Em hora de acordar:

CENA – Em documentário, Rashid relembra sua estreia com “Hora de Acordar”

1 - cenatopo19

Captura de Tela 2020-12-29 às 1.17.56 PM

* No pesado 2020, o rapper e produtor paulistano Rashid lançou um novo álbum pouco antes da pandemia estourar. Sem os shows para a divulgação do trabalho, teve que se virar neste meio tempo. Apresentou programas na Twitch da Lab Fanstama, mostrou seu lado youtuber e até se aventurou no mundo do podcasts.

2020 também quase estragou a celebração de sua estreia em disco. São dez anos do seu primeiro EP, “Hora de Acordar”. Mas aqui a pandemia agiu diferente. Ela não impediu o lançamento do documentário que ele queria, só atrapalhou um pouco o formato, mas Rashid “deu seus pulos”. E então está no ar o documentário “Hora de Acordar”.

Em 40 minutos, o filme aborda a jornada coletiva que possibilitou que o ainda quase desconhecido Rashid, na época com apenas 21 anos, construísse seu EP com participação de nomes como Laudz (na época um moleque e atualmente um dos Tropkillaz), Fióti, Rael, Projota, Nave Beatz e Luiz Café.

Em suas casas, Projota (que cresceu na mesma rua que Rashid), Kamau (seu mestre e aliado), Apolo (que conheceu Rashid ainda com o apelido de Mosca), Marechal (que abriu seu estúdio para o rapper), Dani Rodrigues (empresária, esposa e investidora do primeiro EP), entre outro nomes, relembram aqueles tempos nada fáceis.

No distante 2010, a internet já era um caminho da música independente, mas streaming era sonho distante ainda. Um dos veículos de divulgação da turma de Rashid, formada ainda por Emicida e Projota, era um ainda tosco YouTube.

CD apareceu para aquela turma quando Emicida resolveu vender sua primeira mixtape a preços populares. Prensado em casa, vendido de mão e mão em shows e na rua. “Hora de Acordar” passou por um sistema semelhante. O CD era vendido, às vezes pelo próprio Rashid em shows, por R$ 5. A prensagem era mais profissional, nesse caso, mas o esquema de vendas era quase solitário.

Sem contar que aquela nova geração de rapper ainda lidava com fortes críticas de tudo quanto era lado, até da velha guarda da cena. Que só aos poucos entendeu que aquela turma nova era da rua mesmo, respeitava o passado e tinha algo para ensinar. Não eram boys.

Sendo uma estreia, “Hora de Acordar” guarda canções que mexem com os fãs. “E Se”, “Acendam Às Luzes”, a faixa-título e “Bilhete” são das mais lembradas, até por Rashid em shows.

“Bilhete” talvez tenha a história mais curiosa. É um sleeper hit. No lançamento, fez seu barulho com Fióti no refrão, mas ganhou o mundo ao ser redescoberta por Luccas Carlos. Na construção do álbum “Crise”, em 2017, a faixa foi regravada por Rashid com Luccas e se tornou seu maior hit em plataforma digitais. Outra curiosidade, é que a base original do som produzido por Nave era destinada a Kamau, que na hora que escutou a faixa lembrou da letra do amigo e foi generoso: “Essa base é do Rashid, não é minha, não”. Nave confiou na palavra de Kamau e tudo deu certo.

Ainda na tracklist, Rashid se emociona com “Por Quanto Tempo”, som onde relembra os tempos da separação dos pais e a fase de sua vida em que vivia entre São Paulo e Minas Gerais. As dores, angústia daquela época estão aqui no que Kamau classificou como a “revolta mais verdadeira” na obra de Rashid.

Mas chega de spoiler, né? Melhor assistir a íntegra do documentário:

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* As imagens usadas neste post e na home da Popload são de Ênio César.

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