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Girls just wanna have shows: Alanis Morissette, Shirley Garbage e Cat Power tomam o Hollywood Bowl para elas

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* Por dois dias seguidos, ontem e hoje, o famoso Hollywood Bowl, o incrível anfiteatro aberto de Los Angeles para 18 mil pessoas, está sendo ocupado por shows de uma mulherada ícone na música pop. O lugar, de onde pode ser visto o não menos icônico letreiro branco de Hollywood num morro, está abrigando apresentações de Alanis Morissette, do Garbage, banda de Shirley Manson, e da nossa Cat Power.

Temos imagens. Alguns hits da Alanis, um discurso feminista da Shirley Manson e, fora do show em si na tigela hollywoodiana, Cat Power anunciando no programa do James Corden, ontem, o álbum de covers que vai lançar em janeiro. E aproveitando para mostrar na TV uma das faixas: a lindaça “Bad Religion”, do Frank Ocean.

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Top 10 Gringo – Lorde cava seu primeiro lugar no papo. Pastel chama a atenção para a neopsicodelia inglesa. E o Migos começa sua avalanche de hits. Mais ou menos isso no nosso ranking

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* Temos um primeiro lugar para lá de polêmico. A gente acha, né? Porque nem a gente concordou muito com a própria escolha. Mas tem um papo nessa opção que vale levantar. E tudo isso em uma semana de boas músicas, a maioria provocativa com homens. Merecido tamanha incompetência masculina. Da veterana dupla americana Sleater-Kinney, de olho em homens que se fazem de feministas, até a Marina, a britânica, que está cansada de viver no mundo dos homens. E, se for mesmo a fundo, até nosso 10º lugar “diferente” trata desse tema. Ficamos satisfeitos com o ranking. Mais ainda com a playlist que o acompanha e sonoriza perfeitamente nossos pensamentos imperfeitos.

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1 – Lorde – “Solar Power”
Será que a gente gostou mesmo deste som? Parece uma música um tanto aquém das coisas que Lorde fez até aqui. A pergunta segue no ar, mas vale ir além da música e dizer que “Solar Power” nos fisgou também como um movimento da Lorde. A gente acompanha ela desde o começo e é notável que a neozelandesa assuma o risco de virar até meme ao colocar novas tonalidades em sua música, nos vídeos e na capa que causou agitos nas redes na hora – e nessa hora, no caso, os brasileiros capricharam, para variar. Se daqui a pouco a gente esquecer essa música, fica o meme. Mas nõa deixamos de saudar a volta da Lorde. E, se você pensar bem, é cultura pop, não?

2 – Pastel – “Blu”
Será a volta de Madchester? Estamos de olho nessa ainda pequena banda inglesa que revive os tempos do britpop mais doidão, indie psicodélico, que seria demolido pelo grunge e na sequência, em alguma medida, pelo estouro do Oasis, que eles mesmos foram precursores. Uma cena para se acompanhar. E nossa “ajuda” para esta boa música é dar um lugar alto no nosso ranking.

3 – Migos – “Avalanche”
Por aqui, o trio americano Migos segue sua toada certeira de construir hits gigantescos. Em “Culture III”, adiado por conta da pandemia, mas que está sendo retomado agora com lançamento recente, a música não peca em ser enorme, como todo o álbum novo do Migos, cheio de hits e participações especiais, que vão de Cardi B, a Bieber e a Drake. Já vemos alguns bilhões de streams por aí. No caso desta “Avalanche”, a brincadeira começa com referências ao hino “Papa Was a Rolling Stone”. Eita!

4 – Sleater-Kinney – “Complex Female Characters”
A gente saltou direto nessa faixa do novo álbum da Sleater-Kinney pelo título curioso. E não deu outra. É uma musicão que bate em cheio nos homens que amam um discurso de que curtem mulheres complexas na ficcão, enquanto sonham com um mulher real que pegue (bem) leve com eles – sempre regulando o quanto uma mulher pode ser ou deixar de ser. E as Kinney botam as coisas em seu lugar, por meio de uma boa música.

5 – Garbage – “Starman”
A gente ainda vai dar uma atenção para o disco do Garbage, “No Gods No Masters”, que acabou de sair. Acontece que ele vem acompanhado de um segundo disco, de covers, maravilhosos, que incluí só uma das melhores músicas de todos os tempos. Sim, “Starman”, do Bowie.

6 – Marina – “Man’s World”
Em uma estrofe, Marina (ex-with the Diamonds) dá o recado mais direto sobre o que a luta feminista busca, neste single de maio que puxa seu disco novo, lançado sexta passada. Coisa do tipo “Se você não entender agora, não entende mais”. Assim:
“Se você tem uma mãe, filha ou amiga
Talvez seja a hora, hora de compreender
Que o mundo em que você vive não é o mesmo que o delas
Então não me puna por não ser um homem.”
Precisa de mais?

7 – Pom Pom Squad – “Crying”
“Crying” traz a espertíssima Mia Berrin, vocalista e guitarrista do Pom Pom Squad, enfrentando sua própria escuridão em um banho de distorção guitarrística. Em contraste com o vídeo, que lembra filmes do anos 40 e 50, a coisa fica ainda mais divertida. Talvez “divertida”, para alguém que está chorando, não seja a palavra certa. Mas você entendeu.

9 – José González – “Head On”
Nosso sueco favorito fez uma das músicas mais antidepressivas do ano. “Head On” é um chamada para encararmos qualquer questão de frente, com a cabeça erguida, como diz o título. É até engraçado que a música começa quase bobinha, listando coisas tranquilas, até que de repente o grande sueco de nome latino nos chama a encarar de cabeça erguida desde um inquilino abusivo, corruptos e o nepotismo. É sensacional. E que violão hipnotizante. Grande volta, señior González.

9 – Manic Street Preachers – “Orwellian”
Tem um verso polêmico aqui nesta música do velho Manics. “We live in Orwellian times/ It feels impossible to pick a side”. Em tradução livre, “Vivemos em tempos orwellianos/ Parece impossível escolher um lado”. Se não for um papo do tipo “tomar ou não vacina e outras dúvidas que não deveriam existir”, esse tema universal atual, a gente entende que a música é um belo recado para a confusão geral que virou este mundo hiperconectado, onde nada parece ter validade. Mas pareceu um pouco dúbio. Será mesmo impossível decidir bem algumas coisas? Vamos acompanhar. Ao som do Manic Street Preachers.

10 – Bo Burnham – “How the World Works”
Em seu especial de comédia do Netflix, o americano Bo Burnham tira sarro de si e de muitos privilégios brancos em forma de música, em diversas canções. Nesta aqui, direcionada às crianças, ele tenta contar a história do mundo, que é impecável até que um personagem criado por ele resolve dar a real sobre genocídio, exploração do homem pelo homem e outros abusos. Vale escutar para ver como a história termina. Uma música diferente no ranking, ok. Mas ainda assim uma música.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora neozelandesa Lorde.
* Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – A questão básica da música nova do Garbage. Lucy Dacus tentando salvar o namo. A invisibilidade do Duran Duran. E a Japanese Breakfast caçando vilões

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– Amiguinha da Phoebe Bridgers e da Lucien Baker, a cantora e guitarrista Lucy Dacus acabou de lançar mais um single do seu aguardado novo álbum solo, “Home Video”, que sai no dia 25 de junho pela Matador. Na nova música, “VBS”, que já acompanha de um belíssimo vídeo em animação, Lucy reflete um pouco sobre suas experiências adolescentes em acampamentos para jovens cristãos, viagens que renderam para ela seu primeiro namorado, um metaleiro maconheiro que Lucy quis, em sua inocência da época em suas palavras, tirar das drogas. A música tem um trecho lindo sobre um certo amargo de nossas descobertas nesse período: “Você disse que eu te mostrei a luz/ Mas tudo o que fiz no final/ Foi fazer o escuro parecer mais escuro do que antes”.

– Quem chega de vídeo novo também é o veteraníssimo grupo americano Garbage. No caso, é o trabalho visual de seu novo single, “Wolves”, que fará parte do álbum “No Gods No Masters”, o primeiro em cinco anos, que saí no dia 11 de junho. Sobre a música, a vocalista Shirley Manson deu alguns detalhes que traduzimos de maneira bem livre, vale dizer. “Esta música é uma ode à ideia de quem você vai ser? Você vai ser um arrombado ou uma boa força no mundo?”. Basicamente isso.

– Outro retorno após um longo hiato de inéditas é o da lenda new romantic inglesa Duran Duran. A banda lança “Future Past”, seu décimo quinto álbum, em outubro. Entre as participações especiais prometidas para o disco estão nomes como Graham Coxon (Blur), Lykke Li, Mark Ronson e Giorgio Moroder. O primeiro single, “Invisible”, ganhou um vídeo todo feito por uma inteligência artificial, que absorveu a ideia da banda e produziu o material sem qualquer outra intervenção humana. Dá uma sacada como ficou:

– Mais vídeos? Tem o novo da cantora indie americana Japanese Breakfast para o terceiro single de “Jubilee”, seu novo álbum, que será lançado em junho. “Savage Good Boy”, o single do novo projeto, tem participação de Michael Imperioli (o Christopher Moltisanti de “The Sopranos”). A brisa de Michelle Zauner, nome real por trás do nome artístico, é a partir dessas histórias de bilionários comprando bunkers. “Eu estava interessada em examinar esse tipo específico de vilania”, explica.

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Top 10 Gringo – O “mundo” é do Dry Cleaning. Nem o ótimo Lil Nas X conseguiu impedir. Mas vamos seguir em frente, como diz o Jungle

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* Segue agitado o mundo gringo de novidades musicais. Uma semana que olhamos até para o que tem de mais pop no universo, mas sem esquecer do indie. Inclusive, premiando pela segunda vez seguida nossa banda da vez. É nossa culpa ou deles? E olha que a disputa foi bem apertada. Mas o coração (e a guitarra) falou mais alto.

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1 – Dry Cleaning – “Unsmart Lady”
Segue nossa obsessão pela nova banda pós-punk inglesa Dry Cleaning. Uma obsessão que agora cada vez mais é do mundo todo, como analisamos em um post sobre as críticas que “New Long Leg”, seu álbum de estreia, vem recebendo agora que veio à luz, na última sexta-feira. Nossa predileta da vez é a absurda “Unsmart Lady”, o novo single, um som tipicamente quase falado que pega as ofensas que as mulheres recebem quando são desacreditadas e diminuídas e as arremessa nos agressores. Que banda!

2 – Lil Nas X – “Montero (Call Me by Your Name)”
Lil Nas X chegou pesado aqui, ainda que demonstrando uma leveza sonora incrível. Uma música onde resolve contar sobre uma paixão das mais fortes, de peito aberto. Pensando em sua história, ele mesmo relata que não planejava abrir questões da sua sexualidade assim, mas que, se isso ajuda outras pessoas a ficarem mais livres, é necessário. Este cara é bom.

3 – Jungle – “Keep Moving”
Que som esperto este novo da ótima dupla funk-soul-brother Jungle, dos produtores Josh Lloyd-Watson and Tom McFarland, que deu a largada para um novo e necessário álbum deles. “Keep Moving” é um mantra de superação que balança bem os graves do seu foninho. Segura esta.

4 – Demi Lovato – “Anyone”
Demo Lovato passou por poucas e boas por conta das drogas, para dizer o “mínimo”. Neste ainda complicado pós-reabilitação, seu novo disco tem canções dolorosas, como “Anyone”, um grito desesperado por ajuda desesperado, daqueles dados quando parece que ninguém mais pode te ajudar. Não é sempre que divas pop abrem a real desta maneira.

5 – Olivia Rodrigo – “Deja Vu”
A gente não ia deixar o fenômeno Olivia Rodrigo passar batido. Tudo bem que não demos o moral devido para o primeiro single dela, o hit “Drivers License”, mas até que funcionou essa espera. Curtimos bem mais este som novo.

6 – St. Vincent – “The Melting of the Sun”
É meio chover no molhado que a St. Vincent tem uma das guitarras mais espertas do mundo hoje, mas é preciso reforçar isso. Nesta balada, segundo single de seu álbum “Daddy’s Home”, que sai no próximo 14 de maio, ganhamos de presente um senhor solo de guitarra, que nem parece com solo de guitarra, mas é, sim. É uma coisa tão fora da curva que até fica difícil reparar no que veio antes ou depois desse evento nesta música.

7 – Angel Olsen – “It’s Every Season (Whole New Mess)”
Angel Olsen parece ter gostado da experiência de revistar suas próprias músicas. No álbum “Whole New Mess”, de 2020, ela buscou parte do repertório do seu disco de 2019, “All Mirrors”. Agora, em um álbum que vai reunir as duas experiências, solta essa inédita que é justamente a releitura de uma das inéditas do disco de releituras. Deu para entender?

8 – Royal Blood – “Limbo”
A gente vem cobrindo aqui a virada que o Royal Blood anda dando em seu som – aproximando suas raízes roqueiras de um som mais dance. Dessa safra, “Limbo” talvez seja a obra mais bem acabada, ao conseguir colocar esses dois universos, que às vezes são tão distintos, em uma conversa agradável.

9 – The Joy Formidable – “Into the Blue”
Talvez a nossa banda favorita do País de Gales, hoje. O grupo mantém sua habilidade de melodias certeiras e dinâmicas espertas de andamento e volume nesse retorno às atividades com um belo single que anuncia um novo álbum ainda sem nome. Que venha formidável.

10 – Garbage, “The Men Who Rule the World”
Uma porrada do Garbage nos responsáveis por colocar nosso mundo em risco – sim, os terríveis capitalistas. Shirley Manson mira em quem patrocina violência, pobreza, machismo e outras catástrofes do mundo.

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* A imagem que ilustra este post é rapper e cantor Lil Nas X.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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Popnotas – A volta descrente do Garbage, o formidável Joy Formidable, Gary Numan passando o “car” na indústria e o festival Afromusic

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– Vem aí a segunda edição do Festival AFROMUSIC. Registrada no Teatro de Contêiner, no centro de São Paulo, o evento rola no dia 09, 10 e 11 de abril, a partir das 19h, no canal do YouTube do Universo Afromusic. Jup do Bairro, Gê de Lima, Izzy Gordon, Renato Gama, Biel Lima, Fabriccio, Mental Abstrato com a rapper baiana Mana Bella, a Banda Nova Malandragem com Walmir Gil, Ballet Afro Koteban e o Bloco Afro Afirmativo Ilu Inã são atraçõess. A programação ainda traz entrevistas sobre a construção do DNA musical afro-brasileiro.

– O Garbage, a incrível banda de outrora (anos 90) liderada por Shirley Manson, está de volta após cinco anos de silêncio. “No Gods No Masters”, sétimo álbum do grupo, chega no dia 11 de junho. “The Men Who Rule the World” é o primeiro single e já está disponível. Nas palavras de Shirley, esse novo álbum é “a nossa maneira de tentar entender o quão louco o mundo é e o caos surpreendente em que nos encontramos. É o álbum que sentimos que tínhamos que fazer neste momento”.

– Outra banda maravilhosa tocada por um mina está de volta: The Joy Formidable, de Ritzy Bryan (foto na home). Os galeses soltaram um excelente single chamado “Into the Blue”, que deve fazer parte de um álbum novo que vem por aí, mas do qual ainda não temos tantas informações, já que a banda só mencionou que estão finalizando a arte da capa e tal. Porém, temos um vídeo classe de “Into the Blue”, né, Ritzy?

– Por falar em sumidos. Outro que reapareceu foi o veteraníssimo músico inglês Gary Numan, do para sempre inesgotável hit “Cars”. “Saints and Liars” é o primeiro single do que será seu 18° (!!!) álbum solo, “Intruder”, sucessor do seu álbum de 2017, “Savage: Songs from a Broken World”. Como lembra a inglesa NME, Numan é um dos músicos que bate forte na questão urgente de quão mal os streamings pagam pelo trabalho dos artistas. Teremos um álbum “político”, pelo contexto e pelo título dele, parece.

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