Em fatboy slim:

Blossoms faz show-teste da Covid em Liverpool, para 6 mil pessoas. Ingleses experimentaram aglomeração “controlada” em balada e torneio de bilhar

>>

* A cidade de Liverpool, a terra que já nos deu os Beatles, está prestando outro grande e revolucionário serviço à música. No último final de semana, um grande show para 5 mil pessoas, da bastante popular banda Blossoms (foto abaixo), aconteceu no sábado, como teste aglomerando público para servir de teste da Covid, ou do pós-Covid, ou da convivência com a Covid.

Captura de Tela 2021-05-03 às 2.07.21 PM

Na sexta e no sábado, uma balada para 6 mil pessoas com DJs na linha Fatboy Slim, em clube fechado, também rolou na cidade do norte da Inglaterra, com o mesmo propósito.

É uma realidade muito distante da que a gente vive aqui no Brasil, tanto no trato governamental à pandemia _ ainda que a politicagem britânica não seja lá um primor_ quanto ao respeito da população ao lockdown e à vontade de que este tormento mundial passe _ainda que uma multa bem pesada imposta àqueles que desobedecessem as regras sanitárias era um “convite à conscientização”. O jeito é, a partir de Liverpool (essa cidade considerada um laboratório pelas boas decisões recentes sobre enfrentamentos sociais à pandemia), nós mirarmos o nosso futuro a partir desse experimento inglês.

A apresentação do Blossoms, dentro de uma tenda enorme erguida no parque Sefton, significa o primeiro show no Reino Unido desde março do ano passado, há mais de um ano, e aconteceu com o público sem nenhuma restrição que lembra este período de trevas musicais. Foi a primeira realização-teste para avaliar efeitos pandêmicos sobre os eventos de verão, que estão para acontecer mais e mais a partir de junho/julho.

Cada pessoa que foi ao show tinha que apresentar um teste negativo para Covid, feito horas antes do show em quatro postos da cidade, indicados para atender a esse evento. E preencher um questionário de saúde. Assim que chegaram ao local do show, poderiam tirar as máscaras. O ingresso era pago, normalmente anunciado dias antes e com todo o esquema de saúde esclarecido a quem quisesse ir. As entradas se esgotaram rapidinho.

Captura de Tela 2021-05-03 às 2.05.40 PM

Captura de Tela 2021-05-03 às 2.06.04 PM

Na saída do show, todo mundo recebia testes de PCR para levar para casa e fazê-lo no domingo e na sexta-feira que vem. E todo mundo era “incentivado” (não é obrigatório) reportar os resultados aos organizadores, para passar aos cientistas analisarem.

A ideia é que os especialistas estudarão todo o efeito de um show ao vivo na era Covid e como o vírus ainda pode se comportar em um evento assim, examinando os movimentos do público no local, a interação, a ventilação, o tempo de duração (entre os portões abrirem, os concertos começarem, acabarem e a galera continuar um pouco na tenda ao som de DJ foram seis horas de aglomeração), a comida consumida, o álcool ingerido.

Os meninos do Blossoms tiveram uma banda de abertura, a bombadinha The Lathum. Alex Moore, líder do Lathum, estava emocionadíssimo por tocar de novo, com público, num concerto “real”. “Não tenho palavras para esperar o que é tocar de novo assim, para ser honesto”, falou Moore à BBC inglesa.

Esta volta aos shows na Inglaterra, oficiosa, não só permitiu a galera ficar ombro a ombro na plateia como subir em ombros. Ou fazer crowdsurf ou subir no palco para um moshpit rápido.

“Me sinto humano vendo tudo isso acontecer novamente”, afirmou um menino do público à mesma BBC.

*******

Captura de Tela 2021-05-03 às 2.09.18 PM

* Na sexta e no sábado, também como teste-Covid, aconteceram duas baladas-teste em Liverpool, num clube-galpão local famoso chamado Circus, com a presença de 6 mil clubbers cumprindo protocolos parecidos com o show, 3.000 a cada dia. A baladaça teve três DJs bem conhecidos no line-up: Sven Vath, Blessed Madonna e Fatboy Slim. “Foi o melhor dia da minha vida”, disse um dos frequentadores.

*******

** Perto de Liverpool, na cidade de Sheffield, do Arctic Monkeys, aconteceu ontem e segue nesta segunda-feira eventos-teste em um campeonato de snooker.

Tomara que tuuuuuuuuudo de certo nos testes ingleses. É de causar inveja aqui, mas também esperança na mesma medida.

>>

Ele é farofa hoje, mas já foi gênio. Os 20 anos de “Better Living Through Chemistry”, do Fatboy Slim

>>

* Norman Cook tinha uma banda fofura, nos concorridos anos 80 do indie inglês, chamada The Housemartins. Era baixista. Daí, na virada dos anos 90, resolveu mudar o nome (várias vezes) para algo mais “divertido” e virar DJ e produtor de música eletrônica. Transformou-se em deus, por um bom período.

No dia 23 de setembro de 1996 foi lançado o absurdo álbum “Better Living Through Chemistry”, que junto com discos do Chemical Brothers e do Prodigy fez a música eletrônica virar fenômeno de massas. Sair de clubinhos e ser tocada em grandes festivais.

A partir deste disco o Fatboy Slim já se apresentou para 250 mil pessoas em Brighton, tocou no Carnaval da Bahia em trio elétrico, fechou Olimpíada, botou um som em clube sertanejo de playboy em São Paulo.

Na verdade uma compilação de músicas espalhadas por Fatboy Slim em singles e coletâneas de inglaterra, “Better Living Through Chemistry” foi feito para ser lançado nos EUA na bombação da música eletrônica. Só que o disco virou febre também para o “público normal” da Inglaterra. E explodiu geral.

O termo “Better Living Through Chemistry” foi adaptado de uma propaganda de 1935 da gigantesca empresa química DuPont. Na real o slogan era “Better Things for Better Living…Through Chemistry. Mas a parte que menciona a química na frase caiu nos anos 80, por causa de associações com o crescimento das drogas sintéticas entre a galera.

Mas era tarde. “Better Living through Chemistry” bombou com Fatboy Slim na década seguinte e ainda foi título de filme relativamente famoso e nome de música do Queens of the Stone Age.

fat1

O disco, lançado pela Skint Records, na época uma espécie de pequena Sub Pop da música eletrônica, bombando a cena com coletâneas incríveis, teve/tem estrondosos hinos de pista, tipo “Going Out of My Head”, “The Weekend Starts Here”, “Everybody Needs a 303” e “Give the Po’ Man a Break”.

A capa do álbum, um disquete de computador, era uma homenagem e uma atualização da capa do single de “Blue Monday”, do New Order, uma das mais marcantes canções de pista da história.

É um verdadeiro retrato jovem de época para uma geração que viveu um tempo espetacular com o britpop, filmes como “Trainspotting” e a Kate Moss nas passarelas (e fora dela).

A história nos conta que depois desse disco o Fatboy Slim lançaria o segundo (verdadeiro primeiro) álbum “You’ve Come a Long Way, Baby” e daí iria bagunçar a “porra toda”.

Tudo isso acima para dizer que “Better Living Through Chemistry” está comemorando agora 20 anos e sendo relançado em edição especial em CD duplo, vinil amarelo, versões raras, inéditas, pôsteres, a coisa toda de sempre.

Vai ser o primeiro disco que eu vou comprar na próxima vez que eu pisar na Inglaterra.

>>

Kasabian tocando Fatboy Slim num grande final de semana

**

Screen Shot 2014-05-26 at 10.40.38

* Neste final de semana, desde sexta-feira até ontem, rolou em Glasgow, na Escócia, o festival Big Weekend, promovido pela Radio 1, da BBC, uma vez por ano e em uma cidade diferente a cada edição. Um monte de bandas/artistas grandes e pequenos dos estilos mais diferentes (entre elas Coldplay, Jake Bugg, Pharrell Williams, Katy Perry, One Direction, Bastille, Lily Allen, Lorde, Kasabian) espalhados em três palcos, o Principal, a tenda In New Music We Trust e o BBC introducing, para as caras novas.

Acontece que ontem, no In New Music…, o grupo inglês Kasabian fechou a noite em grande estilo. Foi tipo uma volta da banda de Leicester à velha forma, agora que está para lançar o quinto disco. E, entre as canções do novo álbum, “48:13”, que sai daqui duas semanas, eles meteram a clássica “Praise You”, um dos maravilhosos hits do velho Fatboy Slim, que já foi superstar e hoje é um DJ farofa, tadinho.

A gente bota abaixo o cover de “Praise You” (emendando com a ótima “L.S.F.”) e ainda “Blumblebee”, do novo disco, ambas tiradas ao vivo do Big Weekend em Glasgow, ontem. Mais “Vlad the Impaler”, do último álbum.

O álbum, você sabe, se chama “48:13” porque é o tempo de todas as músicas juntas. Na capa eles botam a soma, faixa-a-faixa. Não dá para não chamar isso de… “original”.

Mas, enfim, olha que beleza esse Kasabian ao vivo.

**

Sónar reinventa a vanguarda. Hoje tem Lana Del Rey trombando com Nicolas Jaar

>>

* Popload em Barcelona.

* Hoje saiu na Ilustrada, da Folha de S.Paulo, um texto meu discutindo a vanguarda. E está meio esquisito essa história de vanguarda. O texto, com algumas intervenções, está reproduzido aqui abaixo.

A vanguarda musical, a julgar pela escalação do Sónar 2012, anda atirando para todos os lados. O festival de “música avançada” de Barcelona, Espanha, de veia eletrônica e um dos mais prestigiosos eventos sonoros do verão europeu, começou menor ontem para engatar forte hoje e amanhã com um elenco que causou estranheza.

A polêmica cantora pop Lana del Rey, os veteranos, semiaposentados e algo roqueiros New Order e o grupo de hip hop e soul music The Roots são os principais nomes do evento. Vou repetir: principais atrações do Sónar. A gente até entende que a “música avançada de cunho eletrônico” esteja espichada de tudo quanto é jeito hoje em dia, e eu particularmente nem me importo tanto com isso, mas o line-up causou.

Lana del Rey, o mais recente furacão da música jovem e que se apresenta hoje à noite no festival, é o nome mais comentado e estranhado do evento-farol espanho deste ano, pelo bem e pelo mal.
Cantora nova que construiu fulgurante fama na internet, onde também sofreu um verdadeiro linchamento midiático na mesma medida, Lana vem levando a todo lugar seu pop com jeito de “antiguinho”, tipo “chanteuse” de cabaré dos anos 50 e com seu pezinho no hip hop contemporâneo.
Desde que surgiu com força no ano passado, ela cantou em programas de auditório cafonas de França e Alemanha, em piscina de hotel, no programa humorístico “Saturday Night Live” americano, no popularesco “American Idol” e agora empresta sua bela voz de diva que sai de sua falada boca grande ao festival electrofuturístico Sónar.

“Concordo que a Lana Del Rey faz parte de um universo à parte do Sónar. Contudo, a própria evolução do conceito de música avançada e uma série de apresentações de ‘revivals’ têm justificado algumas atrações que não seriam esperadas no festival”, diz Marcos Boffa, um dos diretores artísticos do Sónar SP, a filial brasileira do evento espanhol, que está em Barcelona.
“Vale lembrar que, também, desde uns três anos a concorrência do Primavera Sound fez o Sonar se repensar”, afirma Boffa, citando um outro grande festival da cidade catalã, que aconteceu há duas semanas e teve mais de 200 atrações, bastante deles de eletrônico.

Rapaz mexe nos botões da vanguarda eletrônica no Sónar 2012, em Barcelona. Tudo parece meio confuso. Foto de Laura Damasceno

Um modo de “defender” a presença de Lana Del Rey num festival como o Sónar é a quantidade enorme de remixes oficiais e não oficiais que surgiram para suas músicas, levando-as para as pistas de dança de clubes de todo o mundo. Lana, engraçado, toca no mesmo horário que o DJ e produtor meio chileno, meio ianque Nicolas Jaar, um dos nomes mais incensados da nova eletrônica. E agora, Sónar?

A vocação do Sonár de apresentar “artistas do futuro”, ou pelo menos de um presente marcante da eletrônica atual e suas ramificações, está muito bem representada na “parte de baixo” de sua escalação. James Murphy, Hot Chip, Simian Mobile Disco, Metronomy, Friendly Fires, Richie Hawtin, o velho Fatboy Slim se juntam a nomes como Modeselektor, Maya Jane Coles, Nicolas Jaar, XXXY, James Blake, Flying Lotus, Totally Enormous Extinct Dinosaurs, entre muitos outros, no line-up 2012. Essas últimas três atrações citadas estiveram no começo de maio no Sónar de São Paulo.

>>