Em folha de s.paulo:

É preciso falar mais sobre o Fat White Family em San Francisco, banda gorda, branca e do lar

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* Ainda em comoção com o show dos punks ingleses do Fat White Family no Social Hall, terça à noite, reproduzo abaixo as mal traçadas linhas deste que voz fala publicadas pela Folha de S.Paulo hoje, à respeito da apresentação do sexteto britânico, dentro deste nosso rolê californiano. Queria ir a shows do FWF todos os dias, haha.

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* “Por que você ainda está vestido?”, veio o grito de alguém da platéia no meio do show da banda inglesa Fat White Family, terça-feira à noite em San Francisco. Estamos em mais um concerto de nossa temporada de música ao vivo pela Califórnia, que ainda passará pelo Coachella com suas 160 bandas no final de semana e desembocará num Iggy Pop acompanhado por superbanda em Los Angeles semana que vem, mas já temos um candidato para uma das melhores apresentações da lista desta série para a Ilustrada. Talvez não um dos “melhores” exatamente, mas possivelmente um dos mais contundentes.

O berro se referindo à questionável manutenção da roupa em cena foi desferido em direção ao vocalista do Fat White Family, o figuraça Lias Saoudi, que, sim, àquela altura do show, lá pela sexta música, ainda estava vestido. Só de calça, sem camisa, depois de vários autobanhos de cerveja na cabeça e algumas incursões para cantar no meio do público durante uma roda de pulos e chutes à maneira punk. O que equivale a dizer que Saoudi, para uma performance “normal” do grupo de Londres, estava praticamente de terno e gravata e com um sobretudo sobre… tudo.

Shows do Fat White Family, por mais que a banda tenha formação recente e tenha acabado de lançar seu segundo álbum, “Songs for Our Mothers” (janeiro), não é novidade nos EUA nem na Califórnia. E quem já frequentou um deles sabe que pode encontrar um pandemônio sonoro no palco e comportamental na platéia, com roupas arrancadas em cima e embaixo, danças pogo em cima e embaixo, chuva de bebidas etc.

A algazarra promovida pelo Fat White Family não é tal qual os três acordes do punk de outrora, porque o sexteto desempenha muito bem o papel de banda de qualidade, impressionante pela idade de seus integrantes, da bateria excelente ao teclado “anos 60” envolvente.

No meio da bagunça visual do grupo é possível ouvir um coquetel de influências bizarras e às vezes não sociáveis que vai de Sex Pistols a Velvet Underground, Pogues a Black Lips, The Fall a Slaves. Punk e pós-punk. O velho e o novo.

Aliás, sobre o Fall, o Fat White Family assume explicitamente sua referência, batizando uma música de seu primeiro disco, o sugestivo “Champagne Holocaust” (2013), de “I Am Mark E. Smith”, se apropriando da personalidade do veterano vocalista da banda de Manchester, anciã do punk.

Aliás ainda, ter um grupo tão jovem e pulsante como o Fat White Family na cena britânica atual é um dos melhores presentes que os ingleses dão ao punk, no aniversário de 40 anos do movimento que mudou a música, as artes, o cinema, a moda. No caso desta última modalidade, e agora com o Fat White Family, a não-moda, quando seus seis componentes decidem tirar a roupa em show.

A última música tocada pelo grupo no show do Social Hall, espécie de salão de baile com um palco no fundo e capacidade para 600 pessoas, com 1/6 disso pagando ingresso para o baile punk do Fat White Family, foi o pequeno hit “Bomb Disneyland”, apropriadamente punk para ser tocada nos EUA paranóicos com terrorismo e em conexão direta com o “Dismaland”, a sátira em forma de parque de diversões desenvolvida pelo artista de rua inglês Banksy.
Que banda interessante, essa Fat White Family!

* As fotos, deste post e da home da Popload, são de Fábio Massari.

** A Popload está na Califórnia a convite do VisitCalifornia.

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O infográfico definitivo de Lana Del Rey. E como ela pode ser associada à história dos EUA enquanto nação superpoderosa

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* Popload em Glass-Go, Escócia, Great Britain.

* “Galera” não pára de falar na chanteuse controversa Lana Del Rey, não? Recomendo, para você ter uma idéia real do buxixo que a garota está causando, e até onde isso pode ir, dois artigos recentes da “Folha de S.Paulo”. Escrito pelos bambas Alvaro Pereira Junior e Ronaldo Lemos. Fáceis de achar na internet.
Lemos chega a dizer que dá para ver Ronald Reagan na música e nos vídeos de Lana.

O engraçado, pelo menos vendo daqui do Reino Unido, é que primeiro a Lana foi adorada, depois odiada, depois odiavam quem adorava ela, agora estão odiando quem odeia. Lana Del Rey experimenta agora o chamado backlash do backlash. Onde isso vai parar? Heeeeein?

Enquanto isso eu estava andando no gelo aqui em Glasgow, de um lado para outro, quando o DJ Zane Lowe foi e botou “Video Games” para tocar no programa dele na Radio One. Eu com o fone de ouvido enfiado no… ouvido, por baixo de um tampão de… ouvido. Deu um certo calorzinho na hora.

Daí o “Guardian” vai e resume em infográficos toda essa confusão chamada Lana del Rey, baseados em dados colhidos em jornais, revistas, “the whole internet”. Vê se ajuda você a entender.

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