Em giovanna moraes:

POPNOTAS – Só as minas: Kali Uchis, SZA, Billie Eilish, Lia Paris, Giovanna Moraes, Natália Noronha, Cris Botarelli

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* A cantora e fashion babe mezzo americana, mezzo colombiana Kali Uchis chamou a amiga bombator SZA para fazer com ela uma nova versão para a música “Fue Mejor”, que está diferente em seu mais recente disco, o segundo e pandêmico “Sin Miedo (del Amor y Otros Demonios)”, lançado no fim do ano passado. A prática tem sido comum em artistas que soltaram discos com o mundo paradão por causa da covid-19 e, agora que os shows estão voltando, querem dar uma reativada-relembrada nos lançamentos, sem ter que produzir algo novo para já. Essa nova roupagem (termo certo) para “Fue Mejor” traz a primeira vez que a cantora SZA manda um espanhol. “É um R&B latino, é SZA cantando em espanhol, este é “O” momento”, diz Kali Uchis. Não dá para não concordar. Acompanha um vídeo-drama à altura das divas.

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* CENA – A cantora chic paulistana Lia Paris, que uma hora pode estar gravando um disco na Itália e no dia seguinte sonorizando uma exposição na Islândia acaba de lançar um novo single, chamado “Five Star”, lindão. O negócio é que nada da Lia (da foto na chamada da home da Popload, em clic de Ali Karakas) vem assim, como um mero lançamento. “Five Star” vai ter uma série de NFTs, o certificado original tecnológico, à venda na primeira plataforma de NFT de música da França. Manja NFT, né? Já leu quantas vezes o exemplo da Mona Lisa? A estréia de Lia na plataforma francesa será através de um leilão de 48 de uma peça única (unique) e uma série de dez NFTs (legendary) de “First Star”, com valores acessíveis para dar mais possibilidades aos fãs compradores, que querem se sentir donos da obra original. “First Star” puxa uma fila de músicas de pegada intimista, supernovas ou não, que Lia Paris vai lançar nos próximos meses.

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* CENA – Adepta de lançamentos abundantes, a inquieta cantora multiinstrumentista Giovanna Moraes revelou nesta semana mais um single em parceria, trazendo como convidadas Natália Noronha (que era da banda potiguar Plutão Já Foi Planeta) e Cris Botarelli (do Far From Alaska, outro nome de destaque da cena de Natal, RN). A música se chama “O Escape É Seu Olhar” e carrega num “lado B” a indie “Driving Me Insane”, em que a guitarra esperta não fica obliterada pela voz de nuances de Giovanna. Voltando ao “lado A”, a do trio feminino, “O Escape É Seu Olhar” tem ainda um vídeo-conceito bem molhado e acorrentado, trazido pela maré numa tarde nublada. O escape é seu olhar. Então olhe:

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* A onipresente Billie Eilish vai ser ouvida nos cinemas a partir de hoje, de modo cavalar. Estreia no mundo todo o filme “Sem Tempo para Morrer”, o novo 007, para o qual Billie e seu brother Finneas compuseram a música tema, que vai embalar o famoso letreiro, que marca ainda a despedida de Daniel Craig no papel de James Bond. Enfim, Billie Eilish tem tocado em muitos festivais e eventos, nestes dias. Tudo no Youtube, pelo menos em parte. Para citar dois eventos parrudos, Billie se apresentou no Life Is Beautiful Festival, em Las Vegas, no último dia 19 e no nova-iorquino Governors Ball, no final de semana passada. Ambos os shows baseados no mais recente álbum de Billie Eilish, o ótimo “Happier than Ever”, lançado no final de julho. Trazemos o show todo do Life Is Beautiful e a performance de Billie para “Happier than Ever”, a faixa-título do disco, em Nova York. Não nessa ordem.

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Top 50 da CENA – Bebé, 17, vai ao topo do Top. Nelson D e Marina Sena, cada qual com sua geografia, completam o pódio

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* Corpo, religião, imaginação, várias coisas que estão por aí são território de liberdade. Ou eram para ser, já que muitos usam sua potência para construir prisões. Nesta semana, reparamos que várias músicas pedem, a seu modo, liberdade.
“Me Toca” é um convite à liberdade do corpo, do prazer. “Ogunté” é um elogio à liberdade da espiritualidade que respeita as outras espiritualidades.
Nelson D em “Toy Boy” apresenta uma música que deixa o ouvinte livre para se permitir, imaginar, passear em sua criação.

Isso para ficar em três exemplos. Quando a gente repara em Bebé, por exemplo, vê que ela se liberta como criadora e compositora em seu primeiro álbum. Sebastianismos desabafa sobre a prisão de se medir pelo outros. E assim vai. A gente, que existe para defender a CENA por aqui, acha que este é um capítulo para sublimar a música brasileira que canta sobre temas muito relevantes com letras boas e musicalidade bonita de tão diversificada, plural, global. Chega na playlist, que ilustramos lindo todo esse papo, como sempre.

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1 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (Estreia)
Com larga experiência musical em apenas 17 anos de idade, Bebé Salvego apresenta em sua estreia em álbum uma originalidade e criatividade impressionantes. Entre as melhores músicas do disco, se destaca esta que ela escreveu, tocou e produziu praticamente sozinha, muito por incentivo dos seus produtores, entre eles Sérgio Machado, um dos melhores bateristas da CENA e que um dos trabalhos do álbum foi transformar Bebé em compositora. Veio dele o desafio de que ela fizesse um som sozinha de tudo. Olha, capaz que Bebé aposente todos os produtores no álbum seguinte. Brincadeira à parte, a mina de Piracicaba arrebenta.

2 – Nelson D – “Toy Boy”
O artista electroindígena Nelson D vai muito bem em seu segundo álbum, “Anga” (“Alma”, em nheengatú). Em “Toy Boy”, por exemplo, ele mostra todo seu conhecimento de música eletrônica e desenvolve uma longa e hipnotizante faixa. Como ele gosta de dizer: “A parte instrumental de muitas das minhas músicas são uma tentativa de criar uma trilha musical para essa geografia pessoal”. E aqui impressiona que ele deixe um território tão livre para a nossa imaginação flutuar.

3 – Marina Sena – “Me Toca” (Estreia)
Por algum vacilo a gente já nao botou esta “Me Toca” aqui, em altos lugares. Mas ficamos vendo de longe esse hit da mineira Marina Sena, ex-Rosa Neon, abrir os caminhos para sua empolgante estreia solo, o disco “De Primeira”. De primeira, são vários potencias hits ali. Mas aproveitamos para fazer justiça ao primeiro enquanto já vemos alguns outros destaques surgindo (“Voltei Pra Mim” e “Pelejei” são superacertos e já estão cavando seus lugares no nosso ranking semanal).

4 – Majur – Ogunté (Estreia)
Nesta bonita música com participação de Luedji Luna, a também baiana Majur homenageia Ogunté, “que é o nome da minha Iemanjá”, ela explica. Uma canção que fala sobre acreditar em algo que te potencialize, te dê segurança e força. Majur comenta que a mensagem vale para qualquer expressão de espiritualidade – uma mensagem para tempos de tanta intolerância religiosa.

5 – Fresno – “12 Words 30000 Stones” (Estreia)
A Fresno está de projeto secreto. Aos poucos lança uma série de músicas sob o selo Inventário – o que isso significa ninguém sabe ainda. Tem gente até especulando que é um ensaio para o fim da banda – uma teoria exagerada a nosso ver. A primeira música da série tem participação de Cheadiak, Arthur Mutanen e Adieu e usa versos que Lucas Silveira tinha postado em versão demo no seu Instagram há meses. A segunda aproveita uma conhecida música da Fresno com participação de outros músicos, uma ideia meio remix – dando a entender que o projeto poderia ser uma junção de inéditas, remixes, sobras, que não vão se encaixar em um álbum tradicional da banda. Será que é isso?

6 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (1)
Quem tá ligado no mundo da moda já conhece as gêmeas paulistanas Tasha e Tracie há um tempo. Elas ficaram famosas pelo blog “Expensive Shit”, onde ensinavam a se vestir bem sem gastar muita grana. No blog, elas também davam seu show de conhecimento com uma pesquisa sobre arte, cultura e som. Elas não rimavam quando apareceram pela primeira vez, mas eram do rap. Foi um toque do mestre racional Kl Jay que acertou esse detalhe. Ele as alertou que na cultura hip hop todos podem fazer a arte que quiserem. E elas resolverem investir nas rimas. E que belo investimento. Seu primeiro álbum, o recém-lançado “Diretoria”, é arrasador. E, no pique, são 22 minutos de ideia boa atrás de ideia boa. “Igual nós vocês quer viver/ Mas igual nós ‘cês não quer morrer”, “Nasci com a boca que elas compra”, “Pra ter o que você tem só precisa de um paicpague/ Pra fazer como eu faço; muita vivência de base”. São só alguns exemplos das boas linhas. A gente escolheu “Lui Lui” aqui no ranking, mas poderia ser qualquer um dos outros sons.

7 – Papangu – “Ave-Bala” (2)
Muito interessante o som metaleiro e progressivo dessa banda de João Pessoa, Paraíba. A gente que nem é tão versada nesse ramo sabe pelo menos reconhecer algo muito bem-feito – e tem um rolê conceitual muito bem construído ali, com referências à literatura brasileira, ao imaginário nordestino e ainda carrega um papo político sobre relações sociais e com a natureza que corre por fora da narrativa mais explícita da banda. Preste atenção nesses caras.

8 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (Estreia)
Neste desabafo, o “hombre” Sebastianismos se reúne com sua parceira de crime, um jeito romântico de falar da companheira Malfeitona, superartista e pior tatuadora do mundo. Rock desabafo é tendência.

9 – Giovanna Moraes – “Maluco Beleza” (Estreia)
Na difícil missão de encarar a obra de Raul Seixas não sendo o Raul, a multitarefas Giovanna Moraes e sua espertíssima banda dão conta de dar uma subvertida nos arranjos, tanto instrumental quanto vocal. Dá nuances novas e interessantes a um cara que foi papo-reto.

10 – Autoramas + Dead Fish – “Sem Tempo” (Estreia)
Mais uma parceria de Gabriel Thomaz e Rodrigo Lima do Dead Fish nos vocais. Desta vez a composição também é da dupla, que coloca o tempo em uma discussão com o próprio tempo – um debate daqueles em ritmo de hardcore.

11 – Isabel Lenza – “Eu Sou o Meu Lugar” (3)
12 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (4)
13 – Jade Baraldo – “Não Ama Nada” (5)
14 – Cadu Tenório – “Psycho Zaku” (6)
15 – 1LUM3 – “Lovecrime” (7)
16 – Letrux – “Isso Aqui É um Campo Minado” (8)
17 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (11)
18 – GIO – “Sangue Negro” (14)
19 – Tuyo – “Turvo” (15)
20 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (16)
21 – Priscilla Alcântara – “Tem Dias” (17)
22 – Macaco Bong – “Hacker de Sol” (18)
19 – Rodrigo Amarante – “Maré” (19)
20 – Tagore – “Capricorniana” (20)
21 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (21)
22 – Criolo – “Fellini” (22)
23 – Amaro Freitas – “Sankofa” (23)
24 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (22)
25 – Nill – “Singular” (23)
27 – Iara Rennó – “Ava Viva” (26)
28 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (28)
30 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (30)
31 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (31)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (33)
34 – Jadsa – “Mergulho” (34)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (36)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (37)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (38)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a Bebé.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

Popnotas – O novo crime da Lady Gaga. A imparável Giovanna Moraes, desta vez ao vivo. E o incrível bom comportamento do Shame

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– Lady Gaga, Jared Leto, Blondie na trilha, Adam Driver fazendo papel de estilista de moda, direção do fodão Ridley Scott e completando o elenco os espetaculares Al Pacino e Jeremy Irons. Ontem saiu o primeiro trailer oficial do aguardadíssimo filmaço “House of Gucci”, que estreia em novembro nos cinemas americanos. Baseado no livro “The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed by Sara Gay Forden”, o filme tem Lady Gaga como assassina e o Driver mitando na pele do famoso Maurizio Guggi, que comandava o império fashion da família. Sente o drama:

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CENA – Agilizada em seus lançamentos, a cantora multiinstrumentista paulistana Giovanna Moraes tira desta vez, de sua cartola de produções legais, um vídeo ao vivo gravado no BarraCo, na Barra Funda, em São Paulo, batizado de “Baita Momento Peculiar”. Porque, ao vivo em tempos de pandemia, é mesmo. A session vem com duas músicas de seu belo mais recente álbum, o “III”, de março deste ano: “Baile de Máscaras” e “Rosalía”. O “Baita Momento Peculiar” traz também três inéditas: “Poucas”, “Espaço” e “It’s Not Fair/Injusta”, está última, oasisiana, já nascendo clássica. Destaque aqui, além das músicas de Giovanna, para duas coisas: o visual produzido para a session dentro deste espaço/galpões de SP e a edição esperta do vídeo da própria cantora faz-tudo. Três coisas, na verdade. Vale salientar ainda a banda que acompanha Giovanna como fiéis escudeiros. São Thommy Tannus e Lucas Trentin nas guitarras, Pedro Dona no Baixo, e o excelente baterista Renato Lellis. Quando o mundo se abrir, ver essa galera ao vivo de uma forma mais… viva, vai ser bacana.

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– Você é uma pessoa preparada para ver a banda punk inglesa Shame comportadinha? Então toma uma session na Tiny Desk com eles, de três músicas, todas elas do esperto último disco deles, “Drunk Tank Pink”, lançado lááá em janeiro. O vocalista malucaço Charlie Steen sentado, de terno, gravata e chapeu, com a banda fazendo um som menos feroz e mais matemático, na linha Black Coutry, New Road e Black Midi. Olha, curtimos.

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Top 50 da CENA – Um piano tira a Pabllo do nosso topo. Amaro Freitas lidera, seguido pelo MC Rodrigo Brandão. Mas o terceirão é dela, sim

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* Na semana passada nosso primeiro lugar foi talvez um dos trabalhos mais pop da nossa história, né, Pabllo? Nesta semana aqui, jazz e música de improviso fazem um dobradinha no topo da nossa lista. É o universo reequilibrando as coisas. Pode reclamar, a gente esquece muita coisa, não dá conta de outras, mas não damos margem para dizerem que nós não tentamos escutar um pouco de tudo de lindo que é feito neste país hoje em dia na música, para criar nossa radiografia do que acontece de melhor por aí, hein? Dito isso, toma esta!

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1 – Amaro Freitas – “Sankofa” (Estreia)
Quem lê sempre nosso Top 50 já reparou que a gente ama quando o próprio músico traz palavras inspiradas sobre o que pensou para a canção em destaque. Parece um passo lógico, mas não é todo mundo que se arrisca a pelo menos traçar uma linha sobre o que acabou de entregar. O Amaro Freitas, pianista de Recife, por sua vez, escreveu bastante e bem sobre sua proposta no álbum “Sankofa” e a gente pirou na ideia: “Trabalhei para tentar entender meus ancestrais, meu lugar, minha história, como homem negro. O Brasil não nos disse a verdade sobre o Brasil”. A expressão “sankofa” é justamente sobre esse tipo de processo, visitar o passado para possibilitar novas compreensões e futuros. Uma busca, que como revela Amaro, apresenta as inconsistências do que temos em nossas mãos atualmente. Muita coisa foi contada errado, muita coisa foi apagada e isso é um dos motivos de termos problemas de imaginar futuros novos. Sem dúvida, um mundo trilhado por esse álbum de Amaro não dá chance para fascistas, por exemplo. Essa é a energia aqui.

2 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (Estreia)
Quem já viu uma sessão de improviso do Rodrigo Brandão sabe a força que reside ali. Força de inspiração e criação afiada de um dos principais MCs da música brasileira faz tempo. Seu segundo trabalho solo é mais uma experimentação nesse sentido de composição em tempo real tocada por Marshall Allen, líder da Sun Ra Arkestra, com participação de um timaço de músicos nacionais (Tulipa Ruiz e Juçara Marçal, os saxofonistas Thiago França e Thomas Rohrer, o percussionista Paulo Santos (Uakti) e mais um par de integrantes do Hurtmold, Guilherme Granado e Marcos Gerez), além de três membros da Sun Ra (Knoell Scott, o brasileiro Elson Nascimento, e Danny Ray Thompson). Este álbum foi gravado em 2019, mas chega agora em 2021. Aguardemos.

3 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (1)
Ao optar em reler clássicos do tecnobrega e do forró que foram a trilha de sua adolescência em um contexto que respeita os gêneros e ainda absorve elementos da música pop atual, Pabllo enriquece sua já boa mistura e aproxima seu trabalho das experiências de hyperpop tocadas por artistas como Sophie e Charlie XCX. É uma inversão inteligente do senso comum que ronda o pop nacional. Em vez de deixar o pop mundial informar a música brasileira, aqui a música brasileira informa o pop do planeta. Não é um movimento simples, não. O Primavera Sound vai ver só.

4 – 2DE1 – “Emersão” (2)
Emersão, segundo um dicionário online, é tanto o movimento de um corpo que sai de um fluido no qual estava mergulhado quanto a reaparição de um astro que eclipsara. Significativo que esse seja o som de uma retomada após um relativo silêncio. E, bom, basta reparar na letra para sacar que a intenção dos gêmeos Fernando e Felipe Soares passa por uma aceitação de si mesmo e de assumir uma luta para alterar os aspectos que estão danificando o universo ao redor.

5 – Marisa Monte – “Totalmente Seu” (Estreia)
Em seu belo novo trabalho, Marisa escolheu uma coleção de velhas e novas parcerias. Ao lado de figuras batidas, como Nando Reis e Arnaldo Antunes, aparecem agora nomes como Chico Brown, Marcelo Camelo e os irmãos Silva, Lucas e Lúcio. Conectado com a obra de Marisa em uma esfera bem próxima (Silva dedicou um disco às canções dela), parece lógico que a parceria Silva/Marisa soe tão bem e seja a música que mais chame a atenção em uma primeira edição. “Totalmente Seu” é nível hit da Marisa que pode tocar por um ano, fácil fácil, em rádios e novelas.

6 – Letrux – “I’m Trying to Quit” (Estreia)
Vício é foda. Bebida, cigarro, um relacionamento. Letrux acerta um monte em resgatar essa letra escrita em 2013 e que seguiu tão boa ao longo destes anos. Como ela bem escreveu, ali foi o começo do fim do mundo. Não? Pela promessa, esse single é a abertura de uma série de mais três lançamentos individuais.

7 – Giovanna Moraes – “Rosalía” (Estreia)
Parte do seu álbum mais recente, “III”, Giovanna resolveu expandir a música “Rosalía” em um single que reapresenta sua bela música acompanhada de uma versão demo e outra que é descontrução da própria canção, indo atingir com ela um outro gênero. Se entendemos bem, isso é o que costumávamos ter com um bom lançamento de single.

8 – Taco de Golfe – “Tratados de Obrigação” (Estreia)
A dupla sergipana Gabriel Galvão e Alexandre Damasceno segue a apresentação da piração que veremos em seu álbum “Memorandos”. Que a gente, não sei se eles repararam, adivinhou o nome por aqui quando achou uma mensagem cifrada em morse no Bandcamp da banda. Ninguém valoriza nossos momentos de Sherlock?

9 – Nill – “Singular” (3)
Participação da Ana Frango Elétrico, sample do Paramore. Que som que o Nill lançou aqui para abordar as questões e inseguranças de dentro da sua mente. E a faixa é tão curtinha que pede por uns três replays a cada escutada.

10 – Ana Frango Elétrico – “Promessas e Previsões” (4)
E, por falar na Ana, um elogio a ela aqui por soltar um vídeo para um som seu do “distante” 2019. Esse jeito de trabalhar um álbum em slow motion é um ajuda e tanto para nós, jornalista, sobrecarregados por tanta coisa a escutar. Mirem-se no exemplo.

11 – Mineiros da Lua – “Armadilha” (5)
12 – Iara Rennóo – “Ava Viva” (6)
13 – Bonifrate – “Cara de Pano” (7)
14 – Isabel Lenza – “Tudo Que Você Não Vê” (8)
15 – Romulo Fróes – “Baby Infeliz” (9)
16 – Nelson D – “Algo Em Processo” (10)
17 – Ella from the Sea – “Lonely” (11)
18 – Linn da Quebrada – “I Míssil” (12)
19 – GIO – “Joias” (13)
20 – BNegão feat. Paulão King – “Cérebros Atômicos” (14)
21 – Rodrigo Amarante – “I Can’t Wait” (15)
22 – ATR – “Corazón (Badsista Remix)” (16)
23 – Bonifrate – “Casiopeia” (17)
24 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (18)
25 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (19)
26 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (20)
27 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (21)
28 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (22)
29 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (23)
30 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (24)
31 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (25)
32 – Supervão – “Amiga Online” (26)
33 – Jonathan Ferr – “Amor” (28)
34 – Jadsa – “Mergulho” (29)
35 – Mulungu – “A Boiar” (30)
36 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (31)
37 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (32)
38 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (33)
39 – Zé Manoel – “Como?” (35)
40 – Yung Buda – “Digimon” (40)
41 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (41)
42 – FEBEM – “Crime” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (46)
47 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (47)
48 – Mbé – “Aos Meus” (48)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (49)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, o pianista pernambucano Amaro Freitas.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

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CENA – Giovanna Moraes resgata o sentido de single legal com a boa “Rosalia”, seu novo… single

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* Outra das espertas músicas de seu terceiro álbum, o “III”, lançado em março, “Rosalia”, esse quase-reggae, quase-pop, quase-MPB que triunfa em todas essas vertentes quando somadas, acaba de ser lançada em single rechonchudo.

Aqui cabe um adendo. Giovanna Moraes, a dona da música e do vídeo e da produção de tudo está com a excelente mania de resgatar o incrível conceito de single que era comum até os anos 2000 e foi se perdendo até virar um “mero” lançamento de single-vídeo em plataforma de streaming. Não que ela não faça uso dessa prática. Mas acredita que, quando destaca uma das músicas de seu álbum, inédita ou não, tem mais a oferecer. Como o velho “lado B”, um outtake, uma versão ao vivo, uma transformação qualquer. Além do single em si e do vídeo em si (este uma inspirada versão pandêmica para algo na linha “dancing with myself”).

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Mas então temos “Rosalia”, o s-i-n-g-l-e, que traz a versão do álbum mexidinha, com o selo “remasterizada”; temos “Rosalia” demo, rascunhada ao piano, tipo um manking-of da música; e temos “Rrrosalia”, uma faixa-extra que aprofunda escancarando a vocação da canção, que como referido lá em cima é um quase-reggae gostoso. Mas levada ao reggaeton, trazendo uma explicação de quem é a Rosalia, que não é a cantora (“Mas poderia ser. Eu gosto dela”).

Sem falar numa piada interna que é a intro oferecida antes das versões toda de “Rosalia”, que revela sua rotina, a de parar um pouco de criar suas canções para levar a cachorra para passear.

Isto é um single. Tem até capa artsy (imagem acima) trabalhada para além do quadradinho do Spotify. Só faltaram o CDzinho e o vinil de 12 polegadas. Mas calma.

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