Em grouplove:

Cena indie pop de Los Angeles e Wilco (!!!) “participam” do filme “Cidades de Papel”

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* Eu sempre acho que garotas complicadas e música independente andam sempe juntas, para desespero dos rapazes indies, tadinhos. Mas veja o caso desse filme “Cidades de Papel”, “Paper Towns”, comédia dramática americana e adolescente que por algum motivo bizarro estreou ontem em cinemas brasileiros antes de chegar aos cinemas do resto do mundo. Nos EUA, para dar uma idéia, entra em cartaz apenas no dia 24.

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O filme é uma bem-contada história sobre o quanto pode sofrer um garoto nerd quando se apaixona pela menina mais bonita da escola, que acontece de ser bem… “diferente”.

Sim, é aquela trama “acredite nos seus sonhos”, “não espere ficar casar, ter filhos e virar careta para ter uma vida ‘feliz’ se você pode dar uma alopradinha agora e viver emocionantemente, sem arrependimentos futuros” que norteia a maioria dos filmes de teens encarando aquele draaaaama “trágico” da passagem para a adultecência. Mas esse “Paper Towns” tem coisas relevantes, principalmente porque é encharcado de música boa.

O filme, baseado no livro de sucesso do escritor herói dos teens John Green, tem como a “garota complicada” da história a boneca Cara Delenvingne, modelo e atriz de Londres que tem banda, já cantou até com o Pharrell Williams e acontece de ser a namorada da musa indie St. Vincent.

Por conta de conexões com símbolos da contracultura como o músico folk Woody Guthrie, que morreu nos anos 60, e o controverso poeta americano Walt Whitman, autor do famoso livro “Leaves of Grass”, editado no século 19 (1855), a personagem de Cara faz surgir no filme em uma cena, como “convidado especial”, um állbum indie-indie-indie como “Mermaid Avenue”, disco de 1998 composto pelo cantor folk-punk esquerdista inglês Billy Bragg e o grupo alt-country nada simples Wilco, nossos amigos.

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Pensa: um provável sucesso teen do cinema comercial americano atual metendo em sua trama um disco do Billy Bragg + Wilco de 1998.

No mais, “Cidades de Papel” tem trilha com Twin Shadow, The War on Drugs, Santigold, Vampire Weekend, Son Lux, e bomba a ceninha de indie pop da Califórnia com canções de HAIM, Grouplove, Saint Motel e a nova estrela desta galera, a Sam Bruno. Detalhe: o filme se passa na Florida e em Nova York (o Estado). Mas Hollywood se faz representar.

Filminho bom para os ouvidos.

Austrália: Laneway Festival, os "bares" dos "hotéis", Jagwar Ma e Yoko Ono

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* Popload em Sydney, Austrália.

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* Mal acabou de receber o gigante festival Big Day Out, com algumas bandas ainda na cidade fazendo shows solo ou sessions em rádios daqui (viu o Arcade Fire na Triple J?), a cidade de Sydney abriga no domingo o incrível Laneway Festival, evento com Lorde, Haim, Parquet Courts, Chvrches, Jamie XX, Jagwar Ma, King Krule e uma renca boa a mais. Vamos tentar ver lá, no domingo, o que acontece.

* Falando em Jagwar Ma, a ótima banda indie-dance psicodélico aqui de Sydney, que vai a SP e Rio para shows em março, lançou um vídeo oficial hoje para a malemolentemente incrível música “Uncertainty”, outro single de seu primeiro álbum, “Howlin'”, lançado no meio do ano passado. Vídeo style, música boa, banda esperta. Tudo certo para os lados do Jagwar Ma.

* Alguém tinha me dito que em Melbourne a galera vai bastante aos “bares de hotéis” e eu achei que era uma das muitas tendências da cidade, que tem a “cena do café”, “a cena do vinho”, “a cena da cerveja local” e outras cenas bem fortes acontecendo na energizada cidade “rival” de Sydney. Tipo em São Paulo ir ao bar do Fasano ou ao bar do Emiliano, mas num sentido, ou alcance, mais indie, digamos.
Daí que na frente do meu hotel aqui em Sydney tem um tal de Crown Hotel com um bar bombando todo dia. Sempre que eu passo, está cheio de gente. Nunca entrei nele, mas acho que vi que rola música ao vivo.
Dia destes saí com um amigo local e fui levado a um bar “de hotel” do tipo, numa outra região. Não me lembro o nome, mas me pareceu um pub puro e simples. E perguntei sobre onde era o hotel ali dentro daquele bar.
As leis da Austrália que envolvem comercialização de álcool são bastante rigorosas, aprendi. E que uma licença para abrir um bar custa uma fábula. Mas de uns anos para cá descobriram que abrir um hotel no país (que pode ter um espaço legalizado que venda álcool) é tipo um terço do preço de montar um bar.
Então quem quer abrir um bar abre um hotel. Com tipo dois quartos em algum canto, só para justificar a nomenclatura. E um bar gigante ocupando a grande parte do imóvel. Os quartos acabam fazendo sentido como “de hotel” porque algumas pessoas acabam exagerando na bebida e preferindo ficar por lá mesmo, reservando um aposento pós-álcool.
Pensa…
Se você quiser vir à Austrália, uma opção é se hospedar num bar. Parece que não é tão caro quanto um hotel “verdadeiro”.

* Tem uma música que toca direto por aqui que se chama “Big Love”, de uma cantora de Melbourne conhecida como Gossling. Ela parece que é rodada pelo indie australiano, mas soltou seu disco de estreia, “Harvest of Gold”, no fim do ano passado. Ouça esta “Big Love”, a canção bastante executada, e repare na voz de criança tipo Bjork do começo, tipo Feist, que a moça tem. “What are we made of, big or little love?”, pergunta a garota.

*** YOKO ONO NA AUSTRÁLIA – Como diria John Lennon, a senhora Yoko Ono, artista de vanguarda, cantora, pacifista e viúva do ex-beatle morto em 1980, é a mais famosa artista desconhecida do mundo. “Todo mundo sabe seu nome, mas ninguém sabe exatamente o que ela faz”, disse Lennon. Os australianos agora sabem bem.

Yoko Ono at her exhibition at the Museum of Contemporary Art

Ono, 80 anos e dançando Daft Punk por aí, exerce uma presença espiritual forte em Sydney, Austrália, porque ganhou uma grande exposição dos 50 anos de seu trabalho com arte de vanguarda no Museu de Arte Contemporânea local, que fica na bela baía onde está a imponente Opera House. Por boa parte da bonita região central de Sydney você vê bandeiras em postes anunciando a mostra “War Is Over! (If You Want It)”, grande exibição “participativa” que tem seu nome inspirado no famoso pôster que ela e John Lennon criaram e espalharam por Nova York em 1969 em uma ação artístico-publicitária, contra a guerra do Vietnã.

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O tom participativo da exposição de Yoko Ono na Austrália se dá porque o público é convidado a interagir ou experimentar boa parte das obras da artista, escrevendo cartazes, passando a mão num corpo recortado, achando um telefone num labirinto de espelhos. Você só é autorizado a pegar no telefone se ele tocar. Yoko Ono é a única pessoa que tem o número e às vezes liga para conversar com quem atender do outro lado. Não sou nada entendido em conceitos profundos de arte contemporânea, mas a exposição de Yoko Ono impressiona com sua capacidade de fazer pensar mesmo quando se está diante de uma obra tão simples, feita por exemplo com pratos quebrados. “War Is Over! (If You Want It)”, claro, tem algumas salas com filmes, pequenos documentários ou filmetes de arte em si, em que Lennon aparece bastante.

“War Is Over! (If You Want It)”, que faz muito barulho por aqui, deve ir na sequência para Londres e depois Nova York, pelo que eu li.

* Nesta sexta aqui em Sydney o grupo indie californiano Grouplove participou de um programa na rádio Triple J (sempre ela) chamado “Like a Version”, uma espécie de Popload Session (haha) em que a banda toca uma música própria e uma cover de alguém que quer. A canção própria que o Grouplove tocou foi da ótima “Waits to Go”, nova praga indie de rádios daqui e nos EUA. A cover escolhida pela banda foi, veja só, de uma música do Cage the Elephant: “Spiderhead”. Ficou bom. Ouça as duas músicas abaixo, com todo o papo que rolou na rádio, incluindo estrevistinha.


*** A Popload viaja pela Austrália a convite do Tourism Australia (Sydney) e Tourism Victoria (Melbourne)

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Popload nos EUA. Os Beatles nos EUA. E o que você vê, ouve e sente em "Her"

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* Popload quando em Los Angeles. A caminho da Austrália.

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* Que dia é hoje, haha! Melhor: que horas são?
A Popload já se encontra em Melbourne, cidade australiana que é uma espécie de São Paulo que deu certo. Ou mais certo. Ou menos errado.

O rolezinho ozzie do blog está sendo à convite do Tourism Victoria (Melbourne) e Tourism Australia (Sydney).

A viagem na verdade começou, ou teve um pit-stop de um dia, sexta-feira em Los Angeles, a terra dos sonhos, do “Californication”, das irmãs Haim. E nos EUA teve o seguinte:

The Beatles US Box Set

Há uma forte Beatlemania no ares americanos. Por causa das comemorações de 50 anos da invasão dos Beatles nos EUA. A maior banda de rock de todos os tempos, na época a maior da Inglaterra, chegou em um vôo da Pan Am no aeroporto em Nova York no dia 7 de fevereiro de 1964, algumas semanas depois do assassinato do presidente americano John F. Kennedy, com os EUA em profundo luto e assustado. Cerca de 4 mil pessoas “apenas” estavam no aeroporto esperando a banda. E 200 jornalistas. Dois dias depois eles tocariam ao vivo na TV americana, no “Ed Sullivan Show”, para uma audiência de 73 milhões de pessoas. E a história do rock sofreu forte abalo a partir disso.

As bancas de jornais e revistas têm Beatles por todos os lados. Tirando duas “Rolling Stone” e “Billboard”, até a “Life” publicou um especial “Paul”. O iTunes lança nesta terça o download de 13 discos dos Beatles que só saíram nos EUA, que vai do “Meet The Beatles!”, de 1964, ao “Hey Jude”, 1970. Esses álbums saem fisicamente numa caixa em vinil, também. Talvez eu a pegue, na volta da Austrália, em nova paradinha californiana, se tiver em vinil.

The Beatles US Albums Cover Artwork

Esta nova beatlemania terá ponto alto, ao que tudo indica, na festa de premiação do quaquá Grammy, que acontece exatamente no dia 9/2, com uma prometida homenagem aos 4 de Liverpool desbravando a América. Estão programadas coisas do tipo reunião dos vivos Paul McCartney e Ringo Starr e a volta do Eurythmics para exatamente tocar Beatles.

* HER – Arcade Fire bombando alto nas telas. Consegui ver num cinema de LA o filme “Her”, ficção-científica romântica ou algo do tipo do imaginativo Spike Jonze em que um escritor de cartas de amor, ele próprio um desgraçado no amor, se apaixona pela voz de um sistema operacional de um telefone celular. O ótimo Joaquim Phoenix é o cara, Scarlett Johansson empresta a voz à “secretária eletrônica do futuro”, numa Los Angeles não muito distante. A banda canadense fez a trilha sonora, que ainda tem momentos de Karen O., Breeders etc.
“Her” é um desses tocantes tratados de solidão assustadora que trouxeram grandes filmes aos cinemas nos últimos tempos, tipo “Gravidade” e “Azul É a Cor Mais Quente”, para ficar em dois casos.
É com “Azul” que, dentro deste tema, “Her” (ou “Ela”, como vai chamar no Brasil quando estrear em 14 de fevereiro) combina mais. Porque conta aquela velha historinha de amor que sempre existiu, do encontro do zero, do “getting to know you” deliciosamente crescendo e da separação sempre dolorosa.

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Mas Spike Jonze reconstrói a batida love story num futuro nada batido. As pessoas, ontem, hoje ou em 2094, vão estar sempre à procura do amor em qualquer forma dada, seja homem-mulher, dois homens, duas mulheres, homem-celular, homem-computador. O modo de contar essa história é que pode fazer a diferença, como Jonze fez nesse caso específico.
Um filme com Joaquim Phoenix fazendo cara de tadinho, Scarlett Johanson aparecendo de algum jeito, mesmo quando não está aparecendo de fato, e atrizes coadjuvantes como Rooney Mara, Amy Adams e Olivia Wilde turbinando a trama dificilmente daria um filme ruim. Com uma trilha dessas então, vira imperdível.
“Her” tem uma cena de sexo tão perturbadoramente “explícita” quanto o “Azul” francês. Porque a conexão também é perfeita. No caso do filme do Spike Jonze, a conexão referida é tipo 4G. Apenas. E ainda assim…

Ouça “Off You”, das Breeders, que está na trilha de “Her” e pode machucar os mais sensíveis, quando tocada no filme.

* Deve ter alguma explicação que eu não sei, mas uma música da bandinha indie algo hippie e californiana Grouplove está num spinning doido em três rádios rock de Los Angeles, pelo que eu notei ouvindo essas emissoras no carro que eu aluguei na cidade. Tipo tocando sem parar. Com aquela “Ways to Go”, primeiro single do segundo disco deles, de setembro do ano passado, que ganhou uma certa fama indie no meio do ano passado quando vieram com o vídeo de um ditadorzinho oriental como tema, tipo o da Coreia do Norte.
Mas agora em 2014 “Ways to Go” está “pegando” forte, mais do que quando foi lançada no ano passado. Deve estar em alguma propaganda de TV, sei lá. A música é assim:

Ainda hoje, ou amanhã cedo, voltamos com mais posts da viagem, fora os da “programação normal”.

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A música em "Girls" – the 90's bitch

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* Aqui estamos para fazer um spoil rápido do que acontece no episódio da semana em “Girls”, musicalmente falando, claro. Muita “mess” acontecendo, Hannah pega o metrô do Brooklyn para Manhattan para, bicudaça, cair numa balada quente do outro lado do rio e ficar trocando camisetas. Haha.

Duncan Sheik embala “cenas de arte” enquanto a rapper Eve e a dupla sueca Icona Pop e sua explosiva “I Love It” agitam a pista de dança. E, antes de o episódio acabar mais zoado do que começou, o delicinha Grouplove, de Los Angeles, toca na hora dos letreiros, para acabar tudo.

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Coachella, parte 2, dia 1 – Black Fucking Keys, Arctic Monkeys no calorzão, Pulp, a água, os vídeos

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* Popload em Indio, no deserto da Califórnia, no Vale do Coachella, terra entre as falhas geológicas de San Andreas e San Jacinto, onde, dizem, uma hora pode ter o terremoto que vai fazer Los Angeles (e a região) sumir do mapa. Toc toc toc.

* A Popload está no Coachella em parceria com o site “Vírgula”, que também recebe cobertura em texto/fotos/vídeos do festival.

* Ontem, entre as atrações principais do festival, estavam Black Keys, Pulp, Arctic Monkeys, M83 e a… água.

* Dia que entrou no top 5 dos mais quentes da história do Coachella Festival, ontem o calor batia nos 41º durante, por exemplo, o show da banda britânica James e, no outro palco, dos indie kids americanos do Neon Indian. Tim Booth, o vocalista do James, tocou sem camisa o show inteiro.
O Black Keys arrasou. Embora venha tocando em arenas nos últimos tempos, o do megaestrelato indie, a dupla de Ohio segurou de uma maneira até fácil a onda de tocar num palco do tamanho deste principal do Coachella, que não é mesmo para “iniciantes”. Coeso, brutal quando preciso, tranquilo às vezes para balancear, o duo (com uma banda de apoio por trás, no reforço) fez uso do ótimo telão (que falhou perto do fim), de globo disco gigante e contou com participação especial em uma música do cantor e guitarrista John Fogerty, do Creedence Clearwater Revival, numa homenagem para algum influente (para eles) músico recém-morto, que eu não consegui entender quem. Showzão.

Garotas tuitando na grama, esperando o show do Nirvana. Ops, acho que não é bem isso…

“Parceiros” do Black Keys na tour americana, a banda inglesa The Arctic Monkeys fez outro de seus costumeiros concertos lindos. Mais curto que no Lollapalooza BR, músicas bem escolhidas em seu já vaaaasto repertório, entre novas, muito novas e clássicos, Alex Turner de camiseta preta no sol (pelo menos não tava com a jaqueta de couro), uma guitarra em alta velocidade sem concessões. Foi mais ou menos isso de que constituiu o show dos garotos de Sheffield ontem, no lindo final de tarde do Coachella.
O indie pop teatral do Pulp, liderado no palco pelo contador de histórias Jarvis Cocker, é outro que faz muito sentido quando apresentado em começo de noite acalorada num festival paradisíaco como o Coachella. Óbvio que o showzão está ali, para seus olhos, mas é uma grande opção só ouvir Jarvis cantar (ou falar) quando se deita na grama e fica olhando para os balões coloridos enfeitando o céu da Califórnia.
Muito bom o WU LYF, banda indie britânica que tocou numa das tendas. Não combinava nada com o lugar e o momento, mas ainda assim o indie-drama deles se fez bonito no Coachella.
O Rapture foi lindo e dançante, como sempre. Desse não precisamos falar muito. O Grouplove, outro da linha indie pop de Los Angeles parente do Foster the People, também fez um show agradabilíssimo. A banda tem músicas bem boas para segurar o tranco em um festival destes. E a tenda estava lotada por um público bem atuante ali diante do Grouplove. Foi o momento perfeito na curta carreira da banda (“Sonho que virou realidade”, não cansavam de agradecer por estar ali) para exercer seu estilo neo hippie seja nas canções, nos pedidos de “Love” para o mundo ou na vocalista pintando um quadro enquanto a banda tocava. Fofos de um modo que o MGMT não consegue ser mais.
Peguei o grupo franco-espanhol-americano M83 nas últimas três, quatro músicas e estava intenso. No palco e na plateia. A banda electro-ambient de um homem só, o francês Anthony Gonzalez, estava com “ajudantes” no palco, fazendo do show mais um “ao vivo” que programado. Gonzalez tocando tudo o que dava, de bateria a guitarra a teclados. E ficando bem incomodado, pelo menos pareceu no discurso, que a tenda estava lotadaaaaaça porque todo mundo estava ali para ouvir só uma música, “Midnight City”. Quando tocou essa, quase no finalzinho, a tenda veio abaixo. Ele tem bastante razão.

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