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A música em “Ted Lasso”: como a série mais legal atualmente envolve Mumford and Sons, Wilco, Pistols, Blur, Queen, Elastica, Lizzo e… “Hello”

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* Precisamos falar sobre “Ted Lasso”, a genial série “feel-good” e ~inofensiva~ da Apple TV+ que está na fase final de sua segunda temporada e varreu a cerimônia do Emmy Awards 2021 ontem à noite com sete premiações.

A história é muito boa. Num papo raso sobre a trama, uma mulher assume a presidência de um time de futebol capenga da Inglaterra das mãos do ex-marido e, para se vingar dele, quer afundar o clube, xodó do sujeito. Tem uma idéia ótima para isso: para comandar o time, importa dos EUA um técnico de… futebol americano.

Ted Lasso, esse técnico ianque gentil e fofo que cai no covil de cobras futebolísticas da Inglaterra, é vivido pelo comediante Jason Sudeikis, ator e roteirista de longo tempo em papeis de alcance relativo em filmes e séries. Até que ajudou a criar e está estrelando a sitcom.

Cheio de tretas da bola e de amor, com personagens engraçados e até surfando na onda de questões de mental health, “Ted Lasso” também é muito boa na parte musical, que é o que nos interessa aqui (mentira: todo o resto nos interessa, principalmente o futebol haha).

A trilha sonora original incidental das duas temporadas da série foi produzida por Marcus Mumford, o vocalista, instrumentista e líder da banda folk inglesa Mumford & Sons. Incluindo a música-tema, fofa.

A Apple acaba de lançar, obviamente apenas em sua plataforma, o soundtrack da segunda temporada, toda ela construída por Marcus Mumford, mas que tem um outro sujeito da música comandando o tema do Ted Lasso: Jeff Tweedy, do Wilco, fanzoca assumido da série.

Graças aos poderes da Apple, os episódios de “Ted Lasso” são embalados por pinceladas de muita música boa, de Sex Pistols a Lizzo, de A Tribe Called Quest e Run DMC a Blur e Oasis, de Queen a Arctic Monkeys.

Daí que no mais recente episódio, que subiu na plataforma na última sexta-feira (sobe um por semana; faltam mais três para fechar a temporada), o técnico auxiliar de Lasso na trama, o Beard, chateadão com uma derrota importante do Richmond (o clube inglês que eles comandam) e com uma situação mal resolvida com a ex-não-ex, não suporta ficar na bad em casa e resolve cair na noite, para acabar numa jornada noturna descontrol daquelas que Londres sabe bem oferecer, muito vista em vários filmes e séries.

O rolê de Beard, nessa hora no clube, desencava o ótimo hit de 2010 do DJ e produtor francês Martin Solveig, com uma necessária ajuda vocal da banda canadense Dragonette. A música estourou loucamente nas pistas de todo o mundo na época e entrou em trilha sonora de games, séries e filmes de modo avassalador, mas que ultimamente andava quietinha.

“Ted Lasso” foi lá e fez isso com o antigo hit de Solveig.

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Liam no gás. Com a música de Natal. No rádio, na TV, cantando Oasis e falando do Maradona

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* Vivemos um momento intenso Liam Gallagher nos últimos dias. E esse caldo tende a engrossar, tadinho do Noel, que anda quietinho, na dele, mas vai ter que ouvir e ver o irmão em todo lugar. Justo ele que tem esse nome natalino, mas que aparentemente vai ter que engolir a onipresença do irmão até este ano acabar.

Há poucos dias, Liam lançou a chamada “música de Natal”, a baladaça auto-ajuda “All You’re Dreaming Of” que já está tocando nos pubs nos horários em que podem abrir no semi-lockdown britânico, nas lojas em horários reduzidos, nas rádios e, desde este fim de semana que passou, na TV.

O caçula dos Gallagher levou a música ao programa do Jonathan Ross, conhecidíssimo apresentador e entrevistador da BBC One. Baita apresentação do Liam para sua música nova, que num dos papos destes últimos dias falou que a música nem era para o Natal. A ideia era lançá-la em junho, mas a pandemia acabou empurrando seu lançamento.

Liam foi também ao programa matinal de Zoe Ball, na Radio 2, no sábado. Dali saiu o novo single e uma cover do Oasis para a incrível “Hello”, que Liam não cantava havia 18 anos, desde um show de sua ex-banda em 2002. Ouro puro.

No vídeo abaixo, as duas músicas, “All You’re Dreaming Of” no minuto 2:57 e “Hello”, ali no 10:16, em meio a papos sobre Maradona e Oasis. Na entrevista, Liam disse que tocou “Hello”nas gravações do show do barco pelo Tâmisa, que vai ser transmitido neste final de semana no app MelodyVR, com ingressos a venda. Mas que, no caso da música rara ao vivo do Oasis, ganhou os ares antes, aqui, pela Radio 2.

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Wiz Khalifa, que se apresenta domingo em SP, solta fumaça em versão de “Hello”, da Adele

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* O show mais quente eu vi na minha vida de shows quentes foi o do rapper americano maconheiro Wiz Khalifa. Aconteceu num desses Coachellas passados, há uns anos. A performance até estava bem divertida, mas o “quente” no caso se refere ao sol que eu peguei na cabeça para ver o mano de Pittsburgh cantar petardos como “Black & Yellow”. A apresentação dele foi tipo 14h, sol rachando a tipo 100º com sensação térmica de 200º, no deserto da Califórnia. E eu jurando para mim mesmo “Só uma música, só mais uma” antes de sair correndo para uma tenda com sombra em um show qualquer.

Bom, agora que “minha historinha de Facebook com o Wiz” acabou, o real deal: não só o rapper tatuadão e amigo do Snoop Dogg toca neste domingo em São Paulo, domingo, no Espaço das Américas, como ele fez uma versão “diferente” de uma música da Adele.

Wiz Khalifa foi até a rádio Power 106 FM de hip hop de Los Angeles, no famoso “Programa do Cruz” e aceitou o desafio de fazer um rap em cima do megablasteruber hit “Hello”, da cantora inglesa. Virou o “Hello with a Twist”, porque a letra, bem, ficou um pouquinho mudada. Assim:

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A melhor versão de “Hello”, da Adele. E não é a da Miss Piggy

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* “Hello” cantada por Adele, acompanhada por instrumentos de brinquedo, pelo batuque do Jimmy Fallon e pela “orquestra” cool da bandaça The Roots. A letra triste e cheia de lamentos da música virou até uma coisa “pra cima”, pelo ritmo. Não fosse pelos instrumentos de sopro, diria que era ficou uma roda de samba, haha.

Adele, hoje de manhã, cantou ao vivo, transmitido inclusive pela internet, no programa “Today Show”, da NBC. Gravado no Rockfeller Center, em Nova York, com a Times Square ao fundo e um monte de gente se amontoando para ver, é um dos programas de maior audiência da programação diurna da TV americana. Adele está em turnê pela televisão dos EUA, como você pode perceber. Temos iBagem.

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Adele contra o Oasis. E no “Saturday Night Live”. E a crítica de “25”, o álbum mais importante do ano

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* Affe. O furacão Adele sopra forte. E o “importante” do título acima tem vários significados para a música pop.

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Como uma bomba atômica, o disco “25”, terceiro e novo álbum da cantora inglesa Adele, explodiu na música pop na última sexta-feira, ao ter lançamento mundial, precedido dias antes pelo single “Hello”, outro barulhentíssimo acontecimento a agitar a indústria como faz tempo não acontecia. Primeiro porque o disco, de tal magnitude, só foi vazar na íntegra, graças aos russos, na quinta-feira, apenas um dia antes de sair às lojas. Segundo porque a expectativa é que o disco físico venda absurdamente, quebrando recordes, assim como a canção “Hello” quebrou também no mundo virtual. Só para os Estados Unidos, foram exportados da Inglaterra quase 3.5 milhões de cópias para as lojas. De um formato semimorto.

Outra prática “contracorrente” é que o álbum foi proibido de ir a programas de streaming tipo “Spotify” e “Rdio”. Adele vai fazer repensar o modo de consumir música hoje em dia?

Nas primeiras 24 horas de vendas, dados compatibilizados nas primeiras horas do sábado, “25” vendeu 300 mil cópias apenas no Reino Unido. A expectativa é de que o novo da Adele quebre o recorde de disco mais vendido na primeira semana na historia britânica, batendo um recorde de quase 700 mil cópias passando por caixa registradora que o Oasis conseguiu em 1997, com o “Be Here Now”, também seu terceiro álbum.

((O segundo disco de Adele, “21”, vendeu 208 mil cópias em sua primeira semana, em janeiro de 2011.))

Desculpe-me resumir assim: naquele tempo vender disco era uma coisa. Hoje em dia, vender disco é uma outra coisa.

Na própria sexta-feira de lançamento, publiquei na Folha de S.Paulo uma resenha de “25”, onde trato o disco como um outro fator à luz da temática “o consumo de música hoje em dia”. Até mais sério do que saber se “25” é bom ou não é bom. Reproduzo ela aqui, na Popload, mais abaixo.

Antes, trago os dois vídeos de apresentação de Adele no programa nova-iorquino “Saturday Night Live”, de anteontem. Cantando duas de suas principais músicas do álbum novo.

Tudo a seguir. Primeiro ela no “Saturday Night Live”. Depois a crítica de “25” que fiz para a Folha.

Há dois modos de acomodar este aguardado novo álbum da fenômeno Adele no estado de coisas atual da música popular. O primeiro é ver como é possível, na era do consumo via streaming, download e quetais modernos, construir um disco tão perfeitamente pop com capacidade de vender milhões em cópias físicas, bater recordes históricos e não sair do topo da “Billboard” americana ou do “chart” britânico, com desdobramentos nos outros cantos do mundo, até enjoarmos de ver a capa com o belo rosto de Adele, seus olhos de cor bem tratada, sua maquiagem perfeita e os cabelos bem arranjados.

A segunda maneira é enxergar “25” exatamente como ele é, um álbum, com suas 11 faixas botando holofotes uma atrás da outra na poderosa voz da cantora, sua marca mais significativa. E esse modo não é tão favorável à cantora (e à indústria) quanto o primeiro.

Porque a “golden voice” de Adele, ao mesmo tempo que é uma benção para ela (e para seus fãs), pode ser também sua “maldição”. De identidade tão forte, a garganta de Adele não só abafa facilmente as canções do álbum, muitas delas guiadas por um contrastante dedilhar de piano, como faz o velho exercício de ouvir um disco cheio inteiro um desafio exaustivo.

Dito isso, “25”, uma coleção de músicas diferentes costuradas pela voz de Adele, funcionaria melhor sendo lançado aos poucos, como singles, no máximo EPs, de consumo esporádico. Adele em doses homeopáticas. Sinal dos tempos hoje em dia, em que o fone de ouvido do celular é a nova caixa acústica?

O disco está longe de ser ruim, porém. Com um punhado de músicas boas, outras mais do mesmo, típico de quem está no terceiro disco, em pleno auge, e lança o chamado “álbum de segurança”, sem arroubos de ousadia, “25” tem seus méritos: dialoga exatamente com os outros discos de Adele e é honestíssimo em sua contemporaneidade.

Ao deixar rolar “25” o fã consegue ouvir tudo o que pertence ou ainda pertence à música mais abrangentemente pop, em todos os seus nichos: dá para sentir gospel pop engrandecedor, músicas da linhagem de programas de TV como “The Voice” (porque grande parte das calouras parecem almejar ser exatamente isso: a nova Adele), uma canção ou outra que combina com uma trilha para cenas explosivas de um filme do 007. Não coincidentemente, tudo o que envolve o universo Adele.

Por trás dos milhões que o disco vai vender a partir de hoje, e por baixo da bombástica verve vocal de Adele, “25” é tecido por parceiros produtores/compositores que é um verdadeiro “who is who” da música pop, do indie Tobias Jesso Jr ao midas Max Martin. Em nenhum momento o disco apela para o chamariz fácil de um epíteto tipo “produzido por Dr. Dre, com participação de Rihanna e/ou Taylor Swift”. Exatamente porque Adele não precisa de ninguém maior que ela ou do mesmo nível para vender discos.

Mesmo sem nenhuma faixa aparentemente com a força de “Rolling in the Deep” (do anterior “21”) ou “Chasing Pavements” (da estreia “19”), algumas músicas deste “25”, como “Hello”, “Water under the Bridge” e “I Miss” devem levar Adele ainda mais longe do que ela já foi. Sem se dar conta, segundo ela. Mas com o pop dando bem conta de tudo.

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