Em garotas suecas:

Top 50 da CENA: A rapper Monna Brutal bota sua neurose em primeiro no nosso ranking. Ou seria nossa neurose no ranking todo dela? Jadsa aparentemente não sai mais do Top até o final do ano. E muito mais

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* A pandemia alcança no Brasil seu pior momento – em pleno 2021, acredite. A movimentação da CENA reflete este tempo de angústia geral, andamento mais lento. Talvez seja uma impressão falsa, erro de avaliação nosso, mas 2021 segue como 2020, com a CENA nadando contra forte correnteza após alguns anos tão firmes e seguros, mesmo que a briga tenha sempre sido dura. Há campo para novidades quando as notícias são tão absurdas? A gente segue buscando alternativas, atentos às vozes dissonantes por aí. Ou de escape. Porque, afinal, temos a música. Pelo menos!

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1 – Monna Brutal – “Neurose” (Estreia)
Pega a vibe da rapper Monna Brutal já na chegada de “Neurose”, faixa do recém-lançado álbum “2.0.2.1.”: “Hoje eu acordei na neurose, quero botar fogo em tudo/ Estapear o presidente, dar um tiro em algum puto/ Derrubar umas estátuas, queimar instituições/ Saquear alguns comércios, dar prejuízo a patrões”. Esse é o clima da música. Partir para cima. Ação. Movimento. E tudo fica ainda melhor quando o som chega a um discurso editado da ex-presidenta Dilma que parece uma convocação à rebeldia – na real, a fala era contra os protestos violentos, mas o trecho recortado que viralizou.

2 – Jadsa – “Raio de Sol” (Estreia)
O congraçamento da CENA brasileira em seu momento fértil dos últimos anos se dá à perfeição em “Raio de Sol”, o novo single da guitarrista baiana Jadsa com participações de Ana Frango Elétrico e Kiko Dinucci. Segunda música a ser apresentada de “Olho de Vidro”, o álbum a ser lançado, “Raio de Sol” é tão boa quanto o single anterior, a “A Ginga do Nego”, que você encontra mais abaixo, na sexta posição. E mais cheia de significados. A canção une a musicalidade da Bahia (Jadsa), Rio (Frango) e São Paulo (Kiko). Tem o samba, a MPB de vanguarda, o rock, psicodelia, “lá-lá-lás”, pausa, mudança de andamento. Vem disco do ano – sim, a gente trabalha nesse pique.

3 – Luna França – “Terapia” (1)
O lindo segundo single da cantora entre muitas-outras-coisas Luna França aterrissa de bico nesta onda forte da música nova, aqui e lá, que é o indie-mental health, do qual temos falado bastante na Popload. Na canção, ela descreve um sentimento feio, em suas palavras, ou seja, faz terapia em tempo real mesmo. “Escrevi essa letra como se estivesse escrevendo um diário e refletindo sobre essa sensação de posse que é real e até bem comum. A gente não quer ver a pessoa triste, mas também não quer ver mais feliz que a gente.” Forte. Como é a canção em si.

4 – Yannick Hara – “Antidepressivos” (2)
Ainda no campo da mental health, Yannick Hara aborda por aqui outro aspecto da questão: o abuso de remédios como uma forma de afastar toda e qualquer dor (inclusive a da alma), uma forma de camuflar alguns problemas. O clima do som pega um tanto de The Cure nos momentos mais sombrios, uma vibe ointentista, céu nublado e um frio lá fora. E um frio mais doído lá dentro.

5 – Ale Sater – “Nós” (3)
“Nós”, com seus dedilhados grandiosos de violão acústico, afastam Ale Sater do clima urbano do som do Terno Rei e o leva, sozinho, para o interior. Talvez o seu próprio interior, onde ele tenha que lidar com fantasmas em tom nostálgico, algo longe do romantismo urgente que embalou “Violeta, o mais recente e bem-sucedido álbum do Terno Rei, de 2019.

6 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (4)

Há um quê de divino e de mântrico no primeiro single da guitarrista e cantora baiana Jadsa, “A Ginga do Nêgo”, que perdurou duas semanas no primeiro lugar deste ranking da CENA. Acredite quando ler que a música serve para “abrir caminhos” para o primeiro álbum da artista, “Olho de Vidro”, que sai no dia 26 deste mês. “A Ginga do Nêgo” é atravessada por uma guitarra cortante, evoca Exu, orixá da encruzilhada, o mensageiro da comunicação entre os vivos e as divindades, tem um baixo potente de Caio Terra e certamente deixaria orgulhoso Itamar Assumpção. Que musica gigante, embora com menos de dois minutos de duração.

7 – Sessa – “Grandeza” (Estreia)
Ainda fazendo render o material de seu incrível álbum de estreia solo, “Grandeza”, de lá do outro mundo de 2019, e o que é uma grandeza de notícia ainda assim, o músico paulistano Sessa resolveu soltar um vídeo animação da faixa-título do disco. Músico que costumamos dizer tem uma pegada sonora bossa-folk, com relações internacionais bem construídas no nível “crítica favorável na ‘New Yorker’ e session no site francês ‘La Blogothèque’”, Sessa fez “Grandeza”, o vídeo, parar de pé na animação do videoartista analógico paulista Rollinos e do ilustrador Bráulio Amado. Um frescor colorido no meio das notícias da semana.

8 – Artur Ribeiro – “Fragmentação” (Estreia)
Artur Ribeiro é um veterano da CENA. Representando do rock baiano, está por aí desde os anos 80 entre diversas bandas e mais recentemente tocando uma carreira solo. Em seu novo álbum, “Memento Mori” temos um bom disco de indie rock. Pense na atmosfera mais oitentista e noventista do indie, perto do lo-fi e um pouco de grave na voz. É por aí que Artur trabalha. E nós curtimos que seja assim. Por enquanto, a música está só no Bandcamp dele.

9 – A Espetacular Charanga do França – “Cadê Rennan?” (5)
Ainda o Não-Carnaval. Sem poder ir para a rua, A Espetacular Charanga do França aproveitou para soltar um disquinho novo onde tentaram sem sucesso escapar de um som carnavalesco. Esse “fracasso” está no nome do disco, “Nunca Não É Carnaval”. Acabou que o título ganhou significado duplo por conta da pandemia que persiste. Das boas músicas, vale muito esta homenagem a Rennan da Penha que se refere bastante ao funk de BH.

10 – Garotas Suecas – “Tudo Bem” (Estreia)
Dez anos da estreia da banda indie paulistana Garotas Suecas com o álbum “Escaldante Banda” e eles resgataram “Tudo Bem”, em um vídeo de celebração. A gente embarcou nessa festa e nas boas memórias de tempos de shows e aglomerações diversas. E viagens para a gringa, como mostra o vídeo. Vaaaaaaai saber quando vamos poder viver essas coisas de novo…

11 – Winter – “Violet Blue” (6)
12 – Pluma – “Mais do Que Eu Sei Falar” (7)
13 – Tagore – “Tatu” (8)
14 – Kill Moves – “Perfect Pitch” (9)
15 – DJ Grace Kelly – “PPK” (10)
16 – Jamés Ventura – “Ser Humano” (11)
17 – Jovem Dionísio – “Copacabana” (12)
18 – Píncaro – “Leito de Migalhas” (13)
19 – Atalhos – “A Tentação do Fracasso” (14)
20 – Edgar – “Prêmio Nobel” (15)
21 – Jup do Bairro – “O Corre” e “O Corre” (Bixurdia Remix) (16)
22 – BK – “Mudando o Jogo” (17)
23 – Antônio Neves e Ana Frango Elétrico – “Luz Negra” (18)
24 – BaianaSystem e BNegão – “Reza Forte” (19)
25 – Compositor Fantasma – “Pedestres Violentas” (20)
26 – Zé Manoel – “Saudade da Saudade” (21)
27 – Gustavo Bertoni e Apeles – “Ricochet” (22)
28 – Jair Naves – “Todo Meu Empenho” (23)
29 – Kamau – “Nada… De novo” (24)
30 – Letrux – “Dorme Com Essa (Delirei)” (25)
31 – MC Fioti – “Bum Bum Tam Tam” (26)
32 – Rincon Sapiência – “Tem Que Tá Veno” (Verso Livre) (27)
33 – MC Carol – “Levanta Mina” (28)
34 – Marabu – “Capítulo 5: Sereno” (29)
35 – Criolo – “Fellini” (30)
36 – Linn da Quebrada – “quem soul eu” (31)
37 – Wry – “Absoluta Incerteza” (32)
38 – Rico Dalasam e Jup do Bairro – “Reflex” (33)
39 – YMA – “White Peacock” (34)
40 – Ana Frango Elétrico – “Mulher Homem Bicho” (35)
41 – Luedji Luna – “Chororô” (36)
42 – Black Alien – “Chuck Berry” (37)
43 – Vovô Bebê – “Bolha” (38)
44 – Sabotage e MC Hariel – “Monstro Invisível” (39)
45 – Emicida e Gilberto Gil – “É Tudo Pra Ontem” (40)
46 – Liniker – “Psiu” (41)
47 – Tuyo – “Sonho da Lay” (42)
48 – KL Jay – “Território Inimigo” (43)
49 – Boogarins – “Cães do Ódio” (44)
50 – Dexter, Djonga, Coruja BC1, KL Jay, Will – “Voz Ativa” (45)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a rapper Monna Brutal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Parece ficção científica. Garotas Suecas lança vídeo de uma época em que banda viajava para fora, fazia shows…

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* A conhecida banda indie paulistana Garotas Suecas aproveita estes tempos escabrosos para buscar uma zona de conforto musical e voltar até 2010, quando era feliz e sabia. O grupo acho um jeito de comemorar os 10 anos de seu álbum de estreia, “Escaldante Banda”, resgatou um hit do disco, “Tudo Bem”, buscou imagens da época e montou o vídeo para a faixa de abertura de seu primeiro trabalho, lançado lá em setembro de 2010.

Tais imagens que compõem o vídeo pode despertar gatilhos para o bem e para o mal na galera de banda de hoje e na própria Garotas Suecas. É um compilado de cenas da turnê do então sexteto pelos Estados Unidos na época, para shows em 24 cidades e por 40 dias, para divulgar “Escaldante Banda”, também lançado na América.

Em 2010, presentes no vídeo, muito presentes no álbum, estão Sessa e Sal, ex-membros da banda.

“No segundo semestre de 2020, nosso primeiro disco, “Escaldante Banda”, e a sua turnê de lançamento nos Estados Unidos completaram 10 anos, e nosso amigo (e diretor de muitos dos nossos vídeos) Rafa Aflalo perguntou se a gente não queria retomar o projeto de editar um vídeo com as imagens gravadas na estrada. Achamos uma ótima ideia celebrar a primeira música do nosso primeiro LP nessa efeméride. Mas no meio da pandemia e com tudo um pouco sem clima acabamos deixando pra comemorar 10 anos “e meio” num ano que, esperamos, vai ser menos bizarro que o passado, e que cantar “Tudo Bem” não pareça coisa de gente atarantada”, diz a tecladista e vocalista Irina Bertolucci.

Banda brasileira feliz em seu disco de estreia, excursionando para shows nos EUA, tocando em festivais indies e clubinhos. Lembra que um dia isso aconteceu?

O Garotas Suecas está preparando seu quarto disco para lançamento agora em 2021, pelo selo Freak. A formação atual da banda tem Irina (voz e teclados), Fernando Perdido (voz e baixo), Nico Paoliello (voz e bateria) e Tomaz Paoliello (voz e guitarra)

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CENA – 13 bandas, três pistas. Festival Fora da Casinha sai do Mancha para a 4ª edição

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* Um dos lugares mais importantes para a música nova do Brasil, a Casa do Mancha, um lar literal do indie onde a banda toca no quarto e as pessoas ou vêem da sala ou pela janela do quintal, fecha a porta da garagem e sai para sua versão festival anual, pela quarta vez.

Acontece no dia 6 de outubro agora, em outra casa, a Casa Híbrida (Sumaré), o Fora da Casinha, evento que junta turma boa na linha Molho Negro e Strobo (ambos de Belém), Terno Rei e Garotas Suecas (ambos de SP), Dingo Bells (RS), entre outros. E vai ter como padrinho o veterano músico Maurício Pereira, pai do Tim e do Chico Bernardes.

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BORA PRA CASONA – O Goldenloki (acima), de três guitarras, e a trip japonesa dos paulistanos Ozu (abaixo) são duas das boas novas atrações do Fora da Casinha, festival que acontece agora dia 6/10

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Os ingressos em lote promocional para esse dia-longo de música independente já está à venda online e custa R$ 50 pratas. Os shows começam a partir das 15h.

Mancha Leonel, o proprietário da Casa e do Casinha, acha que nesta edição seu festival muda de patamar. “Neste ano buscamos consolidar a principal característica do Fora da Casinha: apontar a direção que a música independente está percorrendo. Acredito que hoje o festival começa a sair da situação de iniciante e entrar na de intermediário, encontrando sua identidade e com isso, vai traçando seu caminho de maneira mais coesa”, diz.

Confira a escalação completa de bandas e DJs do Fora da Casinha 2018.

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* Na home da Popload, na chamada para este post, foto de Maurício Pereira, o paraninfo do Fora da Casinha, em crédito de Rui Mendes. Aqui no post em si, a imagem do Goldenloki é de Yasmin Kalaf. E a do OZU foi clicada pela Mariana Harder. O cartaz do festival é da Sefora Rios.

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CENA – Garotas Suecas lança novo vídeo e não quer conversa

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* O grupo Garotas Suecas, escandinava banda feminina que é paulistana e só tem uma garota, lança agora, via Popload, mais um vídeo, o politizadaço, bonitão e papo-reto “Não Tem Conversa”, outro single fruto de seu mais recente disco “Futuro do Pretérito”, lançado via selo Freak no final de 2017.

“Não Tem Conversa” resgata um lado psicodélico do Garotas Suecas e representa o segundo vídeo do álbum da banda (abaixo, em foto de Marcelo Vogelaar), de 13 anos, já veterana para os “padrões indies”.

Garotas Suecas_crédito Marcelo Vogelaar

O vídeo, como você vai poder ver (e ouvir) mais lá embaixo, não tem época melhor para ser mostrado, dadas as conversas de aborto e demais consequências eleitoreiras atuais. Foi dirigido pelo atuante coletivo NVVE MVE.

“Escolhemos a música mais incisiva do disco, com letra do Pedro Abramovay, para falar de alguns assuntos que precisam ser discutidos: eles estão mais do que nunca inadiáveis. Quisemos reforçar essa linguagem de tecnologia corrompida, de rede em desintegração, de comunicação truncada, de erro, que achamos ter muito a ver com o que pensamos no ‘Futuro do Pretérito’ como um todo, e que também casava muito com essa letra em especial. Frente a certos posicionamentos, não existe conversa possível”, diz Irina Bertolucci, a “sueca” do quarteto, que assume os vocais da música e consequentemente do vídeo.

O Garotas Suecas vai lançar o álbum “Futuro do Pretérito” em vinil no comecinho de setembro. E faz, para o acontecimento, um show no Centro Cultural São Paulo no dia 2/9, às 18 horas, com ingressos já à venda.

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CENA – Perto do terceiro disco, o Garotas Suecas anda sintonizando você pelas ondas do rádio

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* A plural banda paulistana Garotas Suecas lança seu terceiro disco, “Futuro do Pretérito”, no dia 23 de outubro agora. Coquetel de referências sonoras, o grupo se reinventa com nova formação e com todos os membros da banda dividindo os vocais nesta nova empreitada. Tipo neste novo single, “Captei Você”, que a banda revela agora, via Popload, que traz a “garota sueca” Irina Bertolucci cantando, em composição do guitarrista Tomaz Paoliello.

Para pontuar, o Garotas Suecas é Irina nos teclados, Tomaz na guitarra, Fernando Perdido (baixo) e Nico Paoliello baceria). Todo mundo canta. E o novo álbum vai ser lançado pela patota boa do selo Freak. O primeiro single, “Objeto Opaco”, foi mostrado em maio.

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“ ‘Captei Você’ é uma música de outra fase do Garotas que nunca tínhamos gravado e decidimos recuperar para esse disco. Fizemos um arranjo olhando para algumas das nossas referências dos anos 90, mirando um período em que descobríamos música no rádio, apenas alguns instantes antes de a internet transformar o jeito que escutamos e conhecemos música. A canção fala da sensação incrível de compartilhar uma música com uma pessoa. De um tipo de paixão que se faz pela coincidência do gosto musical. Foi inspirado no meu próprio relacionamento, que surgiu de um final de semana de fluxo de canções que pareciam fazer sentido apenas para nós dois”, explica o single o guitarrista Tomaz.

Ouça a fofa “Captei Você”, uma mistureba de jovem guarda com pop cheia de barulhinhos, segundo trabalho do disco novo da banda, enquanto ele está vindo aí. Tem aqui no Soundcloud e no…

* As fotos da banda, neste post e na chamada da home da Popload, são de Fausto Chermont.

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