na última parte do festival, ainda aconteceram show dos gringos do O’Brother, dos locais da Scalene e do quase aposentado Lenine (com um set imensamente longo).

O CoMa acertou? Parece que sim, parece que muito. Com um line-up bem diversificado e valorizando a cena local, o CoMa chegou certo a Brasília. O mix de quatro produtoras conseguiu criar uma estrutura gigante e de qualidade para receber bandas interessantes e que conversam com o que de novo está acontecendo musicalmente, além de trazer nomes consagrados para dar o peso necessário a escalação. Talvez o complexo ultragrandioso não tenha ajudado muito a agrupar as pessoas o tempo todo, mas facilitou a circulação e também evitou filas para comida, bebida e pagamentos.

Conferência/Festival, esse modelo que ainda é novo por aqui mas está crescendo bastante, apresentou um pequeno problema em relação às agendas, já que dividiu o público entre grandes shows e grandes painéis. Solução? A gente deixa para os programadores. Para muito além disso, o CoMa conseguiu começar com o pé direito, tanto pela organização impecável como também pela estrutura de qualidade e a boa organização dos palcos, claro, tirando os atrasos que acabaram atrapalhando um pouco quem estava pontualmente organizado. Fora isso, potencial para uma segunda edição com ainda mais acertos.

BH – Neste final de semana, ainda com participação da Popload, presente, e mais um exemplo da onda “conferências de música” no estilo SIM-SP, está acontecendo em BELO HORIZONTE a dobradinha de festivais Sonâncias (de debate + show) + Transborda (festival). Ontem, sexta, a Popload participou de um debate sobre “comunicação e divulgação de bandas e eventos independentes”. Hoje, sábado, o Transborda leva para a lagoa da Pampulha, com entrada gratuita, um evento musical encabeçado pela banda da hora, os potiguares do Far From Alaska, e mais: os mineiros do Djonga, Young Lights, Pequeno Céu, El Toro Fuerte e a paulistana Iara Rennó.

>>

CENA – Viva Brasila! Novo festival CoMA engrossa o caldo indie da capital federal

>>

popload_cena_pq

* Primeiramente, fora Temer!

Com o anúncio hoje do novíssimo CoMA (Convenção de Música e Arte), festival que promete levar do Distrito Federal em agosto cerca de 50 shows indies, muitos painéis de discussão sobre a música deste país e com uma estrutura para receber mais de 10 mil pessoas, Brasília vai viver seus dias de Austin, a partir da semana que vem e por algumas próximas.

A cidade, do ancião festival Porão do Rock, que já foi mais amigo da música independente e chegou a receber 100 mil pessoas em algumas de suas edições gratuitas de outrora, sedia no final de semana de 24 e 25 deste mês o Picnik Festival, com um line-up cheio de referências do indie nacional e apostas gerais na linha O Terno, Ava Rocha, Bixiga 70, o norte-americano The Blank Tapes, o pernambucano Tagore e outros artistas de Sul a Sudeste do país. Tudo isso totalmente gratuito e mesclado a mais uma série de workshops, palcos auxiliares com curadoria de selos, discotecagens, oficinas e atividades culturais espalhadas pelo espaço da Fonte da Torre de TV de Brasília.

O Picnik já está nacionalmente conhecido principalmente pela quantidade absurda de pessoas que se reúnem duas vezes por ano em diferentes espaços da cidade (mais de 25 mil por edição).

Captura de Tela 2017-06-14 às 4.36.32 PM

Já o novo CoMA (Convenção de Música e Arte), que está por ser anunciado oficialmente a qualquer momento, promete engordar ainda mais a conta de novas bandas do indie nacional visitando a cidade logo nos primeiros dias de agosto, entre 4 e 6.

Nos espaços do Planetário, Clube de Choro e gramado da FUNARTE, o CoMA receberá os palcos para as atrações musicais, trazendo à cidade nomes como: Emicida, Francisco, el Hombre, Far from Alaska (foto na home da Popload), Jaloo e muitos outros artistas nacionais, além dos gringos da experimental O’Brother, de Atlanta, Georgia (foto abaixo). Já o Centro de Convenções Ulysses Guimarães, será responsável pela parte destinada a negócios da música e turismo, abrigando um circuito paralelo aos shows.

obrother3

As vendas promocionais para o CoMA iniciam no dia 20 deste mês e já estão com a fila de espera disponível no link.

Somando a 25ª edição do Picnik que acontece durante o 57º aniversário da cidade, junto ao novo CoMA, Brasília deve receber quase uma centena de bandas nacionais e internacionais nos próximos meses. As atrações se dividem por diversos espaços da região e demonstram para o resto do Brasil, a articulação cada vez mais global do centro do país com as cenas que estão ao seu redor, ocupando diferentes espaços da região com os mais variados formatos e públicos.

Se você aumentar o alcance para o circuito Goiânia/Brasília e botar no rolê os festivais goianos Bananada e Vaca Amarela, entre outros eventos, o Centro Oeste nunca bombou tão, digamos, seriamente na CENA nacional.

>>