Em “Fetch the Bolt Cutters”:

Melhores do ano: Stereogum esnoba Dua Lipa, Fontaines DC e até Phoebe Bridgers. E bota a Fiona Apple em primeiro

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* Enquanto fazemos mistério, e não publicamos a nossa própria lista, seguimos destacando os melhores do ano, visto pelas publicações mais relevantes mundão afora.

Na blogosfera indie, o americano Stereogum elegeu seus 50 favoritos. Por lá, alguns queridinhos caíram bastante de posição: Dua Lipa ficou na berlinda (50º lugar), assim como o Fontaines DC (44º). Até a Phoebe Bridgers que tem figurado no top 10 geral e tem sido bem acolhida pelos “experts americanos” pegou uma modesta 28º posição.

Por outro lado o pequeno britânico Sorry ranqueou bem, ficando em 20º lugar.

Quem ganhou? Fiona Apple, claro. Liderando uma trinca bem presente nos nomes e nas posições em muitas das listas.

E, sim, morda-se quem não aguenta essa, mas a Taylor Swift está lá, lindona, na quinta posição.

O top 10 do Stereogum ficou assim:

1. Fiona Apple – “Fetch The Bolt Cutters”
2. Waxahatchee – “Saint Cloud”
3. Run the Jewels – “RTJ4”
4. Haim – “Women in Music Pt. III”
5. Taylor Swift – “Folklore”
6. Boldy James & Sterling Toles – “Manger on McNichols”
7. Oneohtrix Point Never – “Magic Oneohtrix Point Never”
8. Touché Amoré – “Lament”
9. SAULT – “Untitled (Rise)”
10. Soccer Mommy – “Color Theory”

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Melhores discos do ano: site “Consequence of Sound” resgata a Lady Gaga, lembra o Pearl Jam e dá o trono a Fiona Apple

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* Surgido na década passada na cidade de Chicago, o site “Consequence of Sound” é uma das principais referências virtuais de notícias do mundo indie a partir da música underground americana, de nome ótimo e oferecendo uma alternativa menos nerd ao às vezes obtuso Pitchfork, mas que amamos também e tal.

Como é uma tradição anual, o “Consequence” costuma causar polêmica com suas listas de melhores do ano. Para 2020 não foi diferente.

Alguns queridinhos de outras listas, como Taylor Swift e Fleet Foxes, caíram bem no ranking, ficando em 27º e 32º respectivamente.

O top 10 teve um mix bom entre pop e alternativo, lembrando a gente que em 2020, além de Dua Lipa (5º) e Charli XCX (18º), tivemos Lady Gaga e seu “Chromatica” (8º). No âmbito roqueiro, Pearl Jam dá as caras, assim como o disco “ame-o ou odeie-o” do Deftones.

O primeiro lugar não foi exatamente uma surpresa. Ou foi, sei lá. Vemos a Fiona Apple e seu maravilhoso álbum dos cachorros aqui novamente.

1. Fiona Apple – “Fetch the Bolt Cutters”
2. Run the Jewels – “RTJ4”
3. Phoebe Bridgers – “Punisher”
4. Perfume Genius – “Set My Heart on Fire Immediately”
5. Dua Lipa – “Future Nostalgia”
6. Waxahatchee – “Saint Cloud”
7. Deftones – “Ohms”
8. Lady Gaga – “Chromatica”
9. Freddie Gibbs and the Alchemist – “Alfredo”
10. Pearl Jam – “Gigaton”

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Melhores discos do ano: revista “Paste” esnoba o punk inglês, mas bota, enfim, a Fiona Apple em primeiro

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* Revista muito decente nos anos 2000, quando era bonitamente impressa e reluzia nas bancas em meio a outras publicações de música, a “Paste”, fundada em Atlanta e eleita algumas vezes a melhor revista americana de cultura pop.

Hoje um site também decentíssimo, ampliou mais ainda seu leque de assuntos e virou até uma base para, quando estamos com preguiça, olhar o que eles indicam na Netflix ou na Amazon para ver, de séries e filmes.

Enfim, o lance é que eles soltaram recentemente a lista deles para os melhores álbuns do ano e é isso que por ora nos interessa.

E, finalmente, temos a Fiona Apple em primeiro lugar, dessas poucas listas que divulgamos aqui até agora (revista Time e loja Rough Trade).

O listão de álbuns de 2020 da “Paste” é grande. Um top 50. Adoramos quem eles botaram na segunda posição. O disco “Saint Cloud”, quinto da banda indie-folk Waxahatchee, do Alabama, pertencente à grande Katie Crutchfield.

É engraçado como instituições indies americanas tipo a “Paste” ligam muito pouco para a cena inglesa, tirando o que sai em UK com um som altamente deglutível para o paladar musical dos EUA. Não que tenha pouco brit no rol de melhores da revista/site. Mas algumas ausências sentidas da lista são notáveis. Por exemplo, o segundo e lindo álbum da banda irlandesa Fontaines DC está escondido no 40º lugar. O novo do Idles, outro exemplo, o poderoso “Ultra Mono”, nem entrou entre os 50 da revista. E por aí vai.

Mas, ainda assim, olhando ali para o top 10 da “Paste”, é uma bela escolha de melhores.


1. Fiona Apple: Fetch the Bolt Cutters
2. Waxahatchee: Saint Cloud
3. Run the Jewels: RTJ4
4. Sault: Untitled (Rise)
5. Perfume Genius: Set My Heart on Fire Immediately
6. Porridge Radio: Every Bad
7. Soccer Mommy: color theory
8. Rina Sawayama: SAWAYAMA
9. Adrianne Lenker: songs
10. Moses Sumney: græ

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Fiona Apple revela vídeo novo agora em novembro para nos lembrar que lançou o disco do ano lá em abril. E também entra no rap, por que não?

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Captura de Tela 2020-11-22 às 4.46.15 PM

* Não sei nem por onde começar essa história, de tão legal. Vou iniciar dizendo que a galera das listas apressadas de melhores discos do ano está negligenciando os álbuns lançados lá no começo do ano. Por exemplo o magistral “Fetch the Bolt Cutters”, o quinto disco da “complicada” artista americana Fiona Apple, o primeiro dela desde 2012.

“Fetch the Bolt Cutters” não teve nenhum single e nenhum vídeo antes do lançamento do álbum. Ele apareceu puro, virgem Depois, porque a música “Shameika”, a segunda faixa, começou a ganhar vida espontânea dias depois de o disco chapar crítica e fãs e rádios e revistas, elegeram a faixa como single a ser trabalhado, mesmo com ela se trabalhando, sozinha. Mas não teve vídeo. Na época.

A maravilhosa “Shameika” é sobre uma garota que frequentava a mesma escola de Fiona Apple, nunca foram amigas, mas marcou a vida de Apple por um dia, entre um bullying ou outro que a cantora sofria das meninas perversas do colégio, chegou nela e disse algo na linha “Desencana dessas minas idiotas. Você tem potencial”. Fiona nunca esqueceu.

Muitos anos depois, sem nenhum contato com Fiona Apple, Shameika virou “Shameika”, o single principal do principal disco da famosa cantora e pianista. A música traz repetidas vezes a frase, como refrão, “Shameika said I had potential”.

Pois bem, no meio do ano, uma antiga professora da escola delas fez a ponte e Fiona Apple acabou encontrando a Shameika real.

O resultado disso foi uma participação de Shameika no vídeo da Fiona, para além de seu nome. Num visual com uma viagem lúdica de bocas, talvez para prestarmos atenção na letra, o vídeo de “Shameika” traz a própria fazendo uma participação com a frase “Take a moment, take a moment” antes de a música começar.

Mas o melhor é que, quando Fiona descobriu que a veeeeelha amiguinha incentivadora da escola Shameika tinha virado Shameika Stepney, uma rapper atuando já há 30 anos, desde que saiu da escola, ainda que com zero fama, só no underground.

Fiona então sugeriu que Shameika fizesse ela uma releitura da “Shameika” que está no disco, na levada hip hop. Nasceu então “Shameika Said”, música que subiu neste final de semana nos streamings com assinatura de Shameika. Ela no hip hop. E participação de Fiona Apple, cantando um verso. Que maravilha tudo isso.

Para terminar, fica o toque. Não esqueça “Fetch the Bolt Cutters” de sua lista de melhores do ano.

Abaixo, o vídeo de “Shameika” e o hip hop “Shameika Said”.

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A rara Fiona Apple ressurge para tocar três músicas do novo disco em festival de revista nos EUA. Assista (enquanto dá)

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Captura de Tela 2020-10-12 às 9.33.59 AM

* No comecinho de abril, enquanto o mundo estava tentando entender essa história de pandemia, isolamento social, corrida ao mercado atrás de alcool em gel e papel higiênico, a sempre imprevisível cantora americana Fiona Apple surgia do nada de seu isolamento social particular de oito anos para lançar a obra-prima “Fetch The Bolt Cutters”, seu quinto álbum, o primeiro desde 2012.

Fiona Apple veio com “Fetch The Bolt Cutters”, ganhou nota 10 da Pitchfork, nota 1000 na Popload e sumiu de novo, sem aparecer em lives, sem dar entrevistas, sem lançar vídeos, nada.

Eis que neste final de semana, no festival virtual da importantíssima revista de alta-cultura “New Yorker”, a diva indie apareceu falando e tocando três músicas de seu mais recente disco, com banda, ela ao piano, intensa na voz especialíssima, como tem que ser, como a gente espera da Fiona Apple. O resultado, obviamente, é maravilhoso.

Veja a rara Fiona Apple em performance raríssima de “Shameika”, “Fetch the Bolt Cutters” (em que ela toca percussão) e “I Want You to Love Me”, em vídeo que pode ser tirado do ar a qualquer momento. São as três primeiras faixas do disco, tocadas não na ordem que está no álbum.

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