Em harry:

CENA – O adeus repentino de Johnny Hansen, da lendária Harry. Banda de Santos estará em caixa de vinil e em coletânea a serem lançadas na Europa neste ano

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* O certo seria uma vinheta com a palavra “PROTOCENA”, acima. O mais certo ainda seria todo próximo show de banda indie brasileira ter um minuto de silêncio ou prestar alguma homenagem ao grupo santista Harry, banda de Santos fundada nos anos 80 e precursora do indie e principalmente da eletrônica tudo junto e misturado na cena alternativa do país.

Seu criador, Johnny Hansen (abaixo), cantor e multiinstrumentista cujo nome real era Marcos Ricardo Pereira da Fonseca, morreu na última sexta-feira, aos 56 anos, vítima de um infarto fulminante.

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O Harry, fundada em 1985, era um “ser estranho” dentro da grande cena pop rock que assolou o Brasil nos anos 80, e fincou os pés na algo pequena movimentação independente da época e por lá construiu seu mito. Principalmente quando em 1988 lançou o marcante e clássico “Fairy Tales”, seu disco de estreia e um dos mais importantes álbuns da cena indie brasileira desde sempre, porque cantado em inglês e parecido vir ou da Alemanha dos anos 70 ou da própria cena industrial inglesa dos anos 80, também com uma forte presença do punk e do pós-punk que bagunçou tudo à época.

Hansen foi o artífice deste pioneirismo. E, com exceção de alguns momentos de sua vida, nunca deixou de produzir ou trabalhar com música, mesmo quando participou de bandas covers na década passada, quando se retirou em São Tomé das Letras, onde sua namorada morava.

Inclusive, Hansen lançou agora em 2015 uma versão mais roqueira de “Fairy Tales”, chamada de “Electric Fairy Tales”. E tinha a pretensão de lançar um álbum de inéditas do Harry ainda este ano, de tanto material inédito que tinha.

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A Popload conversou ontem sobre Hansen e sobre o Harry com o empresário de shows e músico Roberto Verta, parceiro de longa data do cantor, no momento em que ele voltava de Santos, depois das cerimônias de adeus ao amigo. Verta, um dos mentores do Harry, não estava exatamente envolvido na produção atual da banda, com Hansen, mas sim com projetos de lançamentos de discos da banda na Europa ainda neste ano, cuja novidade ele mesmo conta, abaixo:

Oi, Lúcio, desculpe não haver respondido antes. Estava voltando de Santos (o fim de semana foi intenso…)

Hansen tinha hábitos alimentares bem peculiares, com especial preferência por carboidratos e fast-food, então sabíamos os riscos que ele corria. Porém, por ser um cara extremamente forte, você acha que ele vai se safar. Então a morte dele me surpreendeu mais pela forma como aconteceu, o infarto fulminante. Foi implacável e triste, mas quase que indolor. Ainda estamos todos assimilando.

Conheci o Hansen quando ele ainda tinha uma banda chamada Bi-sex, pelos idos de 1984, então, como todo relacionamento longo, já teve seus altos e baixos. O que fica é a amizade e aprendizado, fruto do relacionamento com um cara absolutamente singular, como pessoa e como músico também. Hansen tinha uma visão muito clara de onde queria ir musicalmente e isso às vezes nos impunha a todos alguns limites. De qualquer forma, havia um enorme senso de objetivo comum e uma irmandade não exposta ao mundo exterior, como toda banda de verdade deve ter.

Quanto a mim estar atuando na banda, posso te dizer que sim e não. Explicando: eu não estava gravando com eles (Hansen deixou muito material gravado recentemente), mas estava envolvido em vários projetos da banda desde que compramos os masters de nosso catálogo que era da Wop Bop [famosa loja de discos paulistana dos anos 80 que virou selo e lançou os discos do Harry] para o box “Taxidermy”, em 2005. Entre esses projetos de agora estão o lançamento de um box de vinil na Europa pela Mecanica Records polonesa e uma coletânea de pós-punk brasileiro na Inglaterra, ambos programados para 2017 ainda. Meu último show com Hansen foi no Wave Winter Festival do Twin, em agosto de 2015 [quando o Harry tocou com a formação original].

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O Harry nos anos 80. O terceiro a partir da esquerda é Roberto Verta. Atrás dele, na ponta, Johnny Hansen

* A discografia do Harry

Caos EP (1987)
Fairy Tales (1988)
Vessels’ Town (1990)
Chemical Archives (1994)
Taxidermy – Boxing Harry (2005)

* O clássico “Fairy Tales” no Youtube

* “Fairy Tales” no Spotify, com as faixas bônus.

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CENA – Brvnks chama o “Harry” para uma despedida. Veja o novo vídeo

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* Outra integrante da rica e plural cena indie goiana, a ótima banda Brvnks parece já ter fincado seu nome na música independente brasileira graça a apenas um EP lançado no ano passado. Graças a “Lanches”, disquinho de quatro músicas tão urgentes e poderosas, que remetem a um lo-fi americano anos 90, sua vocalista, Bruna Guimarães, a Brvnks, 20 anos, já se mudou de mala e guitarra para São Paulo, onde o grupo se apresenta ao vivo mais uma vez nesta quinta-feira, amanhã.

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O show, na Barra Funda, dentro do projeto Budweiser Basement e com noite pilotada pelo selo faz-tudo Balaclava, marca a ida do Brvnks em direção ao seu primeiro álbum, que deve começar a ser gravado agora, para estar pronto até final de março, começo de abril. A apresentação de amanhã em SP deve ser uma despedida de palcos do quarteto e da “fase goiana” deles até o disco de estreia.

Ainda para encerrar o “ciclo do EP”, o Brvnks lança hoje, aqui na Popload, o vídeo de “Harry”, música do “Lanches”, feito oficial após uma session em ação do festival Locomotiva, de Piracicaba, interior paulista. Nesse vídeo ao vivo, o Brvnks traz uma versão mais acelerada e estendida de “Harry”, inclusive com outros arranjos. Ficou assim a nova “Harry”.

* “Harry”, o vídeo, foi gravado em apenas um take durante a passagem da banda por Piracicaba, em Dezembro. Tem produção de Luciano Benetton. A captação de imagens é de Thiago Altafini e Urgência Filmes. A de áudio, mais a mixagem, de Massimo Matta, do Estúdio LabSound.

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