Em grammy:

Grammy: Billie Eilish, Lil Nas X, Silk Sonic, Olivia Rodrigo e as homenagens a Taylor Hawkins

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* Dos prêmios internacionais de música mais nhé que existem, o Grammy, que aconteceu ontem à noite em Las Vegas, EUA, depois do embaço pandêmico, foi aquela água de sempre. Mas, como a música pop mundial anda em boa fase, tem acontecido um movimento grande dentro e fora dela e sempre tem as performances para gerarem vídeos legais de Youtube, até no Grammy em edição caprichada tivemos bons momentos para viver, como o sketch da inglesa Dua Lipa e da americana Megan Thee Stallion (foto delas na chamada da home) vestindo o mesmo look para apresentar o prêmio de Melhor Artista Novo, vencido pela ex-Disney roqueirinha Olivia Rodrigo.

E, como não podia deixar de ser, o Grammy inflado de celebridades e sub-celebs foi marcado pela recente e chata morte do baterista Taylor Hawkins, do Foo Fighters, que na noite recebeu duas homenagens. A com edição de vídeo dedicado a ele, em si, e a de Billie Eilish. Em sua performance, a cantora-prodígio se apresentou com uma roupa que trazia Hawkins estampado nela.

Sobraram uns quiprocós políticos e umas premiações duvidosas, na noite em que foi “vencida”, digamos, pelo ótimo duo Silk Sonic (Bruno Mars e Anderson .Paak), que levou “Record of the Year” e “Song of the Year”, pela música “Leave the Door Open”. A “nossa” Marília Mendonça ganhou menção obituária (mas a Elza Soares não…). E, no fim, rolaram algumas das seguintes performances.

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SEMILOAD – Oba, domingo tem Grammy!!!!! Mas, antes, uma espinafradinha básica nesse prêmio zoado

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* Sempre odiei os xexelentos e arranjados prêmios Grammy, mas nunca quis gongar (muito) por aqui, para não me chamarem de mal-humorado e tals. Indie velha-guarda que não compreende o tamanho do pop dessa “distinta premiação” da indústria bajulando a própria indústria, atrasado e segregador e tudo mais. Mas aí a Dorinha Guerra, 22, achou de dar uma gongadinha rápida no evento que acontece domingo, em sua excelente newsletter semanal Semibreve, que eu corri para chamá-la no Whatsapp para desenvolver mais o tema: “Traz essa VERDADE para a Popload”. E aqui estamos.

Não sou que estou falando, ok? É a Dora!

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Como em todos os anos desde a primeira edição – mais de 60 anos atrás –, lá vem um domingo de Grammy. E, em como todos os últimos anos desde que descobrimos que a Academia adora ser machista e racista, você pode estar se perguntando: em 2021, vale a pena ver ou se importar com os Grammys?

Muita gente já decidiu que não. O Kendrick Lamar é uma dessas pessoas; Fiona Apple não quer ver os Grammys nem re-pintados de ouro (mesmo indicada!); o novo queridinho do clube anti-Grammy – e injustiçado do ano –, The Weeknd, concorda.

E esse foi realmente o vacilo da vez: quando “After Hours” – um dos melhores e mais relevantes álbuns do último ano – não ganha nem uma menção, algo de muito errado aconteceu. E olha que a Recording Academy tem categorias reservadas para os artistas negros, já que não gosta de conceder a eles, parece, as categorias principais; eles geralmente dão prêmios de Rap, Urban ou R&B para os negros e deixam por isso mesmo. Neste ano, não – até onde o Grammy sabe, The Weeknd simplesmente não existe. E até onde o The Weeknd sabe, o Grammy também faleceu.

Mas não é só Abel que anda falando mal por aí. Li que Zayn Malik sugeriu que “há corrupção nos bastidores da Academia”. Agradeço a sugestão, mas acho que é quase da mesma linha que sugerir que há algo de errado na mansão de 6 milhões do Flávio Bolsonaro: é óbvio. E eu vou além e ressalto que, assim como Flávio, a Academia sobra em babaquice – vide 2018, quando Neil Portnow (então presidente da Recording Academy) afirmou que a falta de mulheres no prêmio era porque “elas tinham que melhorar”. Essa aí é um clássico.

Captura de Tela 2021-03-12 às 11.27.03 AM

Mas, se existe algum motivo para ainda prestar atenção nos Grammys, talvez seja exatamente este: concorde você ou não com a definição de rock do prêmio, fato é que desta vez a categoria incluiu só mulheres – e os homens têm que melhorar. Por Phoebe Bridgers, Fiona, HAIM, Brittany Howard e Big Thief, o Grammy conseguiu alguma parcela mínima de acerto. E mais: conseguiu que um gênero estagnado como o rock parecesse interessante e “fresh” novamente. Um beijo para as responsáveis.

Outro motivo é o de sempre, mas que infelizmente ainda não vacilou: apesar de o prêmio geralmente ser longo e um pouco maçante, as performances sempre rendem alguma coisa. Foi o Grammy que combinou St. Vincent e Dua Lipa, Daft Punk e Stevie Wonder. Neste ano – em que essas apresentações ainda são o mais próximo que temos de um show –, tem BTS ocupando um espaço gigantesco na indústria americana; tem .Paak e Mars, tem Cardi e Megan. Ainda tem artista que joga o jogo, gente importante e talentosa, que acaba nos atraindo para o lado de lá da força. E, enquanto eles não boicotam a premiação, fica difícil para nós, reles mortais.

Então, se você quer ver tudo isso, vai lá assistir – com a mão na consciência. É aquele dilema de separar arte do artista, aplicado a um evento e uma premiação inteira; quando você detesta parte da instituição, mas valoriza alguma outra fração, fica ainda mais difícil. E a Recording Academy sabe disso.

E, para quem vai para a festinha na casa do The Weeknd para não ter que assistir, não se preocupe: os Grammys estão, sim, caminhando para a insignificância. Há muito tempo, eles já não são determinantes do que realmente foi bom – quando você compara as listas de “melhores da última década” com quem realmente venceu Grammys, vai ver que a conta não fecha (nem chega perto). Ironicamente, a própria Recording Academy se esforça para contribuir para o próprio fim. A galera deve estar tão intrincada na corrupção que não consegue se atualizar de verdade, homenagear quem merece.

O engraçado é que, depois de escândalos como o de Portnow, a Academia está há anos mudando categorias, trocando cargos sêniores, dizendo que se empenha. Todo ano, eles prometem que “agora vai”. Bom… não foi não. E convenhamos? Não vai mais.

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POPNOTAS, 5 de janeiro – O papo reto do Chico César, Pitchfork dá notão para o Playboi Carti e o Grammy indie foi adiado. E “Creep”

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* Vamos às notícias mais relevantes do dia.

“Todas as minhas canções são de cunho político-ideológico. Não me peça um absurdo desse, não me peça para silenciar, não me peça pra morrer calado. Não é por ‘eles’. É por mim, meu espírito pede isso. E está no comando. Respeite, ou saia. Não veja, não escute. Não tente controlar o vento. Não pense que a fúria da luta contra as opressões pode ser controlada. Eu sou parte dessa fúria. Não sou seu entretenimento, sou o fio da espada da história feito música no pescoço dos fascistas. E dos neutros. Não conte comigo para niná-lo. Não vim botar você pra dormir, aqui estou para acordar os dormentes.”

– As palavras aí de cima são do músico Chico César em resposta a um fã que pediu que ele seguisse com suas canções sem abordar questões políticas. Não é nem que o fã estava reclamando, foi só uma sugestão. Mas pra quê? A resposta de Chico, que já trocou uma ideia incrível com a gente em nossas lives, é uma aula sobre a força da arte e sua função real no mundo. No Twitter, alguém lembrou a letra do Belchior: “Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve/ Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve/ Sons, palavras são navalhas/ E eu não posso cantar como convém/ Sem querer ferir ninguém”. É isso mesmo. O Twitter caiu hoje por causa do “caso Chico”.

– Sucesso popular e de crítica: Comentamos ontem que o rapper Playboi Carti assumiu a liderança da lista de álbuns mais vendidos da Billboard. Agora ele levou um belo 8.3 da indie Pitchfork, enquanto a “Rolling Stone” deu quatro estrelas para “Whole Lotta Red”, o disco.

Sem celular: Flea deu uma bela entrevista sobre a vida, no jornal inglês “The Guardian”. Em uma reflexão sobre drogas, afirma que sua geração passou do ponto, mas que não esquenta com o que a atual anda aprontando. Sua preocupação maior é que computadores e celulares tenham eliminado nossa capacidade de viver no presente. Interessante. Acho que concordamos. Talvez. Sabe-se lá. Nesse papo, ele, conversando sobre seu livro de memórias lançado no ano passado, ainda contou que quem deu umas dicas sobre escrita para ele foi uma certa Patti Smith. “Acid for the Children” saiu no Brasil, inclusive.

– No limbo entre o Natal e Ano Novo, bate aquele tédio misturado ao empanturramento de comida. Não foi diferente para os Bacon Brothers, banda do ator Kevin Bacon, que atendeu a um chamado da natureza. Não aquele que você está pensando. No caso, dos seus cabritinhos. Segundo Bacon, os bichinhos pediram para ele tocar “Creep”, do Radiohead, mesmo ele não achando uma música muito apropriadamente alegre para a data. Em video postado por ele mesmo em suas redes sociais, o ator/cantor aparece bem à vontade, enquanto seus amiguinhos mastigam parte de sua roupa. Adorável.

– Grammy adiado: Não rola mais em janeiro a edição do prêmio americano que podia aumentar as glôrias de alguns dos nosso indies favoritos. Fontaines DC e Fiona Apple estavam na parada. A questão do adiamento, adivinha, é a Covid-19, que está firme e forte na Califórnia. A informação quente veio da “Rolling Stone” a partir de diversas fontes. Não é oficial ainda. Provavelmente a solução vai adiar o evento para março, de acordo com a revista.

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É oficial: Grammy vai se chamar Billie Eilish Awards a partir do ano que vem

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Fotos: AFP

Fotos: AFP

A chave da música pop hoje está nas mãos de Billie Eilish. Se há mais ou menos um anos estávamos aqui falando de praticamente uma adolescente que estava despontando na cena gringa, hoje ela é mais do que uma realidade. E com um disco só nas costas.

O Grammy 2020 consagrou a norte-americana, que levou nada menos que as quatro categorias principais do evento, algo que não ocorria desde 1981 com Christopher Cross, sendo apenas a segunda vez na história agora.

Billie, 18 anos, levou para casa os prêmios de Artista Revelação, Melhor Disco (com “When We All Fall Asleep, Where Do We Go”), Melhor Música (com “Bad Guy”) e Melhor Álbum de Pop Vocal.

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“Sinto que meus fãs não foram mencionados o suficiente esta noite, porque eles são a única razão pela qual estamos aqui. Então muito obrigado aos fãs”, disse ela em um dos discursos, sempre acompanhada do seu brother e melhor amigo Finneas.

Ela ainda fez uma bela performance para When The Party’s Over, que ainda não está liberada em vídeo para além das fronteiras do país do Trump.

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Agora diretora de vídeos, Billie Eilish vai botar mais de 20 pessoas no palco do Grammy neste domingo

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A incrível Billie Eilish provavelmente vai causar no próximo domingo, em Los Angeles, quando será uma das principais estrelas do Grammy. Mas, antes, vamos falar da nova fase diretora de vídeos da garota que mal saiu da adolescência e conquistou o mundo.

Ontem, Billie soltou um vídeo bonito e com temática pesada para “everything i wanted”, canção lançada na versão relançada do discaço “When We All Fall Asleep, Where Do We Go?”.

O vídeo conta com a participação de seu irmão Finneas, que logo na abertura ganha uma dedicatória da cantora, que o descreve como “seu irmão e melhor amigo”, apontando que não importante o que aconteça “eles sempre apoiarão um ao outro”.

No vídeo, que aborda de forma direta temas como depressão e suicídio, Billie e Finneas seguem sem rumo em um carro, até que Eilish entra com o veículo no mar, dando fim à vida dos dois. Eita.

** Voltando ao Grammy. Maior fenômeno do pop hoje, Billie Eilish será uma das estrelas da premiação do Grammy, no próximo domingo, em Los Angeles, onde vai até fazer uma performance. Sua estilista Samantha Burkhart deu um spoiler nesta sexta ao dizer que a apresentação contará com nada menos que 24 pessoas no palco. “Eu não tenho vagas de estacionamento suficientes”, reclamou ela.

Billie fará sua estreia em palcos brasileiros no mês de maio, com shows em SP e Rio.

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