Em fat white family:

Sangue, luxo, Baxter Dury e inspiração em Monty Python: apenas o vídeo novo do Fat White Family

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Temos falado bastante do Fat White Family por aqui, banda electro-pop-punk (pode isso?) do Sul de Londres e liderada pelo figuraça Lias Saoudi. São tantas influências e referências no som do grupo que fica difícil mesmo descrever. E apesar do visual punk auto-destrutivo-vida-loka de alguns dos integrantes, levando em conta as amostras que temos do disco novo até agora, eles até que estão bem… comportados. Bem pop até, sério. E maravilhosos: “Feet”, lançada em janeiro e presente no primeiro post de 2019 deste site, digo desde já, é uma das músicas do ano (e, sem dúvida, a mais acessível deles). Vai lá ouvir e diga se estou mentindo.

Seguindo a tradição de soltar um álbum de três em três anos, está marcado para 19 de abril o lançamento do terceiro disco do grupo, “Serfs Up!”, o primeiro pela Domino.

E se o vídeo para o single citado acima já foi aquela viagem medieval louca com cenário absurdo, a nova amostra visual do novo álbum não podia ficar atrás. 1. “Tastes Good with the Money” já começa com um “featuring” que vale o disco: o dândi Baxter Dury, que com aquele sotaque inconfundível deixa qualquer música cool. 2. A direção é da Roisin Murphy, metade do duo irlandês (dos anos 90) Moloko. 3. E a inspiração, para deixar tudo ainda mais inglês e surreal, vem do seriado Monty Python.

Murphy é fã dos FWF e fez de tudo para dirigir um vídeo do grupo, entrando em contato até via redes sociais. Segundo ela, a inspiração e “a ideia de referenciar o Monty Python veio em parte do cenário político um tanto absurdo e confuso que estamos vivendo agora na Grã-Bretanha, parece que o Python adivinhou. Os britânicos rindo de si mesmos, um certo tipo de alegria, mesmo na perda do império, cantando enquanto o navio afunda, bem, parece tão … do momento. Existe essa profunda ambivalência em relação ao estabelecimento que ressoa com o Fat White Family, uma visão de mundo irreverente.”

Tem humor inglês, tem o próprio Baxter Dury do meio pro final, tem sangue, tem luxo, tem aristocracia e tem, claro, mais uma música genial do Fat White Family:

* Abaixo, o sketch que serviu de referência para o clipe:

Serfs Up! – Tracklist
1. Feet
2. I Believe In Something Better
3. Vagina Dentata
4. Kim’s Sunsets
5. Fringe Runner
6. Oh Sebastian
7. Tastes Good With The Money
8. Rock Fishes
9. When I Leave
10. Bobby’s Boyfriend

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Feliz ano novo e feliz Fat White Family novo pra todo mundo!!!!!

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* Well, Feliz 2019. Vamos retomar os trabalhos ainda devagaaaaar nesta semana, porque a coisa não está fácil. E eu nem estou falando do difícil governo que teremos nestes loooooongos quatro anos à frente, que esperamos muito que não representem quarenta anos atrás.

Popload foi até a China e o Japão receber um banho de civilidade e progresso e, agora de volta, está tentando se readaptar a esta volta. E eu nem estou falando…

Enfim. Acho que teremos algumas novidades para contar em pouco tempo, assim que o ritmo for totalmente retomado e o jet lag maldito passar e eu parar de passar as madrugadas insones (fazendo post?) e ficar zumbi durante o dia. Como este post madrugadeiro aqui, o oficial primeiro recado do ano da Popload 2019, ano este que promete ser diferente estes lados. E eu nem estou falando…

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O primeiro post do ano tinha que ser especial. Baseado num “teaser” de vídeo de dois dias atrás e na primeira música fantástica de 2019 (ok, tem a da Lana e o do Beirut…), lançada hoje.

É que, quando se trata de uma banda como a inglesa Fat White Family, completamente doida, “to tease” é o que mais eles sabem fazer. Com nossa cara.

E que música, essa “Feet”…

Os caras do Sul de Londres, digamos assim, estavam meio sumidos por “problemas internos”, se é que você me entende. Se eles continuassem no ritmo que estavam quando quebraram tudo por três anos à custa do álbum singelo “Songs for Our Mothers”, de 2016, o segundo da curtíssima mas intensa carreira deles, eles não seriam mais um sexteto de tantas baixas pelos “excessos” de uma banda bem fora do controle. Os que não estavam derrubados, foram colaborar em outras ou novas formações.

Mas o negócio é que, soubemos nesta semana, através do teaser, que o Fat White Family não só voltou a circular como vai lançar o terceiro álbum em 2019, chamado “Serfs Up”. Porque eles lançam disco de três em três anos e este é o ano, de passagem lembrando que o acachapante “Champagne Holocaust”, o de estréia, é de 2013.

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E num vídeo DRAMÁTICO na linha “Game of Thrones”, com o vocalista principal Lias Kaci Saoudi vestido muito louco na linha medieval e subindo uma montanha com um trono nas costas, para sentar imponente nele, no provável visual mais lindo que você vai ver na música independente neste ano.

Nesta madrugada, vi porque estava “sleepless em São Paulo”, o Fat White Family lançou sua primeira música nova desde 2016. “Feet” é o primeiro single de “Serfs Up”, cuja minha liiiiiivre tradução talvez, e só talvez, tenha ver com a sensação que estamos incorporando dia a dia aqui do outro lado do Atlântico: ser escravo em tempos de Idade Média. Ou escravizar geral em trevas sinistras. Opine sobre sua concepção que tá beleza, também.

É tudo certo em “Feet”, da cadência, o ritmo de batuquinho maravilhoso, o baixo, o vocal. Talvez seja a música mais, digamos, pop, do Fat White Family. “Finalmente fizemos uma música ok para tocar em lojas de roupa”, alguém da banda falou na Radio One. Bingo!

“Serfs Up”está marcado para sair no final de abril, dia 19. Tem uma colaboração, parece, do dândi inglês Baxter Dury, numa música chamada “Tastes Good with the Money”, o que já deve, sem escutar ainda, botar o novo disco já no Top 3 de álbum do ano, fácil.

Bem, sem blablablá, toma “Feet” aí. E feliz ano novo, cambada.

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Sequência do importantíssimo “Trainspotting” estreia hoje nos cinemas. Vá ver e principalmente ouvir o filme

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* O texto abaixo saiu publicado na edição desta quinta-feira do caderno Ilustrada, da “Folha de S.Paulo”. A página toda merece destaque, com a crítica do filme e a análise da “era perdida” que o filme brilhantemente abordou sobre aquela galera britânica de meados dos anos 90. Mas reproduzo abaixo apenas minha colaboração com o jornal, sobre a trilha sonora tanto do filme de 1996 quanto deste “T2 Trainspotting”, a continuação 20 anos depois. A música abordada nas duas produções é um assunto muito sério. Porque, em ambas, a música é como um dos personagens principais da trama.

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Na última cena, quando “T2 Trainspottting” parece ter sua trama resolvida (à medida que um filme desses com uma história dessas pode estar “resolvido”), a agulha da vitrola cai num vinil, para o ato final. Num volume bem alto, começa a ser tocada “Lust for Life”, hino punk de Iggy Pop feito em parceria com David Bowie, quando os dois viviam a vida louca em Berlim nos anos 70.
A música, um dos clássicos do rock, é a mesma que está na inesquecível abertura do “Trainspotting” de 1996, quando dois dos atores principais do filme saem em desabalada carreira pelas ruas de Edimburgo, com um deles proclamando o famoso texto “Choose life, choose a job, choose a career, choose a family…”, espécie de mantra da vida louca da juventude britânica dos anos 90.
Mas em T2 “Lust for Life” vem diferente, mexida, em remix do grupo Prodigy. Assim como a explosiva “Born Slippy. NUXX”, da icônica banda eletrônica Underworld, outro hino do primeiro filme que aparece na trilha desta sequência que estreia agora como “Slow Slippy”. A música do Underworld, 20 anos depois, foi desconstruída e reconstruída em ritmo lento, devagar, como que refletindo o envelhecimento do filme.
“T2” modifica, portanto, dois clássicos da obra de 1996 que não deveriam nunca serem modificados, porque, enfim, clássicos. Mas ficou tudo muito bom.
A trilha sonora de “Trainspotting” de 1996 é tão importante quanto o filme em si e o livro que o gerou. A música fez parte da trama quase como um personagem. Não é um mero enfeite musical. Misturou figurões como Iggy Pop, Blondie, New Order, Lou Reed com novidades fundamentais de seu tempo.
Refletiu o espírito da época da “cool Britannia” dos meados dos 90 e botou Pulp e Blur representando o fenômeno britpop e lançou a citada música do citado Underworld, o que ajudou a fazer a música eletrônica sair dos clubinhos e chegar ao mainstream.
Talvez com menos impacto, mas tão boa quanto, a trilha de “T2” vai pela mesma… trilha do original. Refez Iggy Pop e o hoje clássico Underworld, convocou The Clash, Queen, Run DMC e jogou luz em excelentes nomes novos como Young Fathers, Wolf Alice e Fat White Family.
Este último, maravilhoso grupo de Londres de um certo pós-punk indie de sonoridade quase própria, apenas dois álbuns e muito barulho no underground britânico, prolífico em seus shows doidos e experimentais tanto quanto nos eventos que promove em torno da banda, já entrou em um hiato para “acalmar” um pouco, alegando que a vida louca anos 2010 que estavam levando poderia matar algum deles.
Enfim, uma banda totalmente “Trainspotting”.

Trainspotting 2 mexe em hinos que não podia mexer. E ficou bem bom

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* Estreou na Inglaterra no último final de semana “T2: Trainspotting”, a sequência do filme que virou os anos 90 de ponta-cabeça com sexo, drogas, ritmos alucinantes gerais, personagens bizarros, frases inesquecíveis e a melhor trilha sonora de cinema de todos os tempos. A música do “Trainspotting” de 1996 construiu hinos, resgatou velhos ídolos, mostrou música nova que interessava e chacoalhou ao mesmo tempo a música independente e a eletrônica.

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O novo “T2: Trainspotting”, ainda baseado em história criada pelo escritor Irvine Welsh e dirigido por Dany Boyle, estreia no Brasil no dia 16 de fevereiro, é o que parece.

A trilha deste novo pode não causar o mesmo impacto que a de seu antecessor, mas é de uma responsa linda. Tem o maravilhoso Fat White Family e “Radio Ga Ga”, do Queen. Tem Wolf Alice e “Relax”, do Frankie Goes to Hollywood. Tem Young Fathers e Clash!!!!! Tem mais coisas incríveis. E tem, óbvio, os obrigatórios Iggy Pop e Underworld, com músicas do primeiro filme, mas aqui mexidas. É “Lust for Life” em remix do Prodigy e o hino master “Born Slippy”, num ritmo lento, aqui chamada “Slow Slippy”, desconfigurada mas ainda boa.

Esse “T2: Trainspotting Motion Picture Original Soundtrack” já está por aí, à venda ou não. Aqui, fazemos uma elegia das novas versões para os hits máximos de mister Iggy Pop e o absurdo Underworld. Just because.

Iggy Pop – Lust for Life (The Prodigy Remix)

Underworld – Slow Slippy

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É preciso falar mais sobre o Fat White Family em San Francisco, banda gorda, branca e do lar

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* Ainda em comoção com o show dos punks ingleses do Fat White Family no Social Hall, terça à noite, reproduzo abaixo as mal traçadas linhas deste que voz fala publicadas pela Folha de S.Paulo hoje, à respeito da apresentação do sexteto britânico, dentro deste nosso rolê californiano. Queria ir a shows do FWF todos os dias, haha.

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* “Por que você ainda está vestido?”, veio o grito de alguém da platéia no meio do show da banda inglesa Fat White Family, terça-feira à noite em San Francisco. Estamos em mais um concerto de nossa temporada de música ao vivo pela Califórnia, que ainda passará pelo Coachella com suas 160 bandas no final de semana e desembocará num Iggy Pop acompanhado por superbanda em Los Angeles semana que vem, mas já temos um candidato para uma das melhores apresentações da lista desta série para a Ilustrada. Talvez não um dos “melhores” exatamente, mas possivelmente um dos mais contundentes.

O berro se referindo à questionável manutenção da roupa em cena foi desferido em direção ao vocalista do Fat White Family, o figuraça Lias Saoudi, que, sim, àquela altura do show, lá pela sexta música, ainda estava vestido. Só de calça, sem camisa, depois de vários autobanhos de cerveja na cabeça e algumas incursões para cantar no meio do público durante uma roda de pulos e chutes à maneira punk. O que equivale a dizer que Saoudi, para uma performance “normal” do grupo de Londres, estava praticamente de terno e gravata e com um sobretudo sobre… tudo.

Shows do Fat White Family, por mais que a banda tenha formação recente e tenha acabado de lançar seu segundo álbum, “Songs for Our Mothers” (janeiro), não é novidade nos EUA nem na Califórnia. E quem já frequentou um deles sabe que pode encontrar um pandemônio sonoro no palco e comportamental na platéia, com roupas arrancadas em cima e embaixo, danças pogo em cima e embaixo, chuva de bebidas etc.

A algazarra promovida pelo Fat White Family não é tal qual os três acordes do punk de outrora, porque o sexteto desempenha muito bem o papel de banda de qualidade, impressionante pela idade de seus integrantes, da bateria excelente ao teclado “anos 60” envolvente.

No meio da bagunça visual do grupo é possível ouvir um coquetel de influências bizarras e às vezes não sociáveis que vai de Sex Pistols a Velvet Underground, Pogues a Black Lips, The Fall a Slaves. Punk e pós-punk. O velho e o novo.

Aliás, sobre o Fall, o Fat White Family assume explicitamente sua referência, batizando uma música de seu primeiro disco, o sugestivo “Champagne Holocaust” (2013), de “I Am Mark E. Smith”, se apropriando da personalidade do veterano vocalista da banda de Manchester, anciã do punk.

Aliás ainda, ter um grupo tão jovem e pulsante como o Fat White Family na cena britânica atual é um dos melhores presentes que os ingleses dão ao punk, no aniversário de 40 anos do movimento que mudou a música, as artes, o cinema, a moda. No caso desta última modalidade, e agora com o Fat White Family, a não-moda, quando seus seis componentes decidem tirar a roupa em show.

A última música tocada pelo grupo no show do Social Hall, espécie de salão de baile com um palco no fundo e capacidade para 600 pessoas, com 1/6 disso pagando ingresso para o baile punk do Fat White Family, foi o pequeno hit “Bomb Disneyland”, apropriadamente punk para ser tocada nos EUA paranóicos com terrorismo e em conexão direta com o “Dismaland”, a sátira em forma de parque de diversões desenvolvida pelo artista de rua inglês Banksy.
Que banda interessante, essa Fat White Family!

* As fotos, deste post e da home da Popload, são de Fábio Massari.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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