Em giovanna moraes:

Top 50 da CENA: um resumo de 2021. Também conhecido como: As 50 Melhores Músicas do Ano no Brasil

1 - cenatopo19

* Como a gente já repetiu algumas vezes: listar as nossas favoritas da CENA brasileira, durante todo o ano, é mais um jeito de contar tudo de bom do que a gente anda ouvindo a cada semana. A gente deixa de lado qualquer pretensão de dizer o que é melhor ou pior. No fim de ano, a missão segue a mesma. Nossa ideia aqui é apresentar este resumo do que foi 2021. Faltou música, lógico, a ordem talvez desagrade, mas é só voltar semana a semana para achar outras centenas de músicas incríveis destacadas aqui para de um modo modesto jogar luz nesta CENA brasileira nada modesta. A CENA nunca foi tão produtiva e boa.

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1 – Juçara Marçal – “Crash”
Rap. Samba. Juçara entrega em “Crash”, letra de Rodrigo Ogi, uma música que arrebenta com qualquer fronteira que se queira criar entre os gêneros musicais. É impossível determinar onde começa o que aqui. Uma certeza é que a letra tem um recado mais claro: é hora de ver a derrota de quem com ferro feriu.

2 – Don L – “Volta da Vitória/Citação: Us Mano e as Mina (Xis)”
Nas revoluções do passado e nas que virão, que aparecem por todo o novo roteiro de Don L, há o dia da vitória. Dia das conquistas e celebrações. Em tempos amargos, é bom lembrar em uma canção que a festa é parte da transformação. Ela não precisa ser só uma resposta para a tristeza da realidade, mas sim a constante nessa nova trilha.

3 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah”
E, no ano em que a música brasileiro sonhou perigosamente, Rico versa: “Sem poder saber o passado/ sem poder ganhar o presente/ E ter a culpa de ser o futuro/ Meus sonhos são gigantes”. Sonhos que acontecem aqui, na América do Sul, detalhe que Rico faz questão de lembrar ao ouvinte, que é puxado para dentro da canção em uma singela quebra da quarta parede: “Alô, parceiro, passageiro”.

4 – Jadsa – “Sem Edição”
Se a distopia onde vivemos a vida dos outros através de milhares de filtros sociais e virtuais é aqui e agora, Jadsa clama por um pouco de vida real sem aquecer, esfriar, esmaecer, ajustar e outras coisas. Que discaço que ela fez.

5 – Alessandra Leão – “Borda da Pele”
Nas palavras da própria Alessandra, “Borda da Pele” é “A escolha subversiva pelo sim”. E ela continua: “Pela estratégia do prazer. Sabedoria selvagem da escuridão de dentro em resposta às trevas de fora”. Quando a descrição vem pronta assim a gente só reproduz. Não é preciso dizer mais nada.

6 – LEALL – “Pedro Bala”
Em uma letra que abre diálogos com Jorge Amado (Pedro Bala de “Capitães de Areia”) e Chico Buarque (que tem seu “Pedro Pedreiro”), Leall descreve com exatidão a realidade, sonhos e motivações de um personagem condenado pela estrutura racista do Brasil a violência, miséria e fome. E transforma tudo isso em música de primeira.

7 – Marina Sena – “Por Supuesto” e FBC – “Se Tá Solteira”
Talvez as duas principais músicas produzidas pela cena independente brasileira que furaram a bolha e alcançaram plays incontáveis por Tik Toks e pelas festas do país. Merecem a celebração conjunta.

8 – Caetano Veloso – “Pardo”
Ao lado de Letieres Leite, mestre que a música brasileira perdeu em 2021, Caetano faz sua autodeclaração, que já havia sido cantada por Céu: é pardo. Termo que Caetano reconhece que é mais usado hoje do que na sua juventude. Ainda que não seja exatamente sobre o assunto, a canção coincide com a defesa de Caetano que a discussão racial no Brasil passe a ser mais informada pelo próprio Brasil do que pelos Estados Unidos.

9 – Amaro Freitas – “Baquaqua”
A impressionante trajetória de Baquaqua, africano que foi escravo no Brasil e após fugir do país escreveu sua autobiografia nos Estados Unidos, um raro documento histórico de um escravo sobre sua realidade, vira uma música instrumental absurda no piano de Amaro, que traduz nota a nota essa jornada.

10 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem”
Ao trazer brega, forró e calypso para informar o ultrapop, invertendo o processo onde geralmente é a gente que é contaminado pelo pop estrangeiro, Pabllo Vittar segue inventiva ditando o pop na música brasileira.

11 – Anitta – “Girl from Rio”
12 – Coruja BC1 – “Brasil Futurista”
13 – Tuyo – “Sonho de Lay”
14 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro”
15 – Marina Sena – “Pelejei”
16 – Liniker – “Mel”
17 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (28)
18 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)”
19 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne”
20 – Edgar – “A Procissão dos Clones”
21 – Rodrigo Amarante – “Maré”
22 – Tasha e Tracie – “Lui Lui”
23 – GIO – “Sangue Negro”
24 – Linn Da Quebrada – “I míssil”
25 – Jonathan Ferr – “Amor”
26 – Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto”
27 – MC Carol – “Levanta Mina”
28 – Criolo – “Cleane”
29 – Fresno – “Casa Assombrada”
30 – Gab Ferreira – “Karma”
31 – César Lacerda – “O Sol Que Tudo Sente”
32 – TARDA – “Futuro”
33 – Rabo de Galo, Ubunto e Luedji Luna – “Me Abraça e Me Beija”
34 – Céu – “Chega Mais”
35 – brvnks – “sei la”
36 – Vandal, Djonga e BaianaSystem – “BALAH IH FOGOH”
37 – FEBEM – “Crime”
38 – Luedji Luna e Zudzilla – “Ameixa”
39 – Johnny Hooker – “Amante de Aluguel”
40 – BADSISTA – “Chora Na Minha Frente”
41 – BK – “Cidade do Pecado”
42 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo”
43 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras”
44 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz”
45 – Nelson D – “Algo Em Processo”
46 – Duda Beat – “Meu Pisêro”
47 – Yung Buda – “Digimon”
48 – Boogarins – “Supernova”
49 – Jota Ghetto – “Vagabounce”
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo”

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora carioca Juçara Marçal.
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix, talvez o maior estudioso da nossa CENA. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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Os Melhores Discos de 2021 da Popload – nacional

1 - cenatopo19

* A mesma dor “gostosa” que passamos ao tentar definir os melhores discos internacionais de 2021 sofremos para primeiro elaborar um Top 10 nacional dos mais significantes álbums lançados neste ano no Brasil, cada um ao gosto de seus votantes. Segundo, escolher uma ordem de “importância pessoal” para esses dez álbuns. E terceiro para, ainda dentro do gosto de cada um, pinçar o primeiro lugar dentro dessa turma de discos importantes que fizeram deste ano um dos melhores nesta produção incrível, variada e de muitas dimensões, camadas e cores desta CENA linda.

Cabe a nós, num computo geral dos votantes da Popload para os melhores discos nacionais de 2021 e estabelecendo uma nota para cada, esclarecer que estes quatro álbuns abaixo ocuparam o nosso pódio final:

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1. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal

2. “Olho de Vidro”, Jadsa

3. Baile”, FBC & VHOOR / “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L

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Abaixo, seguem os votos dos poploaders que durante o ano todo se embrenharam empolgadamente nesta vasta floresta que é a CENA brasileira de nova música ou de veteranos músicos lançando novidades. Tem para tudo e para todos na enorme trilha sonora que embala esta terra brasilis muito loka. Mas também muito rica e criativa.

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** Lúcio Ribeiro

1. “Olho de Vidro”, Jadsa
2. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo
3. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
4. “Baile”, FBC & VHOOR
5. “Sankofa”, Amaro Freitas
6. “Ultrassom”, Edgar
7. “III”, Giovanna Moraes
8. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
9. “Torus”, Carlos do Complexo
10. “Diretoria”, Tasha & Tracie

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** Isadora Almeida

1. “Pacífica Pedra Branca”, Jennifer Souza
2. “Olho de Vidro”, Jadsa
3. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo
4. “De Primeira”, Marina Sena
5. “Baile”, FBC & VHOOR
6. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
7. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
8. “Jovem OG”, Febem
9. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo
10. “Bebé”, Bebé

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** Vinicius Felix

1. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
2. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
3. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
4. “Olho de Vidro”, Jadsa
5. “Esculpido a Machado”, Leall
6. “Diretoria”, Tasha & Tracie
7. “Borogodó”, Mc Carol
8. “Batuque de Magia”, Art Popular
9. “Rocinha”, Mbé
10. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo

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** Dora Guerra

1. “De Primeira”, Marina Sena
2. “Delta Estácio Blues”, Juçara Marçal
3. “Baile”, FBC & VHOOR
4. “Roteiro pra Aïnouz, Vol. 2”, Don L
5. “Dolores Dala Guardião do Alívio”, Rico Dalasam
6. “Batidão Tropical”, Pabllo Vittar
7. “Diretoria”, Tasha & Tracie
8. “Síntese do Lance” – João Donato e Jards Macalé
9. “Meu Coco”, Caetano Veloso
10. “Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo”, Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo

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** Tallita Alves

1. “Batidão Tropical”, Pabllo Vittar
2. “Chegamos Sozinhos em Casa”, Tuyo
3. “Trava Línguas”, Linn da Quebrada
4. “Portas”, Marisa Monte
5. “Te Amo Lá Fora”, Duda Beat
6. “Indigo Borboleta Azul”, Liniker
7. “Doce 22”, Luísa Sonza
8. “Meu Coco”, Caetano Veloso
9. “De Primeira”, Marina Sena
10. “Baile”, FBC & VHOOR

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Popnotas CENA – Bananada anuncia seu rolê digital nacional para fechar 2021. Giovanna Moraes deixa o Boogarins feminino em novo EP. “Novo” Scalene lança dois singles em meio a mudanças

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– Se o Brasil hoje tem uma série incalculável de festivais independentes, com pandemia e tudo, é muito por causa também do tradicionalíssimo Bananada, evento indie goiano que tem 21 edições nas costas e divulgou nesta semana uma iniciativa de acontecer em novembro e dezembro, ainda no formato virtual, mas numa pegada maior, nacional, por região do país, botando 30 bandas e artistas para se movimentar sonoramente em nove datas neste final de ano. Nessas, pode-se dizer que vem aí o Bananada BR, audivisual e contemplando três áreas: Goiás, Nordeste/Sul e Sudeste/Norte. Todas as gravações, de performances e pequenas entrevistas, aconteceram em São Paulo e Goiânia. A edição Goiás estreia o projeto, nos dias 6, 7 e 8 de novembro. Tocam Boogarins, Carne Doce, Davi Sabbag, Bruna Mendez, entre outros. Ainda em novembro, mas nos dias 19, 20 e 21, tem a edição Nordeste/Sul, com Tuyo, Kaê Guajajara, Don L e Larissa Luz. No mês seguinte, dias 3, 4 e 5 de dezembro, o Bananada BR fecha com a edição Sudeste/Norte, com Juçara Marçal+Kiko Dinucci, Felipe Cordeiro, Victor Xamã, Troá!, Àiyé, Tulipa Ruiz, entre outros. Para assistir, o canal é por aqui. Mais info: @festivalbananada. O pôster do Bananada BR, abaixo:

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– A cantora e muitiinstrumentista paulistana Giovanna Moraes fez um “take over” de uma música da banda Boogarins, a instrumental “Are You Crazy, Julian?”, botou um direcionamento feminino e algo descontrol na canção e a inseriu em seu (míni)álbum “III”, lançado em março. Agora em outubro, a brincadeira séria de Giovanna virou um “take over” maior ainda, quando ela desdobrou a agora toda sua “Boogarins’ Are You Crazy?” num EP de quatro músicas (ou quatro versões diferentes da mesma música), mais um vídeo ao vivo com efeitos de drone e câmera 360º, e ainda tomou da internacional banda goiana a capa de seu último lançamento, os dois volumes da série de sobras texanas “Manchaca”, para transformar tudo em “Manchaca Vol. 3”, agora de Giovanna Moraes. A ideia é muito boa. Assim como é o resultado de tudo, graças à genialidade sonora dos Boogarins e a versatilidade vocal de Giovanna. Queríamos agora saber o que o Boogarins compartilha da mesma opinião nossa.

– O trio brasiliense Scalene, praticamente paulistano já, lançou hoje dois singles que apontam experimentações sonoras para explicitar a fase de mudanças gerais da banda, seja em sua geografia, na formação (o baterista precisou sair do grupo) e no som, mesmo. As músicas “Tantra” (veja vídeo oficial abaixo) e “Névoa”, ambas abandonando a ambiência stoner costumeira da banda para buscar outros caminhos sintéticos, vão estar no próximo álbum do Scalene, previsto para sair em 2022 pela Slap Records. Os dois singles, ambos bons em suas diferenças, estão aqui embaixo:

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POPNOTAS – Só as minas: Kali Uchis, SZA, Billie Eilish, Lia Paris, Giovanna Moraes, Natália Noronha, Cris Botarelli

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* A cantora e fashion babe mezzo americana, mezzo colombiana Kali Uchis chamou a amiga bombator SZA para fazer com ela uma nova versão para a música “Fue Mejor”, que está diferente em seu mais recente disco, o segundo e pandêmico “Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)”, lançado no fim do ano passado. A prática tem sido comum em artistas que soltaram discos com o mundo paradão por causa da covid-19 e, agora que os shows estão voltando, querem dar uma reativada-relembrada nos lançamentos, sem ter que produzir algo novo para já. Essa nova roupagem (termo certo) para “Fue Mejor” traz a primeira vez que a cantora SZA manda um espanhol. “É um R&B latino, é SZA cantando em espanhol, este é “O” momento”, diz Kali Uchis. Não dá para não concordar. Acompanha um vídeo-drama à altura das divas.

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* CENA – A cantora chic paulistana Lia Paris, que uma hora pode estar gravando um disco na Itália e no dia seguinte sonorizando uma exposição na Islândia acaba de lançar um novo single, chamado “Five Star”, lindão. O negócio é que nada da Lia (da foto na chamada da home da Popload, em clic de Ali Karakas) vem assim, como um mero lançamento. “Five Star” vai ter uma série de NFTs, o certificado original tecnológico, à venda na primeira plataforma de NFT de música da França. Manja NFT, né? Já leu quantas vezes o exemplo da Mona Lisa? A estréia de Lia na plataforma francesa será através de um leilão de 48 de uma peça única (unique) e uma série de dez NFTs (legendary) de “First Star”, com valores acessíveis para dar mais possibilidades aos fãs compradores, que querem se sentir donos da obra original. “First Star” puxa uma fila de músicas de pegada intimista, supernovas ou não, que Lia Paris vai lançar nos próximos meses.

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* CENA – Adepta de lançamentos abundantes, a inquieta cantora multiinstrumentista Giovanna Moraes revelou nesta semana mais um single em parceria, trazendo como convidadas Natália Noronha (que era da banda potiguar Plutão Já Foi Planeta) e Cris Botarelli (do Far From Alaska, outro nome de destaque da cena de Natal, RN). A música se chama “O Escape É Seu Olhar” e carrega num “lado B” a indie “Driving Me Insane”, em que a guitarra esperta não fica obliterada pela voz de nuances de Giovanna. Voltando ao “lado A”, a do trio feminino, “O Escape É Seu Olhar” tem ainda um vídeo-conceito bem molhado e acorrentado, trazido pela maré numa tarde nublada. O escape é seu olhar. Então olhe:

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* A onipresente Billie Eilish vai ser ouvida nos cinemas a partir de hoje, de modo cavalar. Estreia no mundo todo o filme “Sem Tempo para Morrer”, o novo 007, para o qual Billie e seu brother Finneas compuseram a música tema, que vai embalar o famoso letreiro, que marca ainda a despedida de Daniel Craig no papel de James Bond. Enfim, Billie Eilish tem tocado em muitos festivais e eventos, nestes dias. Tudo no Youtube, pelo menos em parte. Para citar dois eventos parrudos, Billie se apresentou no Life Is Beautiful Festival, em Las Vegas, no último dia 19 e no nova-iorquino Governors Ball, no final de semana passada. Ambos os shows baseados no mais recente álbum de Billie Eilish, o ótimo “Happier than Ever”, lançado no final de julho. Trazemos o show todo do Life Is Beautiful e a performance de Billie para “Happier than Ever”, a faixa-título do disco, em Nova York. Não nessa ordem.

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Top 50 da CENA – Bebé, 17, vai ao topo do Top. Nelson D e Marina Sena, cada qual com sua geografia, completam o pódio

1 - cenatopo19

* Corpo, religião, imaginação, várias coisas que estão por aí são território de liberdade. Ou eram para ser, já que muitos usam sua potência para construir prisões. Nesta semana, reparamos que várias músicas pedem, a seu modo, liberdade.
“Me Toca” é um convite à liberdade do corpo, do prazer. “Ogunté” é um elogio à liberdade da espiritualidade que respeita as outras espiritualidades.
Nelson D em “Toy Boy” apresenta uma música que deixa o ouvinte livre para se permitir, imaginar, passear em sua criação.

Isso para ficar em três exemplos. Quando a gente repara em Bebé, por exemplo, vê que ela se liberta como criadora e compositora em seu primeiro álbum. Sebastianismos desabafa sobre a prisão de se medir pelo outros. E assim vai. A gente, que existe para defender a CENA por aqui, acha que este é um capítulo para sublimar a música brasileira que canta sobre temas muito relevantes com letras boas e musicalidade bonita de tão diversificada, plural, global. Chega na playlist, que ilustramos lindo todo esse papo, como sempre.

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1 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (Estreia)
Com larga experiência musical em apenas 17 anos de idade, Bebé Salvego apresenta em sua estreia em álbum uma originalidade e criatividade impressionantes. Entre as melhores músicas do disco, se destaca esta que ela escreveu, tocou e produziu praticamente sozinha, muito por incentivo dos seus produtores, entre eles Sérgio Machado, um dos melhores bateristas da CENA e que um dos trabalhos do álbum foi transformar Bebé em compositora. Veio dele o desafio de que ela fizesse um som sozinha de tudo. Olha, capaz que Bebé aposente todos os produtores no álbum seguinte. Brincadeira à parte, a mina de Piracicaba arrebenta.

2 – Nelson D – “Toy Boy”
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

3 – Marina Sena – “Me Toca” (Estreia)
Por algum vacilo a gente já nao botou esta “Me Toca” aqui, em altos lugares. Mas ficamos vendo de longe esse hit da mineira Marina Sena, ex-Rosa Neon, abrir os caminhos para sua empolgante estreia solo, o disco “De Primeira”. De primeira, são vários potencias hits ali. Mas aproveitamos para fazer justiça ao primeiro enquanto já vemos alguns outros destaques surgindo (“Voltei Pra Mim” e “Pelejei” são superacertos e já estão cavando seus lugares no nosso ranking semanal).

4 – Majur – Ogunté (Estreia)
Nesta bonita música com participação de Luedji Luna, a também baiana Majur homenageia Ogunté, “que é o nome da minha Iemanjá”, ela explica. Uma canção que fala sobre acreditar em algo que te potencialize, te dê segurança e força. Majur comenta que a mensagem vale para qualquer expressão de espiritualidade – uma mensagem para tempos de tanta intolerância religiosa.

5 – Fresno – “12 Words 30000 Stones” (Estreia)
A Fresno está de projeto secreto. Aos poucos lança uma série de músicas sob o selo Inventário – o que isso significa ninguém sabe ainda. Tem gente até especulando que é um ensaio para o fim da banda – uma teoria exagerada a nosso ver. A primeira música da série tem participação de Cheadiak, Arthur Mutanen e Adieu e usa versos que Lucas Silveira tinha postado em versão demo no seu Instagram há meses. A segunda aproveita uma conhecida música da Fresno com participação de outros músicos, uma ideia meio remix – dando a entender que o projeto poderia ser uma junção de inéditas, remixes, sobras, que não vão se encaixar em um álbum tradicional da banda. Será que é isso?

6 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (1)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre racional Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no ranking, mas poderia ser qualquer um dos outros sons.

7 – Papangu – “Ave-Bala” (2)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

8 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (Estreia)
Neste desabafo, o “hombre” Sebastianismos se reúne com sua parceira de crime, um jeito romântico de falar da companheira Malfeitona, superartista e pior tatuadora do mundo. Rock desabafo é tendência.

9 – Giovanna Moraes – “Maluco Beleza” (Estreia)
Na difícil missão de encarar a obra de Raul Seixas não sendo o Raul, a multitarefas Giovanna Moraes e sua espertíssima banda dão conta de dar uma subvertida nos arranjos, tanto instrumental quanto vocal. Dá nuances novas e interessantes a um cara que foi papo-reto.

10 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (Estreia)
Mais uma parceria de Gabriel Thomaz e Rodrigo Lima do Dead Fish nos vocais. Desta vez a composição também é da dupla, que coloca o tempo em uma discussão com o próprio tempo – um debate daqueles em ritmo de hardcore.

11 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (3)
12 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (4)
13 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (5)
14 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (6)
15 – 1LUM3 – “Lovecrime” (7)
16 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (8)
17 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (11)
18 – GIO – “Sangue Negro” (14)
19 – Tuyo – “Turvo” (15)
20 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (16)
21 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (17)
22 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (18)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
20 – Tagore – “Capricorniana” (20)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
22 – Criolo – “Fellini” (22)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (23)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a Bebé.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.