Em gui borato:

Top 50 da CENA – Adivinha o primeiro lugar? Juçara Marçal de novo. Marina Sena cola em segundo. Criolo não sai mais do pódio. Nunca mais

1 - cenatopo19

* Parece que a turma da música brasileira respeitou o feriadão e pouca coisa apareceu por aí. Ou é a gente que quis um pouco de folga e relaxou? Fica a dúvida. Em todo caso, seria difícil alguém tirar o pódio dela, Juçara Marçal. Outra história que a gente conta nesta edição é das volta dos shows presenciais. Você já voltou a ver show por aí?

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1 – Juçara Marçal – “Ladra” (Estreia)
Mais uma vez Juçara no topo desta nossa listinha semanal. É que o disco da cantora carioca continua no nosso play diário e a gente vai tentando pegar mais coisas que estão ali num dos álbuns do ano. Mas o destaque, por ora, vai para “Ladra”, que vem muito para comentar mais uma vez o quanto a intérprete Juçara compõe e informa no seu canto. Ainda que melodia e letra sejam de Tulipa, é de Juçara a manha de conseguir apresentar um vocal que lembra bastante as coisas da Tulipa. Alguém desavisado pode até pensar: É a Tulipa? É e não é. Uma habilidade que Juçara chega a repetir com alguns compositores do disco, como Ogi e Tantão, com seu grave recriado através de efeitos. Terceira semana no topo do pódio. Você já deu a devida moral a “Delta Estácio Blues”? Por favor, hein.

2 – Marina Sena – “Pelejei” (Estreia)
“Pelejei” não é uma novidade da semana, mas a novidade é que Marina Sena por estes dias fez um show presencial – um dos primeiros que parte dessa dupla de autores foi em quase um ano e tanto de pandemia. E foi um bom show com uma boa vibe, ainda que em formação contida: base, guitarra e Marina. Mas a energia para cima do álbum está no palco. E vai ser umas começar a ver os discos do ano que não tiveram chance em um ambiente sonoro. Faz a diferença na experiência de sacar um álbum. Então vamos acabar trazendo coisa para o ranking. Ainda que não seja exatamente coisa nova.

3 – Criolo – “Cleane” (3)
Esta era a música que não devia ter existido. Criolo escreveu “Cleane” por conta da situação gerada pela pandemia. Em outras palavras, pela situação gerada por um governo que optou em deixar que a pandemia tocasse a destruição do país, com negacionismo. Não é suposição, está tudo documentado. A faixa leva o nome da irmã que o rapper perdeu para a covid-19. As informações coletadas pela CPI da covid-19 revelam o quanto da pandemia simplesmente poderia ter sido evitada e controlada. Não era para essa faixa ter sido composta, mas aqui estamos. E, como o Criolo escreveu, que o amor e a arte possam ressignificar estes anos. A pandemia não acabou e não deve acabar na nossa memória. Tem feat. do Tropkillaz, ainda. Pegou primeiro lugar semana passada. E pela segunda vez não rolou de tirar do pódio, pois gigante.

4 – Felipe S – “Violento Monumento” (Estreia)
O acerto de Felipe começa já no forte título que chama atenção. Difícil não lembrar os violentos monumentos pelas cidades, seja em nomes de avenidas ou em homenagens a facínoras. Nesta canção de seu novo álbum solo, “Espelho”, talvez Felipe esteja falando disso, mas também cantando sobre uma violência que escapa do sentido mais batido. Uma violência que está nas minúcias.

5 – Terno Rei e Samuel Rosa – “Resposta” (Estreia)
Das mais bonitas do repertório do Skank, a letra que Nando Reis fez após o término com Marisa Monte coube bem no jeitão do Terno Rei de conduzir música. Ou melhor: aquele “rock pra dormir”, como a gente descobriu no papo da banda como Samuel na live especial promovida pela Balaclava. Durma com uma “Resposta” dessa.

6 – Francisco, el Hombre – “Olha a Chuva” (3)
Quem achou o primeiro single do novo álbum da Francisco, El Hombre muito reflexivo e ficou com saudade de uma quebradeira da banda pode se preparar para dançar com este segundo single. A banda agita em uma parceira suingada com Dona Onete. Isso mesmo que você leu.

7 – Taxidermia – “Lava” (4)
Novo single do duo Taxidermia, formado por Jadsa e João Milet Meirelles, “Lava” é um som dedicado a Obaluaê, orixá da cura. Nesta canção, que tem participação do onipresente Kiko Dinucci na guitarra, a dupla ensaia seu segundo trabalho, após o EP Vol.1, lançado no ano passado. A gente viu por aí um papo sobre OUTROVOLUME. Será?

8 – The Baggios – “Barra Pesada” (5)
Para o novo álbum, a banda sergipana Baggios promete um tanto de Nordeste e um tanto de África. Neste quarto single que adianta o trabalho, a banda recebe as participações superespeciais de Cátia de França e Chico César em uma faixa que reflete a desigualdade que Julio, vocalista da banda, viu em Barra Grande, entre os trabalhadores locais e turistas.

9 – Felipe Cordeiro – “Flecha” (6)
O paraense Felipe Cordeiro chega bem neste single brincando com os amplos sentidos da palavra “Flecha”, que fere e informa. É um momento urgente no Brasil para a proteção da população nativa, da Amazônia e de nossa história. A “Flecha” de Felipe tenta nos reconectar com o que interessa.

10 – Rita Lee, Roberto de Carvalho e Gui Borato – “Change” (7)
Caramba, não imaginava que ia rolar uma emoção tão forte ao dar play em uma inédita da Rita após quase dez anos de silêncio da cantora musa eterna que estava aposentada dos palcos. Rita soa forte nesta canção em inglês e francês que vem muito inspirada em um recente projeto que remixou suas músicas para a pista. Ela e Roberto tiveram auxílio do DJ e produtor Gui Borato para ajudar a dar mais molho nas ideias eletrônicas da dupla. Ficou meio Chic, meio Daft Punk tentando ser Chic, mas na real é a Rita Lee Jones, nossa hitmaker de maior habilidade.

11 – Pedro Sá – “Maior” (8)
12 – Tagore – “Maya” (9)
13 – Bemti – “Quando o Sol Sumir” (10)
14 – Giovanna Moraes/ Natália Noronha/ Cris Botarelli – “O Escape É Seu Olhar” (11)
15 – Caetano Veloso – “Anjos Tronchos” (12)
16 – Marissol Mwaba – “Marte” (13)
17 – Prettos – “Oyá/Sorriso Negro” (14)
18 – Liniker – “Mel” (15)
19 – JOCA, Sain, Jonathan Ferr, BENO, Theo Zagrae – “Água Fresca” (16)
20 – Fresno e Jup do Bairro – “E Veja Só” (17)
21 – Luana Flores – “Lampejo da Encruza” (19)
22 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Fora do Meu Quarto” (21)
23 – Coruja BC1 – “Tarot” (22)
24 – Nelson D – “Toy Boy” (23)
25 – Rei Lacoste – “Tutorial de Como Ser Amador” (24)
26 – Valciãn Calixto – “Exu Não É Diabo (Èsù Is Not Satan)” (25)
27 – Bebé – “Sinais Elétricos na Carne” (26)
28 – Majur – Ogunté (28)
29 – Tasha e Tracie – “Lui Lui” (29)
30 – Papangu – “Ave-Bala” (30)
31 – Sebastianismos – “Se Nem Deus Agrada Todo Mundo Muito Menos Eu” (31)
32 – Guilherme Arantes – “A Desordem dos Templários” (32)
33 – GIO – “Sangue Negro” (33)
34 – Linn Da Quebrada – “I míssil” (34)
35 – Rodrigo Amarante – “Maré” (35)
36 – Amaro Freitas – “Sankofa” (36)
37 – Pabllo Vittar – “Não É Papel de Homem” (37)
38 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (38)
39 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (39)
40 – Jadsa – “Mergulho” (40)
41 – FEBEM – “Crime” (41)
42 – Rodrigo Brandão – “O Sol da Meia-Noite” (42)
43 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (43)
44 – Boogarins – “Supernova” (44)
45 – BaianaSystem – “Brasiliana” (45)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (46)
47 – Mbé – “Aos Meus” (47)
48 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
49 – LEALL – “Pedro Bala” (49)
50 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (50)

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* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a cantora Juçara Marçal.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix.

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