Em foo fighters:

VMA consagra Lil Nas X, bota a Anitta na festa e da troféu de ícone para o Foo Fighters

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* O estiloso rapper gay bombator Lil Nas X foi o grande vencedor do Video Music Awards, o VMA, premiação da MTV americana que já viu dias mais significantes, mas que ainda assim consegue ser mais relevante que a emissora que o abriga.

Lil Nas X ganhou o vídeo do ano com “Montero (Call Me by Your Name)”, bombástica canção que vai puxar seu primeiro álbum, “Montero”, que sai sexta que vem e promete abalar os alicerces pop, por assim dizer. A cerimônia rolou no enorme Barclays Center, no Brooklyn, NYC.

Entre tretas (o Machine Gun Kelly saiu na mão no bastidor com um campeão de UFC, pensa) e poses e roupas horrivelmente fashion, tivemos as performances ao vivo, das quais destacamos algumas, aqui embaixo. Teve Anitta, não ao viiiiiivo, mas pela primeira vez na premiação gringa, e um medley do Foo fighters, que ganhou um prêmio sobre “legado”, o Global Icon Award, e fez uma homenagem na bateria a Charlie Watts, dos Stones, morto recentemente. A estatueta do homem na lua foi entregue ao Dave Grohl pela Billie Eilish.

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Lollapalooza Chicago – Maior aglomeração do mundo pós-pandemia. Maior quantidade de maconha desde o Woodstock. Ondas gigantes. Ah. E teve música também

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* As imagens mais impressionantes e comentadas da edição deste ano do Lollapalooza Chicago não foram de suas grandes atrações, tipo Foo Fighters, Tyler, The Creator, Post Malone, Megan Thee Stalion. O que mais foram propagadas nas redes sociais sobre a edição que celebra os 30 anos de um dos maiores festivais do mundo, que aconteceu desde quinta até ontem à noite, foram fotos do público aglomeradão como se estivéssemos em 2019 e não tivéssemos atravessado um ano e meio de pandemia (e todo o trauma advindo dela).

É o primeiro graaaaande evento de música nos EUA na nova era. Chicago deu autorização ao festival, que tem filial em São Paulo, para funcionar em sua capacidade máxima, o que equivale dizer que algo em torno de 100 mil pessoas se espremeram por quatro dias, todos os dias, no Grant Park, numa das regiões urbanas mais bonitas do planeta, desde que apresentassem com o ingresso uma carteirinha de vacina e/ou um teste negativo para a covid-19 de pelo menos 72 horas.

Pessoas foram admitidas sem máscara no parque gigantesco. Apenas em áreas fechadas a proteção era requerida.

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Os próximos dias vão ser de apreensão em vários níveis, para autoridades e frequentadores, quando o impacto de botar tanta gente em um mesmo espaço vai ser sentido. Em Chicago, Lollapalooza à parte, e como em boa parte dos EUA, o número de infectados voltou a subir, principalmente por causa da disseminação da variante delta.

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De quinta até domingo foram momentos de agito absurdos em Chicago ao redor do Lollapalooza, até fora do Grant Park. Dois grandes hoteis do centro da cidade, que tinham falido e fechado por causa da pandemia, arriscaram uma reabertura no fim de junho, confiando muito no povo que ia visitar Chicago por conta do festival. Chicago está lotada neste verão.

Quantidades absurdas de maconha foram estocadas nas lojas oficias de venda de canabis para atender os consumidores do Lolla. É o primeiro grande evento de música desde que a cidade liberou o uso. Disseram, não sabemos se é verdade, que teve a mesma quantidade de maconha para estes dias de Lollapalooza que para os três dias de Woodstock em 1969, quando 400 mil pessoas se juntaram para o maior festival de paz e amor de todos os tempos.

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Ali perto do Lollapalooza tem o gigantesco lago Michigan que vai de Chicago até o Canadá. Tem praias legais demais e enormes naquela região de Chicago, perto do Grant Park. De areia. Muitas quadras, pista de bike, restaurantes etc. Muitos frequentadores do Lolla costumam ficar horas ali antes de entrarem no festival. Ontem, no domingo, a praia foi evacuada por causa de uma tempestade de verão de perto do Canadá que provocou ondas gigantescas para os lados de Chicago. Nadar então foi proibidaço. Galera teve que ir ao Lollapalooza aglomerar mais cedo.

O domingo foi agitado ainda pelo cancelamento, pelo festival, do show do rapper famosão DaBaby, de Cleveland, desde 2019 frequentador dos topos da “Billboard”. O Lollapalooza brecou a participação de um dos headliners do festival no domingo por causa de declarações homofóbicas e machistas dadas pelo rapper numa apresentação num festival pequeno de Miami no domingo retrasado. O caso veio aos poucos ganhando vulto e chegou aos ouvidos do Lollapalooza por conta de frequentadores do festival, querendo DaBaby fora. O Lolla soltou um comunicado dizendo que prega “diversidade, inclusão, respeito e amor” e anunciou no domingo mesmo, ontem, que o rapper não iria se apresentar.

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E, sim, o Lollapalooza Chicago 2021 teve até musica, sim.

Foo Fighters tocando os hits surrados de sempre, começando com a apropriada “Times Like These”, mais Bee Gees e Queen, filha de Dave Grohl indo ao palco tocar cover do X, essas coisas. Tyler, The Creator mostrando as músicas de seu recentíssimo disco “Call Me If You Get Lost”, levando uma lancha para o palco, público cantando tudo mais alto que o rapper. A veteraníssima banda “de rock” Journey mostrando seus hits anos 70/80 para uma galera novinha, depois que a conhecida “Don’t Stop Believin”, de 1981, virou até hit no TikTok.

Enfim. Um balanço rápido da música no Lollapalooza em vídeos, abaixo. Com shows inteiros. Se vão derrubar?

Ainda no corpo dos Bee Gees, Foo Fighters solta vídeo para a absurda “Shadow Dancing”

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* Sabemos bem. A gente tem uma tendência a ficar cansados um pouco do Foo Fighters tocando suas próprias músicas em overdose, imagina quando é o Foo Fighthers alongando essa piada legal, mas ainda assim uma graça, que é se transformar em Dee Gees e tocar músicas da lendária banda australiana da disco (não é só isso, mas também é isso) Bee Gees…

Mas, olha, ainda assim estamos achando divertido. E abrindo espaço para o Dave Grohl e sua galera por aqui, principalmente quando eles imolam, no bom sentido, um “hit lado B” (entende?) desses tipo a incrível “Shadow Dancing”. Que nem é do Bee Gees exatamente, mas é hit do disco solo do Andy Gibb e foi feita conjuntamente com seus irmãos de banda. Enfim.

A gente sabe, também, que agora no Record Store Day o Foo Fighters lançou o disco especial “Hail Satin”, cujas cinco músicas que formam o lado A é a banda travestida de Dee Gees. Tem todo um conceito por trás, na cabeça do Grohl. E, no meio das músicas do disco, está essa “Shadow Dancing”, que agora virou vídeo.

A música é cantada pelo baterista-cantor do FF, Taylor Hawkins, parça de Dave Grohl, que aparece nuns falsetes. Boa, vai!

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Top 10 Gringo – War on Drugs volta nas cabeças, óbvio. O experimental Yves Tumor experimenta nosso pódio. E forçamos o Fontaines DC em terceiro, porque merecem

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* Na semana em que nossa banda favorita resolver reaparecer ficou complicado para qualquer outro artista ganhar algum destaque. Mas a gente lutou para achar outros merecedores de destaque – é que até que foi uma semaninha bem devagar, com vários discos recebendo resenhas mornas e algumas bizarrices como o Foo Fighters relendo Bee Gees e o Radiohead inventando uma “Creep” loucona de nove minutos.

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1 – War on Drugs – “Living Proof”
Uau. Uma das prediletas da casa quebrou o silêncio de quase quatros anos e reapareceu anunciando disco novo. Adam Granduciel e sua turma chegam em outubro com seu quinto disco, “I Don’t Live Here Anymore”. Já no primeiro single um petardo em forma de balada lenta que vai crescendo aos poucos, como é característico da banda. E a gente começa a rascunhar um disco no topo dos álbuns do ano com um trabalho que nem escutamos ainda…

2 – Yves Tumor – “Jackie”
Afeito a toques mais experimentais e eletrônicos, é um barato ver Sean Bowie, real nome do músico e produtor americano Yves Tumor, em algo tão direito e quase roqueiro – com uma letra rasgada de sofrimento por uma pessoa, será? Essa mudança de clima repentino em um EP surpresa nos faz lembrar de um outro Bowie, que gostava de mudar os rumos assim do nada. Exagero?

3 – Fontaines D.C- “I Was Not Born”
Qualquer desculpa é uma desculpa para colocar os nossos queridos irlandeses do Fontaines D.C em algum lugar do nosso top 50. Um supervídeo para o maravilhoso programa online francês “La Blogothèque” é mais do que uma boa razão. Sem falar na maravilha que é esta música, do disco do ano passado deles, o “A Hero’s Death”.

4 – Willow – “t r a n s p a r e n t s o u l”
Filha do hip hop com a heavy metal, 20 anos de idade lançando seu quarto álbum da carreira, lá vem a Willow atirando para tudo quanto é lado. E acertando em vários lugares. A pretensão deste conhecido single resgatado aqui, parceria dela com o baterista estrela Travis Baker, do Blink 182, é “ressuscitar o rock” na terra do hip hop e trap. A intenção dela (e da Olivia Rodrigo) é boa, gente. Deixa a menina.

5 – Wavves – “Hideaway”
A gente classificou aqui uma vez o som do Wavves como indie-spank-surf-pop-punk. E essa é a melhor definição para “Hideaway”, um dos excelentes sons que estão no novo álbum dos californianos, que leva justamente o nome da faixa. Vale a atenção de fãs do TV on the Radio: David Sitek está na produção por aqui e dá para notar sua mão em sons como “Caviar”, onde o Wavves abre um pouco mão do seu som mais rotineiro.

6 – Clairo – “Blouse”
A gente já tinha ficado de cara quando a jovem cantora indie-folk americana Clairo apareceu no Tonight Show com esta ultra delicada “Blouse”, agora ela é das mais fortes de seu novo álbum, “Sling”, um álbum nem tão forte assim. Culpa do produtor coxa Jack Antonoff e sua mania de desacelerar meninas? De todo modo, nesta “Blouse”, impressiona a o quão pouco a Clairo precisa para criar uma cena completa sobre um cara que só olha para o seu corpo sem escutar nada do que ela fala. Clairo, ainda que novinha para encarar fardos tão pesados como abusos do tipo, consegue botar sua música a serviço de lutas que não são só dela.

7 – Haim – “Cherry Flavored Stomach Ache”
Tem Haim em um novo filme da Netflix, “A Ultima Carta de Amor”. Não vimos o filme para emitir uma opinião, estreia nesta semana, mas ainda que bem diferente na instrumentação a música original das irmãs é bem boa. Tem um toquezinho de country ali e tudo funciona ainda que de uma maneira pop, do jeitão delas.

8 – The Cribs – “Finger-Nailed for You”
A gente às vezes deixa de lado bandas bem queridinhas de outras épocas, que seguem a vida ainda que de um jeito anacrônico, fechadas em seus mundos. No caso dos Cribs, eles lançaram um disco ano passado que precisamos dar uma nova atenção, confessamos. Mas enquanto isso ficamos com esse cover que eles soltaram da banda inglesa Comet Gain, em celebração ao selo norte-americano Kill Rock Stars. Algumas voltas sem chegar a nenhum lugar. Mas, ainda assim, é um Cribs, né?

9 – Dee Gees – “Night Fever”
Amiga e amigo, “Night Fever” é uma música tão fora de série e emblemática que é difícil fazer bobagem com ela. A versão do Foo Fighters é até que honesta, vai.

10 – Radiohead – “Creep (Very 2021 Remix)”
Quando a gente pediu novidades do Radiohead não era bem isso que estava nos planos, mas enfim são novidades do Radiohead. E, mesmo que isso seja um remix bizarro da faixa mais pop (há controvérsias) da banda, já é algo.

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* A imagem que ilustra este post é do vocalista e guitarrista Adam Granduciel, do War on Drugs.
* Este ranking é formulado pelo duo Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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O fervo da segunda de manhã. A banda fake Dee Gees tem seu álbum lançado e nos traz a disco music para 2021

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Captura de Tela 2021-07-19 às 9.37.03 AM

* Saiu neste sábado fisicamente e hoje nos streamings, como prometido para o segundo Record Store Day do ano, o álbum especial que o Foo Fighters, travestido de Dee Gees para um dos lados do disco, fez em homenagem ao extrafamoso grupo australiano da disco Bee Gees, celebrado e amaldiçoado nos anos 70, mas cujo ranço de estilos que acabou importunando a banda naquela época acabou indo embora e hoje só restam homenagens como esta.

O “lado B” do álbum especial do FF, “Hail Satin”, vem com o que Dave Grohl e sua banda tem feito ultimamente. Versões e versões das músicas novas, de seu disco de fevereiro, “Medicine at Midnight”, desta vez, para este disco, versões ao vivo.

Sobre o Dee Gees, vale mais a curiosidade do que o resultado. São cinco covers de Bee Gees, emulação de disco music, Grohl em falsete como era a marca do grupo australiano, essas coisas. Mas há uma nobreza em celebrar Bee Gees hoje em dia, então está tudo válido, porque o velho grupo popular no mundo todo fez o maior sucesso do mundo, mas também sofreu, viu…

Dave Grohl entrou na música primeiro como adorador no final dos anos 70, e somos muito grato a isso, porque depois deu no que deu. E ele já contou, como bom contador de histórias que é, diversas vezes o caso de ter tido um cachorro, por 16 anos, chamado BeeGee, quando era um molequinho em Miami.

Então “Hail Satin” está mais que justificado.

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* Não custa citar aqui, apesar de talvez desnecessário, uma explicaçãozinha mais clara sobre a parte do título que evoca a “ferveção da segunda de manhã”, que é uma homenagem do mundo paralelo nossa, no caso, ao “Saturday Night Fever” da disco dos anos 70, o filme, a música, os Bee Gees etc.

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