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Top 10 Gringo – Tyler, the Bombator é o líder. Parquet Courts volta sem voltar. Pom Pom Squad pega o pódio e não larga

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* Uau. Semana braba nos lançamentos, hein? Vários nomes grandões e/ou legais chegaram juntos desta vez – e até uma estreia daquelas, muito aguardada. Nem é uma novidade, mas vamos contar esse segredo: não conseguimos escutar tudo que queríamos entre sexta e segunda. Vamos ter que seguir trabalhando ao longo da semana para apurar certinho as coisas que nos pareceram interessantes. Complicado ranquear desse jeito, mas bolamos algo aqui. Por ora, ficamos assim:

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1 – Tyler, The Creator – “Wusyaname”
Este novo álbum do Tyler, The Creator, “Call Me If You Get Lost”, tem vários potenciais números 1 para o nosso top 10. Escolhemos este hit que parece ter sido a primeira que caiu no gosto do povo. Um Tyler apaixonado por uma garota que ele ainda nem sabe o nome, mas parece que ela já tem namorado, maior confusão. Lembra um texto manjado, mas Tyler capricha nos versos e no todo da música, acertada demais na produção. Daquelas que vai para o repeat sem nem a gente pensar.

2 – Parquet Courts – “Plant Life”
Essa não tem no Spotify (ainda), a gente arrumou para vocês, hein? É o primeiro sinal de vida do Parquet Courts desde 2018 e a banda chega com uma pegada dance. Ou mais dance que as dance anteriores. Um som que nasceu de um recorte de uma improvisação de 40 minutos. Imagina a viagem.

3 – Pom Pom Squad – “Drunk Voicemail”
Não tem como não gostar da vibe Hole que percorre todas as músicas do Pom Pom Squad, ainda que não seja só a banda de Courtney Love que escoe por ali, até porque talvez Courtney nunca tenha escrito um romance adolescente em suas letras, como é o caso de “Drunk Voicemail”. Mas é por aí. Aliás, já fica uma sugestão. Procura no Spotify pela playlist Squad Songs da vocalista da banda, a Mia Berrin. Por acaso, tem duas do Hole na playlist.

4 – Sault – “London Gags”
Segue o mistério. Quem será que está por trás do Sault? Para adicionar mais mistério nessa questão, a banda resolve lançar um disco que vai ficar disponível para streaming e download por 99 dias. Então, corre aí, porque, para variar, o álbum está cheio de músicas incríveis.

5 – Unknown Mortal Orchestra – “Weekend Run”
Uma música toda sobre fins de semana e o quanto eles passam rápido. Repara na letra e na estrutura musical elaborada aqui por Ruban Nielson. As partes mais tortuosas da música são as descrições dos dias da semana comuns, da vida comum, lentas e tediosas com trabalho. Progressivamente a música vai se animando com a chegada da sexta e do sábado até um refrão delicioso que é todo um domingo de curtição. Que no fim passa rápido demais.

6 – Lucy Dacus – “Brando”
A caneta da Lucy Dacus é boa de lembrar histórias doloridas da adolescência, especialmente as que envolvem personagens masculinos, dos quais ela sabe tirar um bela onda hoje em dia. Em “Brando”, ela se recorda de um colega até que legal, que lhe apresentou muita coisa em termos de filmes e músicas, mas que depois parecia só usar ela como figurante de seu próprio filme, em suas palavras. Ele contava por aí que conhecia muito ela, mas ela sacou que na real não era bem assim. Enfim…

7 – Faye Webster – “Overslept”
A querida Faye consegue traduzir bem seus sentimentos em suas músicas. Nesse papo sobre dormir mais do que veria dá para sentir uma preguiça em cada verso, no vocal. São tão bem transmitidos os sentimentos que o trecho em japonês cantado pela cantora e guitarrista Mei Ehara parece dispensar tradução.

8 – Modest Mouse – “Back to Middle”
É massa o jeito que essa música nos engana. Ela vem toda bonita no começo, melódica, leve. Com paradinhas nos versos dando um clima e tudo. Até que a banda pesa mão logo após cada verso. De estourar os fones de ouvido. Modest Mouse em boa forma.

9 – Foo Fighters – “Making a Fire (Mark Ronson Re-Version)”
Quando o Foo Fighters prometeu um disco dançante foi um pouco decepcionante ver que “Medicine at Midnight” era bem pouco radical em sua proposta. Não entregou. Nessa releitura, Mark Ronson ajuda a banda a honrar um pouco o combinado e deixa “Making a Fire” bem mais suingada. Sem dúvidas, Ronson abraçou uma cópia do “Screamadelica”, do Primal Scream, por horas e encontrou um jeito de dar um “Movin Up” nesse som do Foo Fighters. Ficou bem bom.

10 – Little Simz – “Rollin Stone”
E o que dizer de uma música que começa com os versos “Eu estava em São Paulo”? Essa primeira linha de “Rollin Stone” foi por nossa causa, porque ela veio para tocar no nosso festival. Logo temos já uma parte dentro da obra da nossa rapper britânica predileta. Primeiro lugar semana passada e mais uma semana no nosso top 10, lógico.

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* A imagem que ilustra este post é do rapper americano Tyler, The Creator.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – A série do Mark Ronson. O crush da Faye Webster. A fragilidade do Damon Albarn. E as demos cinquentonas da Joni Mitchell

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– Já que estamos na onda de seriados e filmes sobre música, vem aí mais. “Watch the Sound with Mark Ronson” vai trazer, veja só, o espertíssimo produtor britânico explorando, ao lado de gente sincera como Paul McCartney, Questlove, King Princess, Dave Grohl, Ad-Rock e Mike D (Beastie Boys) e Charli XCX, questões tecnológicas que mudaram os rumos das gravações. Como Ronson lembra no trailer, são essas tecnicidades que separaram meras boas músicas de boas gravações, aquele conjunto da obra que pesa tanto no fim. Em cada episódio, Ronson se desafia a criar uma música nova a partir dessas técnicas – reverberação, sintetizadores, auto-tune, sequenciadores de ritmo, samples e distorção. Interessante! A série vai passar na Apple TV+ e estreia, pelo menos no anúncio gringo, no dia 30 de julho.

– Só aumenta nossa ansiedade para o novo álbum da Faye Webster, cantora americana de 23 aninhos e já três álbuns lançados. “I Know I’m Funny Haha”, que tem risadinha no nome, saí nesta sexta já, mas ela aproveitou para mandar um novo single e vídeo poucas horas antes do lançamento. De novo, um título engraçado: “A Dream with a Baseball Player”, som que tem um balanço e tanto. Na explicação de Webster, é sobre um crush dela. No caso, por jogadores de baseball.

– Não dá para dizer que o grande Damon Albarn esteve parado neste anos todos. É um homem de muuuitos projetos paralelos, além mesmo de Gorillaz e Blur, mas disco sozinho, com seu nome mesmo estampado na capa assumindo toda a bronca, não rolava desde sua estreia no distante 2014. “The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows”, seu segundo solo oficial, chega em novembro a partir de uma proposta ousada de Damon. “Originalmente concebida como uma peça orquestrada inspirada nas paisagens da Islândia, este último ano rendeu um retorno à música, uma vez em lockdown, e a desenvolver o trabalho para 11 faixas, explorando mais temas de fragilidade, perda, emergência e renascimento”, escreve em nota sobre o disco. A faixa título, já disponível, dá conta de explicar esse tom que o álbum deve ter. E o mullet do Albarn, conforme vimos na edição online do Glastonbury e na foto da home da Popload, continua firme.

1. The Nearer the Fountain, More Pure the Stream Flows
2. The Cormorant
3. Royal Morning Blue
4. Combustion
5. Daft Wader
6. Darkness to Light
7. Esja
8. The Tower of Montevideo
9. Giraffe Trumpet Sea
10. Polaris
11. Particles

– Faça um favor a si mesmo e ouça agora as demos que a inesquecível Joni Mitchell liberou do clássico “Blue”, que completa 50 anos neste ano (e ela, 78). São cinco canções que chegaram de surpresa em um simpático EP. A cantora e guitarrista canadense (e pianista e ativista e pintora) também postou um vídeo muito fofo no Twitter, celebrando que “finalmente” o Blue anda recebendo boas críticas. Quem falou mal desse disco lá em 1971 teve coragem, hein?

Top 10 Gringo – De emocionar: mulheres e guitarras nos três primeiros lugares. É o melhor Top 10 do ano sim ou certeza?

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* Semana “violenta” na música internacional. Até faltou espaço no ranking para tantas canções novas e “novas” que selecionamos. Tivemos que deixar coisas boas de fora. Uma semana de músicas fortes, mas tanto que resolvemos premiar uma garota que conseguiu fazer uma poesia leve e incluiu até uma risada no título da música – um jeito de mostrar outros caminhos e possibilidades. Sem invalidar, lógico, o trabalho de ninguém, nenhuma tendência de época. Apenas chamando a atenção para outras vertentes. Tanto que quase o resto do Top 10 segue por esses pontos mais sensíveis e delicados, cada um com seu tema, abordagem, motivações. E repare nas primeiras posições: só a mulherada. Aliás, quase todas as 10 posições são delas. E, no fim, dá nossa parte, optamos até em fazer uma graça irônica com o mala/querido do Noel “ex-Oasis” Gallagher, um dos músicos mais importantes dos anos 90 para cá. Mas birreeeeento.

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1 – Faye Webster – “I Know I’m Funny haha”
Estamos de cara com a habilidade desta jovem guitarrista de Atlanta de apenas 23 em conseguir construir imagens tão poéticas, despretensiosas e bonitas. Cenas de amor em locais tão improváveis. É um dom de observar e se permitir ser tão leve. Em contraste com uma linha indie que prefere tocar em temas delicados de maneiras mais cruas, várias delas por aqui e com sua importância, fica a sugestão de Faye de anotar um riso que seja no título da música. Perfeita.

2 – Olivia Rodrigo – “Brutal”
Quem esperaria de uma atual estrela da Disney um dos hinos de revolta adolescente de 2021? Com seu pop de arrastar multidões, é uma surpresa que Olivia comece seu álbum de estreia com guitarras e aos berros: “And I’m so sick of seventeen/ Where’s my fucking teenage dream?/ If someone tells me one more time/ Enjoy your youth, I’m gonna cry”. Frustração sem meias palavras em uma música sem redenção. Soou autentico. Fora que é o melhor começo de guitarra de uma música desde “What’s the Frequency, Keneth”, do REM. Ok… Efeito de linguagem. Mas sabemos que você vai entender. Perfeita 2.

3 – The Linda Lindas – “Racist, Sexist Boys”
É um barato acompanhar a ascensão da banda californiana The Linda Lindas, uma banda punk formada por garotas na faixa dos 14 anos. Elas arrebentam no filme “Moxie!” e voltaram a bombar com este petardo punk direcionado a um garoto que fez comentários racistas à baterista da banda, hoje com 10 anos. Agora elas estão sendo elogiadas por nomes como Tom Morello, Thurston Moore, além de já serem parças de longa data da Kathleen Hanna. Estouro. Lançando música ao vivo com recadinho. Vestindo camisetas do Bikini Kill. E está tudo certo. Perfeitas 3.

4 – Lil Nas X – “Sun Goes Down”
Nosso chapa Lil Nas X continua arrepiando ao saber abordar como poucos suas dores em relação ao racismo e homofobia em sua novas canções. Por aqui ele conta como foi enfrentar isso ainda criança, completamente deslocado do mundo sem entender por que criticavam tanto ele. Seriam seus lábios grandes ou as pessoas estavam lendo seus “pensamentos gays”? Quem achou que seu primeiro hit “Old Town Road” era uma tiração passageira, se liga que Lil Nas X desponta para ficar entre os grandes. Rapidinho.

5 – Chai – “Nobody Knows We Are Fun”
O mundo global não para de nos maravilhar, tipo esta Chai, banda de garotas de Nagoya, Japão, quatro cantoras e dançarinas e que tocam também. Assinadas com o lendário selo Sub Pop, colaboradoras do Gorillaz e fãs do nosso CSS. Pensa em tudo isso. Soltaram o disco novo agora, o terceiro álbum, “Wink”. Entre as muitas delícias deste electroindie bubblegum delas a gente sacou “Nobody Knows We Are Fun”, mas podiam ser várias outras.

6 – Lucy Dacus – “VBS”
Lucy Dacus segue apresentando aos poucos seu próximo disco e mantém a habilidade de juntar muitos assuntos em um som só. Aqui comenta tanto sobre a presença da religião imposta na sua infância/adolescência e faz um comentário sobre seu primeiro namoro, um metaleiro que ela encontra justamente em um desses acampamentos religiosos.

7 – Tigercub – “Funeral”
Estamos sentido que o “grunge inglês”, conceito que porcamente, confessamos, costumamos aprisionar o Tigercub, vai virar. Sem disco novo desde 2016, este segundo álbum que vem em breve promete. Um dos guitarristas do Pearl Jam até mandou um tweet oferecendo seu selo à banda. Meio de brincadeira, meio dando um toque de aprovação.

8 – Lana Del Rey – “Wildflower Wildfire”
Revoltada com a repercussão do seu recém-lançado álbum e com um novo disco na manga, Lana talvez há tempos não tenha soado tão sincera em uma canção sobre suas relações familiares e com a imprensa. Bem interessante e bonita esta música, Laninha. Somos fãs, não tem muito o que fazer aqui.

9 – Sharon Van Etten e Angel Olsen – “Like I Used To”
Daquela série de parcerias que sempre sonhamos e que não pareciam possíveis. Do nada, Sharon e Angel estão reunidas em um belo single que veio sem muito aviso prévio e sem pistas de que a dupla possa fazer mais juntas, no futuro. Lógico que todo mundo já está cobrando álbum, turnê e tudo mais. Digamos que ornou bonito este duo.

10 – Liam Gallagher – “Wonderwall”
Noel, você anda chatão, hein? Falar mal de “Wonderwall” a esta hora? De birra, a gente que deu seu single aqui semana passada vai de Liam nesta, que você também não cansa de esnobar, e a belíssima releitura acústica que ele fez para a “inacabada” Wonderwall em uma sessão para o Spotify. Sabemos ser birrentos também.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora americana Faye Webster.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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