Em gustavo bertoni:

Popnotas – O talvez disco do James Blake. O EP final do Gustavo Bertoni. A música nova da SZA, só no Youtube. E a Janelle Monáe com os Obama

>>

– “Mamãe, eu fiz um álbum.” Sim, foi desse jeitão que o inglês James Blake anunciou no Instagram que está com novidades musicais prontas para lançar. E só! Nenhum detalhe de título, datas ou arte. Nada. Vai que ele nem lança, né? Blake revelou seu álbum mais recente em 2019, “Assume Form”, além de dois EP, um de covers e um de inéditas chamado “Before”. Solta logo, Jay!

CENA – Por falar em EP, quem está com um novo é o Gustavo Bertoni. A gente cobriu por aqui seus singles mais recentes, “Ricochet” e “Old Ghosts, New Skin”, que estão em “A More Translucent Haze”, disquinho que saiu há alguns dias trazendo ainda duas inéditas, “Moon Bath” e “River Dry”. Na concepção de Gustavo, esse EP é o epilogo de sua carreira solo até aqui, fora do Scalene, seu plano A – com ideias ainda do seu álbum solo mais recente, mas também com rascunhos do que podem ser seus próximos passos. A produção musical do EP é de Lucas Mayer em três sons, exceto “Old Ghosts”. que é assinada pelo Apeles.

– Em uma live no YouTube, a cantora SZA (foto na home) lançou uma nova música, que segue inédita nas plataformas de streaming. “Shirt” já rondava a cabeça dos fãs desde que a mossa soul-R&B do Missouri deu uma prévia deste som online. A SZA não lança um novo álbum desde 2017, ainda que tenha adiantando alguns singles no ano passado. Agora em 2021 ela apareceu em uma participação no álbum da Doja Cat e na trilha sonora do novo “Space Jam”. E também tem a promessa de que em breve sai um música dela dela com Kevin Parker, do Tame Impala, e o superprodutor Mark Ronson. Pensa…

– E outra que andava meio quieta, com uma coisinha aqui e ali só, é a cantora, rapper, atriz e produtora Janelle Monáe, que não lança álbum desde 2018, mas entre singles seus e músicas para trilhas sonoras vai movimentando o rolê. Seu single mais recente é “Power”, feito para para o soundtrack do filme da série “We The People”, da Netflix, que no Brasil vai sair com o nome de “Lições de Cidadania” e estreia neste domingo e tem na produção o casal Barack e Michelle Obama. Em um episódio, Janelle vai aparecer cantando.

TOP 50 da CENA – Bonifrate gesta um novo mundo e o topo do nosso ranking. Mallu Magalhães quer entrar nessa. Edgar se mantém no pódio

1 - cenatopo19

* Não que a gente ache que a culpa é nossa, mas tem semanas que parece que as músicas que são lançadas concordam absolutamente com tudo o que pensamos. Tanto de coisas mais gerais quanto de música, mesmo. Temas que gostamos são abordados, estruturas que apreciamos e desejos que estão na nossa mente. Será parte do nosso diálogo? Será que refinamos nosso radar? Não temos uma resposta ainda, mas algo acontece na música brasileira.

bonifratetop50quadrada

1 – Bonifrate – “Casiopeia” (Estreia)
Quem lê nossos textos por aqui já deve ter sentido que temos uma obsessão por imaginação. Encontrar músicos que estão pensando e produzindo um novo mundo. E não é que o carioca Bonifrate resolveu escrever uma música inteira que se baseia nesse assunto? Isso se aproveitando de uma ideia certeira que ex-Supercordas encontrou em uma entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano, “em que ele fala de um mundo em gestação dentro do mundo presente, e de como é um parto difícil, mas que há de acontecer”. Não bastasse a boa ideia, temos aqui um mergulho saudável em guitarras em profusão e um velho teclado Cassio que dá nome à música.

2 – Mallu Magalhães – “Pé de Elefante” (Estreia)
Ainda estamos absorvendo o novo álbum da Mallu, que saiu bem no dia em que preparamos este top 50. Mas parece bom o clima de bossa nova em estudo que percorre o disco, ainda que nunca soe datado. Como na divertida e leve “Pé de Elefante”, que ainda brinca com sons invertidos. E a gente tem certeza que já escutou a introdução desta música em algum lugar…

3 – Edgar – “A Procissão dos Clones” (1)
A excelente “A Procissão dos Clones” é interessante pelo ritmo que Edgar opta em jogar os versos, sem grandes variações melódicas, como um mantra só que sem a repetição de palavras – seria um antimantra? Por aqui Edgar despeja seu pedido para que resolvemos tomar alguma atitude frente à destruição de tudo que nos cerca. Vamos escolher uma cela maior ou destruir essa prisão?
“Um desastre ecológico
É a última opção
Pro ser humano perceber quão metódico
Virou a obsessão de expandir a sua jaula
Ao invés de fugir do zoológico
Não troque a sua cela
Por outra cela mais bonita”

4 – Tuyo – “Toda Vez Que Eu Chego em Casa” (2)
Seguimos apaixonados pelo disco da Tuyo e resolvemos destacar outra música. Semana passada foi “O Jeito É Ir Embora”. Nesta semana é a experimental “Toda Vez Que Eu Chego em Casa”, uma colaboração com o ótimo Jonathan Ferr que constrói uma longa e deliciosa track que passeia por simples dois versos. Sentimentos de aconchego e de um certo desnorteamento se encontram por aqui. Sabe aquele papo de “me perdi tentando me encontrar”?

5 – Giovanna Moraes – “Baile de Máscaras” (3)
“Baile de Máscaras” é uma das ótimas músicas do disco “III”, algo entre um EP e um álbum (miniálbum?) que a cantora e multiinstrumentista e atriz de vídeo e editora de vídeo lançou em março. Agora a canção surge em versão single com direito a uma música inédita e a versão instrumental, um jeito de oferecer um novo olhar complementar para a gravação. Retomada de proposta interessante para single, perdida nos tempos de streaming. Fora o vídeo, lindaço.

6 – Marcelo Perdido – “Que Bom” (Estreia)
Prévia do próximo álbum do Marcelo Perdido, este som é mais um da lista que celebra o Dia dos Namorados, mas acrescenta uma perspectiva LGBTQI+. A ideia que moveu Marcelo na composição foi reparar que em diversos filmes românticos que existem na nossa memória parece que vemos sempre o mesmo casal. Ele quis mudar um pouco esse repertório de amores no nosso imaginário. Uma ideia excelente.

7 – Gustavo Bertoni – “Old Ghost, New Skin” (Estreia)
E o senhor Gustavo segue em uma incansável sequência de excelentes singles de sua faceta solo, mais introspectiva e sempre em inglês. Por aqui, investiga um pós-pandemia onde as pessoas tentam buscar um pouco mais de liberdade, um bem que perdemos na pandemia e que agora sabemos o quanto importante é – mas não uma liberdade abstrata, sim a liberdade de ter um contanto melhor com nossos amigos, por exemplo. Sacou?

8 – Marina Sena – “Voltei pra Mim” (Estreia)
Marina Sena já tem um hit, que é “Me Toca”, e tenta mais um sucesso. Será? “Voltei pra Mim” tem como trunfo ser uma música que trata com leveza a questão dos términos. Uma raridade no mundo musical, convenhamos.

9 – Rincon Sapiência – “Meu Mundo” (Estreia)
Muito bom um som do Rincon pensando no Dia dos Namorados. Aqui ao lado do grande produtor de rap Devastoprod, ele pensa no amor de uma maneira muito particular. Nem melosa, nem irreal.

10/11 – CSS e Céu – “Hits Me Like a Rock” // “Rotação”
Duas celebrações aqui, nesta posição diferente do nosso ranking. A primeira é a notícia da retomada do CSS com disco novo e tudo, que desperta uns gatilhos. Resolvemos resgatar um som da banda. A segunda é a releitura que a Céu fez de suas músicas em pegada acústica. Também resolvemos resgatar uma desse resgate. Podemos assim?

12 – Supervão – “Amiga Online” (4)
13 – Djonga – “Easy Money” (5)
14 – Master San – “A #05 – Intergalatica” (6)
15 – CESRV – “Soundbwoy Champion” (7
16 – Taco de Golfe – “Pessoa Que Fala” (8)
17 – Jonathan Ferr – “Amor” (9)
18 – Jadsa – “Mergulho” (10)
19 – Mulungu – “A Boiar” (11)
20 – Jup do Bairro – “Sinfonia do Corpo” (12)
21 – Bonifrate – “Rei Lagarto” (13)
22 – GIO – “Nebulosa” (14)
23 – Lupe de Lupe – “Brasil Novo” (15)
24 – Bruna Mendez e June – “A Vida Segue, Né?” (18)
25 – Rodrigo Campos, Juçara Marçal e Gui Amabis – “Ladeira” (19)
26 – Zé Manoel – “Como?” (20)
27 – Os Amantes – “Linda” (21)
28 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (22)
29 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (23)
30 – Rodrigo Amarante – “Maré” (24)
31 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (26)
32 – Salma e Mac – “Amiga” (30)
33 – Yung Buda – “Digimon” (31)
34 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (32)
35 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (33)
36 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (34)
37 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (35)
38 – FEBEM – “Crime” (36)
39 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (37)
40 – Boogarins – “Supernova” (38)
41 – Moons – “Love Hurts” (39)
42 – BaianaSystem – “Brasiliana” (40)
43 – Jair Naves – “Vai” (42)
44 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (43)
45 – Yannick Hara – “Raça Humana” (44)
46 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (45)
47 – FBC – “Gameleira” (46)
48 – Mbé – “Aos Meus” (47)
49 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (48)
50 – LEALL – “Pedro Bala” (49)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do músico Bonifrate.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

CENA – Gustavo Bertoni vê luz dentro dele em música nova. E, fora, uma nova pele. Ouça “Old Ghosts, New Skin”

1 - cenatopo19

* Em produção non-stop do seu lado B, o cantor e instrumentista Gustavo Bertoni revelou hoje mais uma música nova, o single “Old Ghosts, New Skin”, com vídeo e o anúncio de que a canção faz parte do novo EP de Bertoni, “A More Translucent Haze”, a ser lançado em julho. Em 2020, ele sobrepôs sua trajetória musical no grupo Scalene com o caprichado “The Fine Line Between Loneliness and Solitude”, seu terceiro solo, lançado em agosto.

A costura com a CENA, desta vez, se dá não em dueto. Depois de em 2021 vir com um single com parceria com o Apeles e outro mais recente com a cantora Giovanna Moraes, Bertoni conta de novo com a colaboração do Eduardo Apeles Praça, mas desta vez na produção da canção (e num tecladinho aqui e num synthezinho ali).

A introspectiva “Old Ghosts, New Skin”, segundo Gustavo, traz novos timbres e perspectivas na evolução de sua carreira solitária. “Os sentimentos mudam, os erros acabam por movimentar nossa vida para a frente. A faixa, assim como o EP, ecoa essa ideia, traz um lado mais energético que traduz essas descobertas subjetivas também para a construção sonora”, explicou.

Diferentemente da delicadeza na melodia, que faz do single outra de suas músicas para se ouvir no escuro, “Old Ghosts, New Skin” aponta para um tempo de retomada, mais alegre um pouco, pós-pandemia. O trecho “When this whole thing ends; call up your best friend; tell him how you’ve been; schedule your next trip; make sure you go far; don’t swallow your regret” verte esse sentimento ao inglês, seu idioma solo.

“Viver em isolamento social não tem sido fácil. Sinto falta de muita coisa, de muitas pessoas. Direcionei isso para as criações, compus muito. Depois compartilhei demos com o Apeles, que trouxe umas ideias também. Ele contribuiu bastante no processo como um todo, antes e durante o estúdio”, falou, incluindo o parceiro Apeles na conversa produtiva.

“Estamos todos presos dentro de nós mesmos, para além (e antes) da pandemia. A gente se limita e se confina de certa forma. E esta música me deu uma esperança, sabe? Me bateu uma vontade de viver a vida mais livremente depois que isso tudo passar, sinto que lancei um olhar mais otimista para o futuro”, completa, meio que dando pinta de qual é essa “nova pele” que está no título da canção.

Eis, então, a música e o vídeo de “Old Ghosts, New Skin”.

>>

Top 50 da CENA – A hora e a vez de Rashid falar. Isabel Lenza trazendo o verão no outono. Rodrigo Amarante e o leva-e-traz da maré. É esse o top, puxando outras 47 outras belezas

>>

* Semana de responsa na CENA brasileira (como se alguma outra não fosse, na fase atual…). Ainda que a gente não tenha revirado muito a nossa lista, estamos vindo com cinco novidades que tomam todo o espaço do top 5, em uma luta árdua pelo primeiro lugar. Tem rap pesado, som que parece triste e não é, um novo balanço de um velho hermano, o aceno do Rincon para o “funk de moto” e uma belíssima reflexão de força de um rapaz da bela Belem do Pará. Aproveitamos para deixar um salve muito grande para o grande Cassiano. Obrigado por muito.

rashidtopquadrado

1 – Rashid – “Diário de Bordo 6” (Estreia)
Em seu sexto diário de bordo, uma série de músicas onde Rashid opta por longos textos sem refrões para dar uma situada na sua vida pessoal e ao seu redor, de seu bairro a todo o seu país. A mira está, principalmente, na escalada de violência recente vista na atuação do governo na pandemia e em outras frentes. “Porque esse governo de morte foi o atalho pra bandeira ficar vermelha/ Do sangue do povo”, versa Rashid, que ainda conta aqui com o apoio do músico Chico César. São 5 minutos só de punchlines certeiras.

2 – Isabel Lenza – “Imenso Verão” (Estreia)
Um música outonal com verão no título, uma música que parece triste mas não é, com uma letra que parece amargurada, mas não é. A cantora paulistana Isabel Lenza a considera “debochada”, para alguém que quer o perdão dela, mas não faz nada para merecê-lo. E é assim que começamos a conhecer “Véspera”, segundo álbum de Lenza, quatro anos após a sua estreia.

3 – Rodrigo Amarante – “Maré” (Estreia)
Em sua segunda aventura solo, o hermano mais atirado na carreira reaparece em “Maré”, com uma sonoridade ensolarada que lembra os verões iluminados de seu projeto Little Joy, um aspecto que ele deixou meio de canto em seu primeiro disco sozinho. No papo da música, reflexões “sobre como o desejo, nossos sonhos e pesadelos moldam nosso destino, a graça e o terror disso”. A maré que leva é a maré que traz, ele canta. Quem sabe se a gente não sonhar melhor, agir melhor, as coisas não mudam?

4 – Rincon Sapiência – “Cotidiano” (Estreia)
Dos nossos rappers mais atentos, Rincon se atualiza em um som que tem toque de funk e fala de moto. Ele está de olho em uma tendência forte no funk atual que é o “consciente”, que não aborda tanto sexo, mas fala de superação, encarar problemas sociais e outros dilemas das quebradas brasileiras, aproximando o gênero do rap, uma união antiga que ficou de lado por uns tempos, mas vem sendo retomada. Rincon está ajudando nessa ponte.

5 – Saulo Duarte com Luedji Luna – “Lumina” (Estreia)
A nova canção de Saulo Duarte com participação de Luedji nos vocais e metais certeiros da turma do Bixiga 70 é uma inspirada mensagem de que a mudança, um novo dia e toda energia para ele está em nós. Que esperança e força só podem partir de dentro de nós. É desse nascer do sol que ele canta aqui, após identificar em pequenos detalhes mensagens poderosas que lhe trazem saudade, ancestralidade, africanidade e verdade.

6 – Anitta – “Girl from Rio” (1)
A esta altura talvez tudo já tenha sido dito sobre a música da Anitta. Mas tem um lance em a gente destacar alto ela aqui e ter citado ela no top 10 Gringo. Na lista gringa ressaltamos a sacada em conquistar o mundo. Aqui, nosso olhar é sobre a CENA brasileira. Anitta pensa em multidões, sabe que seus passos ressoam mais do que o dos demais. E em “Girl from Rio” dá seu pitaco na discussão que ronda o funk ser ou não uma música tão sofisticada quanto os outros estilos, o que nos traz de volta à discussão do Grammy+Cardy B. Por isso a provocação em se apropriar da nossa bossa nova mais popular da história. A própria bossa nova, que passou por um longo processo de elitização que a deixou muito mais branca do que é de fato, é um exemplo do que o racismo e elitismo no Brasil dão conta de fazer com a nossa cultura. Ela ser uma arma dessa mesma elite contra o funk é a prova disso. Nada mais justo que a Anitta pegar e dizer: “Ei, esse Tom Jobim é meu, na real”. Ainda que a música talvez tem suas questões problemáticas no discurso e no próprio vídeo, que vende uma sociabilidade que está em cheque no Brasil contaminado atual, a provocação está lá e é bem válida. Este som já nasceu clássico.

7 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (2)
Deu muito certa a união de Bertoni com a cantora fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz dele. A música, muuuuito bonita e bem construída, ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

8 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (3)
A banda mineira Lupe de Lupe adotou um jeito curioso de divulgar seu novo álbum. Cada single tem como destaque um membro da banda na voz. Logo, são cinco singles que antecedem a chegada do novo álbum, “Trator”, logo mais. Esse mais recente single, o último também, coloca no vocal o baterista da banda, Cícero Nogueira, em uma letra escrachada e que nos leva até um dos solos mais divertidos do ano. Que barulheira boa. O Pavement ou o Weezer do começo ficariam orgulhosos, desde que eles não ligassem para a letra.

9 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (4)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

10 – Salma e Mac – “Amiga” (5)
O casal da famosa banda goiana Carne Doce se apresenta agora de maneira intimista, dupla voz e violão. A ideia dos dois é apresentar as canções que compõem juntos na forma como surgem, com a suavidade íntima que depois viraria barulhinho bom na banda. Se nesse caldo vem novidades ainda não está claro, por agora resgataram a já linda amiga, lançada em 2016 no disco “Princesa”, com a promessa de vir mais por aí. E logo.

11 – Yung Buda – “Digimon” (6)
12 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (7)
13 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (8)
14 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (9)
15 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (10)
16 – FEBEM – “Crime” (11)
17 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (12)
18 – Boogarins – “Supernova” (13)
19 – Moons – “Love Hurts” (14)
20 – BaianaSystem – “Brasiliana” (15)
21 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (16)
22 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (17)
23 – Jair Naves – “Vai” (18)
24 – FEBEM – “México” (19)
25 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (20)
26 – Carmem Red Light – “Faith No More” (21)
27 – Jadsa – “Olho de Vidro” (22)
28 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (23)
29 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (24)
30 – Yannick Hara – “Raça Humana” (25)
31 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (26)
32 – Uana – “Mapa Astral” (27)
33 – Mayí – “Sedenta” (28)
34 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (29)
35 – Jadsa – “Sem Edição” (30)
36 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (31)
37 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (32)
38 – FBC – “Gameleira” (33)
39 – Rico Dalasam – “Última Vez” (34)
40 – Mbé – “Aos Meus” (37)
41 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (37)
42 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (39)
43 – Djonga – “Eu” (40)
44 – LEALL – “Pedro Bala” (41)
45 – Filipe Ret – “F* F* M*” (43)
46 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (44)
47 – Ale Sater – “Peu” (46)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (48)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (49)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

*****

*****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é do Rashid.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>

Top 50 da CENA – Anitta em primeiro lugar. E podemos provar. GusxGio seguem firmes nas cabeças. Lupe de Lupe em terceirão porque a banda está demais

1 - cenatopo19

* Well. Anitta liderando ranking indie? Pois é. Achamos que tem uma provocação ali no novo hit dela que merece prêmio, sim. Até porque, com todos os contextos e relações que essa música nova inspira, se bem entendemos o recado dela, cada vez mais é necessário que a CENA seja um todo da música brasileira. E por isso, se nosso ranking quer cada vez mais olhar para o todo produzido no Brasil, Anitta é um dos principais nomes desse rolê, ainda que uns torçam o nariz – a gente até torce para uns aspectos, mas bem justificado ali no texto, acreditamos.

anittatopquadrado

1 – Anitta – “Girl from Rio” (Estreia)
A esta altura talvez tudo já tenha sido dito sobre a novidade da Anitta. Mas tem um lance em a gente premiar ela aqui e ter citado ela no top 10 Gringo. Na lista gringa ressaltamos a sacada em conquistar o mundo. Aqui nosso olhar é sobre a CENA brasileira. Anitta pensa em multidões, sabe que seus passos ressoam mais do que os demais. E em “Girl from Ipanema” dá seu pitaco na discussão que ronda o funk ser ou não uma música tão sofisticada quanto os outros estilos, o que nos traz de volta à discussão do Grammy+Grammy+Cardy B. Por isso a provocação em se apropriar da nossa bossa nova mais popular da história. A própria bossa nova, que passou por um longo processo de elitização que a deixou muito mais branca do que é de fato, é um exemplo do que o racismo e elitismo no Brasil dão conta de fazer com a nossa cultura. Ela ser uma arma dessa mesma elite contra o funk é a prova disso. Nada mais justo que a Anitta pegar e dizer: “Ei, esse Tom Jobim é meu, na real”. Ainda que a música talvez tem suas questões problemáticas no discurso e no próprio vídeo, que vende uma sociabilidade que está em cheque no Brasil contaminado atual, a provocação está lá e é bem válida.

2 – Gustavo Bertoni e Giovanna Moraes – “Como Queria Te Deixar Entrar” (1)
Acho que o Gustavo é leitor da Popload, hein? Parceria com a YMA, com o Apeles e agora com a Giovanna. Notamos um padrão com “prediletos da casa”. Mas, brincadeira à parte, deu muito certo a união dele com a fora-da-curva Giovanna Moraes. Amigos pelas redes sociais inicialmente, aqui eles parecem parceiros das antigas, tal a conexão nas vozes e na letra – que é dela, mas soa muito verdadeira na voz do Gustavo. A música, muuuuito bonita e bem construída, ainda ganha pontos pelos diferentes climas que consegue criar, chegando até a ficar bem abstrata antes de voltar ao “normal” – como um nó que se desfaz para ser refeito.

3 – Lupe de Lupe – “Coromandel” (Estreia)
A banda mineira Lupe de Lupe adotou um jeito curioso de divulgar seu novo álbum. Cada single tem como destaque um membro da banda na voz. Logo, são cinco singles que antecedem a chegada do novo álbum, “Trator”, logo mais. Esse mais recente single, o último também, coloca no vocal o baterista da banda, Cícero Nogueira, em uma letra escrachada e que nos leva até um dos solos mais divertidos do ano. Que barulheira boa. O Pavement ou o Weezer do começo ficariam orgulhosos, desde que eles não ligassem para a letra.

4 – Jupiter Apple – “Cerebral Sex (The Apple Sound)” (2)
Astronauta Pinguim, Clegue França, Laura Wrona e Júpiter Apple formaram a The Apple Sound, a banda paulistana de Jupiter. Talvez você nunca tenha ouvido falar, porque esse quarteto durou apenas três shows em 2009. “Cerebral Sex”, único registro deles em estúdio, foi revelada pelo diretor de vídeos André Peniche, amigo do músico gaúcho, que já tinha ajudado na descoberta do disco solo perdido dele.

5 – Salma e Mac – “Amiga” (Estreia)
O casal da famosa banda goiana Carne Doce se apresenta agora de maneira intimista, dupla voz e violão. A ideia dos dois é apresentar as canções que compõem juntos na forma como surgem, com a suavidade íntima que depois viraria barulhinho bom na banda. Se nesse caldo vem novidades ainda não está claro, por agora resgataram a já linda amiga, lançada em 2016 no disco “Princesa”, com a promessa de vir mais por aí. E logo.

6 – Yung Buda – “Digimon” (3)

Interessante a experimentação do Yung Buda, rapper de Jundiaí, aqui em um som superclimático, com levada de corda e de letra quase enigmática e repetitiva, um formato ousado e raro. Só que a repetição deixa tudo com cara de um som que não parece ter fim e que a gente fica desejando que não acabe mesmo.

7 – Hierofante Púrpura – “Na Terra das Cartas” (Estreia)
Dramaticamente psicodélico este segundo single do álbum “Impermanências Lo-Fi Vol.2”, primeiro disco cheio da dupla de Mogi das Cruzes desde 2016. Pense que esse mar de brisas é um registro em fita cassete, sim, um “fora às gravações digitais”. Viva o analógico.

8 – AKEEM MUSIC – “Eu Já Amei uma Ginasta” (4)
E, se falarmos para você ao ouvir esta música, que o verso “Eu já amei uma ginasta” dificilmente vai sair de sua cabeça por muito tempo? Parece algo improvável, certo? Mas o músico gaúcho consegue esse feito, ainda que provavelmente você nunca tenha se apaixonado por um ginasta. E o verso inusitado soa lógico neste indie-pop grudento produzido pelo gaúcho Akeem, com todo o peso que esse “gaúcho” traz ainda hoje.

9 – Plutão Já Foi Planeta – “Depois das Dez” (Estreia)
Pensa em um pop bem feito. Esse é som da banda de Natal, RN, que já tocou em grandes palcos e agora reaparece reformulada, com a nova vocalista Cyz Mendes. Um processo sempre complicado, já que a voz é sempre a alma de qualquer banda, mas que pelo visto os garotos está tirando de letra, até porque Cyz manda bem demais mesmo. Como entrega “Depois das Dez”.

10 – Duda Beat – “Meu Pisêro” (Estreia)

Em seu segundo álbum, segue intacta a capacidade da Duda Beat de produzir hits dançantes que pedem por pistas e por momentos em que você se pega nos versos como “Passou 3 horas te excluí das redes sociais/Logo depois adicionei porque eu não fui capaz”. Uma sofrência daquelas, bichinho, mas dançante, sempre.

11 – FEBEM – “Crime” (5)
12 – Aquino e a Orquestra Invisível – “Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã” (6)
13 – Boogarins – “Supernova” (7)
14 – Moons – “Love Hurts” (8)
15 – BaianaSystem – “Brasiliana” (9)
16 – Bárbara Eugênia – “Hold Me Now” (10)
17 – NoPorn – “Festa No Meu Quarto” (11)
18 – Jair Naves – “Vai” (12)
19 – FEBEM – “México” (13)
20 – Sophia Chablau e uma Enorme Perda de Tempo – “Delícia/Lúxuria” (14)
21 – Carmem Red Light – “Faith No More” (15)
22 – Jadsa – “Olho de Vidro” (16)
23 – Giovanna Moraes – “Boogarins’ Are You Crazy?” (17)
24 – Lupe de Lupe – “Resplendor” (18)
25 – Yannick Hara – “Raça Humana” (19)
26 – Jota Ghetto – “Vagabounce” (20)
27 – Uana – “Mapa Astral” (21)
28 – Mayí – “Sedenta” (22)
29 – BaianaSystem – “Reza Frevo” (23)
30 – Jadsa – “Sem Edição” (25)
31 – Thiago Elniño – “Dia De Saída” (26)
32 – Luna Vitrolira – “Aquenda” (27)
33 – FBC – “Gameleira” (28)
34 – Rico Dalasam – “Última Vez” (29)
35 – YMA – “White Peacock” (30)
36 – Frank Jorge e Kassin – “Tô Negativado” (31)
37 – Mbé – “Aos Meus” (32)
38 – Giovanna Moraes – “Tudo Bem?” (33)
39 – Rico Dalasam – “Expresso Sudamericah” (35)
40 – Djonga – “Eu” (37)
41 – LEALL – “Pedro Bala” (39)
42 – Barro e Luísa e os Alquimistas – “De Novo” (40)
43 – Filipe Ret – “F* F* M*” (41)
44 – BNegão – “Salve 2 (Ribuliço Riddim)” (43)
45 – Vanessa Krongold – “Dois e Dois” (44)
46 – Ale Sater – “Peu” (45)
47 – Jupiter Apple – “AJ1” (46)
48 – Apeles – “Eu Tenho Medo do Silêncio” (47)
49 – Rohmanelli – “Viúvo” (48)
50 – Jadsa – “A Ginga do Nêgo” (50)

****

****

* Entre parênteses está a colocação da música na semana anterior. Ou aviso de nova entrada no Top 50.
** Na vinheta do Top 50, a imagem é da Anitta.
*** Este ranking é pensado e editado por Lúcio Ribeiro e Vinícius Felix. Com uma pequena ajuda de nossos amigos, claro.

>>