Em girl in red:

Falando em amor (mais ou menos), a Girl in Red fez uma música para aquela “stupid bitch”

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* Enquanto a Celeste, 26, proclama que o amor está de volta, a mais novinha ainda Girl in Red vai ao confronto mesmo, porque anda pistola com “relacionamentos complicados”. Nessa, ela libera seu mais novo single sobre isso: a deliciosa “You Stupid Bitch”.

A música vai estar em seu aguardaaaado disco de estreia, que sai no próximo dia 30, “if i could make it go quiet”, tudo nas minúsculas, como reza a cartilha da norueguesa Marie Ulven, a garota de vermelho, que na órbita de sua construção musical giram principalmente meninas que curtem meninas e galera que busca paralelos, ainda que na música, para aliviar problemas de mental health.

“You Stupid Beach”, assim como o último single, a ótima “Serotonin”, vêm no embalo indie-rock que parece até som inglês. Longe de ser melosa, lamuriosa. Traz o gás que parece ser a real de Girl in Red, para além do que projetam em sua música “de menininha”, principalmente pelo séquito especial de fãs que a perseguem. Jogando isso tudo para o alto, “You Stupid Bitch” vai ao rock “puro” mais do que costuma ir Lorde e Billie Eilish, a quem costumam associar sua existência.

“É um recado direto mesmo, uma faixa bem direcionada”, diz Marie, sem revelar o “alvo” desta “You Stupid Beach”. “A essência dessa música é que eu sempre estive por você, queria estar com você, mas você só queria zoar por aí com outras pessoas. E sempre acabava mal.”

Isso traduzido em música deu nisto aqui:

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Girl in Red, tal qual Billie Eilish, já tem seu documentário. Do seu tamanho

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* Uma das coisas que os fãs mais reclamam no bedroom pop é que os protagonistas dificilmente saem do quarto e não tem histórias boas para contar. Ou qualquer história para contar.

Mas a talentosa Marie Ulven, a garota por trás do fenômeno Girl in Red, sem querer comparar mas já comparando uma espécie de “Billie Eilish europeia”, resolveu facilitar a vida de seus adoradores, principalmente adoradoras. Por tudo o que ela representa. Inclusive com sua música.

A despeito de ainda ter 22 anos e portanto e naturalmente não ter uma vida cinematográfica cheia, Ulven fez um documentário de 11 minutos bem simpático explicando o gelo onde nasceu e vive e pode ter influenciado na música que faz. Aproveitou para mostrar a mãe, o amiguinho alma-gêmea, o cachorro. Falou da carreira, tour, da questão forte de mental health, de sua homossexualidade. Sempre com bastante consciência do que quer ou escolheu ou foi levada a ser. Tem uma alma firme ali dentro da Girl in Red.

O doc., uma ação em conjunta com o Spotify, é uma tentativa de ampliar a empatia geral sobre ela, porque além da música boa a garota tem uma personalidade muito forte que deve pautar o assunto pop nos próximos meses, principalmente porque agora no fim de abril sai seu álbum de estreia, “If I Could Make It Go Quiet”. Ulven, que já saiu do armário e tem muito a falar/apoia/espelhar para menininhas sobre isso, também saiu do quarto, agora. Girl in Red definitivamente está de saída para o estrelato.

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POPLOAD NOW: 3 covers lindas e novas para você ouvir agora, envolvendo girl in red, Dry Cleaning e Tune-Yards

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GIRL IN RED
A nova musa indie-jovem norueguesa (foto na home) nos surpreendeu nesta tarde com uma cover do big star americano The Weeknd, feita para uma session da rádio/site escandinava NRK P3 (seria tipo uma Popload nórdica? hmmm a gente não entendeu muito bem).

A música escolhida foi “Save Your Tears”, aquela em que o cantor canadense aparecia com a cara meio esquisitona no vídeo/apresentações ao vivo. Aqui, ganhou uma versão pop-punk mais animada.

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DRY CLEANING + TUNE-YARDS

Por aqui na redação estamos in love com a banda inglesa Dry Cleaning, que contamos sobre há alguns dias.

O grupo art-punk fez uma versão de “Oblivion”, da Grimes, aka mãe do herdeire da Tesla X Æ A-Xii (risos). Mas do seu jeitinho, sem synths ou auto-tunes.

A versão faz parte de um compilado de covers chamado “Bills & Aches & Blues”, em comemoração aos 40 anos do especialíssimo selo britânico 4AD, o que nos leva a mais covers legais dos artistas que fazem parte dela, que incluem The Breeders, Tune-Yards, U.S. Girls e Future Islands, entre outros.

A coleção completa estará disponível via streaming dia 2 de abril. Mas, até lá, toda semana tem lançamento de alguma versão que fará parte deste álbum comemorativo.

Abaixo, você confere a cover do Dry Cleaning de Grimes e também a versão doidinha do duo americano Tune-Yards para a clássica e inesquecível e espetacular “Cannonball”, do Breeders.

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* Mais músicas do compilado da 4AD, aqui:

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* Esta seção da Popload é pensada e editada por Lúcio Ribeiro e Daniela Swidrak.

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Top 10 Gringo: Semana da mulher tem a St. Vincent em primeirão e a girl in red na cola. Bonito. Kings of Leon pede bom espaço e o Drake chega mansinho

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* Semaninha boa lá fora, no agito dos lançamentos musicais, com reflexo direto no nosso top 10 internacional. Tem a St. Vincent com promessa de discão, tem a promessa girl in red cada vez mais perto de se tornar fenômeno, um retorno e tanto (e inesperado) do Kings of Leon, entre outros auês sonoros. Um mundo pop mais agitado nos cantos onde a pandemia deixa a cada dia mais de ser uma realidade, privilégio deles, incompetência nossa. E la nave va.

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1 – St. Vincent – “Pay Your Way in Pain”
St. Vincent voltou. E voltou com tudo. Gemidos acompanhados de um piano antigo, um riff sintetizado junto de uma bateria analógica. Universos misturados em uma letra sobre o preço que pagamos em dor e vergonha da nossa existência atual. Ou como explicou melhor à revista inglesa NME a própria Annie Clark: “É também sobre como não há nada que eu tenha feito na minha vida que não envolva algum tipo de luta”.
2 – girl in red – “Serotonin”
Billie Eilish europeia ainda por explodir – ou uma nova Lorde talvez -, a norueguesa Girl in Red (ou girl in red, tudo em minúsculos, um jeito significativo da nova geração de se expressar…) promete com seu álbum de estreia “if i could make it go quiet” (as minúsculas…). “Serotonin”, seu novo single, começa superindie nas guitarras e entra num quase hip hop pop (hip pop) e recebe a volta das guitarras às vezes. E tem “A LETRA” para o movimento indie-mental health que assola a música hoje, no Brasil e fora dele: “I’m burnin’ up on serotonin/ Chemical unbalance got me twisting things/ Stay blessed with medicine”. O que mais ou menos seria “Minha serotonina está bombando. O desequilíbrio químico me atrapalha toda. Fico plena com remédios”. Pesado. E leve depois dos remédios tomados.
3 – Kings of Leon – “Stormy Weather”
A gente está na turma que gostou do novo álbum do Kings of Leon. “When You See Yourself”, oitavo disco, recupera o fôlego perdido em alguns lançamentos qualquer-nota da banda nos últimos anos – onde andaram cada vez mais distantes do bom primeiro álbum e dos três seguintes que eram respeitáveis. Aqui as coisas funcionam bem. Temos boas guitarras, protagonistas, e uma bateria que vai da simplicidade de saber se fazer presente quando precisa. E um punhado de canções inspiradas, como o caso de “Stormy Weather”, que pede uma estrada, um rolê lá pelas quatro da manhã a procura de alguma coisa perdida que ninguém sabe ao certo o que é. Só quer ver se acha.
4 – No Rome, Charlie XCX e The 1975 – “Spinning”
Deu muita liga essa união entre o relativamente desconhecido No Rome e os gigantescos em popularidade (cada um na sua) Charlie XCX e The 1975. Daquelas canções que vão tocar infinitamente em qualquer rádio do mundo – das mais alternativas até as mais pops. Pegajosa demais. A Charlie comentou algo de supergrupo. A gente imagina que, se esse trio quiser lançar mais coisas juntos, não vamos reclamar.
5 – Drake – “What’s Next”
Talvez “What’s Next” não seja mais um hit nos portes que acostumamos a ver do Drake, mas é um bom som – até por ser um Drake mais rimador, um lado que de vez em quando ele deixa de lado demais e que ele sabe como poucos. E o refrão aceleradíssimo é um acerto e tanto: “I’m makin’ a change today”. Bora pro disco, Drakão.
6 – Amy Winehouse – “Valerie” (Live in London)
O disco ao vivo da Amy Winehouse que pintou nos streamings não é exatamente uma novidade – ele já rolava em DVD há um bom tempo e até em vinil. Mas ter uma acesso fácil a esse registro espetacular e no auge da Amy é algo que não dá para desprezar jamais. Um pouco antes do estouro mundial de “Back to Black”, ela está cantando tudo o que sabe, com o melhor repertório possível, banda afiada. Vale escutar todas, fomos de “Valerie” porque, além de ser maravilhosa (e na real ser uma cover do estupendo The Zutons), vale sacar a versão mais suingada que ela fazia ao vivo em relação à que está no álbum solo do Mark Ronson, o produtor-magia.
7 – Nick Cave – “Carnage”
Nick Cave em um trabalho escrito e gravado durante a pandemia, com o parceiro de tantas Warren Ellis, que começa com os versos: “There are some people trying to find out who/There are some people trying to find out why/There are some people who aren’t trying to find anything/But that kingdom in the sky”. Cave trabalha em outro patamar, como a gente gosta de dizer aqui no Brasil. E mais uma semana dele aqui no Top 10 porque, no nosso ritmo de trabalho frenético, é preciso de muito mais do que o tempo do mundo pop para sacar um Nick Cave.
8 – Julien Baker – “Faith Healer”
A expectativa boa que tínhamos quanto ao álbum de banda da Julien Baker se cumpriu. Que discão da cantora e multiinstrumentista. Nossa favorita segue, no entanto, uma que já conhecíamos enquanto single. “Faith Healer” é um tratado sobre vícios que vai além do problema do vício em drogas e avança sobre a questão do escapismo, que alguns encontram na política, na religião. Formas de lidar com a dor que talvez evitem a cura da própria quando confiamos em pessoas não muito bem intencionadas. Um musicão que prima na dinâmica, uma habilidade que já existia na obra de guitarra e voz de Julien, mas que está amplificada agora que ela é acompanhada por uma banda que pode dar mais corpo a suas ideias.
9 – Wolf Alice – “The Last Man on Earth”
Que bom é termos de volta o Wolf Alice. A banda inglesa da Ellie Rowsell chegou ainda quieta, quase, com este single, para anunciar que vem aí o terceiro álbum. “Blue Weekend” vai ser lançado no dia 11 de junho e já estamos reservando alguns lugares por aqui para suas canções, neste humilde ranking. “The Last Man on Earth”, a música, tem sequência dramática até entrar numa sinfonia à lá Beatles no final. E vale sacar o vídeo da música, simples na ideia e execução, mas ainda assim maravilhoso.
10 – Tigercub – “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)”
Banda inglesa de Brighton que sempre parece que vai “acontecer” mas não deslancha, a Tigercub tem a chance de decolar agora com seu segundo álbum. Para puxar “As Blue as Indigo”, o disco, a ótima “Stop Beating on My Heart (Like a Bass Drum)” até começa meio Alt-J brincando com os silêncios, mas depois descamba num Muse heavy metal bem bom.

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* A imagem que ilustra este post é da cantora e guitarrista St. Vincent.
** Repare na playlist. A gente inclui as 10 mais da semana, ou quase isso, mas sempre deixa todas as músicas das semanas anteriores. Pensa no panorama que isso vai dar conforme o ano for seguindo…
*** Este ranking é formulado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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girl in red lança música nova, “Serotonin”, para entender que porra que está acontecendo com ela. Álbum de estreia chega em abril

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* Billie Eilish europeia ainda por explodir, a norueguesa Girl in Red (ou girl in red, tudo em minúsculos, um jeito significativo da nova geração de se expressar…) anunciou agora há pouco, FINALMENTE, que seu álbum de estreia vai se chamar “if i could make it go quiet” (as minúsculas…) e sai no dia 30 de abril.

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Esse anúncio tem uma dimensão gigante na música pop, pendendo ao lado independente. A gente não cansa de dizer aqui que Marie Ulven, 21 anos, a garota de vermelho, é porta-voz de um exército de meninas que gostam de meninas e um dos pilares musicais muito importante para superação ou alívio de depressão de fãs, a partir dos problemas de saúde mental dela mesmo. O tal indie-mental health, você sabe.

Na barca da notícia do aguardadíssimo primeiro álbum ela lançou mais um single do disco, a canção “Serotonin”, título sintomático para quem trata dos assuntos que trata através de sua música. Adivinha: o single é produzido por Finneas, o irmão-condutor da Billie Eilish.

A pegada de “Serotonin”, na reaaaaaaal, aproxima mais girl in red de Lorde do que de Billie Eilish, é só ouvir para entender de imediato. A americana parece agradar com seus hits construídos de e para um mundo particular próprio, interno. Lorde, e pelo jeito girl in red (é reparar neste e nos singles anteriores “two queens in a king sized bed”, “rue”, “midnight love) querem extravazar seus mundos, aparentemente.

“Serotonin”, que começa super indie nas guitarras e entra num quase hip hop pop (hip pop) e recebe a volta das guitarras às vezes, tem “A LETRA” para o movimento indie-mental health que assola a música hoje, no Brasil e fora dele: “I’m burnin’ up on serotonin/ Chemical unbalance got me twisting things/ Stay blessed with medicine”. O que mais ou menos seria “Minha serotonina está bombando. O desequilíbrio químico me atrapalha toda. Fico plena com remédios”.

Sobre o álbum, que sai em abril, Ulven comenta que ele “é uma tentativa de entender o que é ser humano; lidar com as partes mais assustadoras de mim mesma; viver com a dor de saber que sou apenas carne e osso; ter raiva, se sentir despedaçada e implacável e mesmo assim mostrar vulnerabilidade; estou botando um holofote sobre as partes mais obscuras de minha mente e deixando todo mundo entrar para ver; ‘if i could make it go quiet’ e minhas músicas são simplesmente eu tentando entender que porra que está acontecendo.”

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* As fotos de girl in red usadas para este post são de Jonathan Kise.

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