Em Flora Matos:

CENA – Circo indie toma Sorocaba neste final de semana. Festival Circadélica faz sua terceira edição. A segunda deste século (?!)

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* Respeitável público indie!
Neste semana, uma vez em São Paulo, bota a Popload Radio no Bluetooth do carro e dirija por uma horinha até Sorocaba, no interior, para os picadeiros do festival Circadélica, esforço cada vez maior, mais vistoso da turma da banda Wry, liderada pelo intrépido guitarrista e produtor Mario Bros.

Cerca de 28 bandas e artistas de vários tamanhos na cena independente brasileira compõem essa terceira edição do festival, que acontece neste sábado e domingo. Sendo que, na real, a primeira edição aconteceu em 2001, outros tempos, outro momento do indie nacional, outra hora da grande era “dourada” atual dos festivais brasileiros. Já falaremos de 2001. O festival foi ressuscitado Agora o assunto é 2018.

Emicida, Tropkillaz, O Terno, Jaloo, Tagore, A Banda Mais Bonita da Cidade, Bike, Flora Matos, My Magical Glowing Lens, Vanguart, Baleia, Fresno e Jaloo estão entre os destaques e dão a variadíssima cara do Circadélica deste ano.

Os shows vão das 13h às 23h nos dois dias, e as duas tendas de shows são rodeadas de lojinhas de roupas, tatuagens, food trucks, enquanto artistas circenses com ou sem pernas de pau passeiam entre o público, para assegurar o clima de “música e diversão” que é o mote do Circadélica.

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As info de ingressos, para um ou os dois dias, estão no site do festival. O line-up completo, com os horários da programação, estão aqui embaixo:

Sábado – 28/7

Palco TNT
13h – Fones
13h45 – Miêta
14h30 – Deb and the Mentals
15h30 – Bike
17h – Jonnata Doll e Os Garotos Selvagens
19h – My Magical Glowing Lens
21h – Tagore

Palco Principal
13h30 – Paramethrik
14h10 – Menores Atos
15h05 – Zander
16h15 – Selvagens à Procura de Lei
18h – Fresno
20h – Flora Matos
22h – Tropkillaz

Domingo – 29/7

Palco TNT
13h – Os Pontas
13h45 – Sky Down
14h30 – Kill Moves
15h30 – Hierofante Púrpura
17h – Gorduratrans
19h – E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante
21h – Baleia

Palco Principal
13h30 – Benziê
14h10 – Zimbra
15h05 – A Banda Mais Bonita da Cidade
16h15 – Jaloo
18h – Vanguart
20h – O Terno
22h – Emicida

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* CIRCADÉLICA 2001 – Vale contar esta mesma historinha que eu botei aqui na Popload na cobertura do Circadélica do ano passado. Ela é assim:

Para você ver como o indie andou de 2001 para cá, um pouco do Circadélica da época em que Strokes e White Stripes eram bandinhas alternativas desconhecidas, sendo que os nova-iorquinos nem o primeiro álbum havia lançado. O festival sorocabano, já considerado enorme à época, teve 21 bandas escaladas. Um dos melhores shows do festival, foi o Prole, de Americana. Uma rara gravação de meia hora do Circadélica 2001 é tesouro puro, com trechos dos shows do Pelvs (RJ), Grenade (PR), Walverdes (RS) e MQN (GO).

O Thee Butchers’ Orchestra, uma das principais bandas daquela época, apresentou músicas de seu disco novo no Circadélica 01. Outras bandas que fizeram parte do festival há 17 anos: Garage Fuzz, Astromato, Maybees, Holly Tree, Muzzarelas, Biggs, entre outras. Os Pin Ups estavam escalados para se apresentar no festival, mas não compareceram, porque a banda, que voltou a existir hoje, mais ou menos, havia decidido acabar à época.

“O Circadélica veio para mostrar que é possível montar festivais de rock de médio porte em um país no qual predominam o samba e o pagode”, foram palavras do organizador Mário Bross, vocalista e guitarrista do Wry, lá em 2001. Acrescentemos funk e sertanejo para a edição 2, do ano passado, e a 3, deste ano. O Circadélica 2001 marcou também a despedida do Wry do Brasil, indo tentar a sorte na Inglaterra, por onde ficou por alguns anos.

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* As fotos deste post são de divulgação da edição do festival no ano passado, a segunda, que é a primeira dos novos tempos. A que ilustra a chamada da home da Popload para o festival deste ano é do Tagore, feita por José de Holanda.

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O RAP É O NOVO ROCK – parte II: AS MINA

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Dominique Young Unique, em foto para a revista The Last Magazine

>> OU, O RAP EH O NOVO HYPE? OU, O RAPSTER É O NOVO HISPTER? REFLITA.

* Ontem falamos da Azealia Banks, rapper boca-suja do Harlem que desbancou todos os indies na lista anual de artistas “cool” da NME. Ganhou do Jarvis Cocker, do Noel Gallagher e do Dave Grohl, pensa.

* Não é só a quantidade de rappers na mídia e nos programas de TV, nos talk shows, na MTV, nas premiações da MTV (principalmente na deste ano, no Brasil), nas pistas de rock, nos festivais de rock, nas festas de playboy… até aí, normal. As polêmicas do Criolo, Criolo no Planeta Terra, Criolo no Cine Joia :), Emicida no Coachella, Emicida em todo lugar, Tyler the Creator no SWU. Com a velocidade das coisas hoje, tudo vira mania em menos de dois dias — sem barreira social, espacial ou de estilo. O que é incrível é ver como o rap e o hip-hop estão atropelando (massacrando?) os outros gêneros (punk, indie, pop — mais sobre isso depois) sem dó, mas também incorporando elementos de todos eles. Se no ano passado a gente decretou o fim das guitarras (lembram do synth-pop, synth-rock, synth-punk, etc?), este ano foi o ano da lambança geral: em 2011, o rap circulou do sambinha ao punk, da Vila Olímpia à ZL. E tocou no iPod do mano, do indie e do hipster — que acabaram virando “os rapsters”.

* Enfim, de volta às minas. Porque elas, as exuberantes representantes da safra ‘minas do rap’, estão brotando por todos os lados. A cada dia ouço falar de uma delas. E estou falando de sites “de indie-rock”, mesmo que esse termo já tenha perdido o sentido: Pitchfork, Stereogum, revistas NME e Spin, e até dos blogs mais indie-xiitas por aí. Elas estão em todos os lugares.

* A mina da vez de hoje é a (também) americana Dominique Young Unique, da Flórida, que lançou sua terceira mixtape em setembro. São oito faixas aceleradas e desbocadas, destacando a “Stupid Pretty” (também nome da compilação) e a ótima “HYPE GIRL”, abaixo:

* U.O.U. Pequenininha e marrenta.
* Ela tem 19 anos e “rima” desde os 11.
* Veio da parte mais pobre de Tampa e chegou a morar em um carro depois que a mãe perdeu o emprego.
* Foi descoberta pelo produtor do grupo [de meninas] Yo! Majesty, aquele que chegou a ser chamado de Beastie Girls.
* Já está dividindo o palco com nomes grandes do rap e… já caiu nas graças do Kanye West, que não é bobo nem nada. Mas ela não ficou muito impressionada, não, viu? Os dois foram formalmente apresentados no backstage de um desfile de moda. Ela disse à revista ELLE inglesa: “Eu o tratei como se ele fosse uma pessoa normal porque estamos no mesmo jogo. Não fico toda deslumbrada nem me mostro tão empolgada porque um dia eu vou chegar lá também. Ele me disse que era a mais f*dona de todas. E sim, vamos fazer algo juntos mais pra frente. YES YES YES.”
* Já se refere a si mesma na terceira pessoa: “Dominique Young Unique gonna be real big”
* Sobre ela, o jornal britânico Guardian diz o seguinte: “Faz a Santigold parecer a professora do Charlie Brown”. E sobre suas músicas: “é tipo um jogo de Super Nintendo implodindo”.
* Sobre as comparações com M.I.A. e Santigold: “Só porque somos artistas e fazemos rap, não significa que estamos juntas nessa”. Sobre Nicki Minaj, outra (pop-)rapper da safra: “Eeew. Fuck her. Não tenho bunda nem peito de mentira. E minha música é totalmente diferente”.

>> OK. Vamos acompanhar.

Lurdes da Luz em foto de Alisson Louback

* E por aqui, quem são as minas do rap/hip-hop? O VMB 2011 levou três (ou quatro?) delas ao palco da premiação. Selecionamos algumas abaixo. Quem mais você colocaria na lista?

>> KMILA CDD:

* Carioca, irmã do MV Bill. CDD vem de “Cidade de Deus”.

>> LURDES DA LUZ:

* Ex-Mamelo Soundsystem, já participou das nossas Poploaded Sessions. Impressão minha ou deram uma Lilly-Allenizada na Lurdes? No bom sentido.

>> KAROL CONKÁ:

>> FLORA MATOS:

>> NATHY MC: